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O perfume amadeirado de Petter Donovan impregnava o ar do último andar do arranha-céu da Donovan Enterprise. Através das imponentes janelas de vidro, a metrópole parecia pequena, mas dentro daquela sala de reuniões, o peso do mundo parecia cair sobre a mesa de mogno perfeitamente polida.
Petter observou a assinatura fluida de Tiffany sobre o papel com um brilho quase imperceptível de satisfação nos olhos. Ele recolheu o documento, alinhou as folhas com precisão cirúrgica e guardou a pasta na gaveta trancada da mesa. A distância entre os dois parecia ter se encurtado, mas não por afeto — era a tensão inevitável de dois aliados prestes a entrar em um campo de batalha.
— A partir deste segundo, Gallagher, a sua vida privada deixa de existir — alertou ele, contornando a mesa e parando a poucos centímetros dela. A aura de autoridade que ele emanava era quase sufocante. — Amanhã cedo, a imprensa receberá o anúncio oficial. Quero que você esteja pronta para os olhares, as perguntas invasivas e os julgamentos. A sociedade corporativa não vai perdoar uma secretária que ocupou o lugar reservado às herdeiras da elite.
Tiffany ergueu o queixo, mantendo o olhar fixo no dele, sem recuar um milímetro.
— Eu passei cinco anos sobrevivendo aos tubarões desta empresa, Sr. Donovan. Não serão as colunas de fofocas que vão me intimidar. Se o seu império precisa de uma esposa impecável para não ruir, você terá exatamente isso.
Um sorriso contido e perigoso surgiu nos lábios de Petter. Ele estendeu a mão para selar o pacto de forma oficial.
— Excelente. Vejo você no meu apartamento às oito da noite para ajustarmos as cláusulas da nossa convivência. Bem-vinda ao jogo, Sra. Donovan.
Tiffany apertou a mão dele, sentindo o calor firme da pele de Petter contra a sua. O aperto durou um segundo a mais do que o estritamente profissional, deixando no ar a promessa velada de que, nos próximos doze meses, nada entre eles seria simples.
Peter Donovan.O endereço enviado para o meu celular não fazia sentido.Não porque eu não conhecesse o lugar, eu conhecia e, era justamente por isso que meu estômago estava revirado.O cofre 317 ficava no antigo prédio administrativo da Donovan Tech, uma construção que meu pai havia mandado fechar quase vinte anos atrás. O edifício permanecia registrado no nome da empresa, mas praticamente ninguém tinha acesso àquela parte da propriedade.A maioria dos funcionários sequer sabia que aquele prédio existia, eu sabia, minha mãe costumava me levar até lá quando eu era criança.Antes dela morrer, antes de tudo mudar.Estacionei o carro diante do prédio, Tiffany saiu logo depois de mim, ela olhou para a construção antiga e apertou os braços contra o corpo.— Tem certeza de que é aqui?— Não.Ela me encarou.— Você acabou de dizer que não tem certeza?— Tenho certeza de que o endereço é esse. Não tenho certeza de nada que vamos encontrar lá dentro.Ela respirou fundo.— Então vamos descobrir.
