Share

2

Author: Jade Aragão
last update publish date: 2026-11-04 23:52:11

ANTONELLA TARANTO

Subi imediatamente para o quarto, decidida a evitar Dante Pussent pelo maior tempo possível. Andei de um lado para o outro, tentando controlar a irritação. Como aquele homem ousava me seguir até ali, como se tivesse algum direito sobre minha vida? E, principalmente, como havia descoberto onde eu estava? Não contara a ninguém sobre minha fuga, nem mesmo à minha melhor amiga.

— Antonella, querida, venha aqui embaixo! — chamou minha tia.

Suspirei. A última coisa que desejava era encarar aquele homem novamente, mas não podia continuar escondida. Beatriz não tinha culpa da minha situação, e eu não queria descontar nela minha frustração.

Muito bem, senhor Pussent. Se quer me esperar, vai ter que aprender a ter paciência.

Sentei-me na cama e respirei fundo. Não permitiria que ele percebesse o quanto sua presença me incomodava. Se esperava encontrar uma mulher intimidada por sua fortuna ou pelo sobrenome, estava prestes a se decepcionar.

(...)

DANTE PUSSENT

A rejeição de Antonella havia atingido diretamente meu orgulho. Eu não estava acostumado a ser ignorado, muito menos por uma mulher que deveria se considerar privilegiada por ter sido escolhida para se casar comigo.

Aos vinte e sete anos, eu era CEO da Pussent International Holdings, um conglomerado internacional de hotéis, cassinos e resorts de luxo. Formado em Administração por Harvard, comandava uma empresa de alcance mundial e estava entre os jovens empresários mais bem-sucedidos do mercado. Minha fortuna e minha aparência nunca passaram despercebidas. Modelos, atrizes e celebridades disputavam minha atenção, mas Antonella parecia imune a tudo isso.

Que garota insolente! Será que não sabe quantas mulheres gostariam de estar no lugar dela?

Desde a adolescência, eu estava acostumado a despertar interesse. Sempre fui considerado um bom partido, e minha posição apenas reforçou essa imagem. Entretanto, aquela mulher me tratava como se eu não fosse ninguém. O mais irritante era perceber que, pela primeira vez, eu precisava ir atrás de alguém.

Acomodado em uma antiga poltrona da sala de estar da casa de Beatriz Valença, consultei o relógio. Já haviam se passado nove minutos desde que sua tia a chamara. Se não aparecesse no minuto seguinte, eu mesmo iria buscá-la. Tinha compromissos importantes e não pretendia perder meu dia inteiro esperando por uma garota mimada.

Exatamente dez minutos depois, Antonella surgiu no alto da escada.

Levantei-me, e meu olhar acompanhou sua descida. A luz do sol destacava sua pele, enquanto os longos cabelos negros e ondulados emolduravam seu rosto delicado. Havia nela uma beleza natural, uma mistura de elegância e sensualidade que me deixou momentaneamente sem palavras.

Eu não queria aquele casamento, tampouco estava interessado em compromissos. Ainda assim, seria hipócrita negar a atração que senti naquele instante. Antonella era extremamente bonita, e meu desejo por ela começava a se tornar inconvenientemente difícil de ignorar.

(...)

ANTONELLA TARANTO

Tentei manter a expressão neutra enquanto me aproximava. Dante me observava descaradamente, percorrendo meu corpo com os olhos, sem demonstrar o menor constrangimento.

Que homem sem educação! Parece que está me despindo mentalmente. Arrogante e convencido.

Parei diante dele, coloquei uma das mãos na cintura e ergui uma sobrancelha.

— Já disse tudo o que tinha para dizer, senhor Pussent. Não há mais nada para discutirmos.

Ele se aproximou com uma tranquilidade irritante.

— Mas eu ainda não disse o que tinha para dizer.

— Então diga logo e vá embora.

— Calma, Antonella. Vim buscá-la. Como seu futuro marido, considero que é meu dever cuidar de você.

Soltei uma risada sem humor.

— O senhor é surdo? Já disse que não vou me casar com você. Não sou sua noiva. E ponto final.

— Você me subestima, querida. Tenho muitos contatos.

— Quer dizer que contratou detetives particulares. É exatamente como meu pai: controlador, manipulador e arrogante.

— Não me compare ao seu pai. Quando me conhecer melhor, vai descobrir que sou um homem charmoso, compreensivo e generoso.

Sua voz grave provocou um arrepio involuntário em minha pele. Odiei aquela reação.

— Não vou voltar para casa. Meu pai não pode me obrigar a me casar com você.

— Ah, assim você me magoa.

Dante levou a mão ao peito, fingindo estar profundamente ofendido. Logo depois, porém, voltou a me encarar.

— Acredite, querida, também não estou interessado nesse casamento. Você é exatamente o oposto do que procuro em uma mulher.

Senti o rosto esquentar.

Em outras palavras, não faço o tipo dele.

— Então o sentimento é mútuo. Não há motivo para continuarmos com esse casamento. Acabaríamos destruindo a vida um do outro.

