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19. Mistérios e decisões

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-09-22 23:41:51

Já noite, na Torre Kendrada...

– NEMURU É QUEM?!?! – disse o rei pulando da poltrona.

– Calma pai! Não precisa exagerar na reação.

– Bara está certa majestade, nem mesmo a minha reação foi tão... drástica. – completou Acnarepse tentando acalmar o Rei.

– Me desculpe vocês duas. – Mahotsukai voltou a sentar-se – É que... a Rainha Jõo... MENTIU SOBRE SEU FILHO!?!? Não consigo acreditar. – ele esfregava a cabeça que lhe parecia doer.

– Compreendemos meu rei. – prosseguiu Acnarepse repousando uma das mãos sobre-lhe o ombro – Isto é algo que ninguém conseguiria imaginar, ainda mais se tratando de uma mulher tão séria!

– Sempre imaginei que a razão dela afastar-se de tudo e todos, como se estivesse em um campo de batalha, protegendo a si mesma, era por algo mais além de seu luto. ...Seu filho está vivo... Nunca imaginaria um segredo assim!

– Considerando a condição de Nemuru papai, dá para compreender. Principalmente se considerarmos o seu orgulho.

– Certo minha filha. Mas agora... – ele respirou fundo para se acalmar enquanto voltava o olhar seguindo do teto para sua filha – ...me explique a situação deste rapaz.

Bara refletiu um instante sob a forma de falar e começou, enquanto Acnarepse se manteve em silêncio o tempo todo.

Bara contou tudo sobre a relação entre Nemuru e Dark Yami. Seus encontros, os ataques de Dark Yami, o sofrimento de Nemuru, tudo.

– Provavelmente minha filha, se não fosse pela constante interferência de Dark Yami, seu amigo Nemuru estaria consciente agora. De pé e totalmente desperto. – disse Mahotsukai ao terminar de ouvir a historia.

– Eu e ele também acreditamos nisto papai. Por isso o convenci a interrogar aquele sádico, na intenção de encontrarmos uma forma de o tirar dessa situação.

– E conseguiram descobrir alguma coisa?

– O senhor se lembra do enigma que coloquei como desafio para toda Heiwa hoje?

– Sim...

– Pois bem. Foi Dark Yami quem o criou quando lhe foi questionado o lugar onde ele se escondia, ou seja, aquela criança descobriu o esconderijo dele! (“Assim espero...”).

Diante dessa informação, Mahotsukai ficou sério e refletivo como Bara e Acnarepse nunca viram antes. E seu silêncio as preocupavam.

– Ham, majestade? – perguntou Acnarepse quebrando o silêncio.

– Estou pensando em tudo que me foi tido até agora e, me recordando das historias que meu pai, seu avô Bara, Akito Kuroshy, me contou sobre aquele mago.

– E... – questionou Bara.

– E ao que pude entender de todas essas historias, de meu pai, de Nemuru e do enigma, é só uma questão de tempo para que Dark Yami se vingue dos outros reinos pois... pensando bem... lembro de meu pai mencionar que Dark Yami usava força vital roubada para criar seus exércitos demoníacos. E quando não podia usar a força que arrancava daqueles que escravizava, usava a própria. Apesar de isto lhe custar alguns anos de vida...

– Os anos de Nemuru... – disse triste e surpresa Bara, com uma lágrima prestes a cair de um dos olhos ao perceber a verdadeira razão do sofrimento diário de Nemuru.

– Sim. E se o lugar do esconderijo dele for mesmo os Montes Kõrionenshõ, supondo que as cavernas vulcânicas de fato existam e que sejam bem grandes e longas, tomara todos os deuses que eu esteja errado, mas Dark Yami está usando o tempo que recupera tomando a vitalidade de Nemuru, para reconstruir seu exército. Maior e pior que o que tinha no passado.

Diante dessas hipóteses, Bara caiu sentada no chão em estado de choque. Acnarepse e Mahotsukai correram em seu auxílio e tudo que Bara conseguiu dizer entre lágrimas foi: – É muito pior do que imaginei...

Em meio às cavernas quentes guardadas por poderosas nevascas, o pior de todos os magos andava de um lado para o outro em sua sala de estudos, tentando encontrar solução para suas furiosas dúvidas.

– Como? Como raios, aquele moleque estais a conseguir?!

