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Capítulo 99 - Lua de Mel II

last update Data de publicação: 2021-06-28 06:40:48

Estávamos deitados um sobre o outro, nus. A cama pequena não nos dava outra alternativa a não ser ficar agarrados o tempo todo para que pudéssemos tentar descansar nossos corpos extasiados de sexo. Eu precisava de uma pausa para respirar e poder recuperar meu corpo. Enquanto eu tocava com meu dedo em movimentos circulares a tatuagem com meu nome na mão dele, falei:

- Obrigada por tatuar parte de mim em você.

- Nós dois... Para sempre. – ele disse. – Imaginar minha vida sem você foi a pior coisa que já me aconteceu... Tudo passou a não ter significado algum...

- Senti tanto sua falta, Magnus. – eu confessei. – Ao mesmo tempo que sentia raiva por achar que você não estava fazendo nada por mim.

- Agora me conte, onde você esteve escondida todo este tempo? – ele perguntou.

Eu respirei fundo e sabia que teria que falar e enfrentar o ciúme que o príncipe tinha de mim.

- Eu fiquei numa casa de campo, muito longe daqui... Na zona rural. – expliquei.

- Como achou este lugar? Quando foi para lá?

- A casa... Pertence... A Dom. – eu falei bem baixo.

Ele levantou, quase me derrubando de cima dele e olhou nos meus olhos:

- Você esteve com Domênico nestes seis meses?

- Não... Eu não estive com Dom 6 meses. Eu estive escondida na casa dele, junto de minha mãe, meu irmão e Kim.

Ele riu cinicamente:

- Como não pensei que Domênico tinha tudo a ver com isso...

- Magnus, Dom me ajudou. Se não fosse por ele eu estaria morta. Teriam me entregado à sua mãe e você sabe que ela me condenaria sem deixar eu me explicar. Ela nunca quis saber a verdade. Desde o início ela fez tudo para me culpar. Naquela noite na festa, eu avisei você que ela havia me reconhecido.

- Eu lembro... E eu não acreditei em você. – ele admitiu.

- Você sabe que eu não tinha como ter matado seu pai. Eu estava junto de você o tempo todo. Ela subiu tempo antes de tudo acontecer.

- Katrina, eu não quero falar sobre a morte do meu pai... Eu quero falar sobre você ter ido para a casa de Dom.

- Não... Fui para a casa de Dom por causa do acontecido. Então nós vamos falar sobre “todas” as coisas que aconteceram... De uma vez por todas.

- Tudo bem, você venceu. – ele disse abrindo os braços e colocando a calça, sem cueca.

- Você... Dormiu com ela? – perguntei.

Ele olhou nos meus olhos surpreso com a pergunta e disse:

- Não... Eu nem conseguiria. Eu não gosto de Vitória... Eu nunca gostei e você sabe disso. Abri mão da minha vida para poder ter a certeza de que sua família estaria bem. Aliás, não tinha porque não aceitar o acordo... Afinal, eu não tinha mais vida desde que achei que você tinha morrido.

- Eu não tive nada com Dom... Eu juro.

- É que eu lembro muito bem da forma como vocês dois se encontravam... E das várias cenas que presenciei... E fico com tanta raiva quando penso que ele pode ter tocado em você.

Eu levantei e fui até ele e olhei em seus olhos:

- Magnus, quando eu achei que você se casaria com Vitória, pensei que tivesse me esquecido, que tudo que vivemos não teve significado algum para você... Então achei que eu pudesse tentar dar uma chance a Dom, levando em conta o que vivemos no passado.

Ele me olhou atentamente, intrigado. Eu continuei:

- Então eu percebi que não adiantava... Que você estava dentro de mim, como o sangue que corria nas minhas veias. E que jamais eu poderia ser de outro homem além de você. Eu gosto de Dom... E hoje eu posso dizer que talvez eu sinta por ele o mesmo que você sente por Vitória... Com a diferença que eu não tenho raiva ou qualquer sentimento ruim por ele. Dom é um homem bom, honesto e digno. E ele já provou isso a todos nós, quando o salvou mesmo sabendo que você era quem era. E mesmo gostando de mim...

- Katrina, ele lhe deu um punhal no seu aniversário...

- Sim, para que eu pudesse me defender. Eu havia falado sobre a cobra na minha cama... E ele achava que você tinha atirado em mim de propósito.

Ele passou as mãos pelos cabelos nervosamente:

- Ele... Ficou com você o tempo todo?

- Não. Ele ia de vez em quando, para nos manter informados de como estava tudo por aqui... Aguardando o momento que eu pudesse voltar. Mas... Eu dormi todas as noites com um homem. – confessei.

Ele me olhou interrogativo e eu disse com um sorriso:

- Kim.

Ele sorriu, mesmo tentando evitar:

- Kim não conta. Talvez Dereck tenha ciúme disto, mas não eu.

Eu o abracei:

- Magnus, eu me senti tão mal por fazer Kim ficar escondido comigo por tanto tempo. Tive medo por ele também. Não podia deixá-lo para trás, pois ele também corria risco. Então o afastei de Dereck...

- Eu acho que eles já fizeram as pazes.

- Sim... Fizeram. – eu confirmei.

- E... Pode me explicar sobre a garota na igreja? Aquilo era verdade... Ou alguma ideia louca sua e de meu irmão?