— Talvez. Mas, ao contrário de você, sou racional e valorizo minha família. Sei o quanto essa união representa para nossos pais. Eles construíram uma amizade sólida, enfrentaram dificuldades e trabalharam duro para conquistar tudo o que possuem. Não sou egoísta a ponto de ignorar essa história.

Segundo golpe.

— Está insinuando que sou egoísta e irracional?

— Pense o que quiser, querida.

— E pare de me chamar assim!

Um sorriso torto surgiu em seus lábios.

— Assim como? Querida?

Ele se aproximou, obrigando-me a erguer o rosto.

— Posso chamá-la de querida, meu amor, bebê ou docinho. Afinal, mais cedo ou mais tarde, vamos dividir a mesma cama. Com casamento ou sem ele.

— Seu bastardo!

Ergui a mão para lhe dar uma bofetada, mas ele segurou meu pulso antes que eu conseguisse. Puxou-me para perto, num movimento brusco que me fez perder o equilíbrio. A proximidade inesperada provocou uma descarga de adrenalina, misturada à raiva que eu sentia.

— Tsc, tsc... Não faça isso novamente, docinho. Sou um homem difícil de desafiar, e você não vai gostar das consequências.

Sua respiração quente alcançava meu rosto. Forcei o corpo para trás e empurrei seu peito.

— Solte-me!

Dante abriu a mão imediatamente e recuperou a distância.

— Pense no que conversamos. Não decepcione seu pai. Estou voltando para os Estados Unidos amanhã e não sei quando poderei retornar. A maior parte dos meus negócios está concentrada lá.

Retirou um cartão de visitas da carteira e o estendeu para mim.

— Ligue amanhã e diga qual é sua decisão.

Peguei o cartão, embora não tivesse a menor intenção de telefonar.

— Minha decisão continua a mesma. Não vou me casar com você. Nossos pais estão sendo egoístas. Um casamento deve ser baseado em amor, confiança e respeito, não em uma parceria comercial para proteger o patrimônio das famílias.

Dante ergueu as sobrancelhas.

— Então você acredita em contos de fadas e no famoso felizes para sempre?

— Claro. Você não acredita?

Ele sorriu e balançou a cabeça.

— Nunca estive apaixonado na vida.

— Por quê? Não tem namorada?

— Não. Terminamos ontem à noite.

— Ontem? Deve estar de coração partido.

Minha ironia pareceu diverti-lo.

— Nosso relacionamento era puramente físico. Não havia sentimentos envolvidos.

Quer dizer... sexo!

As notícias sobre Dante pareciam verdadeiras. Ele era mesmo um conquistador, acostumado a colecionar relacionamentos passageiros.

Que nojo!

— E você, Antonella? Está namorando alguém?

A pergunta me pegou desprevenida. Minha expressão mudou, e senti os olhos arderem ao lembrar do relacionamento que havia terminado poucas semanas antes.

— Não. Terminei há algumas semanas e ainda estou tentando superar.

Dante pareceu surpreso. Seu sorriso perdeu um pouco da arrogância habitual.

— Então, pelo visto, não sou o único tentando juntar os pedaços de um coração partido.

Não respondi. Apenas abaixei os olhos e assenti.

Pela primeira vez naquela conversa, fiquei sem uma resposta atravessada. Havia coisas demais que eu não queria contar a ele. Afinal, Dante Pussent era a última pessoa com quem desejava falar sobre meu coração partido.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A Noiva Prometida do Magnata - CEO   6

    ANTONELLA TARANTO— Sinto tanto a sua falta, meu amor. Não consigo parar de pensar em você. Minha vida perdeu completamente o sentido desde que nos afastamos. Parece que estou morrendo um pouco a cada dia. Eu te amo, Antonella. Por favor, me perdoe. Dê-me outra chance. Estou implorando.Fechei os olhos e apertei a ponte do nariz, tentando reunir a paciência que aquela ligação estava consumindo.Ah, por favor! Que discurso mais patético.— Ian, estou seguindo em frente. Será que você pode respeitar isso e parar de me ligar?Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, mas já havia passado da hora de colocar um ponto-final naquela história. Eu não queria ouvir promessas, justificativas ou declarações de amor de um homem que havia destruído minha confiança. A lembrança da traição ainda me incomodava, embora já não provocasse a mesma dor de antes. Aos poucos, eu estava recuperando minha tranquilidade, reconstruindo minha autoestima e aprendendo a viver sem esperar uma explicação que t

  • A Noiva Prometida do Magnata - CEO   5

    ANTONELLA TARANTO— Antonella! Antonella!A voz parecia vir de muito longe, mas o tremor que sacudia meu corpo era assustadoramente real.Meu Deus! Por favor, faça isso parar!— Droga, Antonella! Acorde!Senti alguém sacudir meus ombros com certa impaciência. Abri os olhos de repente, puxando o ar com força. Meu coração parecia querer saltar pela boca, e levei alguns segundos para compreender onde estava.Sentei-me imediatamente, olhando ao redor, completamente desorientada. Meu rosto devia estar tão pálido quanto o de um fantasma.— O que aconteceu? Onde estamos?Dante fechou o notebook e me encarou, preocupado.— Ainda estamos no avião. Está tudo bem com você? Você estava se debatendo enquanto dormia. Tentei acordá-la, mas demorou um pouco para reagir.— Meu Deus...Um soluço escapou da minha garganta. As imagens do pesadelo ainda estavam vivas na minha cabeça: o avião despencando, as máscaras de oxigênio, a explosão... Tudo parecia tão real!Sem pensar duas vezes, passei os braços

