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Author: Jade Aragão
last update publish date: 2026-11-05 10:58:51

DANTE PUSSENT

Dois dias depois, meu pai ligou com uma notícia que eu não esperava.

— Antonella voltou para casa ontem. Lorenzo ainda estava furioso, mas, por causa do problema cardíaco da esposa, decidiu perdoá-la.

Segurei o telefone entre o ombro e o queixo enquanto tirava a camisa na suíte presidencial do nosso hotel, no Rio de Janeiro.

— E agora? Vamos esquecer esse acordo de casamento?

— Lorenzo não voltou a insistir no assunto. Antonella é completamente contra essa união e ainda não entende o quanto ela é importante para nós. Tem apenas vinte e dois anos e acabou de se formar em Gestão. Concordamos que é melhor dar um tempo para que amadureça.

— Por mim, tudo bem. Não tenho pressa. Estou aproveitando minha vida — respondi, tentando parecer indiferente.

A verdade era que aqueles dois dias tinham sido uma tortura. Eu também não queria me casar, mas a rejeição de Antonella havia mexido comigo de uma maneira absurda. Seu perfume, sua voz, o jeito como me enfrentava... Tudo continuava preso à minha mente.

E o pior: ela não havia ligado.

Passei dois dias com o celular por perto, esperando uma chamada que nunca aconteceu. Parecia um idiota, um adolescente apaixonado esperando uma garota que sequer se lembrava de sua existência.

Mas eu não voltaria para os Estados Unidos sem vê-la novamente. Precisava conhecê-la melhor, descobrir o que havia por trás daquela personalidade explosiva. Talvez pudesse convidá-la para um encontro. Talvez uma noite juntos fosse suficiente para acabar com aquela atração insana.

Ou uma semana. Um mês. Até que esse desejo desaparecesse de uma vez.

Antonella era jovem, mas não parecia ingênua. Poderíamos ter algo casual e, depois, cada um seguiria seu caminho.

Então me lembrei de sua expressão triste quando falou sobre o ex-namorado.

Soltei um resmungo.

O que ela quis dizer com ainda estar tentando superar? Será que continua apaixonada por aquele idiota?

Uma onda de ciúme me atravessou. Eu sequer conhecia o sujeito, mas a ideia de que ele havia magoado Antonella me irritava profundamente. Se dependesse de mim, ela esqueceria aquele homem de uma vez por todas.

— Então está resolvido — disse meu pai, interrompendo meus pensamentos. — Podemos voltar amanhã para os Estados Unidos e concluir o negócio na Califórnia.

Caminhei até o banheiro e tirei a toalha que envolvia minha cintura.

— Não posso, pai. Ainda estou de férias. Além disso, já pedi ao Greg para remarcar nossa viagem à Califórnia.

— Tudo bem, se é o que você quer. Mas gostaria que viesse conosco.

Franzi a testa.

— Conosco? Vai viajar com alguém?

A pergunta saiu antes que eu pudesse evitar. Desde que minha mãe morrera, dez anos atrás, meu pai nunca mais havia se envolvido com outra mulher. Será que finalmente conhecera alguém?

— Sim. Antonella vai comigo.

Parei no meio do banheiro.

— O quê?

— Lorenzo concordou em não insistir no casamento, desde que ela faça um estágio de formação em gestão de negócios conosco. A ideia é prepará-la para assumir a empresa da família daqui a alguns anos.

Uma sensação inesperada de alívio percorreu meu peito. Antonella estaria perto. Muito perto.

— E quem vai treiná-la? — perguntei, embora já suspeitasse da resposta.

— Você, meu filho. Decidimos que é a pessoa mais indicada para isso. O que acha?

Sim!

Meu sorriso quase se abriu por completo, mas tratei de disfarçá-lo.

— Bem, não parece que eu tenha muita escolha. Mais uma vez, você tomou uma decisão sem me consultar.

Meu pai soltou uma gargalhada.

— Tem razão. Não tem escolha, meu filho.

Desliguei o telefone e fiquei olhando para a tela por alguns segundos.

Antonella Taranto estava voltando para a minha vida.

E, dessa vez, não precisaria persegui-la.

Ela viria diretamente para mim.

(...)

ANTONELLA TARANTO

— Vamos sentir tanta saudade de você, Antonella! Quando volta? — perguntou Toni, minha melhor amiga desde a escola primária, enquanto eu organizava as roupas sobre a cama.

Alex também estava ali, deitada ao lado dela. As duas me observavam como se eu estivesse prestes a partir para o outro lado do mundo.

— Também vou sentir saudades. Talvez volte daqui a três meses, mas ainda não sei.

Suspirei e entrelacei os dedos. Alex levou a mão aos olhos, fingindo enxugar lágrimas.

— Pronto, você me fez chorar!

Toni riu.

— Dramática! Três meses passam rápido. São apenas noventa dias.

