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last update Fecha de publicación: 2026-11-05 18:21:11

Antonella Taranto

Eu estava sentada no jato particular dos Pussent, tomando champanhe ao lado de Augusto Pussent, pai de Dante. Ele havia me buscado em casa algumas horas antes. Almoçara com a minha família, conversara sobre negócios e relembrara os velhos tempos com meu pai, Lorenzo. Durante todo o encontro, garantira aos meus pais que eu estaria em boas mãos e receberia a melhor formação em gestão empresarial.

Eu apenas escutava. A conversa me fazia sentir como uma criança incapaz de cuidar de si mesma. Aos vinte e dois anos, já era adulta, formada e perfeitamente capaz de tomar minhas próprias decisões. Ainda assim, meus pais continuavam a me tratar como se eu pudesse me perder no primeiro passo que desse sozinha.

Estávamos no avião havia quase uma hora quando Dante apareceu. Trazia um portátil na mão e falava ao telefone. Cumprimentou o pai e a mim com um breve aceno antes de se acomodar na poltrona à nossa frente. Usava jeans azul desbotado, camisa branca e um casaco preto. A combinação simples só tornava mais evidente o quanto ele era atraente.

E daí se é irresistível? Continua sendo um mulherengo.

Dei de ombros, tentando afastar aquele pensamento. Minha decisão estava tomada: manteria com Dante uma relação estritamente profissional. Precisava ser cautelosa, principalmente porque passaria os próximos três meses trabalhando ao lado de um homem que, pelo que sabia, colecionava mulheres como quem coleciona conquistas.

Até minhas roupas faziam parte da estratégia. Eu havia escolhido jeans velhos e largos, uma camisa de flanela branca folgada o bastante para esconder minhas curvas e meus seios, além de tênis pretos. Prendera o cabelo num rabo de cavalo e dispensara a maquiagem, usando apenas um pouco de pó facial e brilho labial.

Dante provavelmente preferia mulheres com minissaias justas, saltos altos e maquiagem impecável. Mulheres que parecessem prontas para seduzi-lo a qualquer momento.

*Pois eu prefiro viajar confortável.*

A verdade era que não deveria me importar com o que ele pensava da minha aparência. Afinal, Dante já havia deixado claro que eu não fazia o tipo dele. Então, por que aquela preocupação insistia em me incomodar?

Dante, por sua vez, sentiu o coração disparar assim que me viu. Eu parecia mais bonita a cada encontro, e a atração que sentia por mim era tão intensa que ele precisou repetir as instruções a Greg ao telefone para não perder o fio da conversa.

Seu olhar percorreu meu rosto. Ficou impressionado com a minha beleza sem maquiagem, com a pele impecável e os lábios que pareciam tão suculentos quanto morangos. Por um instante, teve vontade de tocá-los.

Meu Deus! Como vou passar horas sentado diante dela sem poder beijar aquela boca?

O olhar dele desceu pelo meu pescoço, deslizou pela camisa larga, pelas calças e chegou aos tênis Converse. A roupa simples despertou sua imaginação de um jeito inesperado. Dante se perguntou o que eu estaria usando por baixo daquela camisa e daquelas calças folgadas.

Eu sabia mesmo como enlouquecer um homem.

Ele resmungou, inquieto. Não se lembrava de ter sido tão afetado por uma mulher. E o pior era que eu nem sequer parecia estar tentando.

A porta do jato se fechou, anunciando a decolagem. Dante desligou o telefone e finalmente voltou sua atenção para mim.

— Olá, Antonella. É um prazer ter você conosco.

Um brilho discreto cintilou em seus olhos azul-escuros.

— Obrigada, senhor Pussent — respondi, firme.

— Pode me chamar de Dante.

Seus olhos prenderam os meus, mas me limitei a sorrir. Um instante depois, umedeci os lábios secos. Eu não gostava de voar. Quando o avião finalmente decolou e estabilizou, soltei um suspiro de alívio.

Augusto percebeu que talvez precisasse nos dar algum espaço para nos conhecermos melhor. Levantou-se, ajeitando o paletó.

— Estou cansado. Vou descansar um pouco. Está na hora de vocês se conhecerem melhor, já que trabalharão juntos pelos próximos três meses.

Antes que eu pudesse responder, Dante se levantou com um movimento fluido e ocupou a poltrona ao meu lado.

— Então, como está seu coração?

A pergunta me pegou desprevenida. Levei alguns segundos para entender que ele se referia ao meu término com Ian.

— Ainda estou tentando superar.

— Você devia gostar muito dele. Que sujeito de sorte. — Os lábios de Dante se contorceram, denunciando um desagrado que ele tentou disfarçar.

A viagem de São Paulo a Nova Iorque duraria cerca de dez horas. Ao longo do voo, conversamos sobre diversos assuntos: faculdade, carreira, sonhos e experiências. Fiquei surpresa ao perceber que Dante realmente prestava atenção no que eu dizia. Até quando eu comentava alguma futilidade, ele parecia interessado. Perguntava sobre meus gostos e meus planos, sem me interromper ou tratar minhas opiniões como algo insignificante.

