로그인Mais tarde, depois de descansar, Valentina desceu à biblioteca. Encontrou Dante sentado no sofá, com uma pasta aberta sobre a mesa e os óculos de leitura pousados ao lado de alguns documentos. Ela parou à entrada. — Não sabia que usavas óculos. Dante ergueu os olhos. — Há muitas coisas que ainda não sabes sobre mim. — Estou a começar a perceber isso. — Queres descobrir mais alguma? Valentina aproximou-se e sentou-se na outra extremidade do sofá. — Talvez. Mas ainda estou a decidir se vale a pena. — Justo. Ele fechou a pasta e deixou-a sobre a mesa. — Como estás? — Melhor. E tu? — Cansado. — Finalmente admites que és humano. Dante inclinou ligeiramente a cabeça. — Estás particularmente divertida hoje. — Talvez seja a companhia. Ele olhou para ela durante alguns segundos. Depois, estendeu a mão e retirou delicadamente uma pequena madeixa de cabelo que lhe caíra sobre o rosto. O gesto foi tão natural que Valentina não teve tempo de se afastar. Os dedos dele roçaram-lhe
Valentina continuou a olhar para a fotografia, tentando organizar as informações que acabara de descobrir. Havia uma criança desaparecida, um homem contra quem Dante disparara sem ter a certeza de que representava uma ameaça e um cadáver que talvez nunca tivesse pertencido a Adrian Moretti. Tudo aquilo parecia fazer parte de uma história cuidadosamente construída para que ninguém conseguisse distinguir a verdade da mentira.— Precisamos de sair daqui — disse Dante, guardando os documentos no envelope.Valentina não se mexeu.— Ainda não terminamos.— Marco está a verificar o exterior. Não sabemos se alguém esteve nesta casa antes de nós ou se continua por perto.— Há sempre alguém por perto, não é? — perguntou ela, com uma ironia cansada. — Às vezes pergunto-me se alguma vez conseguimos estar sozinhos.Dante olhou para ela.— Consegues estar sozinha comigo.Valentina ergueu uma sobrancelha.— Isso devia tranquilizar-me?— Depende. Tens medo de mim?Ela demorou a responder. A pergunta
Valentina voltou a olhar para a fotografia, passando o polegar pela inscrição escrita no verso. A frase parecia simples, mas cada palavra levantava uma nova pergunta. O homem que a tinha salvado a vida. Durante anos, acreditou que Gabriel era a pessoa responsável por proteger-la desde o nascimento. Agora, até essa certeza parecia construída sobre uma história incompleta.— Conheces este homem? — perguntou, estendendo a fotografia a Dante.Dante pegou nela e aproximou-a da luz que entrava pelas janelas altas. Durante alguns segundos, não respondeu. O seu olhar passou pelo rosto do desconhecido, depois pela figura de Gabriel, que aparecia ao lado dele. A expressão tornou-se mais fechada.— Já vi este rosto.Valentina sentiu o coração acelerar.— Onde?— Num conjunto de fotografias antigas que pertenciam ao meu pai. Eram imagens de pessoas ligadas aos negócios da família, algumas anteriores ao meu nascimento. Não me lembro do nome dele, mas sei que não era um simples empregado.— Então,
Valentina nunca tinha visto Dante daquela maneira. O homem que enfrentava ameaças sem pestanejar, que parecia antecipar os movimentos dos seus inimigos e que raramente demonstrava qualquer emoção estava agora diante dela com os olhos fixos na pequena folha de papel. A mensagem era curta, mas tinha conseguido algo que nenhuma arma, nenhuma ameaça e nenhum confronto haviam conseguido até então: fazê-lo parecer verdadeiramente assustado. — Dante, quem é o homem que o meu pai jurou matar? — repetiu Valentina. Ele dobrou o papel lentamente, sem responder. — Não voltes a fazer isso — advertiu ela. — Não podes ficar calado sempre que uma pergunta te incomoda. Dante levantou os olhos. — Não é uma questão de me incomodar. — Então explica-me. Ele passou a mão pelo rosto e olhou para a porta, certificando-se de que estavam sozinhos. — A casa junto ao mar pertenceu ao meu avô. Foi uma das primeiras propriedades da família, muito antes de os Moretti se tornarem aquilo que são hoje. O meu
— Não sei o nome verdadeiro. Só conhecia a alcunha que usavam dentro da organização. — Qual? O homem engoliu em seco. — O Corvo. Marco trocou um olhar com Dante. Valentina sentiu o estômago apertar-se. — O Corvo está vivo? — Estava vivo quando o vi pela última vez. — E onde está agora? — Não sei. Dante apoiou as mãos na mesa. — O que aconteceu a Adrian? O segurança fechou os olhos por um instante. — Naquela noite, ele disse que iria buscar a mulher e regressaria para nos encontrar. Nunca voltou. — Mas disseste que o corpo enterrado não era o dele — recordou Valentina. — Porque não era. Encontraram um homem que tinha sido morto antes do ataque e usaram o corpo para encerrar o assunto. Adrian sabia que, se Alessandro acreditasse que ele estava morto, talvez deixasse de procurar a menina. — E a minha mãe? O homem abriu os olhos. — Ela saiu do hospital naquela noite, mas não conseguiu chegar ao ponto de encontro. Alguém a levou para outro lugar. Adrian passou os anos seg
O lugar para onde Dante a levou ficava numa parte mais afastada da propriedade, junto a uma pequena estufa de vidro. O edifício era antigo, mas estava bem conservado. No interior, havia plantas de diferentes tamanhos, vasos de cerâmica e uma pequena mesa de ferro junto à janela. Valentina entrou devagar. — Não sabia que havia uma estufa aqui. — Quase ninguém vem a este lado da propriedade. — Porquê? — Porque não há nada de importante para ver. Ela virou-se para ele. — Então porque vens para aqui? Dante passou a mão por uma folha larga, verificando se precisava de água. — Precisamente porque não há nada de importante para resolver. Valentina ficou em silêncio. Aquela resposta dizia-lhe mais sobre ele do que várias das conversas que tinham tido. Dante passava os dias a tomar decisões que podiam custar vidas, a gerir negócios e a antecipar ameaças. Talvez precisasse daquele pequeno espaço para se lembrar de que existiam coisas que não exigiam controlo, estratégia ou violência.







