LOGINANTONELLA TARANTO
Subi imediatamente para o quarto, decidida a evitar Dante Pussent pelo maior tempo possível. Andei de um lado para o outro, tentando controlar a irritação. Como aquele homem ousava me seguir até ali, como se tivesse algum direito sobre minha vida? E, principalmente, como havia descoberto onde eu estava? Não contara a ninguém sobre minha fuga, nem mesmo à minha melhor amiga. — Antonella, querida, venha aqui embaixo! — chamou minha tia. Suspirei. A última coisa que desejava era encarar aquele homem novamente, mas não podia continuar escondida. Beatriz não tinha culpa da minha situação, e eu não queria descontar nela minha frustração. Muito bem, senhor Pussent. Se quer me esperar, vai ter que aprender a ter paciência. Sentei-me na cama e respirei fundo. Não permitiria que ele percebesse o quanto sua presença me incomodava. Se esperava encontrar uma mulher intimidada por sua fortuna ou pelo sobrenome, estava prestes a se decepcionar. (...) DANTE PUSSENT A rejeição de Antonella havia atingido diretamente meu orgulho. Eu não estava acostumado a ser ignorado, muito menos por uma mulher que deveria se considerar privilegiada por ter sido escolhida para se casar comigo. Aos vinte e sete anos, eu era CEO da Pussent International Holdings, um conglomerado internacional de hotéis, cassinos e resorts de luxo. Formado em Administração por Harvard, comandava uma empresa de alcance mundial e estava entre os jovens empresários mais bem-sucedidos do mercado. Minha fortuna e minha aparência nunca passaram despercebidas. Modelos, atrizes e celebridades disputavam minha atenção, mas Antonella parecia imune a tudo isso. Que garota insolente! Será que não sabe quantas mulheres gostariam de estar no lugar dela? Desde a adolescência, eu estava acostumado a despertar interesse. Sempre fui considerado um bom partido, e minha posição apenas reforçou essa imagem. Entretanto, aquela mulher me tratava como se eu não fosse ninguém. O mais irritante era perceber que, pela primeira vez, eu precisava ir atrás de alguém. Acomodado em uma antiga poltrona da sala de estar da casa de Beatriz Valença, consultei o relógio. Já haviam se passado nove minutos desde que sua tia a chamara. Se não aparecesse no minuto seguinte, eu mesmo iria buscá-la. Tinha compromissos importantes e não pretendia perder meu dia inteiro esperando por uma garota mimada. Exatamente dez minutos depois, Antonella surgiu no alto da escada. Levantei-me, e meu olhar acompanhou sua descida. A luz do sol destacava sua pele, enquanto os longos cabelos negros e ondulados emolduravam seu rosto delicado. Havia nela uma beleza natural, uma mistura de elegância e sensualidade que me deixou momentaneamente sem palavras. Eu não queria aquele casamento, tampouco estava interessado em compromissos. Ainda assim, seria hipócrita negar a atração que senti naquele instante. Antonella era extremamente bonita, e meu desejo por ela começava a se tornar inconvenientemente difícil de ignorar. (...) ANTONELLA TARANTO Tentei manter a expressão neutra enquanto me aproximava. Dante me observava descaradamente, percorrendo meu corpo com os olhos, sem demonstrar o menor constrangimento. Que homem sem educação! Parece que está me despindo mentalmente. Arrogante e convencido. Parei diante dele, coloquei uma das mãos na cintura e ergui uma sobrancelha. — Já disse tudo o que tinha para dizer, senhor Pussent. Não há mais nada para discutirmos. Ele se aproximou com uma tranquilidade irritante. — Mas eu ainda não disse o que tinha para dizer. — Então diga logo e vá embora. — Calma, Antonella. Vim buscá-la. Como seu futuro marido, considero que é meu dever cuidar de você. Soltei uma risada sem humor. — O senhor é surdo? Já disse que não vou me casar com você. Não sou sua noiva. E ponto final. — Você me subestima, querida. Tenho muitos contatos. — Quer dizer que contratou detetives particulares. É exatamente como meu pai: controlador, manipulador e arrogante. — Não me compare ao seu pai. Quando me conhecer melhor, vai descobrir que sou um homem charmoso, compreensivo e generoso. Sua voz grave provocou um arrepio involuntário em minha pele. Odiei aquela reação. — Não vou voltar para casa. Meu pai não pode me obrigar a me casar com você. — Ah, assim você me magoa. Dante levou a mão ao peito, fingindo estar profundamente ofendido. Logo depois, porém, voltou a me encarar. — Acredite, querida, também não estou interessado nesse casamento. Você é exatamente o oposto do que procuro em uma mulher. Senti o rosto esquentar. Em outras palavras, não faço o tipo dele. — Então o sentimento