FAZER LOGINEu era louca, mas nem tanto. Uma coisa era agredir a rainha porque ela tentou me matar. Outra era agredir Vitória porque ela beijou o noivo na minha frente. Então eu respirei fundo e tentei pensar em outras coisas.
- Katrina... Você faz aniversário no próximo sábado? – disse Dereck surpreso, olhando algo no computador.
- Sim... Como você sabe?
- Sou um bom chefe. – ele disse piscando.
Vitória finalmente terminou o show e disse:
- Temos outra aniversariante?
Olhei para Magnus e percebi que ele estava um pouco sem jeito, mas ao mesmo tempo não parecia muito bravo com a atitude da noiva. Eu poderia até arriscar que ele gostou do beijo. Senti raiva dele tanto quanto sentia dela.
- Quantos anos, senhorita Lee?
- Vinte.
- Jovem... Muita coisa pela frente. Aproveite cada momento, querida. Que inveja de você... Ah, meus vinte aninhos.
- Eu aproveito mesmo... Cada momento. – falei.
- Ainda tem aquele namorado? – perguntou ela se referindo a Léo, creio eu.
- Não... Já tenho outro. – falei sorrindo orgulhosa.
Quase que eu disse que era um líder rebelde. No entanto consegui me calar a tempo.
- Você não perde tempo...
- Não mesmo... O tempo que me perde.
- Vai fazer uma festa para comemorar? – perguntou Dereck.
- Acho que não.
- Ah, claro que vamos comemorar, Katrina. Você é muito importante para mim e eu faço questão de lhe dar uma festa.
- Não quero de maneira alguma que se preocupe com isso, Alteza.
- Vou lhe dar uma festa na boate mais badalada de Noriah. Vai ser inesquecível.
- Nossa, cunhado, você realmente gosta da sua subalterna. – observou Vitória de forma irônica.
- Ela não é uma subalterna. – disse Magnus. – Eu não quero que você a chame assim.
- Eu não falei por mal, querido. Relaxe. Você sempre preocupado com os menos favorecidos...
Sério que ela estava tentando me abalar novamente? Vingança por causa do que eu disse sobre as tatuagens que ele tinha, pois não era nenhuma à mostra, então ela sabia que eu já havia visto o príncipe sem camisa? Pensei em dizer que ele beijava melhor do que eu pensei, mas evitei me estressar. Não queria parar na enfermaria novamente e preocupar todos, principalmente meus príncipes. Ele gostava mais de mim do que dela... E eu não precisava provar isso a ninguém. Mas no fim, ela levaria o príncipe e eu sabia disso. E eu ficaria sozinha. Mas isso não me impedia de aproveitar os momentos que eu tinha oportunidade junto dele.
- Para mim está tudo bem. – falei. – Sou mesmo uma subalterna e não tenho problemas com isso. Quem dera tantas subalternas pudessem ter o privilégio que eu tenho: passar o dia com dois príncipes.
Ela me olhou com raiva. Vitória não sabia o quanto eu era afiada em discussões. Não sei se ela seria páreo para mim.
- Bem, garotas, eu só sei que eu vou organizar a melhor festa na boate para a assistente mais linda e perfeita de todas. – disse Dereck se jogando para trás e colocando as mãos na cabeça, relaxando.
- Alteza, só não digo que você é a pessoa mais especial do mundo porque tem outra na minha lista. – eu disse.
- Eu sei quem é. – disse ele piscando olho.
- Eu posso saber? – perguntou ela curiosa, na certeza de que falávamos de Magnus.
Nós dois só rimos. Sabíamos que falávamos de Kim. Mas acho que Magnus também ficou confuso e talvez tenha pensado que eu falava de Dom. No fim, pouco importava.
- Agora, vamos, meu bem. Eu não quero ficar trancada neste lugar que você chama de trabalho. Vamos ao jardim comigo? – disse ela com sua voz lânguida e dengosa. – E assim deixamos os dois pombinhos ajeitarem a festa. Já vou preparar minha roupa para o evento. Não aceito não ser convidada.
- Já vou. – disse Magnus anotando algo no computador.
Os dois saíram. Olhei para Dereck e começamos a rir sem parar.
- Você foi cruel nas tatuagens. – ele disse.
