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12. Emoções

Author: Tsuki-Hime
last update Petsa ng paglalathala: 2021-09-22 23:36:42

– E hoje na reunião, Zuline me disse uma asneira tão grande... que eu não sei como não lhe dei um tapa!

– Mas o que foi que ela disse mãe? – disse Nemuru, em sonho, intrigado com sua mãe.

– Ela se atreveu a dizer que alguém estava utilizando de magia para se encontrar com você. “Através dos sonhos”... Dá para acreditar?!

– Mãe... se você soubesse o quanto foi injusta com Zuline...

Nemuru sorria por descobrir que alguém mais além de Bara, se aproximava da verdade. Jõo interpretou aquele sorriso como sarcasmo pela resposta de Zuline.

– Sabia que também ia achar isso uma enorme asneira, meu filho. Ah! E tenho mais uma novidade para lhe contar meu filho! – Jõo aproximou-se do ouvido de Nemuru sussurrando – Bara está em Kyuden, aqui no palácio!

– É o que?! – Nemuru estava bem surpreso – Mas ela não me disse nada!

– He-he-he. – Jõo voltou à posição anterior – Sabia que você se surpreenderia.

– E como, mãe.

– Ela chegou hoje de manhã. Conversamos, mostrei-lhe o palácio, e à tarde rodamos o reino em busca de um prêmio digno para um concurso que ela criou para conseguir desvendar um certo enigma, que é complexo até para mim; para ajudar um amigo dela.

– Não diga isso mãe... Pois sei de que enigma está falando... – agora com expressão meio triste, não pelo fato de Bara estar no palácio e não poder vê-la, como Jõo imaginou, mas por nem sua mãe ser capaz de desvendar o enigma do sádico mago.

Jõo suspirou e continuou.

– É uma pena que você não possa se encontrar com ela...

– Nisso eu não teria tanta certeza. – ele demonstrava serenidade à sua mãe.

Jõo ficou em silêncio por um momento. Ao mesmo tempo em que decidiu afagar-lhe a testa. Bara, dentro do sonho, tocou-lhe o ombro de Nemuru e ele sorriu ao percebê-la em seu sonho. No local em que Bara apoiava a mão, emitia uma luz calorosa que aquecia todo o corpo de Nemuru, calor este que foi percebido por Jõo enquanto afagava seu filho. Na hora ela pensou que o filho poderia estar ficando febril, mas, diante do sorriso tranquilo e da tonalidade suave de sempre da pele dele, descartou tal hipótese.

– É melhor eu deixá-lo agora, meu filho. – Jõo beijou-lhe a fronte – Tenha uma boa noite meu tesouro.

Ouvido o som de fechamento da porta do quarto, chegou a vez de Bara falar com Nemuru.

– Queria encontrar uma maneira de tornar sua mãe um pouco menos... Laica.

– Concordo. Mas sabe uma outra coisa que também seria muito bom?

– O que?

– Você ter me avisado que vinha para Kyuden. – Nemuru sorria com um pouco de malícia.

– Huuum... Queria fazer uma surpresa. – respondeu Bara com um jeito sapeca. – Não gostou?

– Bem... eu realmente fiquei surpreso. – agora ele sorria honestamente.

Bara só deu uma pequena risadinha, e sentou-se na fonte junto de Nemuru.

– Minha mãe é muito cabeça-dura. – desabafou Nemuru.

– Eu sei. Desde que eu me lembro, ela sempre esteve de atrito com meu pai.

– Seu pai é um mago, não é verdade?

– Sim! E poderoso o bastante para aquele Dark Yami temê-lo.

– Bem que ele podia nos ajudar com o nosso “probleminha”. – comentou Nemuru erguendo o joelho para apoiar o braço (que apoiava a cabeça) sobre ele.

– Meu pai já sabe de nossa história, por isso entregou-me a herança de minha mãe. Ele só não sabe de quem você é filho!

– E porque não?

– Uma vez perguntei a ele o que sabia sobre sua mãe, e ele me respondeu que sabia apenas o que todo mundo já sabe. E como eles já discutem demais ao estarem juntos...

– Já entendi. Como ele é... místico, poderia descobrir o meu problema logo de cara. Já minha mãe... sendo cética ao extremo, não aceitaria um diagnóstico desse vindo de ninguém.

– Assim como ela fez com Zuline.

Houve um momento de silêncio, onde os dois se puseram a observar os jardins, até Bara quebrá-lo.

– Agora sei por que achei esse jardim tão familiar quando o vi.

– Deu uma volta pelos jardins de minha mãe.

– Sim. Eu reconheci um ponto ou outro enquanto sua mãe me guiava pelo palácio.

– Certo, mas você podia já ter notado isso quando eu lhe disse que minha mãe era a Jõo A****n.

– Podia... Assim como podia ter mudado o jardim como você conhece também.

– Ponto pra você.

Bara deu uma risadinha. Nemuru “apoiou” a mão sobre a de Bara (ela ainda estava na fase fantasma), gerando novamente a luminescência, os dois ficaram se observando em silêncio e, sem se darem conta, começaram a se aproximar devagar um do outro.

Se aproximando... Aproximando... E quando os dois estavam a milímetros de um beijo; o anúncio da chegada de Dark Yami fez com que eles se afastassem bruscamente, ficando sem jeito um com o outro.

– É... melhor eu me esconder agora. – disse Bara com os olhos nas nuvens negras e ainda sem graça.

