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24. Dor e cura

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-09-28 00:38:23

Jõo começou a tratar da necrose de Mahotsukai, assim que recebeu o que precisava. Ela estava irritada. Não só com o Rei por usar um método tão arriscado como aquele para velar o seu povo, como também por entender (através de explicações mais detalhadas de Zuline) como era o verdadeiro funcionamento daquela proteção e o fato consumado de que seu encontro com seu filho tinha sido interrompido por culpa daquele parasita.

Se ele se colocar diante de mim, faço picadinho dele!” – Pensava a Rainha consigo.

– Mas me explique Zula, como foi que você colocou aquela praga pra correr e assim salvar esse tolo aqui. – pedia a Rainha terminando de enfaixar o braço de Mahotsukai.

– Me perdoe senhora, mas... Acredito ter conseguido usar magia.

– Como? – surpreendeu-se Acnarepse que acalmava Bara, já que a princesa havia se recusado a se afastar do pai.

– Quando eu encontrei o encantamento da barreira, eu questionei um dos presentes sobre o nome do feitiço de proteção usado em Heiwa. Como o nome era o mesmo, analisei cada detalhe sobre ele, inclusive o fato que, uma vez que o lançador do encantamento falece, o controle da barreira é passada para o seu sucessor de sangue.

– E o primeiro a lançá-lo já faleceu há pelo menos 300 anos, por isso muitos detalhes sobre essa barreira acabaram sendo esquecidos. – falou o rei ao terminar de se vestir.

– Percebi isso ao ver que o senhor não pronunciou o encantamento de segurança que expurgaria o invasor da barreira depois de ver a mancha.

– Diga-me que você ainda o tem tudo decorado e pode escrever todos os detalhes sobre ela. – pedia Bara, temendo por seu pai, e por si mesma já que era a única sucessora dele.

 – Posso fazê-lo agora se desejarem. – declarou Zula para alívio de Bara.

– Pois faça isso. – dizia a Rainha se levantando – Vou ir ver o rapaz agora. Por causa de todo esse alvoroço, estava quase me esquecendo do paciente que trouxemos.

– Vá com ela minha filha. – Mahotsukai pedia – Vá confirmar os resultados da experiência que vocês duas fizeram. Eu já estou bem. Afinal, fui tratado pela maior “médica” desse mundo. – um pequeno riso escapou de Jõo ao ouvir aquilo.

– O senhor tem certeza de que está bem agora? – perguntava Bara lhe segurando uma das mãos, que transferiu ao rei um agradável calor – Está bem mesmo?

– Com toda a certeza minha filha. Vá! – respondeu ele com toda a doçura que podia ofertar a princesa.

Bara ainda lhe deu um beijo na testa antes de soltá-lo, para só depois acompanhar a Rainha.

Zula retornou para a Biblioteca Mística na intenção de traduzir as informações da barreira para a princesa e depois retomar suas buscas entre aqueles domos, acompanhada do servo que veio junto com ela de lá.

Chegando Jõo e Bara no quarto em que estava Nemuru, a Rainha foi logo conferindo o pulso de seu filho. Encontrando o seu lenço amarrado nele. Não deixando mais nenhuma dúvida sobre a historia das rosas.

Ela pediu a Mom que lhe repassasse tudo o que tinha acontecido, e a experiência, ocorrida com sucesso, deixou a Rainha satisfeita.

– Bara, meu bem, teria como eu verificar mais algumas coisas?

– E o que seria Rainha Jõo? – questionava Bara que repassava para Nemuru o motivo delas terem precisado o deixar às presas.

– Se importa de... Dar um ósculo à ele?

– Dar um ósculo?! – Bara não esperava aquele pedido – Claro que não mas... Por quê?

– Há algo que quero confirmar... E depois que descansarmos o resto dessa noite, gostaria de ter aquele seu guia em minhas mãos como prometeu.

– Err... Tudo bem, eu acho...

Apesar de Jõo ter pedido apenas um simples beijo na testa de Nemuru, Bara não deixou de corar por isso. E tanto Jõo como Mom, perceberam que aquele corar não era de vergonha...

