LOGINSem hesitar, Zuline montou Flamechante e começou a acompanhar aquele soldado.
O Rei ainda se preparava para tomar o café da manhã e prosseguir com seus afazeres quando a notícia da chegada de Zuline alcançou os seus ouvidos.
– Uma mensagem para a minha filha?
– Sim majestade. – respondia o servo que lhe trouxe a notícia.
– E Bara já foi avisada?
– Acredito que sua ama, Acnarepse, já esteja lhe transmitindo a informação.
– Certo, compreendo. Irei pessoalmente receber Zuline. “Ainda mais depois de tudo que Bara me contou...” – completava Mahotsukai em pensamentos.
Já na Torre Kendrada...
– Então Zuline chegou finalmente!
– “Chegou finalmente”? Você já sabia que Zuline estava vindo para cá, Bara?
– Sim! Sabia Ac, e ela não é a única.
– Mas hein!? Que quer dizer minha filha?
– Hum... A senhora poderia pedir para que preparassem... quatro quartos de hospedes?
– Quatro quartos!?!
– Isso! Ou seria melhor cinco?... Não, quatro está bom. E de preferência que estejam lado a lado.
– Do que você está sabendo Bara. – questionava Acnarepse presentindo a confusão que estava por se aproximar.
– Ah. Quando Zuline nos entregar a mensagem, a senhora saberá. Provavelmente.
– Bara! Bara!...
E foram ambas para a entrada principal do castelo receber Zuline, parando apenas para repassar à governanta o pedido de Bara.
Chegando elas ao salão onde Zuline e Mahotsukai as aguardavam, Bara foi logo cumprimentando.
– Bom dia Zuline! Foi muito difícil seu caminho até aqui? E os demais? Quando ele chegarão mais ou menos?
Zuline e Mahotsukai se entreolharam não entendo nada. Mahotsukai porque não sabia mesmo do que a filha falava, e Zuline por não compreender como Bara ficou sabendo da caravana.
– E então? Cadê a mensagem? – disse Bara para quebrar o ar de confusão do salão.
Com isso Zuline voltou a si e entregou o pergaminho que lhe foi confiado por Jõo para Bara. Bara abriu e começou a ler em voz alta após pedir para todos, com exceção de seu pai, Acnarepse e Zuline, que deixassem o salão.
“Cara Bara;
Como posso dizer... Depois da confusão que você deixou em meu palácio, passei um bom tempo refletindo.
Há anos que tendo descobrir que tipo de doença recaiu sobre meu filho, Nemuru, e mesmo com inúmeras descobertas, nunca tive sucesso.
Tanto que para protegê-lo de possíveis ameaças contra Kyuden, disse ao meu povo e aos demais reinos que sua misteriosa doença o levou de mim. Mantendo absoluto sigilo sobre esta mentira, sempre continuei meus esforços para salvá-lo, mas...
Eu não sei como. Bara, você não só conseguiu descobrir o meu filho, como também de alguma forma, desde que completou os seus quinze anos, tem o ajudado a se recuperar, sem que eu o soubesse.
Eu o vi abrir os olhos e falar com você, como se vocês se conhecessem há muito tempo!!
E por mais que eu analisasse, não conseguia descobrir ou entender como isso era possível. Portanto, na intenção de obter estas repostas, meus aprendizes e sua mãe e ama de meu filho, Nemuru e EU; estamos todos a caminho de Heiwa ao seu encontro.
E é bom você me dizer a verdade!
Até breve,
Jõo A****n, Rainha de Kyuden.
P.S.= para todas as circunstâncias, eu e os Soamri estamos em uma viagem de treinamento. Conto com o sigilo de Heiwa.”
Terminada a leitura da carta, tanto Mahotsukai quanto Acnarepse ficaram boquiabertos, e Bara sorria feliz porque veria Nemuru outra vez.
– Então foi por isso que você fez aquele pedido menina?! – questionou sua ama ao perceber a situação.
– Foi sim, Ac! Zuline, antes de me encontrar com você, pedi para que preparassem quatro quartos para vocês. Quatro está bom ou teria sido melhor cinco?
Perplexa com a pergunta, Zuline não respondeu.
– Quatro ou cinco Zuline, por favor! – insistiu Bara.
Despertando Zuline para o mundo, ela rapidamente mostrou um quatro com os dedos, observando Bara com a expressão de “como você sabia?”.
Tendo Bara percebido, apenas perguntou:
– Você deseja saber como eu sabia de sua chegada e dos outros, não é verdade?!
Zuline apenas balançou a cabeça positivamente.
– Mas Zuline,... – respondia Bara – ...você já sabe a resposta!
“Eu já sei a resposta??” – pensou Zuline.
– Quando todos tiverem chegado e, devidamente acomodados, minha filha explicará tudo. – disse o Rei enquanto apoiava, em meio a um suspiro, uma das mãos sobre o ombro de Zuline (que concordou com receio).
Enquanto Flamejante era tratado nos estábulos, Zuline conferia os aposentos. Estando tudo pronto, Zuline aguardou pela chegada dos demais descansando em seu respectivo quarto.
Era perto das 13hs da tarde quando Jõo A****n e companhia alcançaram os portões de Heiwa. Um guarda, previamente avisado e orientado a como recebê-los, guiou todos até o castelo assim que identificou o grupo. Jõo e os demais adentraram o castelo por uma das entradas de serviço, sendo imediatamente guiados até o quarto reservado para Nemuru e mais um.
