INICIAR SESIÓNDom deu alguns tiros no carro, que fugiu em alta velocidade. Eu fiquei ali, com Black ferido deitado no meio da rua, nos meus braços. Em pouco tempo Dom e Kim chegaram até mim.
Eu não consegui conter as lágrimas:
- Precisamos tirá-lo daqui... Ele está gravemente ferido.
- Vamos levá-lo ao hospital. – disse Dom dando as chaves a Kim. – Pegue meu carro... Logo.
Dom tentava estancar o sangue e disse:
- Ele está vivo. Vamos salvá-lo. Não se preocupe.
- Ele se colocou na minha frente, Dom... Este homem é louco.
Kim estacionou o carro e colocamos Black no banco traseiro, deitado sob minhas pernas.
- Dom, você precisa correr. – eu disse.
- Katrina...
Ouvi a voz de Black chamando por mim. Então, com uma incrível intuição e não querendo estar certa, sentindo meu coração batendo descompassadamente, eu retirei a máscara que cobria seu rosto e então vi Magnus. Eu não consegui dizer nenhuma palavra. Kim olhou para trás e disse:
- Por Deus... É o príncipe Magnus.
Dom freou o carro bruscamente. Olhou Magnus ferido e disse:
- Eu não acredito... Agora tudo está claro para mim...
- Dom, não podemos levar o príncipe para o hospital. – falou Kim nervoso.
- Não... Não podemos. Nós vamos... Para minha casa. – disse Dom dando a volta com o carro e se dirigindo para outra estrada.
- Kim, ligue para Dereck... Precisamos dele. – eu pedi quase sem voz.
Peguei a mão fria de Magnus e limpei minhas lágrimas que caíam sobre o rosto dele. Ele abriu os olhos e eu disse:
- Você não pode me deixar.
- Acha mesmo... Que eu faria isso? – ele perguntou com dificuldade.
- Por quê? Você não deveria ter se colocado na minha frente... Aquela bala era para mim... – lamentei profundamente.
Ele fechou os olhos e fez uma cara de dor. Eu apertei a mão dele com força:
- Vou ficar com você... Não se preocupe.
- Eu sei... – ele disse, sem abrir os olhos. – Eu sinto você.
Não demorou muito para que chegássemos na casa de Dom. Ele estacionou o carro dentro da garagem e a fechou. Depois tiramos Magnus do carro e o levamos para o quarto.
- Tire a roupa dele. – disse Dom, pegando o telefone e ligando para alguém.
Eu tirei os sapatos dele. Depois a calça. Tinha sangue por toda sua roupa. Abri a camisa com cuidado e com uma tesoura cortei-a de fora a fora, para facilitar ao tirar e não machucá-lo ainda. Eu não tive certeza se o tiro havia pegado no ombro ou no braço dele. Eu não entendia muito, mas achei que não havia sido de raspão. Com a própria camisa dele tentei limpar o sangue que tinha pelo corpo.
- Alteza, está me ouvindo? – perguntou Dom enquanto colocava um pano sobre o ferimento, apertando.
Magnus fez um gesto afirmativo com a cabeça, não falando palavras.
- Eu liguei para meus pais. Estão trazendo tudo que preciso para remover a bala. Ficará tudo bem.
- Eu... Estou com medo. – confessei.
- Desde o início o príncipe estava nos nossos encontros? – perguntou Dom. – Você... Sabia disto?
- Claro que não. – falei confusa.
- Mas isso explica muita coisa.
- Do que você esta falando?
- Das várias vezes que fomos surpreendidos com guardas e outras pessoas tentando acabar com nossas reuniões.
- Dom... Ele não faria isso.
- Katee, ele é o príncipe Magnus. Por que acha que ele estaria no encontro anti monarquia?
- Não... Não foi ele. Eu tenho certeza.
- Dereck chegou. – disse Kim abrindo a porta.
Dereck entrou rapidamente, apertando a mão do irmão, preocupado:
- Magnus, me diga que você está bem.
Magnus confirmou com um gesto de cabeça.
- O que houve? - perguntou Dereck.
- Fomos surpreendidos por um grupo... Não eram guardas reais... Não sei do que se tratava. – expliquei.
- Provavelmente mandados pela rainha. – disse Dom. – Mas não guardas e sim um grupo para nos conter.
- Quem é o delator neste grupo? – perguntou Dereck confuso. – Não é de agora que isto acontece no seu grupo Dom.
- Mas... Como você sabe quem eu sou? – perguntou Dom.
- Porque eu financio seu grupo. – confessou Dereck.
- King?
- Sim... – confessou ele.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou Dom levantando e andando de um lado para o outro. – Por que os príncipes estão no “meu” grupo?
- Eu passei a frequentar outros grupos, tentando uma união entre eles, como fez com o seu. Financiei outros também. Mas... Eu queria que Magnus entendesse o que estava acontecendo também. Então propus que ele fosse ao seu grupo e observasse com os próprios olhos o movimento...
- Que ele provavelmente foi contra, segundo as próprias palavras dele: encontros regados a drogas, bebidas e sexo...
- Ele disse isso? – perguntou Dereck.
- Sim... Mas devido à circunstância. – eu disse, olhando para Dom e entendendo tantas coisas.
Era ele que me viu com Dereck no porão da adega. Foi Magnus que esteve comigo escondido sob a escada, me protegendo. Foi ele também que me deixou falar sobre a monarquia e a minha ideia de que ele poderia sim ser um bom rei... E tentou me proteger na rua contra Dom... E que havia levado um tiro por mim. Eu não conseguia controlar minhas lágrimas. Eu era culpada por tudo. Como não pude perceber antes que Black era Magnus? Como pude ser tão burra? Ele esteve comigo o tempo todo... E eu não fui capaz de reconhecê-lo. O que seria de mim se Magnus morresse dando a própria vida por mim? Eu jamais me perdoaria.
