FAZER LOGINNa sexta noite de lua nova, quando Bara voltou a ficar “visível” novamente, Bara e Nemuru concordaram em parar com as perguntas à Dark Yami, ao menos por um tempo. Principalmente porque, os dois detestavam a forma como eram respondidas.
E Bara continuou apenas com as perguntas sobre Jõo, sendo que durante o dia se perdia entre mapas e documentos cartográficos, tentando encontrar um lugar que se encaixasse na descrição do enigma.
Diante dessa profunda dedicação de Bara, Acnarepse decidiu confrontá-la mais uma vez, de forma a ter certeza que sairia com a resposta que queria.
– Bara, podemos conversar um momento?
– Claro Ac, diga! – respondeu Bara afastando alguns dos mapas que tinha consigo.
– Querida, já vai fazer um mês que não saímos para prestar serviços como de costume...
– Hum... – só agora Bara percebia o quanto estava ocupada com Nemuru – É verdade...
– E o povo também já percebeu isto.
– Mesmo!?
– Sim, minha querida. E o pior Bara, é que está começando a surgir rumores de que a princesa de Heiwa está se esquecendo de seu povo com o completar de seus 15 anos.
– Mas isso não é verdade Ac. – Bara começou a se incomodar.
– Eu sei meu amor, mas, com você sempre enfurnada na biblioteca ou sumida no castelo e sem você me dizer o que é que está fazendo, não tenho como defendê-la direito.
Ambas ficaram em silêncio observando os documentos sobre a mesa. Mahotsukai que ouvia toda a conversa sem ser notado aproximou-se.
– Porque não conta tudo à sua ama, minha filha?
– Papai!
– Majestade!
Disseram as duas em uníssono enquanto se erguiam surpresas pela presença do Rei. Ele terminou de se aproximar, fazendo sinal para que ambas voltassem a sentar e continuou.
– Você tem procurado carregar tudo em seus ombros nesses últimos dias minha filha, mas nunca deixou de compartilhar os seus problemas com Acnarepse por tanto tempo antes. Nos momentos de emergência, ela sempre foi o seu maior apoio!
– Eu sei papai. – inclinou Bara sobre os documentos – Mas... é que eu...
Tanto Acnarepse quando Mahotsukai perceberam a apreensão de Bara sobre o assunto. Acnarepse sugeriu de continuarem a conversa na Torre Kendrada e todos concordaram.
Já nos aposentos de Bara, Bara sentou-se na cama com Acnarepse ao seu lado e Mahotsukai ficou de pé à janela que ficava a frente delas.
– Bara minha menina, diga: porque você não quer me contar o que está acontecendo? O que é que você está tentando encontrar? – começou Acnarepse segurando as mãos de Bara.
Bara olhou para os olhos de sua guardiã e depois para o pai, que, com um aceno de cabeça, lhe disse para falar. Ela respirou fundo e com o olhar sobre as mãos delas, começou:
– Ac, eu fiz um amigo que, tanto ele como sua mãe (que não são de Heiwa) passam por sérios problemas por causa de um feiticeiro do qual não temos ideia de onde pode estar escondido. Desde então procuro um meio de ajudá-los.
– Entendo minha menina. – Acnarepse erguia o rosto de Bara para olha-lhe nos olhos que estavam sinceros.
– Porque já não conta tudo o que descobriu minha filha? – cortou o Rei – Aquilo que você não conseguir descobrir em meio aos registros ou com seu amigo, talvez Acnarepse encontre junto ao povo!
Ditas estas palavras, as duas observaram o Rei e depois se observaram.
– O senhor tem razão, papai! – Bara sorria; e olhava para o pai de maneira que lhe pedia para que as deixassem sozinhas.
– Bom... Eu vou deixá-las a sós para conversarem mais abertamente.
– Obrigada papai.
– Perdoe-me majestade.
As duas viram o Rei deixar o quarto e depois dele terminar de fechar a porta, Acnarepse começou com o interrogatório.
– Muito bem Bara, DESEMBUCHE!
– Bom Ac; lembra aquela rosa que ganhei de aniversário?
– Sim...
Bara contou tudo a sua ama, exceto pelos fatos de Nemuru ser filho de Jõo e respectivamente príncipe de Kyuden. Mostrou os itens herdados por sua mãe e entregues pelo pai (apesar de Acnarepse não ter conseguido enxergar a bolsa shiruku, apenas senti-la). E quando Bara terminou de contar quase toda a história, Acnarepse lhe pareceu perplexa depois de receber todas aquelas informações, o que deixou Bara preocupada.
– Está tudo bem Ac?
Acnarepse se levantou, começou a caminhar devagar, pensativa, em direção às janelas e se voltou bruscamente à Bara dizendo:
– Acho que já sei como descobrir onde é este lugar do enigma e ainda dar fim aos maus boatos erguidos sobre você, ao mesmo tempo!
– Está falando sério, Ac!? – Bara se sentiu aliviada pela ama e animada pelas palavras.
– O que acha de repassarmos o enigma para o povo, como uma competição?
– Como assim Ac? Uma competição?...
– Isto! Faremos uma espécie de concurso. Aquele que conseguir desvendar a resposta do enigma que você planejou por todo este tempo, receberá um prêmio especial vindo de Kyuden!
– Sua ideia do concurso é incrível Ac! Mas... como assim, prêmio de Kyuden?
– Ora Bara, você não disse que o rapaz...
– Nemuru?
– Isso! Você não disse que Nemuru vive em Kyuden?
– Sim. Disse sim.
– Pois então! Peça o auxílio da Rainha de Kyuden, desafiando-a também. E como Kyuden é conhecida como “Terra dos Sábios”, além de encontrar um bom prêmio para o concurso...
– ...Talvez possa já voltar de lá com a resposta nas mãos. – completou Bara a explicação – Ac você é um gênio!! – e correu para abraçá-la com toda a força que podia.
Dois dias depois, guardas espalhavam cartazes avisando sobre a competição que teria o enigma revelado após o chegar do prêmio vindo de Kyuden, que seria apresentado juntamente.
Bara se preparava para a viagem junto de sua ama, onde graças a um mensageiro enviado no mesmo dia que Acnarepse teve a ideia, Jõo já estava ciente da visita delas. Bara também desejava conseguir ficar frente-a-frente de Nemuru, fora dos sonhos, e aproveitava cada minuto que podia para planejar este encontro.
Elas partiram no final do dia e Mahotsukai ficou responsável de preparar o que faltava para o evento.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.