- Magnus, Eva é minha irmã... E sua irmã. Ela é fruto do relacionamento que houve no passado entre meu pai e sua mãe.

Ele me olhou incrédulo e sentou na cama novamente, colocando a cabeça para baixo e colocando as mãos atrás do pescoço.

- Como nunca soubemos disso? – ele perguntou fitando o chão.

- Ninguém sabia a não ser meu pai e sua mãe.

- Como você soube?

- Havia um bilhete no estojo da arma do meu pai. Falava sobre Eva, que estava tudo bem. Mas eu não pensei que pudesse ser isso. Acabei esquecendo porque poderia ser qualquer coisa, entende? Então Kevin me contou... Ele sabia a verdade.

- Então você a encontrou?

- Sim... Com a ajuda de Dereck e Dom.

- E mais uma vez eu estava longe disto... – ele disse tristemente. – Por que vocês me excluíram de tudo, Katrina?

- Não tínhamos tempo, Magnus... Tudo foi se encaixando muito rápido. Dereck ficou furioso comigo quando soube que eu estava viva...

- Como não ficar? Você era amiga dele.

- Você entende, Magnus, tudo que temos que fazer por amor, não é mesmo? Você sabe o que fez por amor... – falei.

- Como minha mãe pôde abrir mão da própria filha? Era como se ela nem existisse... Como ela foi capaz?

- Da mesma forma que foi capaz matar seu pai e colocar a culpa em mim.

- Como você tem tanta certeza que foi ela, Katrina? – ele perguntou atordoado.

- Porque ela disse antes de subir, quando me viu no baile: eu vou acabar com a sua vida. E assim ela o fez.

- Eu... Gostaria de dizer sinceramente que eu não acredito em você... Que é tudo loucura da sua cabeça... Mas eu sei a forma como ela estava sedenta de você sentenciada pela morte do meu pai. E vi a forma como ela perseguiu sua mãe e seu irmão quando eles foram para a casa nova. Se eu não me comprometesse novamente com Vitória eu não sei o que ela teria feito.

- O mesmo que fez com seu pai... Porque ela me odeia.

- Por quê?

- Porque eu tirei dela o que tinha de mais precioso: você.

Ele me olhou e disse:

- Como você descobriu do meu noivado com Vitória?

- Jornal...

- Quem?

- Dom. – confessei.

Ele riu e se aproximou de mim, me prendendo com seus braços enormes e fazendo-me olhar nos olhos dele. Depois puxou meus cabelos com força e me fez abrir a boca com sua língua, me beijando de uma forma que eu ainda não havia visto. Quantos beijos diferentes Magnus tinha guardado em segredo? Eu fiquei excitada e meu corpo nu arrepiou-se.

- No fim, Domênico pode fazer o que quiser... Você é minha... Só minha e ninguém no mundo tirará você de mim.

- Exatamente... Eu mesma disse isso para Vitória. –  falei ironicamente.

- O que... Você fez com ela? – ele perguntou.

- Mandei contê-la... Ficou presa num quarto.

- Quem a prendeu?

- Os guardas, Alteza. – eu disse ironicamente.

- Então você estava dando ordens antes mesmo de se tornar a princesa? – ele riu.

- Sim. Dereck me autorizou.

- Meu irmão é totalmente rebelde.

- Isso eu não duvido, Magnus. E... Falando em rebelde, acho que precisamos falar sobre isso.

- Não sei se faz 10 horas que você se tornou membro da realeza e já quer mexer seus pauzinhos? – ele riu.

- Mexi meus pauzinhos sempre Magnus. Agora você terá que me aguentar. Eu sou uma princesa anti monarquia.

- Falaremos sobre política quando voltarmos ao castelo. Quando faremos isso mesmo? – ele perguntou.

- Eu queria poder esquecer tudo e ficar aqui para sempre.

- Mas não podemos... – ele disse. – Acabou o sorvete, o morango, os doces e... Sobrou um pedaço do nosso bolo. – ele disse levantando.

Ele colocou o pedaço do bolo sobre o meu ventre nu, fazendo eu gelar com o prato frio. Depois passou a mão no merengue e colocou na minha boca. Eu suguei seu dedo. Ele pegou o merengue e comeu depois.

- Nosso bolo... – ele disse. – Nosso casamento... Quando eu tirei o véu e a vi na igreja, achei que fosse um sonho.

- Eu também. E eu tinha um pouco de medo de você me dizer não... – confessei.

Ele arqueou as sobrancelhas divertidamente e depois pegou mais merengue com o dedo, passando lentamente pelo meu corpo. Eu me arrepiei e já senti um tesão incontrolável dentro de mim. Seria sempre assim? Ou um dia eu poderia enjoar de fazer amor com Magnus Chevalier?

- Alguma vez eu disse não para você? – ele perguntou.

Eu passei a mão no resto do merengue que tinha no bolo e coloquei na boca dele, que lambeu avidamente meus dedos.

- Acho que estou com fome... – ele disse começando a lamber o merengue no meu corpo.

O prato caiu e a torta espatifou-se no chão. E ali nós começávamos a fazer amor mais uma vez e de outra forma diferente. Eu estava percebendo que o casamento poderia cansar o meu corpo de uma forma que eu não imaginava... E como eu gostaria que meu único trabalho fosse dar prazer e receber prazer todos os dias.

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