LOGINEu me encaminhei para a areia e Magnus ficou na água, impossibilitado por seu corpo de sair naquele momento. Deixei-me secar ao sol enquanto os empregados preparavam o almoço. Seria tão fácil me acostumar àquela vida que eu tive nos últimos dias. Assim vivia a pequena parte da população, os afortunados. Claro que não era nada comparado à realeza, mas eles tinham tudo que eu e minha família não podíamos ter. Eu era uma garota de sorte, por poder desfrutar de tudo que eu desfrutava naquele momento e em muitos outros dentro do castelo. Eu tinha Dereck que se importava comigo e com todos ao redor dele. Eu tinha Magnus que me desejava ardentemente, mesmo eu não sabendo sobre os reais sentimentos dele. Desejo e amor eram sentimentos diferentes. Eu mesma desejava Dom intensamente. No entanto agora eu sabia que Magnus era o amor da minha vida. Ele havia confessado que não sabia o que era amor, então certamente não tinha este sentimento por Vitória. No entanto em momento algum ele cogitou não se casar com ela. Então, não importava o que fosse acontecer, no fim ele ficaria com ela.
O almoço foi servido. Leon continuou sendo mimado por todos, exceto Vitória, que não parecia nada satisfeita com o dia na praia. Não sei se Vitória levava jeito com qualquer ser humano a não ser ela mesma. Não pisou na areia. Água do mar, nem pensar. E estava sem sair da tenda com medo que alguém fotografasse seu biquíni sem marca de grife. Era tanta hipocrisia e futilidade que eu me irritava.
A imprensa já estava a postos em todos os locais da praia. Mas havia muitos guardas impedindo a passagem deles. Então tínhamos um pequeno espaço com privacidade dentro daquela praia gigantesca.
- Não deve ser fácil viver sempre assim... Com todos esperando por um momento seu para cair nas graças do mundo. – observou Kim.
- Você se acostuma. – disse Dereck. – Ainda mais se nasce com esta vida como sendo a única que lhe apresentaram.
- Temos nossos privilégios e somos gratos. – disse Vitória.
- Mas você não é uma Chevalier. – observou Kim. – Creio que seja diferente a abordagem da imprensa com você.
- Claro que não, Kim. Sou uma celebridade. E em breve serei a esposa de Magnus. – disse ela alisando o braço dele.
- Kat, você chegou bem ontem? – perguntou Kim.
O clima ficou um pouco tenso, então eu respondi:
- Sim.
- Acho que vi a senhorita Lee e Dereck juntos pela manhã. – falou Vitória maliciosamente. – Pareciam melhores do que podemos imaginar. – ela sorriu de forma pretensiosa.
Ela não havia visto eu e Dereck juntos pela manhã. Eu tive certeza que ela havia me trancado de propósito naquele quarto, na certeza de que bêbada eu ficaria com Dereck. Olhei para ela e respondi:
- Você pode ter me visto com Dereck pela manhã, mas eu não dormi com ele.
- Com certeza não. – disse Kim. – Dereck não dormiu no quarto.
Se já estava tenso, ficou pior. Magnus encarou Dereck, que ficou sem palavras.
- Claro que Dereck... Foi para seu próprio quarto. – Vitória disse sem ter muita certeza.
- Onde você dormiu, Vitória? – perguntei, deixando-a confusa e pensativa. Depois de um tempo, ela respondeu:
- No quarto de hóspedes... Onde eu teria dormido? Magnus estava cansado... Não quis acordá-lo no horário que chegamos.
- E o príncipe Magnus dormiu em seu próprio quarto? – perguntou Kim ironicamente, como que sabendo o que estava acontecendo. – Ou também aderiu ao troca troca de quartos?
- Esta comida está tão boa. – eu falei tentando mudar de assunto. – Viram como um cardápio sem carne pode ser bom?
- Eu confesso que tento, mas ainda prefiro carnes. – disse Magnus.
- Eu também. – confessou Dereck.
- Kat tenta convencer todos a sua dieta sem carne, mas raramente consegue. – explicou Kim.
- Ela não gosta que matem os animais. – explicou Leon, entendendo do que se tratava o assunto.
- Realmente... Quem seria capaz de matar animais indefesos? Esta pessoa certamente não tem coração. – eu disse.
- Magnus é um ótimo caçador. – observou Vitória sorrindo maldosamente.
- Nunca mais cacei. – disse ele. – Não quero ser um matador de animais desalmado.
Vitória me encarou e disse:
- Afinal, o que há exatamente entre você e Dereck? Ou eu deveria dizer entre você e Domênico? Qual namorado presenteia a namorada com um punhal valioso?
Lá estava Vitória me colocando como assunto principal novamente.
- Um punhal valioso? – perguntou Magnus, sem saber do presente até o momento.
Eu respirei fundo. Magnus realmente era bastante ciumento e possessivo e de alguma forma eu sempre tinha que me explicar a ele, mesmo sabendo que não tínhamos nenhum compromisso um com o outro.
- Domênico se preocupa com minha segurança. – expliquei.
- E você teria coragem de usar aquele punhal contra alguém? – perguntou Vitória desafiadoramente.
- Sim... Eu teria coragem se fosse necessário. Já atentaram contra a minha vida no castelo.
- Domênico lhe deu uma arma de presente? – perguntou Magnus.
- Sim. – explicou Dereck. – Mas ele foi embora logo depois de você. No fim, vocês dois se foram e ficamos somente nós e Sofia.
- Sofia é tímida. Não sabe se divertir. – disse Vitória.
