LOGINANTONELLA TARANTO— Sinto tanto a sua falta, meu amor. Não consigo parar de pensar em você. Minha vida perdeu completamente o sentido desde que nos afastamos. Parece que estou morrendo um pouco a cada dia. Eu te amo, Antonella. Por favor, me perdoe. Dê-me outra chance. Estou implorando.Fechei os olhos e apertei a ponte do nariz, tentando reunir a paciência que aquela ligação estava consumindo.Ah, por favor! Que discurso mais patético.— Ian, estou seguindo em frente. Será que você pode respeitar isso e parar de me ligar?Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, mas já havia passado da hora de colocar um ponto-final naquela história. Eu não queria ouvir promessas, justificativas ou declarações de amor de um homem que havia destruído minha confiança. A lembrança da traição ainda me incomodava, embora já não provocasse a mesma dor de antes. Aos poucos, eu estava recuperando minha tranquilidade, reconstruindo minha autoestima e aprendendo a viver sem esperar uma explicação que t
ANTONELLA TARANTO— Antonella! Antonella!A voz parecia vir de muito longe, mas o tremor que sacudia meu corpo era assustadoramente real.Meu Deus! Por favor, faça isso parar!— Droga, Antonella! Acorde!Senti alguém sacudir meus ombros com certa impaciência. Abri os olhos de repente, puxando o ar com força. Meu coração parecia querer saltar pela boca, e levei alguns segundos para compreender onde estava.Sentei-me imediatamente, olhando ao redor, completamente desorientada. Meu rosto devia estar tão pálido quanto o de um fantasma.— O que aconteceu? Onde estamos?Dante fechou o notebook e me encarou, preocupado.— Ainda estamos no avião. Está tudo bem com você? Você estava se debatendo enquanto dormia. Tentei acordá-la, mas demorou um pouco para reagir.— Meu Deus...Um soluço escapou da minha garganta. As imagens do pesadelo ainda estavam vivas na minha cabeça: o avião despencando, as máscaras de oxigênio, a explosão... Tudo parecia tão real!Sem pensar duas vezes, passei os braços
Antonella TarantoEu estava sentada no jato particular dos Pussent, tomando champanhe ao lado de Augusto Pussent, pai de Dante. Ele havia me buscado em casa algumas horas antes. Almoçara com a minha família, conversara sobre negócios e relembrara os velhos tempos com meu pai, Lorenzo. Durante todo o encontro, garantira aos meus pais que eu estaria em boas mãos e receberia a melhor formação em gestão empresarial.Eu apenas escutava. A conversa me fazia sentir como uma criança incapaz de cuidar de si mesma. Aos vinte e dois anos, já era adulta, formada e perfeitamente capaz de tomar minhas próprias decisões. Ainda assim, meus pais continuavam a me tratar como se eu pudesse me perder no primeiro passo que desse sozinha.Estávamos no avião havia quase uma hora quando Dante apareceu. Trazia um portátil na mão e falava ao telefone. Cumprimentou o pai e a mim com um breve aceno antes de se acomodar na poltrona à nossa frente. Usava jeans azul desbotado, camisa branca e um casaco preto. A com
DANTE PUSSENT Dois dias depois, meu pai ligou com uma notícia que eu não esperava. — Antonella voltou para casa ontem. Lorenzo ainda estava furioso, mas, por causa do problema cardíaco da esposa, decidiu perdoá-la. Segurei o telefone entre o ombro e o queixo enquanto tirava a camisa na suíte presidencial do nosso hotel, no Rio de Janeiro. — E agora? Vamos esquecer esse acordo de casamento? — Lorenzo não voltou a insistir no assunto. Antonella é completamente contra essa união e ainda não entende o quanto ela é importante para nós. Tem apenas vinte e dois anos e acabou de se formar em Gestão. Concordamos que é melhor dar um tempo para que amadureça. — Por mim, tudo bem. Não tenho pressa. Estou aproveitando minha vida — respondi, tentando parecer indiferente. A verdade era que aqueles dois dias tinham sido uma tortura. Eu também não queria me casar, mas a rejeição de Antonella havia mexido comigo de uma maneira absurda. Seu perfume, sua voz, o jeito como me enfrentava... Tudo con
ANTONELLA TARANTOSubi imediatamente para o quarto, decidida a evitar Dante Pussent pelo maior tempo possível. Andei de um lado para o outro, tentando controlar a irritação. Como aquele homem ousava me seguir até ali, como se tivesse algum direito sobre minha vida? E, principalmente, como havia descoberto onde eu estava? Não contara a ninguém sobre minha fuga, nem mesmo à minha melhor amiga.— Antonella, querida, venha aqui embaixo! — chamou minha tia.Suspirei. A última coisa que desejava era encarar aquele homem novamente, mas não podia continuar escondida. Beatriz não tinha culpa da minha situação, e eu não queria descontar nela minha frustração.Muito bem, senhor Pussent. Se quer me esperar, vai ter que aprender a ter paciência.Sentei-me na cama e respirei fundo. Não permitiria que ele percebesse o quanto sua presença me incomodava. Se esperava encontrar uma mulher intimidada por sua fortuna ou pelo sobrenome, estava prestes a se decepcionar.(...)DANTE PUSSENTA rejeição de Ant
Antonella Taranto — Antonella! O que está fazendo aqui?Minha tia Beatriz Valença quase deixou a xícara cair ao me encontrar diante de sua porta, carregando uma mala de viagem e outra bolsa no ombro. Eu estava exausta, mas não pretendia demonstrar o quanto aquela fuga havia me abalado. Tirei os óculos escuros e forcei um sorriso.— Oi, tia. Posso entrar?— Meu Deus! Você não deveria estar conhecendo seu futuro marido agora? O que aconteceu?Passei por ela e me joguei no sofá da sala.— Aconteceu que não vou me casar com aquele desgraçado.Beatriz fechou a porta e me encarou, ainda tentando entender minha presença.— Você fugiu?— Antes que alguém tenha a brilhante ideia de me colocar diante daquele homem, sim.— Antonella, seus pais devem estar desesperados! Por que fez isso?— Porque não vou permitir que decidam o resto da minha vida. Não me casarei com um homem que trata mulheres como brinquedos. Dante Pussent é um porco!Minha tia suspirou e se sentou ao meu lado. Irmã mais nova d







