LOGINAntonella Taranto
— Antonella! O que está fazendo aqui? Minha tia Beatriz Valença quase deixou a xícara cair ao me encontrar diante de sua porta, carregando uma mala de viagem e outra bolsa no ombro. Eu estava exausta, mas não pretendia demonstrar o quanto aquela fuga havia me abalado. Tirei os óculos escuros e forcei um sorriso. — Oi, tia. Posso entrar? — Meu Deus! Você não deveria estar conhecendo seu futuro marido agora? O que aconteceu? Passei por ela e me joguei no sofá da sala. — Aconteceu que não vou me casar com aquele desgraçado. Beatriz fechou a porta e me encarou, ainda tentando entender minha presença. — Você fugiu? — Antes que alguém tenha a brilhante ideia de me colocar diante daquele homem, sim. — Antonella, seus pais devem estar desesperados! Por que fez isso? — Porque não vou permitir que decidam o resto da minha vida. Não me casarei com um homem que trata mulheres como brinquedos. Dante Pussent é um porco! Minha tia suspirou e se sentou ao meu lado. Irmã mais nova da minha mãe, Beatriz nunca se casara e não tinha filhos. Morava naquela cidade serrana havia anos e sempre fora uma espécie de segunda mãe para mim. — Mas você sequer o conheceu pessoalmente. — E nem pretendo! — Seu pai já havia conversado sobre esse casamento quando você tinha quinze anos. Soltei uma risada sem humor. — Aos quinze anos, eu mal sabia o que queria da vida! Concordava com tudo o que papai dizia porque, quando contrariava suas decisões, ele ameaçava cortar minha mesada. Além disso, eu não fazia ideia de que meu futuro marido seria um playboy arrogante e obcecado por mulheres. Beatriz franziu a testa. — Você acredita mesmo em tudo o que lê nas revistas? — Não são apenas revistas, tia. Pesquisei bastante quando papai voltou a falar desse casamento, há um mês. Guardei tudo. Abri minha bolsa, retirei o tablet e comecei a mostrar as fotografias. Dante Pussent aparecia em restaurantes, festas, bares e até em seu jato particular, sempre acompanhado de mulheres diferentes. Modelos, atrizes e celebridades pareciam disputar um lugar ao seu lado. A imagem mais recente mostrava o empresário aos beijos com Helena Lancaster, uma famosa atriz e modelo internacional, a bordo de um iate. Fiz uma careta de nojo. — Olha isso! E ainda tem gente que acha que estou ganhando na loteria. Continuei passando as imagens e abri algumas matérias sobre ele. — Segundo esses artigos, não mantém relacionamentos sérios, troca de amante como quem troca de roupa e não suporta compromissos. É um Don Juan com dinheiro suficiente para comprar metade do planeta. Minha tia observou as fotografias com atenção. — Antonella, você é inteligente. Não deveria acreditar em tudo o que publicam. A imprensa adora transformar pessoas famosas em personagens de escândalos. Você mesma já foi vítima desse tipo de notícia. — Tia, todos dizem a mesma coisa! Ele é um mulherengo. Não quero descobrir pessoalmente se as fofocas são verdadeiras. — Mesmo assim, deveria conhecê-lo. O homem atravessou o mundo com o pai para encontrá-la. Imagine a situação dos seus pais agora. Cruzei os braços. — Pensei que estivesse do meu lado. — E estou, minha querida. Mas também entendo seus pais. Eles acreditam que essa união será boa para você. Além disso, Dante é um excelente partido. É jovem, bonito e milionário. Qualquer mulher ficaria interessada. Levantei-me imediatamente. — Então podem ficar com ele! Eu não quero! Casar com aquele homem seria uma sentença de morte. Não me importa quanto dinheiro tenha ou quantas empresas possua. Não suporto aquele sorriso arrogante, muito menos a maneira como se exibe nas fotografias. Parece acreditar que todas as mulheres do mundo estão à sua disposição. Minha tia tentou conter o sorriso. — Você está julgando alguém que nunca encontrou. — E pretendo continuar