– O que lhe aflige meu senhor? – perguntou um pequeno ser de manto encapuzado com um pergaminho enrolado em mãos o observando.

– Aquele... principezinho! De alguma forma estais a fugir de meu feitiço.

– Mas meu senhor, isto é impossível!! – respondeu a criatura incrédula.

– Pois não és o que pareceis! – bradou Dark Yami – Tenho-lhe domado cada vez mais vitalidade do que costumavas e, se continuares assim... acordarás! Preciso, necessito descobrir como ele estais a conseguirdes isto! Meus planos dependem disto.

– Compreendo meu senhor. – disse o pequeno com a cabeça baixa.

– E quanto ao meu exército? – questionou-lhe de forma ríspida.

– Oh sim! – o pequeno desenrolava o pergaminho para conferi-lo – Já conseguimos alcançar os números de: 10 espectros, 1500 globins, 900 zumbis e 150 demônios. Além de finalmente domarmos 300 bestas selvagens demoníacas e 5 dragões se somarmos o seu dragão negro, o Askherone. – terminou ele reenrolando o pergaminho.

– Hum... não sois bons números, não se eu quiseres passar os números que tinhas antes... e evitar de repetirmos os erros.

– Senhor, totalizando tudo, teu exército já alcança o número de 2.865 membros, e desses, temos a equivalência de 6.800 homens mais ou menos. De que tamanho o senhor desejas ser o teu exército?

– A equivalência de 1 milhão de soldados. Assim tereis a plena certeza de que ninguém me deterás.

My lord!!!! – disse a pequena criatura com as mãos sobre a cabeça mediante a incrível quantia exigida – Meu senhor, lhe suplico que amenize este número, ou nunca poderemos lançar o primeiro ataque.

Dark Yami voltou-se para o pequeno com os olhos em chamas e, olhando-o nos olhos, explicou-lhe:

– No passado, eu tinha um exército cujo número, se comparado a um exército humano, darias o valor de 400.000 soldados e eles foram di-zi-ma-dos. EU fui vergonhosamente derrotado por aqueles malditos quatro reis! E desses quatro, só dois tem fortes lembranças graças aos teus malditos povos! E um dos outros dois ainda és deveras poderoso para mim. Sem mencionar que o único reino do qual estava a vingar-me, estais a escapar-me por entre os dedos, prejudicando todos os meus planos. Agora, se houver mais alguma coisa que este teu cérebro de meia-tigela não tenhas entendido, dizeis agora. – terminou Dark Yami de falar em tom ameaçador segurando-o pelo manto.

O pequeno que não era burro nem nada, apenas balançou a cabeça negativamente, respondendo quase desesperado:

– Não! Nada! Nenhuma dúvida!

Dark Yami soltou-o ao ouvir a resposta e mandou-lhe ir. Ao ouvir a ordem, saiu aos tropeços para repassar as exigências feitas.

Mediante certeza da solidão, Dark Yami meditava consigo mesmo.

Para descobrir a verdade, terei que agir diferente de meus costumes. Terei de observá-lo sem que ele saibas de minha presença... Droga!" – ele jogou o tinteiro de sua escrivaninha contra a parede – "Não poderei entreter-me com aquele moleque por uns tempos.” – e sentou-se em sua poltrona, frustrado.

De volta a Kyuden, Rainha Jõo passara a noite em claro, refletindo sobre tudo que lhe acontecera desde sua viagem à Heiwa para o aniversário de Bara (que foi quando tudo começou) até a partida de Bara de Kyuden.

É ela!” – dizia Jõo em pensamentos – “É Bara a chave para tudo o que está acontecendo, sem dúvidas.

Erguendo-se da cama, ordenou aos guardas que lhe velavam a porta que chamassem os irmãos Soamri e sua mãe. Enquanto aguardava, começou a preparar uma grande bolsa para viajar.

Chegando os cinco no quarto em que Jõo estava, logo perceberam a Rainha terminando de arrumar suas coisas para uma viagem.

– Chamou-nos majestade. – disse Zul observando a Rainha.

– Chamei-os sim. Quero que os cinco façam suas malas e venham comigo.

– Ir com a senhora para onde? – perguntou Zuline.

– Oficialmente, para um treino especial. Não oficialmente, para Heiwa. Ao encontro de Bara para ser mais exata. Ah! E meu filho vem conosco.

