FAZER LOGINNemuru estava nervoso. Ele, mesmo aparentemente inconsciente, pode ouvir toda a conversa tida no quarto em que ele havia sido instalado.
Ficou curioso com a apresentação dos itens de Bara (que lhe pareceu divertido de se assistir de acordo percebia as reações de todos) e bastante preocupado quando ouviu o pedido de sua mãe ao terminarem as demonstrações das ferramentas da Filha do Luar.
“Minha mãe deseja visitar o meu mundo de sonhos?!”
Esse pedido deixou o príncipe cheio de dúvidas e receios... E se sua mãe não o reconhece? Bara não havia tido que sua real aparência física era um pouco diferente da que ele fazia de si dentro de seu consciente? Jõo teria mudado muito de aparência se comparado ao que ele se lembrava? Esse... experimento que ela e Bara fariam era seguro? E Dark Yami?
Nemuru estaria prestes a surtar se não tivesse ouvido o Rei dizer que dentro de Heiwa, aquela praga sinistra não teria como lhe incomodar. E ficou ainda mais aliviado quando Bara retornou para ficar um pouco com ele antes dela jantar e se reunir com Jõo para tentarem visita-lo. Além de receber a explicação de a quem pertencia a tal voz que salvou Bara durante a viagem.
Estando agora sabendo qual era o nome que ele poderia se referir quando desejasse pedir algo à aquela voz, vez uma breve oração para Selene, pedindo para que essa visita não só fosse sim possível, como também que corresse tudo bem.
Confiante que poderia ver sua mãe novamente, Nemuru decidiu imaginar o seu mundo de sonhos da forma mais bela e agradável possível. As aguas mais límpidas; as cores mais viçosas; o clima mais agradável; tudo! Tentou aperfeiçoar cada detalhe possível do que podia em seu mundo de sonho.
Ele estava conferindo a roseira desenvolvida por sua mãe, uma de suas favoritas, quando ouviu:
– Nemuru? – ele se virou na hora ao reconhecer aquela voz.
– Mãe!! – e correu em disparada até sua mãe que surgia em seu sonho acompanhada de Bara.
– O meu filho... – os dois se abraçavam com força – Então é assim que você se imagina aqui dentro? Me pergunto se você se assustará muito ao encarar um espelho depois que acordar de verdade. – brincava a Rainha.
– Mãe... Estou tão feliz que tenha dado certo...
– Então somos todos, Nemuru. – falava Bara já lhe tocando um dos ombros, fazendo Jõo se surpreender com o lume surgido sobre aquela área com esta ação.
– O que exatamente você fez Bara? E o que é que você sente quando... brilha, ao ser tocado por ela meu filho?
– Eu... Não sei ao certo majestade. – Bara respondia primeiro – Já procurei sobre isso no meu guia e não identifiquei nenhum caso parecido...
– Já eu,... – era a vez de Nemuru – ...sempre me sinto muito bem quando sou envolvido por esse lume. É como... Como se eu ficasse mais forte! Acredito que é por causa de Bara que estou conseguindo adquirir bem mais forças.
– Oh meu amor... Bara, querida, eu não tenho palavras para lhe agradecer por tudo isso. Mas ainda preciso confirmar algumas coisas...
– Como o quê? – os dois questionaram juntos a Rainha.
Jõo apenas entregou a Nemuru um lenço que levava consigo em um dos bolsos. Amarrando-o no pulso de Nemuru para assim poder comprovar aquela habilidade de “transferência de itens”. O que fez os príncipes rirem um pouco.
Dentro do castelo, tudo parecia bem. Zula já havia terminado de ler traduzidamente uns cinco livros de magia que falavam sobre o mundo dos sonhos, mas ainda não havia encontrado nada sobre drenagem de vitalidade, mesmo com Zuline lhe auxiliando fazendo a leitura dos livros que estavam na língua delas.
Mahotsukai, após terminar de mostrar e explicar todos os processos de segurança de Heiwa para Zul, efetuou um encantamento especial que permitiria que os céus noturnos se mantivessem abertos por pelo menos algumas horas, para maior efetividade da Transição do Luar. Acompanhou o rapaz até o quarto de Nemuru e seguiu para a Biblioteca Mística para tentar ajudar nas pesquisas.
A paz e calma já havia durado algumas horas quando o Rei, junto a Zula e Zuline, foi atacado com uma forte dor em seu braço direito. A dor era intensa, como se uma lâmina estive tentando lhe penetrar o membro. Tanto que ele chegou a arrancar a manga de sua roupa revelando uma mancha negra que tentava crescer em seu braço.
O susto que reação causara já era grande, mas ao revelar aquela mancha que por enquanto tinha o tamanho de uma uva, começou a causar pânico!
Mediante a visão daquela mancha, Zula se apressou em remover a pulseira de ferro que tinha e, sem pensar muito, segurou o braço do Rei e citou algo em uma língua muito antiga que, além de furar com o seu voto de silêncio, também fez a mancha parar de crescer e a dor do Rei amenizar.