Zuline foi chamada e todos se organizaram nos quartos. Terminada a instalação do grupo, todos se reuniram no quarto do rapaz.
– Muito bem. Não está faltando ninguém. – declarava Jõo, observando todos os presentes: os Soamri; os A****n; os Kuroshy e a ama da princesa, Acnarepse – Pode começar a nos explicar tudo Bara.
– Eu até posso fazê-lo majestade, mas... Está disposta a me ouvir até o fim e acreditar em tudo o que eu lhe disser?
– Acho que depois de tê-la visto se transformando em mim dentro do meu próprio reino, seja motivo suficiente para lhe acreditar. Mesmo que a contragosto...
– Se a senhora diz... Bom, como a senhora mesma mencionou na carta, tudo começou no meu aniversário...
Bara havia explicado tudo desde o primeiro sonho que teve com Nemuro até a visita em que ele lhe contou que toda aquela gente estava a caminho de Heiwa. Mas, claro, sem mencionar o beijo que os dois tiveram e que Acnarepse era a única a saber.
A ideia de que Nemuru não acordava porque tinha suas forças roubadas por alguém que não precisava transpassar muros para ver o príncipe, resistia a entrar na mente de Jõo. Um ataque que nem ela e nem ninguém podia ter imaginado, ou sequer impedido.
– Posso garantir-lhe Jõo, da mesma forma que os escudos de meu reino nos protegem de intrusos, eles também impedirão aquele... Monstro! De se aproximar de seu filho. – exaltava Mahotsukai.
– Ainda não gosto do tipo de defesa que recai sobre Heiwa, mas ela sempre se mostrou fortemente eficaz, então espero que o senhor esteja correto. – comentou Jõo, ainda preocupada com a segurança de Nemuru – Bara, não sei se seria cômodo ou não, mas você se importa de nos mostrar esses itens que disse terem pertencido à sua mãe?
– Acho que não há problema e... Pensando bem... Eu já cheguei a mostrá-los ao senhor também, papai?
– Não minha filha, ainda não.
– Certo então.
Bara ajeitou a shiruku em seu colo e começou a retirar o conteúdo de dentro dela, item por item. Era impressionante como as coisas pareciam “surgir” do nada! E o calafrio que Bara causava toda fez que sua mão “sumia” era geral.
A cada item que ela pegava, ela explicava o que era e como cada coisa funcionava. Jõo chegou a pedir algumas demonstrações sobre o funcionamento de cada coisa, além de ter pedido para ler o guia também.
Para fazer as demonstrações, ela usou um fio de cabelo de Mom, um pedaço de unha de Zul e... uma gota de baba do Rei...
Ela usou a baba no espelho, e todos puderam acompanhar o pequeno passeio que o Rei deu no castelo ao lado de Zunol. Com os dois confirmando o percurso de 15 minutos assistido, ao retornarem para o quarto. Refazendo a mesma experiência com a unha de Zul que saiu acompanhado de Acnarepse, confirmando que realmente qualquer amostra física servia para fazer o espelho funcionar.
Bara utilizou o cabelo de Mom com o colar, transformando-se na frente de todos em uma cópia exata da senhora. Até mesmo Bara ficou surpresa por não conseguir usar a própria voz (detalhe a ser acrescentado no guia mais tarde, pois não havia nada escrito nele sobre essa descoberta).
O apito invocou um gato, um pássaro e um roedor. Para comprovar que eles conseguiam fazer qualquer coisa que Bara desejasse, ela pediu ao gato que lhe trouxesse uma maçã, ao pássaro uma margarida, e ao roedor um potinho de agua (assim como ela havia visualizado antes de soprar o apito). Os três trouxeram tudo exatamente como ela pediu, sendo o ratinho o que mais demorou porque foi preciso caminhar apenas sobre duas de suas quatro patas para carregar a agua que foi trazida dentro de uma casca de nóz.
A bolsa foi passada de mão em mão, onde todos puderam sentir o tecido invisível.
A Essência Vestigium não foi testada, mas todos fizeram cópias dos encantamentos que a ativavam para caso houvesse uso dela (principalmente porque ninguém tinha certeza de que com quem eles funcionariam).
Terminadas as demonstrações, Jõo era a mais assombrada de todos.
– Eu realmente... Realmente custo a acreditar em tudo isso. E olha que estou testemunhando com os meus próprios olhos!
– E em pensar que, se não fosse por essa sua teimosia, o príncipe Nemuru já teria voltado a viver há muito mais tempo... – falava o Rei pensando em voz alta. O que não agradou nem um pouco à Jõo.
– Sou uma alquimista, meu caro. Se não for algo cientificamente comprovável, não irei admitir sem provas concretas e conclusivas. – declarou a Rainha nervosa com a insinuação.
– Por favor majestades... Essa não é a melhor hora para discutirmos entre nós... – apaziguava Acnarepse.
– Ac está certa. Se quisermos que Nemuru fique livre de vez daquele espectro em forma de gente, temos que deixar nossas diferenças de lado e trabalharmos juntos! – declarou Bara um pouco incomodada com aqueles dois.
– Você está certa princesa. Tentarei me conter para podermos trabalharmos juntos. – desculpava-se a Rainha – O senhor fará o mesmo, imagino. – cobrou ela do Rei que apenas assentiu com a cabeça – Err... Bara!
– Sim Rainha Jõo?...
– Eu estava aqui pensando... Será que... como é possível “entregar” objetos através dos sonhos... Também seria possível levar pessoas?
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.