Dereck veio até mim e me abraçou:
- Está tudo bem...
- Ele se colocou na minha frente... Ele me protegeu e levou um tiro por mim, Dereck. – falei inconsolável.
Senti Dereck me envolver com força e dizer:
- Magnus é forte. Se você resistiu a um tiro, ele também vai resistir. Não se preocupe.
Ele me levou até Kim, que segurou minha mão e disse, olhando nos meus olhos:
- Se acalme, Kat... Tudo vai ficar bem.
A porta do quarto se fechou e Magnus ficou lá dentro, ferido, com Dom e Dereck. Ironicamente, Dom seria responsável por salvar Magnus.
- Eu... Eu o amo, Kim... Eu amo Magnus... – confessei.
- Não precisa nem dizer, meu bem... Eu já sabia disso... Há muito tempo.
Senti Kim me envolver com seu abraço forte e deixei que as lágrimas continuassem a correr sem medo, deixando escapar por ali toda minha fragilidade, todo meu medo de perder Magnus Chevalier, o homem da minha vida.
Em pouco tempo a porta se abriu e entrou um casal com algumas caixas na mãos. Provavelmente eram os pais de Dom.
- Onde ele está? – perguntou a mulher.
Eu apontei para o quarto e eles entraram. Em pouco tempo Dereck saiu. Ele também estava muito nervoso, embora tentasse não demonstrar. Eu senti pena dele e pensei em lhe dar meu ombro quando Kim me soltou e o abraçou. E surpreendentemente ele correspondeu. Kim lhe deu um beijo no rosto e ele escondeu sua face no peito de Kim, aceitando todo amor que lhe era oferecido. Eu senti meu coração se encher de carinho e satisfação. Kim e Dereck eram as pessoas mais especiais que eu conhecia e eu desejava que eles pudessem ser imensamente felizes juntos, pois mereciam.
Recostei minha cabeça no outro ombro de Kim e fechei meus olhos, limpando as lágrimas. De nada adiantava eu ficar chorando e me lamentando. Precisava estar forte, pois Magnus precisaria de mim.
- Ele não pode ir para o castelo. – eu disse.
- Eu sei...
- E como explicará a ausência dele?
- Diremos que ele foi fazer uma viagem às pressas... Algo para o reino.
- Sua mãe acreditará?
- Espero que sim.
Levou mais tempo do que esperávamos para Dom sair do quarto. Eu levantei quando o vi.
- Tudo certo. Retiramos a bala. Ele vai ficar bem.
Corri até Dom e o abracei. Eu sabia que ele conseguiria.
- Ele... Precisa ficar aqui. – disse Dereck.
- Eu sei... – falou Dom. – Ele poderá ficar... Mas preciso trabalhar... Não tenho como cuidar dele o tempo todo. E ele vai precisar.
- Vou me dividir com Katrina. Podemos fazer isso. – disse Dereck olhando para mim.
- Eu posso ajudar também. – disse Kim. – No que precisarem.
Os pais de Dom saíram do quarto e quando viram Dereck curvaram-se em reverência:
- Alteza...
- Sinceramente, não precisam fazer isso. – disse Dereck dando um abraço em cada um deles. – Agradeço pelo que fizeram pelo meu irmão.
- Como tudo aconteceu? O que o príncipe fazia sem segurança na rua? – perguntou o pai de Dom.
- Encontro anti monarquia. – explicou Dom ironicamente.
- O príncipe Magnus no encontro anti monarquia? – perguntou a mulher tentando entender.
- Eu... Sou King. – disse Dereck.
- King?
Enquanto eles conversavam, entendi que Dereck conhecia os pais de Dom de outro grupo anti monarquia. Na verdade ninguém sabia que King era Dereck, mas pelo visto todos o conheciam em função de ele auxiliar os grupos, especialmente no lado financeiro.
- Eu jamais pensei que você pudesse ser o nosso maior doador... Você é o filho da rainha. – disse o homem.
- Eu sempre lutarei pelo fim da tirania de minha mãe. Nunca foi isso que eu e meu irmão planejamos para o nosso reino... Tampouco meu pai, que deixou seu reino para cair nas garras de Anne de Noriah.
- Eu... Estou confusa com tudo isso. – disse a mãe de Dom. – Pensar que estivemos tanto tempo sendo financiados pelo próprio filho da rainha me dá medo.
- Eu agradeço por terem salvado a vida do meu irmão. – disse Dereck.
- Foi Domênico... Não fomos nós.
Os olhares se fixaram em Domênico, que disse:
- Fiz o que me cabia enquanto médico.
Todos ali sabiam que Dom não gostava de Magnus. E ele deixou bem claro naquela frase. Eu sabia que para ele era difícil depois de tudo ainda ter Magnus em sua casa sem exatamente por quanto tempo. Por isso eu admirava Dom... Por ele ser aquele homem correto acima de tudo.
Em pouco tempo os pais dele se foram. E ficamos somente nós, num silêncio que chegava a ecoar na minha mente.
- Eu... Posso vê-lo? – perguntei, me contendo o máximo de tempo que pude.
- Pode... Mas ele está sedado. – disse Dom.
Ainda assim eu fui. Ele já estava com coberto com curativo e com o corpo coberto por um lençol fino. Peguei as mãos dele que estavam geladas e fui até o armário, colocando uma coberta mais grossa por cima. Enquanto eu fazia isso, Dom entrou e fechou a porta. Então ficamos somente nós três no quarto.
- E agora? – perguntou Dom.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