- Acho que peguei leve com ela.
- Imagina se não tivesse pegado.
- E quem convidou ela para a festa?
- Ela mesma... – disse ele rindo alto.
Vi uma mensagem por abrir e cliquei. Era de Magnus. Por que ele me mandou uma mensagem sendo que estava comigo o tempo todo? Cliquei no envelope, que dizia:
“Não adianta, seus olhos a denunciam. Você tem ciúme de Vitória, assim como eu tenho dele. Então não sei se você realmente foi sincera comigo.”
Bastava aquilo para eu me derreter por ele novamente e esquecer tudo que aconteceu. Cá estava eu, pensando nele enquanto ele andava de mãos dadas com a noiva pelos jardins do castelo. Era exatamente isso que eu não queria: sofrer. Eu não aceitaria ser a amante dele. Eu não aceitaria nada menos que o príncipe, futuro rei, com sua coroa e tudo que ele tinha por direito.
- Aconteceu algo?
- Não, alteza, tudo certo.
- Vai me deixar lhe presentear com a festa?
- Por que não? – eu disse. – Não lembro a última vez que eu fui numa boate.
- Nem eu... – ele confessou. – Estes encontros secretos acabam com meus sábados.
- Até parece. Você nunca mais foi...
- Não no seu, Kat. Mas tenho ido em outros.
- E... Como está tudo nas outras Zonas?
- Difícil convencer os rebeldes a aceitarem Magnus.
- Eu sei... Estou na mesma situação.
- Mas agora não vamos falar disso. É um pouco arriscado aqui.
- Sim, tem razão.
- Vamos fazer uma lista de convidados. – ele disse.
- Kim.
- Eu sei. – disse ele fingindo descontentamento.
- Dom.
Ele arqueou as sobrancelhas e perguntou preocupado:
- Vai mesmo convidar Dom?
- Claro que sim.
- Kat... Dom e Magnus no mesmo ambiente? Isso não vai dar certo.
- Vai sim. Magnus estará com sua digníssima noiva.
- Acho que você está querendo criar uma pequena confusão, Kat.
- Não... Você sabe que Dom é importante para mim.
- E você sabe que ele e Magnus não se suportam... E bem sabemos o motivo.
- Não... Teoricamente não sabemos o motivo.
- Dom não deixaria o encontro secreto para ir à sua festa. Ele é muito responsável. É o melhor líder que eu conheço dentro do movimento.
- Eu vou tentar... E isso seria a prova do que ele realmente sente por mim e se eu sou ou não importante para ele.
- Faz um tempo que vocês estão juntos... Ou não estão?
- Sim... Mas ele nunca assumiu.
- E você quer ser assumida?
- Eu não sei... Sei que Dom gosta de mim, assim como eu gosto dele. Acho que ele tenta me proteger.
- Isso eu não duvido. Como eu disse, ele é muito responsável.
- Eu não me sinto a vontade mentindo para ele sobre você.
- Kat, você não pode dizer a verdade.
- Eu sei. Ainda assim acho que não ajo corretamente com ele quando lhe escondo uma coisa tão séria.
- Não acho que a causa dos encontros misturada com sentimentos e relacionamentos não fazem bem. Dom é extremamente contra Magnus assumir por sua causa. Ele nunca dará uma chance ao meu irmão.
- Eu já tentei muitas vezes mudar o posicionamento dele... Mas não consegui.
- Não acho que vamos conseguir. Ele é o líder mais difícil em minha opinião. E isso porque envolve sentimentos pessoais.
- Me sinto um pouco mal por isso. – confessei.
- Como eu disse, ele é um homem inteligente. Talvez consiga um dia colocar a razão antes da emoção.
- Isso nem sempre é possível na prática.
- Falou a mulher que tentou agredir a rainha. – ele disse ironicamente.
Rimos novamente. Depois eu só consegui fixar meus olhos na mensagem que havia sido enviada anteriormente por Magnus. Então só me restava ficar ali, pensando no que ele e Vitória estariam fazendo naquele momento. Se ela havia sentado no colo dele na minha frente e na de Dereck, o que faziam sozinhos? Eu preferia não pensar nesta parte. Eu odiava aquela mulher.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