Nemuru respirou fundo para se recompor e voltou-se para Bara.

– Tem razão. Melhor ir logo.

– Ficarei por perto.

Bara apoiou uma das mãos sobre o rosto de Nemuru e correu para esconder-se. Nemuru por outro lado, saltou para debaixo da arvore mais próxima onde se deitou com a cabeça apoiada sobre os braços de olhos e cara fechados. Quando ambos já haviam terminado de se ajeitarem, Dark Yami chegou.

– Saudações, caro primogênito! – cumprimentou o mago.

Nemuru abriu um dos olhos, observou o velho em pé diante de si com um leve sorriso sinistro no rosto, de cima a baixo, para responder-lhe.

– Será que pode andar logo com isso e devolver o meu sol? – voltando a ficar de olhos fechados e cara amarrada.

Dark Yami ficou chocado com a resposta do príncipe.

– Não vais mesmo fazer-me novas perguntas? Não vais mesmo dar-me o prazer de responder-lhes?

Nemuru abriu um dos olhos sem se mover novamente.

– Se deseja prazer, procure um masoquista! Detesto a forma como você as responde e eu ainda estou rachando minha cabeça com o enigma que você me passou que revela seu covil. – voltando a fechar o olho mais uma fez.

Dark Yami (que não gostou nem um pouco da resposta) perdeu o sorriso. Ergueu sua mão direita sobre Nemuru e o ergueu para frente jogando-o logo em seguida com toda a força que podia contra a arvore, sem deixá-lo inconsciente, e o manteve erguido pelo pescoço com a mão esquerda – Bara só conseguiu abafar um grito graças às folhas que caiam da arvore – Dark Yami lançou o feitiço de drenagem e soltou-o um pouco antes de drenar-lhe a energia toda.

– Eu não queria que minha diversão terminasse tão cedo garoto. Ficou mais difícil de atormentar-lhe depois que cresceste. As tuas perguntas acabavam com meu tédio...

Nemuru que sentia o corpo tremer, mas ainda movível, começou a se levantar devagar, conseguindo apenas ficar de quatro. Dark Yami ainda falava enquanto o rodeava.

– ... E além do mais... EU é que desejo fazer-lhe perguntas agora! O quê que tua mãe estais a fazer? Com o que o alimentas? Não penses tu, que eu não tenho percebido que estou rejuvenescendo bem mais nestes últimos dias.

Nemuru já havia meio que se arrastado até a arvore e agora estava apoiado nela para se manter sentado.

– Não lhe drenaste toda a energia, pois quero vossas respostas. – Yami se aproximou de Nemuru – E vais dá-las!

Nemuru tentou erguer o rosto, porém o cansaço era maior.

– Minha mãe, ... ainda procura ... um meio de ajudar-me. ... Quem sabe, o motivo ... de você estar conseguindo mais, ... talvez seja porque estou me ... fortalecendo um pouco. ... Acaso se lembra, ... de quando eu era mais novo? ...

Dark Yami lhe ergueu e rosto e olhando-lhe nos olhos (que mal se mantinham abertos) disse:

– Tenhas a certeza garoto, se de fato fores isto, eu descobrirei.

E arrancou-lhe a energia restante da forma mais bruta que podia, fazendo-o gemer e deixando-o cair de lado.

Ao levantar, Dark Yami observou o redor como se procurasse por algo em meio ao jardim que se esfarelava. Por várias vezes Nemuru desejou olhar em direção de Bara (que chorava em silêncio por ele), mas só a ideia do mago lhe seguir o olhar já causava-lhe terror.

Não achando nada que lhe interessasse, (faltando pouco para o esconderijo de Bara ir embora) Dark Yami foi-se embora de costas para Bara.

Petrificada por causa do mago, ao finalmente ser dar conta que só ela e Nemuru estavam naquela agora metade de jardim que se desfazia, disparou para junto de Nemuru.

– Você está bem Nemuru? – perguntou ela se aproximando da cabeça e “acariciando-lhe” a fronte.

– E-estou bem. ... Não se preo ... cupe, Bara.

Uma lágrima escorreu de Bara para um dos olhos de Nemuru que, ao senti-la, não só abriu os olhos como passou a olhar para o fundo dos castanhos olhos cristalinos de Bara. Ele guiou uma das mãos de Bara para junto de seu coração.

– Bara...

– Sim.

– Bara eu...

– Hum?

– ... Não é nada. É melhor você ir agora.

– Tem certeza?

– Sim, pode ir. – ele respirou fundo – Ficarei bem.

– Está bem então, Nemuru.

Bara sorria de leve e ainda chorava. Beijou-lhe a mão que “segurava” a sua e foi-se embora, despertando no quarto de hóspedes.

Tendo acordado novamente, Bara que ainda via luar pela janela, carregando a sensação que Nemuru queria dizer-lhe algo importante, ficou observando parte do jardim pela janela do quarto até deparar os olhos em uma janela que se assemelhava à janela de Nemuru, parcialmente vista pelo espelho. – “Será que é a mesma?” – Bara tentou observá-la melhor, mas mesmo diante de um céu limpo e a aproximação da lua cheia, ela não conseguia enxergar com clareza. Tudo o que ela pode ver mesmo, era um sentinela que patrulhava os jardins, sempre passando próximo à janela (que por sinal era bem alta).

Cansada, Bara voltou para cama e dormiu o restante da noite.

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