assim. — Pelo menos dê uma oportunidade ao rapaz. Conheça-o antes de tomar uma decisão definitiva. — E se ele me enxergar como mais uma de suas amantes? Não quero ser um enfeite na vida de um homem que não sabe o significado de fidelidade. Quero escolher meu próprio marido. Alguém que eu ame e que seja digno da minha confiança. Um homem leal, carinhoso, sincero e que me respeite. Beatriz soltou uma risadinha. — Minha querida, se encontrar um homem com todas essas qualidades, avise-me. Foi justamente por não encontrar um que nunca me casei. — Tia! — Estou falando sério. Talvez Dante seja diferente do que você imagina. — Duvido muito. Ela segurou minhas mãos. — Não estou dizendo que deve aceitar esse casamento. Só quero que tenha certeza antes de tomar uma decisão. Converse com ele, descubra quem realmente é e depois escolha. Você não precisa entregar sua vida a ninguém. Permaneci em silêncio por alguns segundos. Talvez minha tia tivesse razão em uma coisa: eu precisava encontrar uma maneira de acabar definitivamente com aquela história. — Está bem. Vou pensar. Mas posso ficar aqui alguns dias? O rosto dela se iluminou. — Claro! Esta casa também é sua. Você sabe que a amo como se fosse minha filha. Beatriz me abraçou, e finalmente consegui relaxar um pouco. — Só preciso avisar sua mãe que você está aqui. Afastei-me imediatamente. — Agora não, tia! Por favor. Os Pussent provavelmente ainda estão na nossa casa. Se papai descobrir onde estou, vai aparecer aqui antes do jantar. Ela suspirou, mas acabou cedendo. — Tudo bem. Falaremos com sua mãe mais tarde. Voltei a me acomodar no sofá. Pela primeira vez naquele dia, senti que podia respirar. Só havia um problema: eu não fazia ideia de quanto tempo conseguiria permanecer escondida. E, conhecendo meu pai, aquela história estava longe de terminar. (...) Dante Pussent Eu estava furioso. Caminhava de um lado para o outro na sala de estar enquanto tentava controlar a vontade de quebrar alguma coisa. Antonella Taranto havia desaparecido antes mesmo de me conhecer, e aquilo era uma afronta que eu não pretendia engolir. Que inferno! Aquela garota fez todos perderem tempo por causa de um capricho. Eu havia cancelado compromissos, adiado reuniões importantes e atravessado continentes para cumprir uma promessa que nem sequer desejava fazer. E qual fora a recompensa? Uma noiva fugitiva. Peguei o celular e liguei para meu assistente em Nova York. — Rafael, preciso que me envie todas as transações pendentes por e-mail. Avise Elisa, Caio e o restante da equipe que tenho assuntos para resolver no Brasil. Não voltarei antes da próxima semana. — Entendido, senhor. E sua viagem de negócios à Califórnia, neste fim de semana? — Remarque para daqui a duas semanas. Houve uma breve pausa. — Senhor, Helena Lancaster não para de ligar. Ela quer saber quando o senhor volta e pediu seu número particular. Fechei os olhos por um instante. Helena. Minha última distração antes daquela viagem. — Peça à Elisa que envie a mesma pulseira de sempre, acompanhada do mesmo bilhete. — Perfeito, senhor. Desliguei e guardei o celular. Mais uma mulher que precisará entender que não existe espaço para cobranças na minha vida. Eu não tinha tempo para dramas amorosos, muito menos para mulheres que confundiam alguns encontros com promessas de compromisso. Mas Antonella era outra questão. Não pela importância que tinha para mim, mas pela audácia de me fazer de idiota diante das duas famílias. Ela vai aprender que ninguém me faz perder tempo sem consequências. Se Lorenzo não consegue controlar a própria filha, talvez eu precise resolver isso pessoalmente. Voltei a ligar para Rafael. — Quero que entre em contato com nosso detetive particular no Brasil. Preciso descobrir onde Antonella Taranto está escondida. Quero um relatório