Aos poucos, minhas reservas começaram a diminuir. Talvez trabalhar com ele não fosse tão insuportável. Pelo menos, naquele momento, Dante demonstrava que poderia ser um amigo.

Depois de três horas de voo, comecei a ficar inquieta. Meu corpo estava rígido por permanecer tanto tempo sentada. Dante percebeu meu desconforto e perguntou se eu queria dormir ou assistir a um filme.

— Não, está tudo bem. Só estou ficando toda dura de tanto ficar sentada. — Apoiei o queixo na mão e lhe dei um sorriso amigável.

Eu não fazia ideia do efeito que aquele sorriso provocava nele.

Dante ficou me observando por alguns segundos. Um arrepio de desejo percorreu seu corpo, e a vontade de me beijar tornou-se quase insuportável.

Maldição!

Ele respirou fundo e reclinou os assentos. Ficamos deitados lado a lado. Quando disfarcei um bocejo, Dante se levantou, retirou um cobertor do compartimento superior e o colocou sobre mim.

— Obrigada — murmurei, já sonolenta.

Ele voltou a se deitar e, com a voz rouca e provocadora, anunciou:

— Tenho um elogio para você.

Abri os olhos, divertida.

— Está bem. Qual é?

— Se ser sensual fosse crime, você seria condenada à pena máxima.

Senti minhas bochechas esquentarem.

Ele me acha sensual? Deve estar brincando comigo.

— Agora é a minha vez. Se você fosse um dançarino de striptease, eu dançaria em cima de você.

Dei-lhe um sorriso malicioso.

Dante pareceu surpreso. A imagem de mim dançando num palco surgiu em sua mente, e um calor intenso tomou conta dele.

— Acho que deixei cair alguma coisa… meu queixo.

A resposta me fez rir. Fiquei subitamente mais desperta.

— Ouvi dizer que você é ótimo em álgebra. Quer substituir meu X sem perguntar Y?

Dante parou de rir. Sua voz, profunda e sensual, provocou um arrepio que percorreu meu corpo.

— Sério?

Fiquei boquiaberta por um segundo.

— Não! Era só um elogio… Você está me provocando!

Voltei a rir, enquanto ele parecia confuso.

— Ah, certo. Desculpe.

Dante se recuperou rapidamente e lançou outro sorriso convencido.

— Parabéns. Você acaba de ser eleita a garota mais bonita deste espaço. E o grande prêmio é uma noite comigo.

Rimos e continuamos trocando provocações. Por alguns minutos, esqueci que estava a milhares de metros do chão e que aquele homem era justamente a pessoa com quem eu deveria manter distância.

Então o avião começou a tremer.

Meu sorriso desapareceu.

Oh, Deus. Eu odeio voar.

— Turbulência — murmurei, sentindo o medo se instalar no peito.

Dante se sentou e endireitou os assentos.

— Está com medo?

— Um pouco.

Tentei manter a calma, embora minhas mãos já estivessem tensas.

— Não se preocupe. Vai passar rápido — garantiu ele.

Mas não passou.

Um minuto depois, a turbulência recomeçou. O avião sacudia cada vez mais forte, como se uma força invisível tentasse arrancá-lo do céu. Os compartimentos superiores se abriram, derrubando malas e objetos pelo corredor. As luzes começaram a piscar. Máscaras de oxigênio despencaram do teto, e um alarme ensurdecedor tomou conta da cabine.

— Emergência! Emergência! — gritou o piloto.

O pânico se espalhou.

Dante me puxou para perto e colocou uma máscara de oxigênio em meu rosto.

— Use isto! Não entre em pânico!

Pegou um colete salva-vidas debaixo da minha poltrona, ajudou-me a vesti-lo e apertou meu cinto de segurança.

Os comissários já estavam com os coletes e as máscaras colocados, sentados na primeira fila. Augusto surgiu da cabine traseira, cambaleando na nossa direção. Dante pegou o colete que estava sob sua própria poltrona e ajudou o pai a vesti-lo. Em seguida, Augusto se acomodou ao meu lado.

O avião se preparava para uma aterrissagem de emergência. Cada sacudida parecia mais violenta que a anterior. Agarrei o apoio de braço com tanta força que meus dedos começaram a doer.

Olhei para Dante, sentado à minha frente.

Ele não estava usando colete salva-vidas.

— Dante! — gritei.

Mas o barulho era ensurdecedor. Ele não conseguiu me ouvir.

De repente, o avião começou a girar descontroladamente. Meu estômago pareceu se desprender do corpo. O mundo virou de cabeça para baixo, e a sensação de queda se tornou insuportável.

Estávamos despencando.

*Meu Deus, por favor, ajuda-nos!*

Um estrondo brutal sacudiu a aeronave. Depois, uma explosão iluminou tudo por um breve instante.

E então…

Tudo ficou escuro.

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