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A Mulher Que Eu Não Podia Tocar
A Mulher Que Eu Não Podia Tocar
Author: Annanda

Capítulo  01 - Quem B**e à Minha Porta 

Author: Annanda
last update publish date: 2026-10-16 22:38:27

“Eu ainda não sabia quem estava do outro lado da porta, muito menos o lugar que aquela pessoa ocuparia na minha vida.”

O toque insistente da campainha arrancou Lívia do sono.

Ela abriu os olhos, desorientada, e procurou o celular sobre o criado-mudo.

03h40.

A campainha tocou outra vez.

— Quem, em nome de Deus, aparece na casa dos outros a esta hora?

Afastou o edredom, calçou os chinelos e saiu do quarto prendendo os cabelos num coque improvisado. Antes de descer, olhou para a porta entreaberta do quarto onde Elena dormia.

Depois de tudo o que a amiga havia atravessado, vê-la descansar lhe trouxera algum alívio. Se o infeliz do outro lado da porta a acordasse…

A campainha tornou a soar.

— Já vai — resmungou, descendo as escadas. — Se quebrar essa campainha, vai pagar outra.

Acendeu a luz da entrada e girou a chave sem se lembrar de que vestia apenas uma camiseta curta de algodão e uma calcinha vermelha de renda, minúscula, que a barra mal cobria.

Abriu a porta.

— Mas que droga você pensa que está…

A reclamação morreu no meio.

Adrian Castelli ocupava boa parte do vão da entrada.

Lívia o reconheceu pelas fotografias que Elena lhe mostrara, mas nenhuma delas a havia preparado para encontrá-lo tão perto. Os cabelos castanho-escuros estavam desalinhados, a barba por fazer marcava seu rosto e a gravata frouxa pendia sobre a camisa branca, aberta no colarinho.

Os olhos azuis se fixaram nos dela.

Depois desceram.

Foi um movimento breve, mas Lívia percebeu o instante em que ele reparou na renda vermelha sob a camiseta. Adrian ergueu os olhos imediatamente, contraindo a mandíbula.

Ela segurou a barra do tecido e a puxou para baixo.

A atração inesperada só aumentou sua irritação.

Aquele era o homem por quem Elena esperava. O homem cuja ausência a amiga tentava justificar mesmo quando estava magoada demais para esconder.

— Com licença.

Lívia desviou a atenção para Gabriel, parado ao lado dele.

— A Elena está aqui?

— Está dormindo. Ou estava, antes dessa tentativa de acordar a rua inteira.

Gabriel aceitou a repreensão com um movimento de cabeça.

— Desculpe. Eu tentei ligar para você.

— Meu celular está no quarto.

Adrian deu um passo à frente.

— Vim buscar minha sobrinha. Pode chamá-la?

Lívia cruzou os braços.

— Agora você resolveu aparecer?

Gabriel fechou os olhos por um instante.

Adrian permaneceu olhando para ela.

— Como é?

— São quase quatro da manhã. Ela está descansando.

— Entendi na primeira vez. Chame Elena, por favor.

— E eu estou dizendo que ela está dormindo.

A barra da camiseta subiu quando Lívia ergueu um dos braços para apontar o relógio na parede. Adrian desviou os olhos, mas não antes de notar outra vez a pequena faixa de renda.

Aquilo o irritou. Estava preocupado com a sobrinha, não tinha paciência para discutir e, ainda assim, precisava se esforçar para manter os olhos no rosto da mulher à sua frente.

— Olhe aqui, menina…

Lívia ergueu uma sobrancelha.

— Começou mal.

— Você não sabe o que está acontecendo.

— Sei que Elena finalmente conseguiu dormir.

— E eu preciso vê-la.

A resposta veio mais firme. Por um instante, Lívia percebeu algo além da impaciência na voz dele.

Mesmo assim, não saiu da frente.

— Então poderia ter começado dizendo isso, em vez de chegar dando ordens.

— Lívia — Gabriel interveio. — Ele está preocupado.

— Ótimo. Somos dois.

Adrian olhou para o amigo.

— Você a conhece?

— Conheço.

— Então explique que eu não vou embora sem falar com Elena.

— Ele sabe explicar sozinho? — Lívia perguntou.

Adrian voltou o rosto para ela.

Os dois se encararam.

Ele parecia pouco acostumado a encontrar resistência. Lívia, por sua vez, estava cansada, assustada com tudo o que ainda não conseguira assimilar e completamente sem disposição para facilitar a vida daquele homem.

— Você sempre recebe as pessoas desse jeito? — ele perguntou.

— Só as que se penduram na minha campainha de madrugada.

— Se tivesse atendido ao telefone…

— Eu estava dormindo. É uma atividade bastante comum neste horário.

Gabriel passou a mão pelo rosto.

— Podemos diminuir o volume?

— Tio?

A voz de Elena interrompeu a discussão.

Adrian ergueu os olhos. Ela estava no alto da escada, segurando o corrimão.

— Elena…

Ele deu um passo para dentro, mas parou quando ela começou a chorar.

Lívia se virou imediatamente para a amiga e Adrian olhou de uma para a outra.

— O que aconteceu?

Lívia havia imaginado muitas vezes o que diria àquele homem. Agora, diante daquela pergunta, não podia responder por Elena.

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