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20. Visitas inesperadas

Penulis: Tsuki-Hime
last update Tanggal publikasi: 2021-09-22 23:43:09

Zuline ainda estava no meio do caminho entre sua primeira e segunda parada quando o crepúsculo caiu, e Bara já se preparava para o seu ritual diário que, por mais doloroso que pudesse parecer – graças ao “mago parasita” – também era o que lhe dava mais prazer.

– Se preparando para encontrar-se com o seu namorado? – disse Acnarepse enquanto a observava.

– Namorado?! – questionou Bara parando o que fazia – Que namorado? De onde tirou essa Ac? – tentava ela disfarçar.

– “De onde tirou essa”, sei. Tenho de observado menina! E você... está apaixonada. Seus suspiros a denunciam... Sem mencionar esta sua alegria quando a lua se aproxima, mesmo com o risco de se deparar com aquela praga do tal de Dark Yami.

Não encontrando palavras para contra argumentá-la de modo eficaz, Bara sentou-se sobre a cama e acenou para que Acnarepse fizesse o mesmo. Mordeu os lábios por alguns instantes enquanto a ama a observava, e começou:

– Ac... acho que a senhora está certa. No começo, eu... sentia apenas compaixão de Nemuru, mas...

– Mas...

– ...Mas, aos poucos, talvez por conta das nossas conversas, comecei a sentir uma outra coisa por Nemuru; algo além da amizade.

– Haham...

Bara tinha dificuldades de encarar a ama enquanto dizia estas coisas e se esforçava apenas para continuar a falar.

– Em Kyuden, na mesma noite que entrei escondida no quarto de Nemuru, em sonho, Nemuru e eu... bem...

Vendo Acnarepse que ela corava ao tentar terminar de dizer, não teve dúvidas e terminou de falar por ela.

– Vocês dois, se beijaram?...

Ouvindo isso, Bara que já estava rosada, ficou vermelha como um tomate. Ela assentiu com a cabeça quase cobrindo o rosto com as mãos que seguravam fortemente o pano de sua saia, onde seus olhos estavam presos.

Acnarepse deixou escapar um pequeno riso por conta da situação de Bara. Sorrindo suavemente, com uma das mãos segurou as de sua “filha”, e com a outra, virou o rosto dela para si.

Como pequenas lágrimas tentavam se formar nos cantos dos olhos da princesa, enxugou-os delicadamente e a abraçou maternalmente dizendo:

– Como você cresceu minha querida!... Ainda me lembro como se fosse ontem: seu pai me confiou os seus cuidados em seus primeiros minutos de vida. Amamentei-a e lhe criei desde o começo, para que se tornasse a moça maravilhosa que é hoje.

O ouvir dessas palavras fez com que Bara aos poucos esquecesse seu desconforto pela revelação e começasse a chorar. Não de vergonha ou de dor, mas de alívio pelo conforto que sua ama lhe fornecia.

E assim, abraçadas, elas permaneceram por alguns momentos. Lado a lado.

Bara acabara de adormecer quando se deu conta que, ao invés de estar nos jardins do palácio de Kyuden, ela se encontrava dentro de uma carruagem em movimento no meio de uma floresta belissimamente florida.

– Mas o que está acontecendo? – perguntou ao perceber que Nemuru estava observando-a com um sorriso.

Ele apenas respondeu:

– Isto, é graças a você, Bara!

– Como assim Nemuru? O que quer dizer?

– Eu não sei direito o que foi que você provocou dentro da cabeça de minha mãe, mas... neste momento, minha mãe, junto da família Soamri e eu, estamos todos à caminho de Heiwa, ao seu encontro.

– Ao meu encontro!? – Bara estava mais do que surpresa, e confusa se essa seria uma noticia boa ou... complicada. – Mas... O que sua mãe deseja de mim? (Se bem que já posso imaginar algumas coisas...).

– Não sei ao certo, mas nós nos reencontraremos bem em breve.

– Não sei se é uma boa hora agora... – disse ela meio sem jeito.

– E porque não? – questionou Nemuru perdendo o sorriso. E ela ainda embaraçada, respondeu de forma tão tímida que Nemuru começou a achar graça:

– Bom... você se lembra do que fizemos em nosso último encontro de sonho? Quero dizer, antes daquele parasita chegar, me mandando ir embora?...

– Fala do beijo.

Bara ficou vermelha e cobriu o rosto. Observou por entre os dedos qual era a reação de Nemuru perante o comportamento diferente dela – já que nem ela se reconhecia direito – e viu que ele só a observava com um curioso sorriso. Ele começou:

– Por conta da minha condição, há muitas experiências que eu não pude ter. Viajar; conhecer amigos; ver com os meus olhos, todo tipo de coisa que há neste mundo. Tudo o que eu conheço vem daquilo que minha mãe contava para mim. Mas... Eram apenas coisas físicas! Coisas materiais. – Bara lhe prestava bastante atenção. – Sentimentos como coragem, tristeza e amizade, não vieram da minha mãe. Não, eu os aprendi com uma das minhas amas que, sem que ninguém soubesse (especialmente a minha mãe), ela lia para mim historias infantis cheias de sentimentos como os que mencionei.

– Mas todos que atuam na Área do Silêncio não são “mudos”? – Questionou Bara.

– Realmente; mas essa ama em particular quebrava o seu voto de silêncio por mim! Ela não achava certo eu ser privado de um mundo de emoções só por conta dos caprichos de minha mãe. Por isso que eu não só pude me tornar capaz de compreender muitas coisas, como também pude entender a mim mesmo. E compreender o que meu coração sente por você; que é: amor.

