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11. Enigma

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-09-19 00:09:21

Já em Kyuden, Bara e Acnarepse foram recebidas pela própria Rainha.

– Bara! Seja bem vinda minha criança.

– Muito obrigada por permitir nossa visita Rainha Jõo. – cumprimentou Bara com uma reverência.

– Imagine criança, você é sempre bem vinda! Só não posso dizer o mesmo de seu pai. – Bara e Acnarepse riram e todas começaram a entrar. – O mensageiro que me enviou disse que você estava em busca de um prêmio, correto?

– Sim! Durante os meus quinze anos, conheci um rapaz com quem fiz amizade e, no momento, ele e sua mãe estão passando por apuros graças a um certo enigma bastante complicado. Como não conseguia encontrar a resposta em lugar algum por mim mesma, a Ac teve a ideia de criarmos um concurso em cima do enigma e aumentarmos nossas chances de conseguir solucioná-lo.

– Entendo. Mas... é tão difícil assim este enigma?

– Bem, se a senhora quiser tentar desvendá-lo...

Bara estava ansiosa para pedir o auxílio da Rainha, mas sem saber como, e como a própria Jõo havia tocado no assunto, ela que não ia perder a chance.

Jõo refletiu um momento, e decidiu.

– Diga minha cara, qual é o enigma?

– O enigma é: – começou Bara – “Resido junto ao rio ardente da terra, no trecho oculto pelo pequeno alto mar de gelo. Onde moro?”. Tem alguma ideia de onde possa ser este lugar?

Jõo parou por um instante mediante a complexidade do enigma, e voltou a andar olhando para Bara, dizendo:

– Onde esse rapaz tirou este enigma, Bara?

– Ah majestade... não sei bem como lhe explicar. Só sei que ele necessita de ajuda.

– Para um enigma desse porte, eu mesma lhe ajudarei a encontrar um prêmio à altura!

– Agradecemos-lhe muito, majestade. – disseram em uníssono Bara e Acnarepse.

Depois de instaladas no palácio, Bara pediu a Rainha que lhe fosse mostrado todo o palácio, com a desculpa de não querer entrar em algum lugar inapropriado por acidente, (já que era a sua primeira visita sem o pai) o que lhe foi concedido. A própria Rainha lhe mostrou cada cômodo e áreas do palácio, enfatizando a total proibição de acesso dos visitantes à Zona do Silêncio, área onde os maiores tesouros de Kyuden e o laboratório de pesquisas particulares da Rainha (incluindo os aposentos de Nemuru) eram mantidos em segurança. Ao observar a passagem de entrada desta área, Bara só tentava imaginar uma maneira de penetrá-la, para poder se encontrar com Nemuru.

No começo da tarde, Bara e Acnarepse juntas de Jõo, visitaram os melhores artesãos de Kyuden em busca de um prêmio apropriado ao enigma. Elas retornaram ao palácio com a encomenda de uma esfinge de mármore branco (oco) adornada com ouro e safiras (fazendo-lhe os traços), segurando uma faixa feita de sodalita (pedra ligada a sabedoria no mundo das joias) com a inscrição “Eis o Mestre dos enigmas”, que ficaria pronta dentro do período de três dias, segundo o mestre artesão.

No jantar, estavam à mesa Bara, Acnarepse, Jõo e os irmãos Soamri comendo uma bela refeição enquanto conversavam.

– Estou muito grata por toda a ajuda que nos deu majestade. – disse Bara à Rainha.

– Não foi nada querida. E tenho certeza que o prêmio será perfeito para o enigma de seu amigo.

– Também penso assim majestade. A senhora consegue já ter alguma ideia de qual possa ser a resposta?

– Olha Bara... eu só consigo entender metade da descrição.

– Qual delas?! – Bara não conseguia ocultar sua ansiedade pela resposta do enigma.

 – “Resido junto ao rio ardente da terra”; isto significa que está no mínimo próximo de um vulcão.

– E a outra metade...? Não consegue pensar em nada?

– “no trecho oculto pelo alto mar de gelo”? Com alto mar eu imagino o oceano e não há oceanos feitos de gelo! É essa parte que me deixa um pouco confusa.

– Realmente... esta é a intriga do enigma. – respondeu Acnarepse refletiva.

Com um olhar, Acnarepse mandou Bara ter um pouco mais de paciência quanto ao enigma, o que Bara consentiu.

 – Vocês nunca dizem nada? – perguntou Bara aos irmãos para tentar mudar de assunto.

– O voto de silêncio os impede, minha querida. – respondeu Jõo por eles.

– Nada em momento algum?

– Bara! – intercedeu Acnarepse – Isso são modos? Perdoe-a majestade.