– Precisamos da Rainha Jõo urgente. – foram as últimas palavras de Zula antes de voltar a se calar.
De volta aos “jardins de Kyuden”, Jõo descobria tudo o que de fato seu filho vivera desde os seus sete anos. Ela nunca havia se sentido tão aflita e fu-ri-o-sa como quando Nemuro lhe contava sobre as coisas que aquele demônio fazia com seu filho amado.
Ela observava com atenção o comportamento que aqueles jovens tinham um do lado do outro, e estava espantada com todas as descobertas que aqueles dois juntos tinham conseguido realizar para se livrarem daquele parasita.
“Jõo A****n, você vai ter que aceitar que existe sim o paranormal se quiser de fato ajudar o seu filho.” – cobrava a si mesma a Rainha.
– Agora entendo o porquê que você parecia tão ansiosa em obter a resposta daquele enigma, Bara. – comentava a Rainha com o concluir da história.
– Era questão de urgência mãe, mas aquela peste tinha que estar se escondendo em um lugar quase impenetrável?!
– Isso se for de fato este o lugar. – comentava Bara – E pelas suspeitas de meu pai... Temos que dar um jeito de cortar definitivamente a fonte de poder dele para acabarmos com ele o mais depressa possível.
– E dessa vez, definitivamente. – concluía Jõo sem ocultar um pingo de desprezo que fosse do homem que maltratava o seu filho.
– Majestade, princesa Bara, por favor! Precisamos que vocês acordem agora! – ouviram o três a voz de Acnarepse as chamando – Por favor depressa!
– Mas o que está acontecendo?! – se surpreendia a Rainha.
– Eu não sei... – Bara estava preocupada – Mas para a Ac está tão agoniada assim, coisa boa que não é.
– Depressa vocês duas, chegou um servo dizendo que Zula mandou chamar sua majestade com urgência! – chamava mais uma vez a Acnarepse.
– Zula rompeu com seu voto sem o meu consentimento?!?! – erguia-se Jõo do gramado tão surpresa quanto Bara e Nemuru.
– É melhor vocês duas irem. – falava Nemuru meio triste e nervoso ao mesmo tempo – Os Soamri não quebram seu voto de silêncio sem grandes motivos.
– Nemuru, meu tesouro... – Jõo lhe abraçava com toda a força e Acnarepse chamava-as mais uma vez com ainda mais insistência – Tem a minha palavra que aquele parasita irá receber o que merece. E você ainda vai estar do meu lado, de pé, e muito bem acordado quando isso acontecer.
– Obrigado mãe. – falava Nemuru, derramando uma lágrima – E muito obrigado por isso Bara.
– Não há nada para agradecer Nemuru... Não enquanto essa bagunça não tiver fim finalmente!
Isso fez todos sorrirem.
Apesar da resistência do desejo que Jõo tinha de continuar com seu filho, ela soltou de suas mãos e tomou as de Bara para, aos poucos, deixar aquela versão impressionante de seu jardim, com seu filho nele (e que havia ganhado um beijo rápido de Bara fazendo-o corar sorridente).
“Acho que... Não seria ruim ter um usuário de magia na família...” – pensava ela consigo ao reconhecer aquele tipo de olhar que os dois trocavam entre si.
Nemuru as viu sumir gradativamente e, depois de as perder totalmente de vista em seu jardim lembrou-se: “Não é por volta dessas horas que aquela praga me aparece?”
Assim que a Rainha e a princesa abriram os olhos, Acnarepse foi logo avisando que havia acontecido alguma coisa ao Rei ao que lhe foi informado. Isso foi o bastante para Bara se sentir desesperada e disparar ao encontro de seu, acompanhada de todos os presentes em seu quarto.
Chegando em um quarto onde o Rei havia sido levado, acompanhado de Zula e Zuline, a realeza ficou chocada ao ver aquela mancha no braço do Rei.
– Zula, por favor explique,... - pedia Jõo já analisando o braço de Mahotsukai – ...como que o braço dele começou a necrosar desse jeito?!
– O quê?! – Bara e os demais se espantavam.
Zula respirou fundo, mordendo os lábios, antes de romper o seu voto mais uma vez.
– Acho que tem haver com a barreira que envolve este reino.
– Já conseguiu reencontra-la naqueles livros? – questionava o Rei com Zula assentido a cabeça em resposta.
– E o que isso tem haver? Zuline tem minha permissão para falar também, consiga tudo o que eu preciso para tratar o Rei. Depressa!
Zuline obedeceu e começou a solicitar um monte de coisas para os serventes do castelo que se encontravam presentes. Zula voltou a explicar.
– O escudo criado pelo primeiro rei, faz com que ele sinta no próprio corpo se alguém tenta atravessá-lo, como um incômodo físico. Mas... Se o invasor for um usuário de magia negra que porta más intenções...
– O poder dele envenena o meu corpo. – concluiu Mahotsukai as explicações.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.