Bara estava em lágrimas, com as mãos sobre a boca e rosto corado. Aquela expressão agradava a Nemuru muito mais do que ele próprio tinha consciência.

Agora basta, pois ele se aproxima.”

Os dois se assustaram. De onde veio aquela voz? E quem se aproximava? Não demorou para Bara reconhecer aquela voz:

– É a mesma...

– A mesma o quê?

– É a mesma voz que ouvi me dizendo: “conte toda a verdade”, pouco depois de nos despedirmos naquela noite.

– E você acha que ela é confiável?

– Não tenho certeza, mas acredito que sim. Será que é...

– O quê?

– Deixa como está por enquanto. Quero confirmar uma coisa... Até amanhã à noite Nemuru! – despediu-se Bara dando-lhe um beijo rápido na bochecha e sumindo logo em seguida.

Mas o que aconteceu?” – perguntou Nemuru a si mesmo, não só confuso pela voz misteriosa, mas também feliz pelo beijo rápido que ganhara de Bara, sem nem mesmo ela perceber o que fazia.

– Interessante, para onde vamos?

Nemuru reconheceu aquela nova voz na hora. Desnorteado pela presença inusitada, verificou os céus de seu sonho e eles estavam totalmente abertos e claros, o que contradizia e muito a presença de quem ocupava o lugar onde Bara estava instantes antes.

– Mas o que deu em você velho?! – Perguntou Nemuru recordando logo em seguida do aviso que ele e Bara ouviram antes.

– Boa noite meu jovem príncipe, mas ainda não respondestes a minha pergunta. Para onde vossa mãe, a Rainha, estais o levando? Ela não é deste tipo de ação!

– Não tenho certeza. – respondeu Nemuru.

Se antes ele tinha dúvidas, agora não existiam mais. Pertencesse a quem pertencesse àquela voz, sabia que era amiga; já que ela alertara aos dois sobre a chegada de seu pesadelo: Dark Yami. Ele continuou.

– E agora é você quem ainda não respondeu a pergunta. Você sempre fez questão de que eu soubesse que estava se aproximando, mas hoje?? Porque fez diferente do seu costume?

– De fato. – respondia Dark Yami afagando a barba enquanto observava os céus claros de Nemuru o mais afastado possível das janelas. – Eu não gosto nem um pouco destes céus brilhantes que você, meu caro, tens questão de manter vívidos em teus sonhos.

– Então...!?

Nemuru nunca esteve tão incomodado com aquela presença como estava nessa noite e Dark Yami percebeu. O mago gostava daquilo, mas... alguma coisa não lhe parecia certa.

Num frio sorriso, prosseguiu:

– Não desisti ainda! Eu vou descobrir o que estais a acontecer com tu. Descobrirei como tu estás se recuperando tanto. – Dark Yami aproximou-se com um sorriso tão sinistro que fez Nemuru se pressionar inteiro contra o assento. Pressionando-lhe a garganta forte o suficiente apenas para causar-lhe dor e começou a trenar-lhe a vitalidade dizendo. – Seja qual for a fonte de tua recuperação, a tomarei para mim... – Nemuru se espantou sem querer – Ou então, a destruirei!

Terminadas suas palavras, o processo de drenagem também estava concluído. Dark Yami foi tão rápido com o processo que até o corpo de Nemuru sofreu leves danos, uma vez que seu corpo estava totalmente seguro e confortável para a longa viagem. E como tanto Jõo (que percebera as reações dele quanto Bara lhe falava e até instantes após da chegada de sua segunda visita) como Mom, estavam sonolentas, não perceberam o quase espasmo provocado em seu corpo por conta da drenagem, já que na área em que passavam, a carruagem balançava bastante.

Antes de Nemuru cair na escuridão da total inconsciência, as últimas palavras de Dark Yami: “a tomarei para mim; ou então a destruirei”, se repetiam sem parar em seus ouvidos e, em lágrimas, apelou à voz que agora confiava.

Voz misteriosa, pertença a quem for, por favor, proteja Bara!!

E apagou.

Quando Bara despertou, foi direto até a shiruku para pegar o seu guia e confirmar suas suspeitas nos relatos que lera de suas antecedentes. E lá encontrou.

– Eu sabia. – disse Bara fechando o guia – A voz que Nemuru e eu ouvimos pertence à lua... ou à divindade da lua por trás dela, Selena.

A estrela da manhã já anunciava a chegada da aurora quando Zuline finalmente começara a avistar as muralhas da cidade do reino de Heiwa. Ela aguardou sua vez de passar os portões na fila, ao lado de Flamechante para que ele pudesse descansar um pouco. Somente após o sol surgir de fato no horizonte que os portões se abriram.

Um a um, todos entravam ou saíam da cidade. Quando chegou a vez de Zuline, ela apenas apresentou um bilhete (que escrevera enquanto aguardava na fila) ao guarda responsável que dizia:

Sou Zuline Soamri, uma das aprendizas da Rainha de Kyuden, Jõo A****n. Trago uma mensagem direta da Rainha para a princesa de Heiwa, Bara Kuroshy, por favor, dê-me a passagem.”

E apresentou o pergaminho selado, com o selo de Kyuden, confirmando os dizeres de seu bilhete.

O guarda a observou por um instante e foi falar com seus colegas que também leram o bilhete. Um deles montou e correu em direção ao castelo e outro que também montou o próprio cavalo, aproximou-se de Zuline dizendo:

– Monte e siga-me, pois irei acompanhá-la até o castelo.

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