Bara, antes de atender ao pedido da Rainha, chegou a sussurrar alguma coisa ao ouvido de Nemuru que o fez sorrir, para só depois beijar-lhe a fronte. Aquela luz que surgirá na primeira vez que Bara havia feito aquilo, retornou a cobrir o corpo de Nemuro e, assim como antes, o príncipe acabou abrindo os olhos.

Por ser noite, o jovem estava enxergando menos que a primeira vez, mas nem por isso ele se sentia menos feliz por poder despertar.

– Sinto muito Bara. – falava ele em voz fraca – Não esperava que seu pai pudesse acabar ferido por minha causa.

– Não se preocupe com isso Nemuru... – falava ela com doçura – Zula o salvou. E graças à ela, isso não irá mais se tornar um problema.

– Me diga meu filho. – Jõo lhe tomava a outra mão – Como você se sente? Dói alguma coisa? Sente fome ou sede? Algum tipo de aflição em seu corpo?

– Apenas a visão meio turva; a garganta rouca, e ainda um imenso cansaço.

– Temos que fazê-lo reaver sua força. – comentava Bara que acariciava a mão que segurava de Nemuru.

– É verdade. Ou do contrário você não será capaz de ficar desperto finalmente e nem voltar a tomar controle sobre o seu corpo, meu filho. Eu tentei evitar que seus músculos acabassem atrofiados, mas é você quem deverá reclamar seus movimentos de volta!

– Acredite mãe, esse é o meu maior desejo.

Nemuru começou a ter dificuldades para se manter acordado e Jõo não quis força-lo. Ela e Bara confiaram Nemuru aos cuidados de Mom e foram se recolher. Algumas servas do castelo já haviam sido incumbidas de auxiliar a senhora no seu trabalho de vigília do rapaz, assim como alguns guardas paladinos receberam a ordem de velar cada um dos quartos ocupados do castelo para o caso de algo acontecer.

Enquanto isso, em meio às cavernas quentes do centro de Korionenshõ, um certo mago estava paralisado de dor sobre uma cama.

– Maldita. Mil vezes maldita sejas aquela Rainha.

– A poção que me pediu senhor. – entregava à ele o mesmo homenzinho de capuz que estava cuidando do controle de desenvolvimento do exército, um frasco portanto um líquido roxo.

– Finalmente. – agarrava Dark Yami o frasco de forma bruta das mãos do coitado – 10 anos. Fostes necessários 10 anos para que ela engolisses finalmente o orgulho. Os A****n não podias aguardar mais para aceitares o sobrenatural? – virava ele a poção goela abaixo – E como se não bastastes, ainda dispararam para Heiwa.

– Os A****n estão sob a proteção do Rei-Mago?! – se afligia o homenzinho.

– Estão. – levantava-se o mago já livre da dor – Eu sabias... Sabias muito bem que aquela barreira me eras um grande obstáculo.

 – E... o quê o senhor fará agora? Sem a vitalidade do príncipe, não poderemos continuar com as invocações.

– Conheço muito bem as condições para penetrares aquelas proteções. Não sois algo difícil. Mas para mim, que ardo do desejo de vingança! Serás um desafio a cumprir.

– E que condições são essas, senhor?

– Que não carregues má intenções no coração.

– Oh... – lamentava o pequeno com a notícia – E como exatamente o senhor planeja conseguir transpassa-las?

– Existes uma forma. – ele sorria tão macabramente ao dizer, que o homenzinho sentiu um calafrio lhe percorrer o corpo – E tu, mentecapto, vais ajudar!

A pobre criatura acabou engolindo seco. Seu único alívio é que a preparação para o que seja que seu mestre estivesse planejando, só ficaria pronto mais ou menos na noite da semana seguinte.

Surgido o dia mais uma vez, Bara não pensou duas vezes em ver seu pai e Nemuru antes de tomar o café. Foi primeiro atrás do Rei porque queria saber a condição de seu ferimento. E quando chegou no quarto, Rainha Jõo já lhe removia as faixas para conferir a condição.

