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Capítulo 72 - Dom e Black

last update Fecha de publicación: 2021-06-28 06:20:54

- Ele está gelado. – eu disse.

- Logo ele estará bem.

- Eu... Estou com medo. – confessei.

- Ele não morrerá.

- Eu sei... Refiro-me a tudo isso que aconteceu.

- Eu... Sempre soube que ele gostava de você.

Olhei-o confusa. Ele continuou:

- Ele só continuou sendo Black para poder vigiá-la...

- Dom... Ele tomou um tiro por mim.

- Eu sei, Katee. Só estou tentando montar as peças deste quebra-cabeça.

- Eu entendo... Também tentei fazer isso.

- Mas no fim, tudo se resume a isso: o príncipe se apaixonou pela dama de companhia.

- Dom... Não é hora para esta conversa.

- E quando será, Katee? Agora eu tenho certeza que meu tempo com você é cada vez mais curto. Não há como competir com ele...

Eu fui até Dom e o abracei:

- Você sabe que é muito especial para mim... Eu gosto de você, Dom...

- Eu vi a forma como você ficou quando viu que era ele... Eu não sou idiota, Katee... Mas também não posso culpá-lo por isso. Se eu tivesse agido diferente...

- Não é hora de nos culparmos... Muito menos de tentarmos entender tudo que aconteceu conosco.

Ele olhou nos meus olhos e disse:

- Mas ainda eu sinto que você gosta de mim... E me deseja.

- Sim... – eu falei sinceramente, baixando minha cabeça.  Eu não podia negar que eu sentia desejo e paixão por Dom. No entanto em amava Magnus. Mas eu não achava que fosse o momento de falarmos sobre isso. Por este motivo me afastei de Dom e voltei para perto de Magnus.

- Eles sabiam que estávamos lá. – disse Dom. – Isso foi obra da rainha.

- Eu também acho, Dom. Mas não há como sabermos quem falou para ela. Eu tenho certeza de que não foi Magnus, muito menos Dereck.

- Você sabia sobre Dereck?

- Sim... – confessei baixando meus olhos envergonhada.

- Por que não me disse a verdade?

- Eu sabia que ele estava ajudando... E não traria nenhum problema para você.

- Ainda assim, Katee... Eu confiei em você.

- E eu nunca fiz nada para perder esta confiança.

- Você quer Magnus no poder.

- Ele conseguirá ser um bom rei... Ele mudará Noriah. Eu sei disso. O processo de quebra da monarquia é lento e doloroso ao povo.

- Outros lugares já passaram por isso. E sobreviveram.

- Você precisa dar uma chance para ele. Eu sei o quanto ele trabalha para conseguir mudar as coisas...

- Mas ele não consegue. Nem conseguirá. Será um joguete nas mãos da mãe quando assumir.

- Não é verdade... Você precisa conhecê-lo melhor.

- Eu não quero conhecer Magnus melhor, Katrina. Eu não gosto dele e nada me fará mudar isso. Eu tenho um pouco de admiração por ele... Pelo simples fato de ter se jogado na sua frente e ter levado um tiro por você. Mas também lembro quando ele próprio lhe deu um tiro...

- Não foi de propósito...

- Ainda assim, nunca tolerei esta história.

- Dom, ele é uma boa pessoa...

- Não basta ser uma boa pessoa para assumir Noriah.

- E quem está nos seus planos para assumir depois da queda da monarquia? – perguntei curiosa. – Vocês já tem um nome?

- Não...

- Então por que não deixá-lo assumir no lugar da mãe? Por que não derrubar Anne Marie Chevalier e deixar Magnus reinar? Se não lhe der uma chance, nunca saberá se ele é capaz.

- E todo nosso movimento de tantos anos se vai por água abaixo? Nosso movimento sempre foi contra o reinado e não contra a rainha. Queremos outra forma de governo, Katee.

Eu balancei minha cabeça tristemente:

- Você está cego, Dom... Não adianta...

- Você também, Katee... Você não consegue vê-lo sem sentimentos... E isso acaba com sua posição enquanto lutadora da causa.

- Eu não vou desistir de provar a todos que ele pode ser um bom rei. – adverti.