Tiffany Galagher.Acordei com o cheiro de café, por alguns segundos, não soube onde estava, abri os olhos devagar e encontrei a lareira quase apagada.A manta ainda cobria meu corpo, Peter estava sentado na poltrona, com o celular na mão, ele me observava.— Bom dia, dorminhoca.Sorri.— Que horas são?— Quase oito.Olhei para a mesa, ainda havia algumas frutas, chocolate e pedaços de pão da noite anterior.— Nós realmente dormimos na sala?— Você dormiu.— E você?— Fiquei olhando para você.— Isso é assustador.Ele riu.— Romântico.Levantei e me aproximei dele.— Alguma coisa aconteceu?O sorriso dele diminuiu.— Não.— Peter.— Nada aconteceu aqui.Eu o conhecia bem demais para acreditar completamente.— Mas aconteceu alguma coisa na empresa.Ele suspirou.— Recebi a
Tiffany Galagher Naquela noite, pela primeira vez em dias, eu não queria respostas, não queria saber quem era D. V, eu não queria descobrir onde estava o arquivo original do Projeto Eden.Não queria pensar em Harrison, Adrian Cole, Richard Donovan ou em qualquer outra pessoa que tivesse transformado meu passado em um labirinto.Eu só queria esquecer, nem que fosse por algumas horas, Peter pareceu perceber isso no instante em que entramos em casa, ele colocou o celular sobre o aparador e tirou o paletó.— Hoje não.Olhei para ele.— Hoje não o quê?— Hoje não vamos falar de trabalho.Um sorriso escapou dos meus lábios.— Você está falando sério?— Muito.— E se acontecer alguma coisa na empresa?Peter caminhou até mim.— A empresa sobrevive uma noite sem mim.Ele pegou meu celular e colocou ao lado do dele.— E o Projeto Eden?— Pode esperar até amanhã.— Harrison?— Também.— O conselho?— Que se reúna sozinho.Comecei a rir.— Você está mesmo tentando me sequestrar para uma noite no
TiffanyA ligação tinha terminado.Mas a voz continuava dentro da minha cabeça.Você finalmente lembrou de mim, Tiffany.Eu não conseguia me mexer, Peter continuava segurando o celular, olhando para a tela como se pudesse arrancar dali o nome do homem que tinha acabado de nos ameaçar.— Ele sabia seu nome — Peter disse.— Sim.— Sabia que você estava aqui.— Sim.— E sabia exatamente o que estamos investigando.Assenti.— Então ele está nos observando.Peter não respondeu, não precisava, aquela era a conclusão mais óbvia, Helena estava pálida.— Eu conheço essa voz.Virei imediatamente para ela.— Conhece?Ela demorou para responder.— Conheço.Peter se aproximou.— Quem é?Minha mãe fechou os olhos por alguns segundos.— Eu não tenho certeza.— Helena.Ela abriu os olhos.— Faz muitos anos.— Não importa. Você acabou de dizer que conhece.Ela olhou para mim.— A voz pertence a alguém que trabalhava diretamente com Daniel.Meu coração apertou.— Quem?— Um pesquisador chamado Adrian C
TiffanyO silêncio dentro do carro parecia mais pesado do que qualquer discussão que eu tivesse tido com Peter, eu continuava olhando pela janela, mas não enxergava Nova York.Minha cabeça estava presa àquela frase.Existe alguém dentro da Donovan Tech.Alguém ligado ao Projeto Eden.Alguém que conhecia meu pai.Alguém que sabia quem eu era.E, pior ainda...Alguém que provavelmente sabia exatamente o que eu carregava dentro da minha própria memória.— Você está pensando demais — Peter falou.Virei o rosto para ele.— E você está pensando de menos.Ele ergueu uma sobrancelha.— Isso foi uma acusação?— Foi.Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele.— Então estamos voltando ao normal.Eu quase sorri também, quase, mas a lembrança de Daniel voltou com força.Meu pai.O homem que passou anos tentando me proteger sem que eu sequer soubesse do perigo, o homem que colocou informações dentro das minhas memórias porque acreditava que um dia alguém tentaria tirá-las de mim.— Peter...
Petter atendeu o celular sem tirar os olhos de Tiffany. A rigidez em sua mandíbula denunciava que a ligação trazia tudo, menos boas notícias.— Fale — ordenou ele, curto e frio.A voz do outro lado da linha, audível apenas como um murmúrio distante para Tiffany, fez a expressão do CEO se fechar completamente. Ele não disse mais nada por quase um minuto, apenas escutando com uma compostura assustadora.— Garanta que a imprensa não descubra antes de mim. Estarei aí em vinte minutos — Petter desligou e guardou o aparelho no bolso do paletó.Tiffan