é mútuo. Não há motivo para continuarmos com esse casamento. Acabaríamos destruindo a vida um do outro. — Talvez. Mas, ao contrário de você, sou racional e valorizo minha família. Sei o quanto essa união representa para nossos pais. Eles construíram uma amizade sólida, enfrentaram dificuldades e trabalharam duro para conquistar tudo o que possuem. Não sou egoísta a ponto de ignorar essa história. Segundo golpe. — Está insinuando que sou egoísta e irracional? — Pense o que quiser, querida. — E pare de me chamar assim! Um sorriso torto surgiu em seus lábios. — Assim como? Querida? Ele se aproximou, obrigando-me a erguer o rosto. — Posso chamá-la de querida, meu amor, bebê ou docinho. Afinal, mais cedo ou mais tarde, vamos dividir a mesma cama. Com casamento ou sem ele. — Seu bastardo! Ergui a mão para lhe dar uma bofetada, mas ele segurou meu pulso antes que eu conseguisse. Puxou-me para perto, num movimento brusco que me fez perder o equilíbrio. A proximidade inesperada provocou uma descarga de adrenalina, misturada à raiva que eu sentia. — Tsc, tsc... Não faça isso novamente, docinho. Sou um homem difícil de desafiar, e você não vai gostar das consequências. Sua respiração quente alcançava meu rosto. Forcei o corpo para trás e empurrei seu peito. — Solte-me! Dante abriu a mão imediatamente e recuperou a distância. — Pense no que conversamos. Não decepcione seu pai. Estou voltando para os Estados Unidos amanhã e não sei quando poderei retornar. A maior parte dos meus negócios está concentrada lá. Retirou um cartão de visitas da carteira e o estendeu para mim. — Ligue amanhã e diga qual é sua decisão. Peguei o cartão, embora não tivesse a menor intenção de telefonar. — Minha decisão continua a mesma. Não vou me casar com você. Nossos pais estão sendo egoístas. Um casamento deve ser baseado em amor, confiança e respeito, não em uma parceria comercial para proteger o patrimônio das famílias. Dante ergueu as sobrancelhas. — Então você acredita em contos de fadas e no famoso felizes para sempre? — Claro. Você não acredita? Ele sorriu e balançou a cabeça. — Nunca estive apaixonado na vida. — Por quê? Não tem namorada? — Não. Terminamos ontem à noite. — Ontem? Deve estar de coração partido. Minha ironia pareceu diverti-lo. — Nosso relacionamento era puramente físico. Não havia sentimentos envolvidos. Quer dizer... sexo! As notícias sobre Dante pareciam verdadeiras. Ele era mesmo um conquistador, acostumado a colecionar relacionamentos passageiros. Que nojo! — E você, Antonella? Está namorando alguém? A pergunta me pegou desprevenida. Minha expressão mudou, e senti os olhos arderem ao lembrar do relacionamento que havia terminado poucas semanas antes. — Não. Terminei há algumas semanas e ainda estou tentando superar. Dante pareceu surpreso. Seu sorriso perdeu um pouco da arrogância habitual. — Então, pelo visto, não sou o único tentando juntar os pedaços de um coração partido. Não respondi. Apenas abaixei os olhos e assenti. Pela primeira vez naquela conversa, fiquei sem uma resposta atravessada. Havia coisas demais que eu não queria contar a ele. Afinal, Dante Pussent era a última pessoa com quem desejava falar sobre meu coração partido.ANTONELLA TARANTO— Sinto tanto a sua falta, meu amor. Não consigo parar de pensar em você. Minha vida perdeu completamente o sentido desde que nos afastamos. Parece que estou morrendo um pouco a cada dia. Eu te amo, Antonella. Por favor, me perdoe. Dê-me outra chance. Estou implorando.Fechei os olhos e apertei a ponte do nariz, tentando reunir a paciência que aquela ligação estava consumindo.Ah, por favor! Que discurso mais patético.— Ian, estou seguindo em frente. Será que você pode respeitar isso e parar de me ligar?Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, mas já havia passado da hora de colocar um ponto-final naquela história. Eu não queria ouvir promessas, justificativas ou declarações de amor de um homem que havia destruído minha confiança. A lembrança da traição ainda me incomodava, embora já não provocasse a mesma dor de antes. Aos poucos, eu estava recuperando minha tranquilidade, reconstruindo minha autoestima e aprendendo a viver sem esperar uma explicação que t