Os cinco não acreditavam no que ouviam. Zula beliscou o próprio braço para ter certeza que estava acordada; Mom limpava os ouvidos para ter certeza que escutara certo; Zuline (que batera a cabeça durante o treino) pensou estar alucinando, e Zul e Zunol, os únicos com a cabeça mais no lugar, questionavam a Rainha.

– Ao encontro da princesa Bara? – perguntou Zul.

– E levando o príncipe junto? – completou Zunol.

– Isso mesmo! – respondeu Jõo.

– Sem querer ofendê-la majestade,... – começou Zula – ...mas por qual motivo faremos isso?

– Foi no dia do aniversário de Bara que esta confusão toda começou, e sei que não fui a única a ver o que Bara nos aprontou antes de partir de volta para Heiwa.

Zunol e Zuline ficaram em silêncio, pois também viram Bara não só assumir a mesma aparência da Rainha, como ouviram da boca da princesa falar sobre Nemuru, segredo mais bem guardado do reino.

– Bem... – começou Zul – eu não posso dizer nada sobre isso já Zula e eu treinávamos nesta hora, e tudo o que sabemos é o que nos foi dito por Zunol e Zuline, mas, mesmo assim, ainda não consigo acreditar nesta historia.

– Por isso que faremos esta viagem! – afirmou Jõo – A intenção dessa viagem é exatamente ”colocarmos os pingos nos i’s”! E andem logo, pois ainda temos que disfarçar meu filho de bagagem até sairmos de perto da cidade e de um de vocês no restante da viagem. Por isso que Mom vem conosco, ela ajudará a cuidar de Nemuru nesta viagem. E na exata hora da troca, Zuline correrá na frente para avisar Bara que estamos à caminho.

– Eu!?

– Sim Zuline, você! Afinal, entre os seus irmãos, você é a melhor no que se refere à montaria.

Zuline corou-se mediante o elogio, mas não deixou de preocupar-se com a responsabilidade recebida. Mom percebeu sua preocupação e apenas segurou-lhe os ombros de lado sorrindo-lhe calmamente, transmitindo mais confiança à sua filha.

A Rainha já fechava a bolsa com suas coisas prontas quando se voltou para os cinco dizendo:

– Ainda estão esperando pelo quê? Vão logo arrumar as suas coisas! E peguem somente o essencial para mantermos o disfarce.

Os cinco saíram imediatamente, os discípulos foram arrumar as bagagens enquanto Mom ajudava Jõo a preparar o filho para a viagem. Quase seis horas depois, uma carruagem simples carregada com baús de equipamentos (com Nemuru oculto neles) se encontrava à espera da partida.

Todos vestiam trajes muitos discretos para não chamarem atenções indesejadas. Mom e Zuline iam dentro da carruagem, Zul e Zunol guiavam a carruagem, e Zula e a Rainha iam à cavalo.

– Como sempre, confio o reino em suas mãos Montemor. – disse Jõo ao seu confiável Capitão da Guarda e “regente” mediante sua ausência.

– Não a decepcionarei minha Rainha. – respondeu ele como sempre com uma saudação bélica no peito.

– Eu sei que não. – sorria Jõo.

Em menos de uma hora após a partida, Zuline já trocava de lugar com Jõo enquanto Zul e Zunol descarregavam o baú em que Nemuru estava.

– Aqui Zuline. – disse Jõo entregando-lhe um pergaminho selado e material de escrita – Esta é a mensagem que deve entregar a Bara e leve este bloquinho de papel e bastão de carvão para não ter problemas com o seu voto de silêncio.

– Procurarei ser o mais rápida que puder mestra.

– Tudo bem. Logo reiniciaremos a viagem. Vá com cuidado.

Zuline assentiu e montou o cavalo da Rainha, disparando para Heiwa. Jõo e os demais só recomeçaram a andar meia hora depois, bem mais devagar para segurança de Nemuru. Ele tinha apenas seis anos na última viagem que Jõo o levara consigo, de forma que ela temia muito com o que pudesse lhe acontecer.

Flamechante, o cavalo da Rainha, era de fato o corcel mais rápido de Kyuden, já que Zuline alcançara seu destino final em apenas 18hs de viagem, com três pausas de meia hora cada. Enquanto o restante da caravana alcançaria o mesmo destino apenas 12hs depois.

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