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Nossa Casa

Author: Val Lima
last update publish date: 2026-11-05 21:02:19

O carro seguiu pelas ruas enquanto Sofia tentava prestar atenção ao caminho. Sob a renda do vestido, podia sentir o contorno do celular que escondera ali antes da cerimônia, preso à cintura. Era a única coisa que ainda a ligava ao que tinha deixado para trás.

No início, tudo parecia familiar. Prédios, avenidas movimentadas e estabelecimentos comerciais passavam pela janela. Ela imaginou que Dante a levaria para alguma mansão afastada ou um condomínio de luxo.

Mas, depois de alguns minutos, o ce
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  • A Mulher do Dono do Morro   Nossa Casa

    O carro seguiu pelas ruas enquanto Sofia tentava prestar atenção ao caminho. Sob a renda do vestido, podia sentir o contorno do celular que escondera ali antes da cerimônia, preso à cintura. Era a única coisa que ainda a ligava ao que tinha deixado para trás.No início, tudo parecia familiar. Prédios, avenidas movimentadas e estabelecimentos comerciais passavam pela janela. Ela imaginou que Dante a levaria para alguma mansão afastada ou um condomínio de luxo.Mas, depois de alguns minutos, o cenário começou a mudar.As ruas ficaram mais estreitas. Os prédios deram lugar a casas construídas muito próximas umas das outras, algumas empilhadas nas encostas do morro. Fios atravessavam as ruas de um lado a outro, pequenos comércios ocupavam as esquinas e músicas diferentes vinham de casas próximas. O cheiro de fritura e de roupa recém-lavada entrava pela fresta da janela. Havia crianças brincando nas calçadas, moradores conversando nas portas e motocicletas passando pelos becos.Sofia olhou

  • A Mulher do Dono do Morro   Pode Beijar a Noiva

    Augusto segurou a mão de Sofia por um instante antes de colocá-la sobre a de Dante.Ela sentiu os dedos do pai se afastarem. Por um momento, teve vontade de olhar para trás, como se ainda existisse alguma possibilidade de voltar pelo mesmo caminho.— Sofia — Dante chamou, em voz baixa.Ela voltou os olhos para ele.— Dante Ferraz. Embora imagine que já saiba disso.Sofia sustentou seu olhar por um instante.— Seria difícil não saber. Meu casamento inteiro foi organizado em torno do seu nome.Um breve movimento surgiu no canto da boca dele, quase um sorriso.— Justo.Ela não esperava aquela resposta. Muito menos a tranquilidade com que ele a recebeu.Dante ofereceu o braço.— Vamos?Sofia hesitou antes de aceitá-lo.Só então conseguiu observá-lo melhor. Ele era alto, tinha ombros largos, cabelos escuros cuidadosamente arrumados e um rosto de traços marcantes. O terno preto parecia feito sob medida. Havia algo em sua postura que transmitia autoridade, como se não precisasse levantar a v

  • A Mulher do Dono do Morro   A Noiva de Dante Ferraz

    Sofia mal conseguia prestar atenção ao vestido que estava escolhendo. Seus pensamentos continuavam presos a Gabriel e ao silêncio que se seguira à tentativa frustrada de fuga.— Esse vestido serve — disse Sofia, saindo do provador.Helena ergueu os olhos e examinou a filha de cima a baixo.— Você nem olhou direito para ele.— Não preciso olhar. Está bom.— Sofia, você vai se casar amanhã! Poderia ao menos demonstrar algum interesse!— Isso faria alguma diferença, mãe?Laura soltou uma risadinha, acomodada no sofá de veludo do ateliê.— Deixa ela, mamãe. Parece que não está nem um pouco feliz por ajudar a família. Que ingrata!Sofia lançou um olhar duro à irmã.— Não estou com paciência para você, Laura.— E eu só estou tentando ajudar. Afinal, não é todo dia que alguém consegue um marido rico sem precisar fazer o menor esforço.— Já chega, Laura — repreendeu Helena, voltando a atenção para a filha mais velha. — Gostei desse modelo. O caimento está bonito, e a renda combina com você. V

  • A Mulher do Dono do Morro   Menos de vinte e quatro horas

    Sofia ligou o carro e deixou a praça para trás, contendo a angústia que ameaçava dominá-la. Tinha saído da mansão naquela manhã acreditando que finalmente conseguiria escapar do casamento arranjado. Agora, estava voltando sozinha.Quando chegou à garagem da propriedade, permaneceu alguns segundos com as mãos firmes no volante, olhando para a entrada imponente da mansão. Respirou fundo, forçou uma expressão tranquila, pegou a bolsa e a mochila no banco do passageiro e saiu do veículo.Ao entrar em casa, encontrou uma das funcionárias organizando alguns vasos de flores no aparador do corredor.— Já voltou, senhorita Sofia? — perguntou a mulher, erguendo os olhos.— Já. Resolvi voltar mais cedo...A resposta saiu rápida demais, mas a funcionária apenas assentiu e não fez outras perguntas.Sofia aproveitou a oportunidade para subir as escadas, tentando manter a postura tranquila até alcançar a segurança de seu quarto. Assim que fechou a porta e girou a chave na fechadura, largou a bolsa s

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    Sofia conferiu o celular novamente, mas não havia nenhuma mensagem. Às dez e cinco, ainda tentou se convencer de que Gabriel estava atrasado. Talvez tivesse enfrentado algum imprevisto no caminho ou o trânsito estivesse pior do que imaginava. Ele apareceria. Tinha prometido.Sofia olhou para a esquina pela terceira vez em poucos minutos. Um carro branco passou devagar, seguido por uma motocicleta. Ela se inclinou para a frente, tentando enxergar os motoristas, mas nenhum deles era Gabriel. Soltou o ar e voltou a olhar para a tela, que continuava sem nenhuma notificação.Abriu a conversa entre os dois e releu as últimas mensagens da noite anterior. Gabriel havia sido carinhoso, como sempre. Dissera que os dois começariam uma nova vida e que ela não precisava ter medo, porque ele estaria ao seu lado.Sofia apertou os lábios.— Você prometeu — murmurou.Às dez e quinze, decidiu ligar. O telefone chamou até a ligação cair na caixa postal. Ela desligou e tentou novamente, levando o aparelh

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    — Daqui a algumas horas, eu já vou estar longe daqui.Sofia olhou para a pequena mochila sobre a cama. Era estranho pensar que algumas roupas, seus documentos e um pouco de dinheiro seriam tudo o que levaria para começar uma vida completamente diferente.O celular vibrou em sua mão.Gabriel.Ela atendeu imediatamente.— Oi, amor.— Oi, princesa. Está sozinha?— Estou. Acabei de acordar.Sofia se sentou na cama e abraçou um travesseiro, tentando conter o nervosismo.— Estou com medo, Gabriel.— Eu também. Não preguei o olho a noite inteira.Ela soltou uma risadinha nervosa.— Lembra daquela vez em que você disse que, se um dia eu precisasse ir embora, iria comigo para qualquer lugar?— Lembro.— Na época, achei que você estava falando só para me consolar.— Eu estava falando sério, Sofia. Sempre estive.Ela apertou o travesseiro contra o peito. Queria acreditar que tudo daria certo, mas abandonar a própria casa, a família e a vida que conhecia era muito mais assustador do que imaginara

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