登入O papel sob a caneta tinteiro parecia pesar toneladas. Tiffany leu e releu cada cláusula no escritório dos advogados particulares de Petter. As exigências eram claras: coabitação obrigatória, comparência a eventos oficiais, fidelidade pública e sigilo absoluto sobre a natureza do acordo.
— Minha mãe não pode saber que isso é um arranjo — exigiu Tiffany, mantendo a caneta suspensa. — Se ela desconfiar que estou vendendo minha vida por causa do tratamento dela...
— Ninguém saberá — garantiu Petter, sentado à sua frente, bebericando um café sem açúcar. — Para o mundo, nós nos apaixonamos em segredo nos últimos dois anos e decidimos oficializar antes da reunião de acionistas.
— As pessoas vão dizer que sou uma oportunista que deu o golpe do baú no chefe.
— Deixe que digam. O ódio deles nos dá audiência, e a audiência nos dá controle — Petter inclinou-se para a frente. — Assine, Tiffany. O tempo está correndo.
Com a mão firme, ela assinou a última página. Ao firmar o documento, sentiu que acabara de selar a sua própria sentença de prisão em uma gaiola de ouro.
Ao deixar o edifício da advocacia, o sol quente da tarde atingiu o rosto de Tiffany, trazendo-a de volta à realidade acelerada do distrito financeiro. As pessoas passavam apressadas pelos passeios, alheias ao fato de que, a poucos metros dali, a vida de duas pessoas havia sido redefinida por termos burocráticos e cifrões astronômicos. Ela caminhou até o café mais próximo, precisando de alguns minutos a sós antes de retornar ao quartel-general da Donovan Enterprise.
Sentada junto à janela, segurando uma xícara de chá que sequer provou, Tiffany retirou o celular do bolso. Havia uma mensagem de texto da clínica onde sua mãe estava internada: a notificação formal de que a garantia de pagamento para o novo protocolo de tratamento com medicamentos importados fora aprovada e quitada integralmente. A confirmação trazia o nome da holding pessoal de Petter Donovan no rodapé do comprovante.
Um suspiro pesado escapou dos seus lábios. Uma mistura sufocante de alívio e angústia tomou conta do seu peito. O dinheiro de Petter já estava salvando a vida da pessoa que ela mais amava no mundo, o que tornava qualquer recuo impossível. A dívida moral — e contratual — agora estava selada. O "CEO Malvado", como os diretores e os estagiários costumavam chamá-lo pelas costas, cumprira sua primeira promessa sem hesitar por um segundo.
Tiffany guardou o aparelho e olhou para o próprio reflexo no vidro da janela. Viu uma mulher de postura ereta, fisionomia firme e olhar analítico. Cinco anos ao lado do executivo mais implacável do país não serviram apenas para organizar agendas e redigir relatórios sigilosos; serviram para ensiná-la como a mente de um predador corporativo funcionava. Petter acreditava ter comprado a aliada perfeita para salvar sua reputação e seu controle acionário, alguém controlável pela gratidão e pelo profissionalismo. Ele estava certo sobre o profissionalismo, mas terrivelmente enganado se pensava que ela aceitaria o papel de mera coadjuvante passiva.
Se ela seria a Sra. Donovan diante dos holofotes, da imprensa predatória e dos diretores sanguessugas da empresa, ela faria isso impondo suas próprias regras. Ela não seria a esposa troféu que a elite esperava ver, tampouco a secretária submissa que abaixava a cabeça fora do expediente. Ela usaria o mesmo escudo de frieza de Petter para proteger a si mesma e, se fosse necessário, usaria o próprio contrato para dobrar as certezas do homem que julgava ter o mundo sob seu controle.
Com a determinação renovada, Tiffany deixou o dinheiro sobre a mesa, ajustou a bolsa no ombro e caminhou firme em direção à entrada principal da empresa. O jogo havia começado, e ela estava mais do que pronta para jogar.