- E eu nunca deixarei de lutar contra a monarquia. Então nossos caminhos deixam de se cruzar, não é mesmo?

- Eu não gostaria que fosse desta forma.

- Ainda assim não fez nada para mudar.

Dom saiu e eu fiquei ali, ao lado de Magnus. Acho que era uma despedida de Dom. E eu não suportava a ideia de não vê-lo de novo.

Magnus não acordou. Eu e Dereck voltamos para o castelo. Dom cuidaria dele naquela noite e Kim iria no dia seguinte enquanto Dereck resolveria a situação no castelo.

Dereck disse à mãe que Magnus havia viajado para resolver algo de emergência. Anne Marie era uma mulher inteligente e não sei se ela acreditou. Mas também não havia motivos para não acreditar. Ela jamais poderia imaginar que seus dois filhos faziam parte de encontros secretos anti monarquia, sendo que um deles inclusive financiava a causa, inclusive com armas. Eu não perguntei a Dereck se ele sentiria caso a mãe morresse. No meu íntimo eu achava que não. Dereck não era o povo, mas sofria mais que todos nós nas mãos dela. Mas Magnus seria uma surpresa para a rainha. Seu filho mais velho, herdeiro do trono, ferido num encontro contra a mãe. Seria o fim da crença da própria família na monarquia. Eu ainda precisava entender a verdadeira intenção de Magnus naqueles encontros. Ele sempre me parecia bem sério e atento a tudo. Realmente ele não era como os demais. Por isso criticava o que acontecia que não tinha como único objetivo a causa.

No dia seguinte eu e Dereck abrimos o escritório e fingimos que tudo estava bem. Dereck saiu depois do almoço para ver Magnus e conseguiu fazer com que ele ligasse para a mãe avisando que estava viajando e em breve voltaria. Eu só consegui ir no dia seguinte vê-lo. Saí do castelo no início da noite e por ordem de Dereck deveria voltar assim que nascesse o dia.

Fui recebida por Dom. Um tempo atrás eu teria dado qualquer coisa para conhecer a casa dele e poder ficar junto dele naquele lugar. Por obra do destino eu estava na casa dele com Magnus. No fim, acho que era para ser daquela forma.

- Eu preciso ir para o hospital. – ele explicou. – Ele está bem. Os remédios estão com horário anotado para você lhe dar. Qualquer coisa que precisar, ligue para o meu pai. Ele poderá vir para vê-lo. Mas creio que não precise.

- Tudo bem... Bom trabalho para você.

Ele estava saindo quando voltou e me deu um beijo. Eu poderia ter resistido, mas não o fiz. De alguma forma, Dom sempre mexia comigo e não havia como eu negar aquilo.

- Tranque a porta e só abra se souber quem é. – ele pediu.

- Farei isso. Não se preocupe.

- Sempre me preocupo com você, Katee.

Ele saiu. Eu fiquei ali, parada, sem saber exatamente por que meu coração era tão confuso. Mas assim que virei e olhei a porta onde Magnus estava, andei rapidamente até lá, sentindo minhas pernas tremerem. Quando abri a porta, ele estava dormindo, então eu consegui me acalmar um pouco. Deixei a luz baixa e coloquei uma cadeira ao lado dele. O curativo estava trocado. Ele parecia bem. Eu conseguia ouvir a respiração dele. Havia sido um dia cansativo e tenso. A rainha havia acreditado que Magnus estava viajando. De alguma forma eu acho que ela sabia que havia tido o ataque ao grupo no qual eu estava. Mas eu nunca poderia saber o que se passava na cabeça dela. No entanto eu tinha quase certeza que ela sabia sobre tudo que se passava, mesmo distante dela.

Coloquei minha mão sobre a mão dele. Estava morna. Senti o dedo dele acariciando minha mão.

- Magnus?

Ele abriu os olhos:

- Katrina... Você está aqui...

- Sim, eu estou aqui. Como você se sente?

- Melhor... Vou me recuperar.

Eu aproximei minha cadeira ainda mais da cama, para que pudesse ficar ainda mais perto dele.

- Por que, Magnus? Você não deveria ter feito isso...

