FAZER LOGINQuando o relógio marcou meio-dia, Dereck colocou seu casaco e convidou Magnus para irem almoçar.
- Pode ir... Eu já estou indo atrás. – disse Magnus.
- Vamos descer? – convidou Sofia.
- Vamos. – eu falei levantando.
- Senhorita Lee, eu gostaria de falar-lhe um minuto... Em particular. – disse o príncipe.
Eu sentei novamente. Dereck e Sofia saíram. Olhei diretamente para Magnus, esperando que ele dissesse algo, mas ele permaneceu em silêncio.
- Alteza, gostaria que eu providenciasse algo com relação a País del Mar? – perguntei.
- Não...
- Então... O que gostaria de falar comigo?
- Sobre ontem... Você disse que tudo estava se encaminhando para um namoro com Domênico.
- Sim, lembro disto.
- Isso é verdade?
- Sim, Alteza.
- Eu achei que... Nós dois estávamos nos acertando. Eu estou errado então?
Magnus havia mandado eu esperar para me falar em particular sobre meu relacionamento com Dom? Fiquei com muita raiva quando ele me fez aquelas perguntas. Ele havia dormido com sua futura noiva na noite anterior, sairiam à tarde para fazer compras para a festa de enlace e ele ainda tinha coragem de cobrar algo de mim?
Eu levantei calmamente e fui até a mesa dele. Empurrei sua cadeira lentamente para trás, puxei minha saia até aparecer minha calcinha de renda e sentei no colo dele, de frente para seu rosto, sentindo instantaneamente o volume em suas calças. Eu era bem mais ousada que Vitória Grimaldo. Magnus não sabia com quem estava brincando. Cheguei minha boca sedutoramente bem perto do seu ouvido, escorregando antes meus lábios no seu pescoço que imediatamente se arrepiou. Então eu disse baixinho:
- Vocês farão compras para a festa hoje à tarde?
- Sim... – ele falou confuso, colocando as mãos sobre meu bumbum, apertando-o com força e me puxando para mais próximo ainda dele.
- A festa será no mês que vem, estou certa?
- Sim... – ele confirmou, com a voz rouca, louco de desejo.
- Você dormiu com ela na noite passada? – perguntei aproximando meus lábios a poucos centímetros dos dele, fazendo menção de que iria beijá-lo.
- Sim... Mas... – ele ficou sério, tentando explicar-se.
- Então, Alteza, acho que cometeu um erro: não estamos nos acertando.
Dizendo isso eu levantei, baixei minha saia e saí, a um passo de quase ter feito amor com ele ali mesmo e bati a porta levemente. Eu nunca havia consumado sexo, mas eu era expert na arte das preliminares. E Dom era um grande mestre neste sentido. Meu coração batia descompassadamente e minha vontade era ficar sentada no colo dele pelo restante do dia, lhe dando todas as carícias que eu tinha guardadas para ele dentro de mim. Mas eu precisava deixar claro que eu não seria a outra na vida do príncipe Magnus. Eu não era boba a ponto de deixar escapar um homem como Dom para ficar sofrendo pelo príncipe enquanto ele aproveitava a vida ao lado da fútil e rica Vitória Grimaldo.
Um mês se passou e minha relação com Magnus passou a ser estritamente profissional desde o episódio que sentei no colo dele. Aquilo parece que acendeu nele a responsabilidade do relacionamento que ele tinha com Vitória. Então passamos a nos tratar de forma polida e distante, o que doía imensamente em mim. Vi Dom por duas vezes nos encontros secretos. Numa delas nem sequer o tive só para mim, pois precisava dividi-lo com todos do grupo. Ele também parecia me evitar e eu sabia exatamente o motivo: Magnus. No segundo encontro eu consegui encontrá-lo a sós num momento de distração. Ele estava na cozinha providenciando uma bebida quando parei ao lado dele:
- Se minha presença não lhe agrada mais posso procurar outro grupo, Dom. – falei escorada na mesa.
Ele não disse nada. Serviu mais um copo e me entregou.
- Não quero, obrigada. – recusei.
- Magnus não está aqui. Pode beber que não vou recriminá-la muito menos tentar m****r em você.
- Não entende que eu não vou beber porque não quero? – falei jogando o copo na parede e quebrando-o em minúsculos pedaços que se espalharam por todo lado.
Mesmo com a música alta os olhares se voltaram para nós. Eu não dei importância. Se ele não queria me ver fora dos encontros secretos, que resolvêssemos nossos problemas na frente de todos então. Dom ficou confuso, olhando para os cacos de vidros quebrados por toda parte.
- Você está louca? – ele perguntou.
- Não... Eu estou cansada. – falei saindo. – Eu não aguento mais isso. Quero que você se foda.
Eu realmente não aguentava mais a pressão. Minha emoção estava pondo minha razão em xeque. E isso não poderia acontecer. Há tempos que eu havia me contentado em ficar no castelo e não fazer nada, somente viver em função de Magnus. Os encontros anti monarquia não tinham mais nada a ver com meus objetivos de vida e de mudança e sim com Dom. Eu não era aquela pessoa, que abria mão de tudo em nome dos sentimentos.
Peguei meu casaco e disse a Kim:
- Estou indo.
- Katee, espere. – disse ele.
Mas eu não lhe dei tempo. Abri a porta e respirei o ar puro da rua em algum lugar na Zona D. Joguei a máscara na bolsa e fui andando pela rua quase deserta e um pouco escura.
- Não vou deixar você sozinha aqui. – disse Dom correndo para me alcançar.
Eu não parei de andar. Continuei meu percurso em direção à minha casa.
- Dom, eu não quero mais ver você. – falei certa da minha decisão.
- Será que dá para você parar um pouco e me ouvir?