completo em vinte e quatro horas. — Antonella Taranto? — Sim. Filha de Lorenzo e Valentina Taranto. Vou encaminhar os dados por e-mail. — Certo, senhor. Há alguma informação específica que deseja? Olhei para o retrato da minha futura esposa, ainda exposto na sala. — Quero saber onde está hospedada, com quem está e quais pessoas têm contato com ela. Principalmente, quero descobrir se existe algum homem na história. — Entendido, senhor. — E Rafael... — Sim? — Não quero desculpas nem informações pela metade. Descubra onde ela está. — Pode deixar. Encerrei a ligação. Meu pai, Augusto, aproximou-se enquanto eu guardava o telefone. Ele parecia muito menos incomodado com o desaparecimento de Antonella do que eu. — Já conseguiu alguma informação? — Meu assistente está cuidando disso. Em vinte e quatro horas saberemos onde ela está. Augusto passou a mão pelo rosto, cansado. — Dante, tente ter paciência. Antonella provavelmente está assustada com toda essa situação. Soltei uma risada seca. — Assustada? Ela teve tempo suficiente para fugir antes de eu chegar. Isso não é medo, pai. É falta de respeito. — Não transforme esse episódio em uma guerra. — Não fui eu quem começou. Olhei novamente para o retrato. Aquele sorriso inocente já estava começando a me irritar. Pode correr, Antonella. Mas não pense que vai desaparecer para sempre. Eu tinha negócios a resolver, uma empresa para administrar e uma viagem de volta a Nova York esperando por mim. Mas, antes de qualquer coisa, encontraria minha noiva fugitiva. E queria muito saber se ela teria coragem de repetir aquela fuga quando estivesse diante de mim.ANTONELLA TARANTO— Sinto tanto a sua falta, meu amor. Não consigo parar de pensar em você. Minha vida perdeu completamente o sentido desde que nos afastamos. Parece que estou morrendo um pouco a cada dia. Eu te amo, Antonella. Por favor, me perdoe. Dê-me outra chance. Estou implorando.Fechei os olhos e apertei a ponte do nariz, tentando reunir a paciência que aquela ligação estava consumindo.Ah, por favor! Que discurso mais patético.— Ian, estou seguindo em frente. Será que você pode respeitar isso e parar de me ligar?Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, mas já havia passado da hora de colocar um ponto-final naquela história. Eu não queria ouvir promessas, justificativas ou declarações de amor de um homem que havia destruído minha confiança. A lembrança da traição ainda me incomodava, embora já não provocasse a mesma dor de antes. Aos poucos, eu estava recuperando minha tranquilidade, reconstruindo minha autoestima e aprendendo a viver sem esperar uma explicação que t
ANTONELLA TARANTO— Antonella! Antonella!A voz parecia vir de muito longe, mas o tremor que sacudia meu corpo era assustadoramente real.Meu Deus! Por favor, faça isso parar!— Droga, Antonella! Acorde!Senti alguém sacudir meus ombros com certa impaciência. Abri os olhos de repente, puxando o ar com força. Meu coração parecia querer saltar pela boca, e levei alguns segundos para compreender onde estava.Sentei-me imediatamente, olhando ao redor, completamente desorientada. Meu rosto devia estar tão pálido quanto o de um fantasma.— O que aconteceu? Onde estamos?Dante fechou o notebook e me encarou, preocupado.— Ainda estamos no avião. Está tudo bem com você? Você estava se debatendo enquanto dormia. Tentei acordá-la, mas demorou um pouco para reagir.— Meu Deus...Um soluço escapou da minha garganta. As imagens do pesadelo ainda estavam vivas na minha cabeça: o avião despencando, as máscaras de oxigênio, a explosão... Tudo parecia tão real!Sem pensar duas vezes, passei os braços