— Noventa dias sem nossas festas, nossas saídas e nossas loucuras — murmurei, abrindo a mala para guardar as roupas. No dia seguinte, embarcaria para os Estados Unidos.

— E sem nossas brincadeiras com a imprensa! — Toni abraçou uma almofada. — Aquelas festas que inventávamos só para irritar seu pai sempre que ele falava do casamento arranjado.

— Eu fazia aquilo de propósito. Queria que meu suposto futuro marido desistisse da ideia de se casar comigo.

Alex ergueu uma sobrancelha.

— Não funcionou. Ele continuou querendo se casar com você.

— Por puro egoísmo. Dante quer controlar a fortuna das duas famílias. O homem já é bilionário e ainda não está satisfeito.

Tirei algumas peças da gaveta e as dobrei, tentando não pensar nele.

— Mas ele é tão atraente! — Toni soltou uma risadinha. — Parece um ator de Hollywood.

— O Ian também era — respondi, revirando os olhos.

— Dante Pussent é o pacote completo: alto, inteligente e deslumbrante. Não é, Alex?

Alex deu de ombros.

— Os dois são bonitos, mas Dante tem muito mais dinheiro. E Ian é um traste. Traiu você com aquela nojenta da Margo.

A menção ao nome dela provocou uma pontada no meu peito. Fazia três semanas que eu havia terminado meu relacionamento com Ian Dominquez, e a lembrança ainda doía.

Margo Lima era uma atriz brasileira conhecida pelos papéis sensuais e pela personalidade provocadora. Ian, produtor de cinema, havia sido responsável por lhe dar o primeiro papel de protagonista. Durante o lançamento do filme, ela revelou à imprensa que os dois tinham dormido juntos. No dia seguinte, a notícia estava em todos os jornais.

Confrontei Ian assim que soube. Ele tentou justificar o que fizera, mas acabou me culpando pela própria traição.

— Você vive recusando ir para a cama comigo porque ainda é virgem! — ele disparou. — Sou humano, Antonella. Tenho necessidades. Margo se ofereceu, e eu não consegui resistir. Ela me tentou!

Não quis ouvir mais nada. Ian passou dias tentando me reconquistar, mas minha decisão estava tomada. Não havia desculpa capaz de apagar a humilhação.

— Pelo menos a imprensa não sabia que vocês namoravam — comentou Toni, com cuidado. — Se soubessem, seu nome teria sido arrastado para aquele escândalo.

— É verdade — Alex concordou. — Os jornais vão sentir sua falta. Vão ficar sem as histórias sobre suas festas e seus encontros com rapazes.

Soltei uma risada.

— Que encontros? Nós só saíamos com os amigos gays do Gabby. Adoro aqueles meninos. São divertidos e verdadeiros. A imprensa é que transformava tudo em escândalo.

— Nossas festas nunca foram tão loucas assim — Toni acrescentou. — Só queríamos nos divertir. E sempre bebíamos com moderação.

Terminei de arrumar a mala. Quando nos preparávamos para dormir, Alex fez a pergunta que eu sabia que acabaria surgindo.

— E se você se apaixonar pelo príncipe encantado Pussent?

Desatei a rir.

— Eu? Pelo amor de Deus, isso nunca vai acontecer! Não gosto daquele homem. Ele é arrogante, controlador e manipulador. Pode ser bonito, mas já estou imune a homens atraentes. Além disso, ele disse na minha cara que não faço o tipo dele.

— O quê? Ele teve coragem de dizer isso? — Toni arregalou os olhos.

— Teve. E, sinceramente, ainda bem. Assim não existe perigo de nos envolvermos.

Toni ficou séria.

— Tome cuidado, Antonella. Você pode acabar se machucando. Dante é um playboy assumido. Não confie nele e não se deixe levar por qualquer aproximação.

— Eu sei. Não se preocupe. Posso até achar aquele homem irresistível, mas não vou me apaixonar por ele.

Falei com firmeza, tentando convencer não apenas minhas amigas, mas a mim mesma.

— Só não se esqueçam de ficar disponíveis caso eu ligue pedindo um resgate.

— Claro! É para isso que servem as amigas — respondeu Alex.

As três nos abraçamos, como irmãs que éramos. Naquela noite, porém, quando finalmente me deitei, minha mente se recusou a descansar.

E se eu acabasse me queimando e tivesse que engolir minhas próprias palavras?

O que aconteceria nesses três meses?

E se eu me apaixonasse por Dante?

E se não conseguisse resistir a ele?

A lembrança de quando ele me puxou para perto, fazendo nossos corpos se chocarem, voltou com uma intensidade inesperada. Recordei o calor de sua mão, a proximidade de seu rosto e aquele olhar que parecia atravessar minhas defesas.

Uma onda de excitação percorreu meu corpo, e fechei os olhos, irritada comigo mesma.

Droga!

Talvez minhas amigas tivessem razão.

Talvez eu realmente precisasse ser resgatada.

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