  • A Noiva Prometida do Magnata - CEO   4

    Antonella TarantoEu estava sentada no jato particular dos Pussent, tomando champanhe ao lado de Augusto Pussent, pai de Dante. Ele havia me buscado em casa algumas horas antes. Almoçara com a minha família, conversara sobre negócios e relembrara os velhos tempos com meu pai, Lorenzo. Durante todo o encontro, garantira aos meus pais que eu estaria em boas mãos e receberia a melhor formação em gestão empresarial.Eu apenas escutava. A conversa me fazia sentir como uma criança incapaz de cuidar de si mesma. Aos vinte e dois anos, já era adulta, formada e perfeitamente capaz de tomar minhas próprias decisões. Ainda assim, meus pais continuavam a me tratar como se eu pudesse me perder no primeiro passo que desse sozinha.Estávamos no avião havia quase uma hora quando Dante apareceu. Trazia um portátil na mão e falava ao telefone. Cumprimentou o pai e a mim com um breve aceno antes de se acomodar na poltrona à nossa frente. Usava jeans azul desbotado, camisa branca e um casaco preto. A com

  • A Noiva Prometida do Magnata - CEO   3

    DANTE PUSSENT Dois dias depois, meu pai ligou com uma notícia que eu não esperava. — Antonella voltou para casa ontem. Lorenzo ainda estava furioso, mas, por causa do problema cardíaco da esposa, decidiu perdoá-la. Segurei o telefone entre o ombro e o queixo enquanto tirava a camisa na suíte presidencial do nosso hotel, no Rio de Janeiro. — E agora? Vamos esquecer esse acordo de casamento? — Lorenzo não voltou a insistir no assunto. Antonella é completamente contra essa união e ainda não entende o quanto ela é importante para nós. Tem apenas vinte e dois anos e acabou de se formar em Gestão. Concordamos que é melhor dar um tempo para que amadureça. — Por mim, tudo bem. Não tenho pressa. Estou aproveitando minha vida — respondi, tentando parecer indiferente. A verdade era que aqueles dois dias tinham sido uma tortura. Eu também não queria me casar, mas a rejeição de Antonella havia mexido comigo de uma maneira absurda. Seu perfume, sua voz, o jeito como me enfrentava... Tudo con

  • A Noiva Prometida do Magnata - CEO   2

    ANTONELLA TARANTOSubi imediatamente para o quarto, decidida a evitar Dante Pussent pelo maior tempo possível. Andei de um lado para o outro, tentando controlar a irritação. Como aquele homem ousava me seguir até ali, como se tivesse algum direito sobre minha vida? E, principalmente, como havia descoberto onde eu estava? Não contara a ninguém sobre minha fuga, nem mesmo à minha melhor amiga.— Antonella, querida, venha aqui embaixo! — chamou minha tia.Suspirei. A última coisa que desejava era encarar aquele homem novamente, mas não podia continuar escondida. Beatriz não tinha culpa da minha situação, e eu não queria descontar nela minha frustração.Muito bem, senhor Pussent. Se quer me esperar, vai ter que aprender a ter paciência.Sentei-me na cama e respirei fundo. Não permitiria que ele percebesse o quanto sua presença me incomodava. Se esperava encontrar uma mulher intimidada por sua fortuna ou pelo sobrenome, estava prestes a se decepcionar.(...)DANTE PUSSENTA rejeição de Ant

  • A Noiva Prometida do Magnata - CEO   1

    Antonella Taranto — Antonella! O que está fazendo aqui?Minha tia Beatriz Valença quase deixou a xícara cair ao me encontrar diante de sua porta, carregando uma mala de viagem e outra bolsa no ombro. Eu estava exausta, mas não pretendia demonstrar o quanto aquela fuga havia me abalado. Tirei os óculos escuros e forcei um sorriso.— Oi, tia. Posso entrar?— Meu Deus! Você não deveria estar conhecendo seu futuro marido agora? O que aconteceu?Passei por ela e me joguei no sofá da sala.— Aconteceu que não vou me casar com aquele desgraçado.Beatriz fechou a porta e me encarou, ainda tentando entender minha presença.— Você fugiu?— Antes que alguém tenha a brilhante ideia de me colocar diante daquele homem, sim.— Antonella, seus pais devem estar desesperados! Por que fez isso?— Porque não vou permitir que decidam o resto da minha vida. Não me casarei com um homem que trata mulheres como brinquedos. Dante Pussent é um porco!Minha tia suspirou e se sentou ao meu lado. Irmã mais nova d

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status