- As pessoas são diferentes umas das outras. Temos que respeitá-las como são. – eu falei. – E respondendo à sua pergunta anterior... Eu trabalho para o príncipe Dereck e não posso mentir que o estimo muito. Eu o tenho como um grande amigo. Quanto a Domênico... Eu acho que estamos evoluindo para um namoro.
- Sempre me pareceu que havia flertes entre você e Dereck. Enganei-me, então? – perguntou Vitória ironicamente.
- Com certeza se enganou, Vitória. Não sou eu o príncipe que flerto com ela. – explicou-se Dereck maliciosamente.
- Tem sobremesa? – perguntei ansiosa pelo fim da conversa, sem espaço para comer mais nada.
- Sorvete de morango. – disse Magnus abrindo um sorriso que só ele tinha, capaz de tirar meu fôlego.
- Eu não acredito. Vocês trouxeram sorvete?
- Kat ama sorvete de morangos. – disse Leon. – Eu também amo.
- E você vai poder comer o quanto quiser, Leon. – eu disse a ele.
Vitória levantou e disse:
- Magnus, vamos nadar?
- Mas... Acabamos de comer. – ele falou confuso.
- Estou com vontade de nadar.
- Isso não lhe fará nada bem. – observou Kim ironicamente, revirando os olhos de uma maneira que só ele conseguia fazer.
Ela deu de ombros e saiu em direção à praia.
- Tire esta camisa, Magnus. – ela reclamou.
- Não... Estou bem assim. – ouvi ele dizendo enquanto eles se afastavam.
- Como ele a suporta? – perguntou Kim. – Tomara que ela morra afogada.
- Ele precisa suportá-la. – explicou Dereck.
- Por que exatamente? – perguntei curiosa. – Ele nunca poderá se casar com outra pessoa a não ser com ela?
- Só se ele desafiar minha mãe, colocando sua própria coroa em risco. – disse Dereck tranquilamente comendo seu sorvete.
- Então por que você... Deu-me esperanças? – perguntei confusa – Fez tudo para que nos aproximássemos...
- Porque eu tinha esperanças de que ele enfrentasse minha mãe e recusasse o casamento. Agora tenho certeza de que ele fará isso. – ele sorriu comendo sem presa ainda, como que brincando com o doce.
- Não está parecendo que ele vai fazer isso. – disse Kim olhando Magnus com Vitória pela mão.
- Confiem em mim... Ele não gosta de Vitória. Ele gosta de você, Kat.
- O príncipe Magnus gosta de Kat? – perguntou Leon.
- Isso é um segredo, garotão. Sabe guardar segredo? – perguntou Kim.
- Eu sei. – disse ele abrindo outro pote de sorvete.
- Será que todos aqui sabem guardar segredo? – perguntou Kim olhando para todos os guardas e empregados ao nosso redor.
- Confio mais neles que em mim mesmo. – disse Dereck. – A propósito, caso queira saber como Magnus foi parar no meu quarto... Ele não queria pensar na possibilidade de ver Vitória em seu quarto.
A tarde passou rapidamente e logo tivemos que voltar para casa. E eu oficialmente já tinha 20 anos. Então só seis anos me afastavam de Magnus.
Para minha surpresa Vitória não foi para casa naquela noite. Ficou no castelo. À noite eu tentei não pensar que ela estava com Magnus no quarto dele. Mas eu só conseguia pensar nos dois juntos. Fui até a janela e puxei a cortina, olhando para o jardim. Abri a janela e deixei o ar fresco entrar. Eu amava o verão e a brisa das noites enluaradas. Apaixonar-me pelo príncipe Magnus Chevalier provavelmente foi a coisa mais insana que tinha me acontecido. Eu sempre fui uma mulher realista, que nunca me desviei de meus propósitos. No entanto nunca houve amor em jogo. E sim, eu sempre sonhei em amar alguém e ser correspondida. No entanto, Magnus não era alguém por quem eu poderia me apaixonar. Eu estaria destruída se deixasse meu coração falar mais forte que a razão.
Na segunda-feira o café foi trazido no meu quarto, como de costume. Coloquei minha roupa e fui para o escritório dos príncipes. Dereck já estava lá. Sofia também. Ele lhe explicava pacientemente algumas coisas no computador.
- Bom dia, Kat. – os dois disseram quando me viram.
- Bom dia.
Vi que o lugar de Magnus estava vazio. Estaria ele com...
Enquanto eu pensava a porta se abriu e ela entrou com ele, deixando o seu perfume forte no ar. Vitória usava um vestido curto vermelho e um sapato da mesma cor.
- Bom dia a todos. – disse Magnus sentando em sua cadeira.
Ela não o acompanhou. Ficou parada perto da minha mesa e disse:
- Nos encontramos mais tarde para irmos a País del Mar, Magnus?
- Sim... – ele disse.
Ela lhe jogou um beijo e disse:
- Obrigada pela noite maravilhosa.
Um olhar irônico para mim antes de sair e lá se foi ela, vingada por tudo que havia sido feito contra ela nos dias anteriores. Eu sabia que no final seria ela que estaria com ele. Dereck e Sofia estavam tão ocupados que não prestaram atenção na conversa. Eu fiquei ali, com meu coração partido tanto quanto minha dignidade.
Percebi os olhos de Magnus sobre mim, mas evitei olhar para ele. Eles dormiam juntos? O que o príncipe queria? Não duvidava que ele me propusesse ser sua amante depois do casamento. E mesmo amando-o loucamente e sem imaginar minha vida sem ele, eu negaria. Porque se fosse para ter aquele homem, eu o queria por inteiro, inclusive com a coroa.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