ANTONELLA TARANTO— Antonella! Antonella!A voz parecia vir de muito longe, mas o tremor que sacudia meu corpo era assustadoramente real.Meu Deus! Por favor, faça isso parar!— Droga, Antonella! Acorde!Senti alguém sacudir meus ombros com certa impaciência. Abri os olhos de repente, puxando o ar com força. Meu coração parecia querer saltar pela boca, e levei alguns segundos para compreender onde estava.Sentei-me imediatamente, olhando ao redor, completamente desorientada. Meu rosto devia estar tão pálido quanto o de um fantasma.— O que aconteceu? Onde estamos?Dante fechou o notebook e me encarou, preocupado.— Ainda estamos no avião. Está tudo bem com você? Você estava se debatendo enquanto dormia. Tentei acordá-la, mas demorou um pouco para reagir.— Meu Deus...Um soluço escapou da minha garganta. As imagens do pesadelo ainda estavam vivas na minha cabeça: o avião despencando, as máscaras de oxigênio, a explosão... Tudo parecia tão real!Sem pensar duas vezes, passei os braços
Antonella TarantoEu estava sentada no jato particular dos Pussent, tomando champanhe ao lado de Augusto Pussent, pai de Dante. Ele havia me buscado em casa algumas horas antes. Almoçara com a minha família, conversara sobre negócios e relembrara os velhos tempos com meu pai, Lorenzo. Durante todo o encontro, garantira aos meus pais que eu estaria em boas mãos e receberia a melhor formação em gestão empresarial.Eu apenas escutava. A conversa me fazia sentir como uma criança incapaz de cuidar de si mesma. Aos vinte e dois anos, já era adulta, formada e perfeitamente capaz de tomar minhas próprias decisões. Ainda assim, meus pais continuavam a me tratar como se eu pudesse me perder no primeiro passo que desse sozinha.Estávamos no avião havia quase uma hora quando Dante apareceu. Trazia um portátil na mão e falava ao telefone. Cumprimentou o pai e a mim com um breve aceno antes de se acomodar na poltrona à nossa frente. Usava jeans azul desbotado, camisa branca e um casaco preto. A com
DANTE PUSSENT Dois dias depois, meu pai ligou com uma notícia que eu não esperava. — Antonella voltou para casa ontem. Lorenzo ainda estava furioso, mas, por causa do problema cardíaco da esposa, decidiu perdoá-la. Segurei o telefone entre o ombro e o queixo enquanto tirava a camisa na suíte presidencial do nosso hotel, no Rio de Janeiro. — E agora? Vamos esquecer esse acordo de casamento? — Lorenzo não voltou a insistir no assunto. Antonella é completamente contra essa união e ainda não entende o quanto ela é importante para nós. Tem apenas vinte e dois anos e acabou de se formar em Gestão. Concordamos que é melhor dar um tempo para que amadureça. — Por mim, tudo bem. Não tenho pressa. Estou aproveitando minha vida — respondi, tentando parecer indiferente. A verdade era que aqueles dois dias tinham sido uma tortura. Eu também não queria me casar, mas a rejeição de Antonella havia mexido comigo de uma maneira absurda. Seu perfume, sua voz, o jeito como me enfrentava... Tudo con
ANTONELLA TARANTOSubi imediatamente para o quarto, decidida a evitar Dante Pussent pelo maior tempo possível. Andei de um lado para o outro, tentando controlar a irritação. Como aquele homem ousava me seguir até ali, como se tivesse algum direito sobre minha vida? E, principalmente, como havia descoberto onde eu estava? Não contara a ninguém sobre minha fuga, nem mesmo à minha melhor amiga.— Antonella, querida, venha aqui embaixo! — chamou minha tia.Suspirei. A última coisa que desejava era encarar aquele homem novamente, mas não podia continuar escondida. Beatriz não tinha culpa da minha situação, e eu não queria descontar nela minha frustração.Muito bem, senhor Pussent. Se quer me esperar, vai ter que aprender a ter paciência.Sentei-me na cama e respirei fundo. Não permitiria que ele percebesse o quanto sua presença me incomodava. Se esperava encontrar uma mulher intimidada por sua fortuna ou pelo sobrenome, estava prestes a se decepcionar.(...)DANTE PUSSENTA rejeição de Ant
Antonella Taranto — Antonella! O que está fazendo aqui?Minha tia Beatriz Valença quase deixou a xícara cair ao me encontrar diante de sua porta, carregando uma mala de viagem e outra bolsa no ombro. Eu estava exausta, mas não pretendia demonstrar o quanto aquela fuga havia me abalado. Tirei os óculos escuros e forcei um sorriso.— Oi, tia. Posso entrar?— Meu Deus! Você não deveria estar conhecendo seu futuro marido agora? O que aconteceu?Passei por ela e me joguei no sofá da sala.— Aconteceu que não vou me casar com aquele desgraçado.Beatriz fechou a porta e me encarou, ainda tentando entender minha presença.— Você fugiu?— Antes que alguém tenha a brilhante ideia de me colocar diante daquele homem, sim.— Antonella, seus pais devem estar desesperados! Por que fez isso?— Porque não vou permitir que decidam o resto da minha vida. Não me casarei com um homem que trata mulheres como brinquedos. Dante Pussent é um porco!Minha tia suspirou e se sentou ao meu lado. Irmã mais nova d