Tiffany Galagher.Acordei com o cheiro de café, por alguns segundos, não soube onde estava, abri os olhos devagar e encontrei a lareira quase apagada.A manta ainda cobria meu corpo, Peter estava sentado na poltrona, com o celular na mão, ele me observava.— Bom dia, dorminhoca.Sorri.— Que horas são?— Quase oito.Olhei para a mesa, ainda havia algumas frutas, chocolate e pedaços de pão da noite anterior.— Nós realmente dormimos na sala?— Você dormiu.— E você?— Fiquei olhando para você.— Isso é assustador.Ele riu.— Romântico.Levantei e me aproximei dele.— Alguma coisa aconteceu?O sorriso dele diminuiu.— Não.— Peter.— Nada aconteceu aqui.Eu o conhecia bem demais para acreditar completamente.— Mas aconteceu alguma coisa na empresa.Ele suspirou.— Recebi a
Tiffany Galagher Naquela noite, pela primeira vez em dias, eu não queria respostas, não queria saber quem era D. V, eu não queria descobrir onde estava o arquivo original do Projeto Eden.Não queria pensar em Harrison, Adrian Cole, Richard Donovan ou em qualquer outra pessoa que tivesse transformado meu passado em um labirinto.Eu só queria esquecer, nem que fosse por algumas horas, Peter pareceu perceber isso no instante em que entramos em casa, ele colocou o celular sobre o aparador e tirou o paletó.— Hoje não.Olhei para ele.— Hoje não o quê?— Hoje não vamos falar de trabalho.Um sorriso escapou dos meus lábios.— Você está falando sério?— Muito.— E se acontecer alguma coisa na empresa?Peter caminhou até mim.— A empresa sobrevive uma noite sem mim.Ele pegou meu celular e colocou ao lado do dele.— E o Projeto Eden?— Pode esperar até amanhã.— Harrison?— Também.— O conselho?— Que se reúna sozinho.Comecei a rir.— Você está mesmo tentando me sequestrar para uma noite no
TiffanyA ligação tinha terminado.Mas a voz continuava dentro da minha cabeça.Você finalmente lembrou de mim, Tiffany.Eu não conseguia me mexer, Peter continuava segurando o celular, olhando para a tela como se pudesse arrancar dali o nome do homem que tinha acabado de nos ameaçar.— Ele sabia seu nome — Peter disse.— Sim.— Sabia que você estava aqui.— Sim.— E sabia exatamente o que estamos investigando.Assenti.— Então ele está nos observando.Peter não respondeu, não precisava, aquela era a conclusão mais óbvia, Helena estava pálida.— Eu conheço essa voz.Virei imediatamente para ela.— Conhece?Ela demorou para responder.— Conheço.Peter se aproximou.— Quem é?Minha mãe fechou os olhos por alguns segundos.— Eu não tenho certeza.— Helena.Ela abriu os olhos.— Faz muitos anos.— Não importa. Você acabou de dizer que conhece.Ela olhou para mim.— A voz pertence a alguém que trabalhava diretamente com Daniel.Meu coração apertou.— Quem?— Um pesquisador chamado Adrian C
TiffanyO silêncio dentro do carro parecia mais pesado do que qualquer discussão que eu tivesse tido com Peter, eu continuava olhando pela janela, mas não enxergava Nova York.Minha cabeça estava presa àquela frase.Existe alguém dentro da Donovan Tech.Alguém ligado ao Projeto Eden.Alguém que conhecia meu pai.Alguém que sabia quem eu era.E, pior ainda...Alguém que provavelmente sabia exatamente o que eu carregava dentro da minha própria memória.— Você está pensando demais — Peter falou.Virei o rosto para ele.— E você está pensando de menos.Ele ergueu uma sobrancelha.— Isso foi uma acusação?— Foi.Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele.— Então estamos voltando ao normal.Eu quase sorri também, quase, mas a lembrança de Daniel voltou com força.Meu pai.O homem que passou anos tentando me proteger sem que eu sequer soubesse do perigo, o homem que colocou informações dentro das minhas memórias porque acreditava que um dia alguém tentaria tirá-las de mim.— Peter...
Petter atendeu o celular sem tirar os olhos de Tiffany. A rigidez em sua mandíbula denunciava que a ligação trazia tudo, menos boas notícias.— Fale — ordenou ele, curto e frio.A voz do outro lado da linha, audível apenas como um murmúrio distante para Tiffany, fez a expressão do CEO se fechar completamente. Ele não disse mais nada por quase um minuto, apenas escutando com uma compostura assustadora.— Garanta que a imprensa não descubra antes de mim. Estarei aí em vinte minutos — Petter desligou e guardou o aparelho no bolso do paletó.Tiffan
A porta do apartamento de cobertura se fechou, sepultando o barulho das mentes curiosas e dos flashes da imprensa. Tiffany encostou as costas na madeira fria da porta, soltando a respiração que parecia ter prendido desde o momento em que pisaram no tapete vermelho do jantar de gala. O vestido de seda prateada — impecável, caro e sufocante — de repente parecia pesado demais.Ela ainda podia ouvir o eco dos sussurros nos salões do evento. “Uma secretária? Como ele pôde se casar com ela?”, “Deve ser um golpe de sorte... ou uma estratégia.&rdq