- Não.
Ele me puxou pelo braço, fazendo-me parar a força. Tentei me desvencilhar e ele insistiu.
- Largue a garota.
Ambos olhamos para o outro lado da calçada e vimos Black, vestido todo de preto e com sua máscara que tapava quase todo seu rosto. Eu estava sem máscara e creio que ele não me reconheceria, pois ele não estava no lugar do encontro. Talvez estivesse se dirigindo para lá. Mas ele se vestia daquela forma na rua? Não temia?
- Black, isso não é da sua conta. – disse Dom.
- Ela está dizendo não. Você não ouviu?
- Está tudo bem. – eu garanti. Eu não queria meter Black na minha briga com Dom.
- Agora vão levar a causa secreta particular de vocês para as ruas? – perguntou ele.
Antes que pudéssemos responder, ele desapareceu na rua escura. Aquele homem era muito misterioso e se havia alguém que não conheceríamos a verdadeira identidade nunca eu acho que era ele.
- Viu o que você causou? – ele disse.
- Eu causei? Estou farta de você, Dom.
- Está farta de mim... Há quanto tempo você não me vê? E ainda assim está farta de mim?
Nós dois estávamos no meio da rua, discutindo feito duas crianças e nem sabíamos ao certo o motivo. Olhei para ele tão lindo, usando aquela máscara que contrastava com seus cabelos claros. A camisa com alguns botões abertos, deixando parte de seu corpo à mostra. Ele estava nervoso, irritado e... Perfeito. E eu me sentindo tão sozinha e carente. Os últimos dias sem a atenção de Magnus estavam acabando comigo. Então eu o beijei, ali, naquele lugar, sentindo ele tão perto de mim como eu desejei nos últimos dias.
Quando eu e Dom nos tocávamos era como se nossos corpos explodissem em desejo. Por mais tempo que ficássemos longe um do outro, bastava um toque para que a chama reacendesse dentro de nós.
No momento que nos separamos percebemos que Kim estava nos observando. Creio que ele tenha saído quando eu disse que estava partindo. No entanto Dom acabou saindo antes dele.
- Eu... Vou embora. – falei. – Com Kim.
- Katee...
- Me desculpe pelo copo.
- Pelo copo? – ele perguntou ironicamente. – Tem que se desculpar por toda bagunça que fez na minha vida nos últimos meses.
- Como assim? Do que está me acusando agora?
- Estou acusando você de ter entrada na minha vida, virado ela do avesso... E ter feito eu me apaixonar por você.
Olhei para ele ternamente:
- Se gosta de mim... Por que me trata desta forma?
- Será que não entende o quanto eu tentei afastar você de mim? O quanto tentei evitar este sentimento que acaba comigo?
- Por que evitar o amor, Dom? Por quê? – perguntei confusa.
- Porque... Eu não queria me desviar do caminho, dos meus objetivos... Eu sei que isso pode me prejudicar enquanto líder. Já tem me prejudicado. Tenho colocado você acima dos meus ideais.
- Dom...
Eu o abracei com força. Ele estava apaixonado por mim. Como eu queria ouvir aquilo. Eu me senti tão segura naquele abraço. Esperei tanto por aquele momento, quando ele realmente passaria a gostar de mim.
Mas em pouco tempo vimos dois carros suspeitos aproximando-se da casa em que estávamos alguns minutos antes e Dom rapidamente me puxou para trás de uma árvore, para que pudéssemos nos esconder. Kim correu e entrou em um pátio que encontrou no caminho. Vários homens desceram dos carros e jogaram bombas de gás lacrimogêneo pelas janelas. Não levou muito tempo para as pessoas saírem correndo. Algumas foram capturadas. Outras conseguiram escapar. Eu fiquei nervosa, mas Dom se manteve comigo, abraçado ao meu corpo que estava de encontro ao tronco da árvore.
- Dom... Precisamos fazer algo...
- Não podemos fazer nada agora. Espere... Além do mais, eu não posso deixá-la em perigo.
- Não acredito que estamos vendo isso e não podemos ajudá-los.
- Espere... Vai dar tudo certo, meu amor. – ele disse pegando meu rosto entre suas mãos e olhando nos meus olhos.
Mas não parou naquilo. Logo mais dois carros se aproximaram e desceram homens armados. Do segundo andar da casa, alguém disparou tiros contra os carros recém-chegados. Então tudo que eu ouvi foram tiros e mais tiros trocados a alguns metros de onde estávamos. Por mais que eu sentisse Dom perto de mim, eu tive muito medo e meu corpo tremia. No entanto Dom não ficou parado e escondido como prometeu. Ele sacou uma arma e saiu atirando contra os homens, revidando em auxílio ao homem dentro da casa. Eu fiquei desesperada. Não sabia o que fazer naquele momento. Eu não tinha ideia de onde vinham os tiros, mas estavam muito próximos. Procurei por Kim, mas não o encontrei. Eu não poderia ficar ali. Eu precisava fugir. Então comecei a correr pela rua, tentando encontrar abrigo em alguma casa. Eu caí e fui puxada por Black, que me levantou:
- Por que você saiu de lá?
Eu não falei nada. Aceitei a mão dele e corri. Um carro parou do outro lado da rua e eu sabia que não eram rebeldes. Era alguém que estava ali para acabar com o movimento anti monarquia, mesmo não sendo da guarda real. Um homem mascarado apontou uma arma na minha direção, de dentro do carro. Eu poderia fugir, se minhas pernas não ficassem imóveis, como se pesassem mais de cinquenta quilos cada. Quando a arma foi disparada eu não me mexi, mas consegui fechar meus olhos. Eu aceitava o meu destino. Mas não aceitava que Black se colocasse na frente da bala que era para mim.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