- O que eu fiz? – perguntou ele tentando virar e fazendo cara de dor.

- Está tudo bem? Está sentindo dor?

- Só um pouco... Mas estou bem. Já estive pior. Mas... O que eu fiz?

- Se atirou na frente da bala. Era para mim e você sabe disto.

Ele demorou a responder:

- Eu jamais deixaria outra bala lhe atingir.

- Acertaram o príncipe... Se soubessem...

- Não creio que fosse para você... Era para qualquer um que tivesse naquele lugar ou próximo.

- Mas... Eu estava sem máscara. Sabiam que era eu.

- O que está tentando dizer?

- Que talvez realmente fosse para mim aquela bala...

- O que importa agora é que você está bem...

- E Black foi ferido.

Ele deu um sorriso, ainda demonstrando um pouco de dor:

- Você vai cuidar de mim esta noite?

- Sim...

- Por sorte não vou ver Domênico por algumas horas.

- Não fale assim... Dom salvou sua vida.

- Que irônico, não? Eu salvei você e Domênico me salvou. Vou dever minha vida a ele agora.

- E eu a você.

- Não... Estamos no zero a zero agora... Eu atirei em você um dia.

- Mas não foi de propósito.

- Não importa... Me culparei pelo resto da minha vida por ter ferido você.

- Magnus, isso passou... Não precisamos relembrar.

- Katrina... Você e Domênico...

- Magnus, por favor... Não vamos falar disso agora.

- Eu preciso falar disto.

- Você levou um tiro.

- Isso... Foi ontem. Hoje é dia de falar sobre você e Dom.

Eu respirei fundo. Assuntos adiados por tanto tempo parecia que precisavam ser resolvidos nas últimas 24 horas. Eu tinha certeza dos meus sentimentos, mas não estava preparada para admiti-los a ninguém.

- Por que você ia às reuniões? – perguntei.

- Foi um acordo com Dereck... Ele queria que eu conhecesse a essência do movimento. Na primeira vez que fui conheci você.

- E coincidentemente eu estava tentando defender a sua coroação, sem conhecer o verdadeiro príncipe Magnus.

- Exato... Sem nem me conhecer direito. Então eu passei a querer conhecer melhor aquele grupo. Por isso fui algumas vezes...

- E você que estava comigo quando nos escondemos debaixo da escada.

- Sim... E quando vi você e Domênico na adega.

Eu baixei meus olhos, envergonhada.

- Acho que se eu não tivesse chegado naquele momento...

- Magnus, Dom é um homem especial. Ele sabe o que quer e luta por isso. Mas ele não quer você como rei.

- Eu sei disto. E o motivo é única e exclusivamente você. Ele está apaixonado.

- Ele... Confessou-me isso ontem. – admiti.

- E o que você disse para ele?

- Como assim? Eu... Não preciso lhe falar sobre isso.

- Katrina, você está indecisa?

- Eu... Não sei do que você está falando.

- Você sabe...

- Magnus, me responda uma coisa: por que você dorme com Vitória? Há quanto tempo isso acontece?

Ele demorou para responder, como que pensando nas palavras certas.

- Eu namoro Vitória desde os meus 24 anos, quando retornei do exterior.

- Você já a conhecia antes de partir?

- Sim... Conheço Vitória desde que éramos pequenos. Acho que nosso casamento foi planejado antes mesmo de ela nascer.

Eu engoli em seco, me sentindo ainda mais triste.

- Continue, por favor. – pedi.

- Vitória tem um jeito único de ser... Ela é filha única. Tem tudo que deseja e nunca ouviu um não. Mas ela não é uma pessoa ruim.

- Ela não é uma pessoa ruim? Ela me trancou no quarto de Dereck.

- Por ciúme...

- Você acha que é justificável o que ela fez? E se Dereck estivesse lá?  Eu estava tão bêbada... Ele também. Imagina se você não estivesse lá e eu tivesse dormido com seu irmão?

- Mas era eu que estava lá.

- E se não fosse você?

- Se não fosse eu você teria feito o que fez?

Olhei confusa para ele. Já havíamos tido aquela conversa. Ele queria mesmo retomar?

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