– Bom dia para todos. Como o meu pai está, majestade?

– Bom dia filha!

– Muito bom dia princesa. – os dois haviam respondido juntos – Sobre seu pai estar bem ou não, vamos descobrir isso agora e... Por todas as leis da natureza!

– O que foi?! O que aconteceu?! – assustou-se Bara com a reação da Rainha.

– Posso estar equivocada, mas você deve um imenso obrigado à sua filha, seu Rei tolo. Seu braço está totalmente curado!

– O quê?! – se surpreenderam os dois.

Vendo os dois que realmente não havia mais ferida alguma no braço do Rei, Mahotsukai estava boquiaberto, enquanto Bara não sabia bem o que pensar.

– Mas como? Uma ferida daquela, mesmo com uso de poções de cura, ainda teria que levar ao menos alguns dias para curar. – apontava o Rei ainda observando o próprio braço.

– Bara, minha querida, pode me deixar ler o seu guia como havíamos combinado?

– Claro! – ela pegava o livro dentro da bolsa (agoniando aos Reis pelo “sumiço” de sua mão) – Aqui está ele. – entregava ela o guia à Rainha.

– Muito bem. – Jõo começava a folhear – Deixe-me ver... Onde é que está...

– Onde está o quê? – perguntava o Rei curioso.

– Aqui está! Tsuki. Nome dado à habilidade que identifica uma Filha... Um simples toque e as plantas ficam melhores... Por causa da influência da lua... Encontrei: “Em alguns casos, influenciam até mesmo na saúde das pessoas.” Entenderam agora?

Mahotsukai que já achava sua filha incrível, ficou ainda mais admirado pelos dons dela. Bara, como Filha do Luar, carregava o dom da cura!

– Então... – Bara ainda estava espantada – A senhora está nos dizendo... Que fui eu que curei o meu pai?

– Eu acredito que você acelerou a capacidade de recuperação de seu pai. Acredito que, por causa de sua herança, você seja uma espécie de catalizador vital. Alguém capaz de acelerar qualquer processo natural de vida. A recuperação mais do que rápida de seu pai, e o reaver da força de Nemuro podem ter sido intensificados por você. Por isso lhe pedi para deixar-me ler o seu guia. Quero tentar confirmar a minha teoria. E... Me diga majestade: o que foi que você sentiu quando Bara lhe segurou a mão ontem à noite?

– Bom. Eu acredito ter sentido um calor agradável me preenchendo o corpo.

– Nemuru também comentou algo assim quando foi questionado sobre a luz que faço aparecer nele... – recordava Bara da conversa que ela e Jõo tiveram com Nemuru nos sonhos.

– Pois bem. – retomava Jõo – Suponho que essa “luz” que você faz surgir princesa, seja na verdade a energia que age como catalizador naqueles que sofrem algum tipo de mal físico. É o seu... “poder de cura” agindo sob os enfermos.

– Nesse caso... Devo considerar que a senhora me pedirá para ficar em contado direto com Nemuru o máximo de tempo possível?

– Não vou negar, Bara. Desejo sim que você faça isso. Mas nós não conhecemos direito os limites desse poder. Por tanto, pedirei para que você só faça isso durante uma hora mais ou menos durante o dia, e pelo tempo que você achar apropriado durante as nossas visitas aos sonhos do “paciente”.

– Mais visitas?!

– Mas é claro, Rei tonto! Eu ainda tenho muitas perguntas para ele e ele se encontra fraco demais no momento para conversar fora do mundo que ele criou.

– Por favor, não comecem a discutir vocês dois. – “implorava” Bara – Faremos como está pedindo majestade, e deixarei meu guia com a senhora por enquanto para que possa tirar todas as suas dúvidas sobre as Filhas do Luar. Mas... Deve haver mais alguma forma de ajudarmos o Nemuro a recuperar o vigor...

– Sobre isso... – Mahotsukai terminava de se vestir após ter seu braço liberado por Jõo – Acho que conheço uma solução.

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