– Está tudo bem Acnarepse. Como são meus aprendizes pessoais, para facilitar o entendimento, lhes é concedido falar quando nós cinco estamos a sós ou com a presença dos pais deles.

– Ah, tá. Assim explica. – Bara colocava um pedaço de carne na boca.

– Bara! – Acnarepse intercedeu mais uma vez.

Os irmãos olharam fixo para Bara com apenas dois se voltando para Rainha em seguida.

– O que quis dizer, Bara querida. – falou Jõo por seus aprendizes.

– Bom... é que só estava imaginando como funcionariam suas aulas, se eles não podiam tirar as dúvidas, falando-as para a senhora. – explicou-se Bara.

Os irmãos se acalmaram e Jõo sorriu. Terminado o jantar, enquanto eles começavam a deixar a mesa, Bara notou um fio de cabelo solto da Rainha, prestes a cair e, disfarçadamente, guardou-o consigo.

Estando sozinhas em seu respectivo quarto, Acnarepse confrontava Bara.

– Menina, para quê que você guardou um fio de cabelo da Rainha?

– Como? – Bara bancou a desentendida.

 – Você não me engana Bara. Eu vi você guardando um cabelo tirado das roupas de Jõo! Para quê precisa dele?!

– E o que eu faria com um fio de cabelo dela, Ac? – Bara evitava-lhe o olhar.

– Eu não sei Filha do Luar! Diga-me você! – Acnarepse aguardava a respostas com braços cruzados, batendo um dos dedos e o olhar sério.

Bara percebendo que não adiantaria nada continuar se passando por desentendida, apenas respondeu com um olhar e sorriso que diziam: “confie em mim!”. Acnarepse, diante daquela resposta, apoiou uma das mãos na cintura enquanto apontava com a outra para Bara dizendo:

– Olhe lá o que vai me aprontar menina!

Acnarepse deitou-se meio zangada e Bara aguardou que ela dormisse deitada, fingindo dormir.

Não demorou muito para que Acnarepse começasse a roncar (sinal que estava em sono profundo), e sem fazer barulho, pegou o espelho e o fio de cabelo da bolsa shiruku, que carregava sempre consigo depois de tê-la recebido (ninguém conseguia vê-la mesmo). Enrolou o cabelo da Rainha no espelho, citou o encantamento do mesmo e, como se uma imagem estivesse emergindo na agua, o espelho começou a mostrar Jõo A****n e os lugares por onde ela passava.

Jõo estava a caminho da Zona do Silêncio, acompanhada de Zula e Zuline. Elas passaram pela entrada daquela área, e fizeram o caminho até uma sala onde parecia ser o local em que os cinco costumavam estudar, já que Zul e Zunol lhes aguardavam lá dentro.

– Ninguém conseguiu achar qualquer pista sobre o que está acontecendo? – começou a Rainha.

– Sinto muito senhora. Mas ainda não encontramos nada. – respondeu Zunol.

– Mas... como é possível? Como alguém está falando com meu filho, bem debaixo de nossos narizes, sem ser visto ou ouvido? – indagava Jõo indignada.

– Senhora... – começou Zuline – Sei que vai me repreender, mas...

– O que foi Zuline. – disse Jõo meio sem paciência.

– E se a pessoa com que ele fala à noite... o visita através dos sonhos?

– Espera Zuline. – Zula cortava-a – Você está insinuando magia?

– Bem... – intimidou-se Zuline.

Jõo se voltou para Zuline com a expressão mais séria que já demonstrara até aquele dia, dizendo:

– Tem razão Zuline. EU NÃO ACEITO ESTE TIPO DE CONCLUSÃO! E também não aceito este tipo de pensamento vindo de nenhum de vocês! – e deixou a sala, com uma aura de fúria ao seu redor.

Bara que observava e ouvia tudo graças ao espelho, sentiu compaixão de Zuline, já que ela descobrira em cheio o que acontecia. Sem falar que fazer com que Jõo fosse um pouco menos laica seria mais difícil que libertar Nemuru das garras daquele mago.

Bara continuou seguindo a Rainha pelo espelho, se atentando a cada passo dela, até Jõo chegar a uma porta guardada por um soldado armado. Quando Jõo entrou, ela viu Nemuru.

Então este é o quarto dele!

Bara observou por mais alguns instantes, vendo a Rainha se sentar em uma poltrona próxima à cama de Nemuru, enquanto uma criada deixava o quarto, para depois guardar o espelho às presas e se posicionar com o camafeu contra o luar, adormecendo mais rápido que sua ama e adentrando os sonhos de Nemuru.

Ela se aproximou de fininho de Nemuru e, antes de chegar perto demais, começou a ouvir a voz de Jõo. Decidiu ficar quietinha até que Jõo e Nemuru terminassem de “conversar” e assim pudesse se colocar presente. O que esperou com bastante calma e paciência.

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