Antonella TarantoEu estava sentada no jato particular dos Pussent, tomando champanhe ao lado de Augusto Pussent, pai de Dante. Ele havia me buscado em casa algumas horas antes. Almoçara com a minha família, conversara sobre negócios e relembrara os velhos tempos com meu pai, Lorenzo. Durante todo o encontro, garantira aos meus pais que eu estaria em boas mãos e receberia a melhor formação em gestão empresarial.Eu apenas escutava. A conversa me fazia sentir como uma criança incapaz de cuidar de si mesma. Aos vinte e dois anos, já era adulta, formada e perfeitamente capaz de tomar minhas próprias decisões. Ainda assim, meus pais continuavam a me tratar como se eu pudesse me perder no primeiro passo que desse sozinha.Estávamos no avião havia quase uma hora quando Dante apareceu. Trazia um portátil na mão e falava ao telefone. Cumprimentou o pai e a mim com um breve aceno antes de se acomodar na poltrona à nossa frente. Usava jeans azul desbotado, camisa branca e um casaco preto. A com
DANTE PUSSENT Dois dias depois, meu pai ligou com uma notícia que eu não esperava. — Antonella voltou para casa ontem. Lorenzo ainda estava furioso, mas, por causa do problema cardíaco da esposa, decidiu perdoá-la. Segurei o telefone entre o ombro e o queixo enquanto tirava a camisa na suíte presidencial do nosso hotel, no Rio de Janeiro. — E agora? Vamos esquecer esse acordo de casamento? — Lorenzo não voltou a insistir no assunto. Antonella é completamente contra essa união e ainda não entende o quanto ela é importante para nós. Tem apenas vinte e dois anos e acabou de se formar em Gestão. Concordamos que é melhor dar um tempo para que amadureça. — Por mim, tudo bem. Não tenho pressa. Estou aproveitando minha vida — respondi, tentando parecer indiferente. A verdade era que aqueles dois dias tinham sido uma tortura. Eu também não queria me casar, mas a rejeição de Antonella havia mexido comigo de uma maneira absurda. Seu perfume, sua voz, o jeito como me enfrentava... Tudo con
ANTONELLA TARANTOSubi imediatamente para o quarto, decidida a evitar Dante Pussent pelo maior tempo possível. Andei de um lado para o outro, tentando controlar a irritação. Como aquele homem ousava me seguir até ali, como se tivesse algum direito sobre minha vida? E, principalmente, como havia descoberto onde eu estava? Não contara a ninguém sobre minha fuga, nem mesmo à minha melhor amiga.— Antonella, querida, venha aqui embaixo! — chamou minha tia.Suspirei. A última coisa que desejava era encarar aquele homem novamente, mas não podia continuar escondida. Beatriz não tinha culpa da minha situação, e eu não queria descontar nela minha frustração.Muito bem, senhor Pussent. Se quer me esperar, vai ter que aprender a ter paciência.Sentei-me na cama e respirei fundo. Não permitiria que ele percebesse o quanto sua presença me incomodava. Se esperava encontrar uma mulher intimidada por sua fortuna ou pelo sobrenome, estava prestes a se decepcionar.(...)DANTE PUSSENTA rejeição de Ant
Antonella Taranto — Antonella! O que está fazendo aqui?Minha tia Beatriz Valença quase deixou a xícara cair ao me encontrar diante de sua porta, carregando uma mala de viagem e outra bolsa no ombro. Eu estava exausta, mas não pretendia demonstrar o quanto aquela fuga havia me abalado. Tirei os óculos escuros e forcei um sorriso.— Oi, tia. Posso entrar?— Meu Deus! Você não deveria estar conhecendo seu futuro marido agora? O que aconteceu?Passei por ela e me joguei no sofá da sala.— Aconteceu que não vou me casar com aquele desgraçado.Beatriz fechou a porta e me encarou, ainda tentando entender minha presença.— Você fugiu?— Antes que alguém tenha a brilhante ideia de me colocar diante daquele homem, sim.— Antonella, seus pais devem estar desesperados! Por que fez isso?— Porque não vou permitir que decidam o resto da minha vida. Não me casarei com um homem que trata mulheres como brinquedos. Dante Pussent é um porco!Minha tia suspirou e se sentou ao meu lado. Irmã mais nova d







