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25. Zaharras

Autor: Tsuki-Hime
last update Fecha de publicación: 2021-09-28 00:40:44

Depois de Mahotsukai dizer que sabia um meio de ajudar Nemuru a se recuperar mais depressa, ele pediu para que as duas aguardassem junto do príncipe após o desjejum, e seguiu para a Biblioteca Mística, em busca da receita que se recordara.

Enquanto esperavam, Bara conversava com Nemuru um pouco, e Jõo lia cuidadosamente cada palavra presente naquele guia, também reparando que, algumas das circunstâncias relatadas nele, tinham o mesmo tipo de letra que explicava sobre alguns dos itens ali descritos.

Os Soamri (com exceção de Zula que continuava mergulhada nos livros) descansavam um pouco. Até que desse a hora do almoço, onde só retomariam seus sonos após a meia noite.

Faltava pouco para o almoço ser anunciado quando uma serva, carregando um copo cheio de uma mistura perfumada e cor incomum em uma mão, e um pergaminho enrolado na outra, adentrou o quarto dizendo:

– Sua majestade, o Rei, pediu-me para trazer isto para o paciente beber. – entregava ela a bebida cuja aparência não agradava a Rainha, com Mom (que dormira naquele quarto) despertando – E também para apresentar este pergaminho para a Rainha caso se impusesse a permitir que o rapaz bebesse.

– E o quê é isso exatamente? – questionava Jõo já abrindo o pergaminho reconhecendo assim uma lista de itens.

– Segundo sua majestade, são os ingredientes presentes na bebida. Ele me mandou trazer este copo agora, mas está a preparar mais disso nesse momento.

Durante a explicação da serva, Mom lia junto de Jõo a lista de ingredientes, e ao terminar de ler... Ela mais que se apresou em fazer o príncipe consumir da bebida, onde Bara acabou lhe ajudando.

– Mas o que é isso Mom?! – declarava a Rainha que tentou impedi-la tarde demais – Nós nem sabemos direito o que é tudo isso nessa bebida!

“Majestade.” – falava Mom em kineas – “A senhora pode não conhecer nenhuma dessas ervas, mas eu reconheço quatro. E todas são excelentes para reaver a energia. A razão da senhora não as conhecer, é que elas são vistas como “ervas místicas”. Ou seja. A Senhora não as conhece porque não admite seu cultivo em Kyuden. Se não fosse pela sua determinação de só oferecer ao príncipe medicações reconhecidas pela alquimia, eu já teria dado um jeito de obtê-las para oferecer ao rapaz.”

Jõo ficou pasma. Seu ceticismo não a estava impedindo apenas de enxergar o mal de seu filho, também a estava impedindo de fornecer o que o ajudaria de verdade! Cada vez mais ela se censurava por ter sido tão laica daquele jeito.

Envergonhada pelas atitudes que tivera com seu filho até o começo de toda aquela reviravolta na saúde de seu tesouro. Ela pediu à serva que continuava presente (e que não conhecia o kineas) para que lhe mostrasse novamente onde que ficava a Biblioteca Mística, no intuito de poder ajudar Zula nas pesquisas. O que foi feito de bom grado.

Bara não a acompanhou, pois tinha que conferir se mais alguém além de Adarahc, tinha uma resposta para dar ao enigma de Dark Yami. Se bem que se pai não possuía nenhuma dúvida sobre já terem conseguido descobrir o esconderijo daquele “monstro”.

Servido o almoço, Zula só deixou um pouco aqueles livros por insistência da Rainha, ou do contrário a jovem iria acabar adoecendo por falta de descanso.

Durante o almoço, todos estavam reunidos à mesa, mas ninguém parecia interessado em conversas. A chegada de algumas mensagens ao Rei foi o que quebrou o silêncio.

– Parece que teremos mais algumas visitas... – declarava ele.

– Que visitas papai?

– Alguns rapazes nobres que desejam falar comigo.

– E sobre o que seria o assunto, se não for muita impertinência minha. – se interessava Jõo.

– Nenhum deles especifica o motivo. Todos falam que é sobre um assunto de interesse em comum.

– Se importa se eu ter uma olhada? – perguntava a Rainha – Pode ser que eu consiga lhe auxiliar em alguma coisa, como retribuição por tudo que me tem feito.

Mahotsukai sorriu com a oferta, e entregou-lhe as mensagens, que Jõo leu com atenção e cuidado.

– E então? – perguntava Bara curiosa – Consegue perceber alguma coisa?

– Hum... Realmente... Nenhum desses rapazes informam a razão da procura de seu pai, mas...

– Algum problema majestade? – perguntou Acnarepse um pouco receosa, igual aos Soamri.

– Não é que... Eu conheço alguns desses visitantes. E devo dizer: são péssimas companhias.

– Quais deles? – pedia o Rei.

Foi assim, com o revelar de Jõo sobre algumas das experiências vividas ao lado dos remetentes, que o almoço passou a ficar um pouco mais interessante. Com risos, indignações e suspiros de paciência durante as historias da Rainha.

Zula entregou a Mahotsukai um pergaminho que continha toda a informação existente sobre as proteções místicas de Heiwa quando as historias acabaram, o que o deixou muito grato e satisfeito.

Jõo tirou proveito para questionar mais sobre a “medicação” que ele preparara para Nemuru, onde ele teve orgulho em dizer que havia terminado de preparar 15 doses do revigorante, mas que era aconselhável beber-se apenas uma dose por dia. Por precaução (Jõo assentiu sem discutir). E explicou sobre cada ingrediente e seus benefícios, prometendo uma amostra de cada um para que a Rainha pudesse estuda-las melhor em um outro momento, deixando-a contente.

Após o almoço, Bara decidiu ajudar Zula com as pesquisas, sendo que a Rainha prometeu que as ajudariam também assim que terminasse de analisar e devolver o guia da princesa.

Zul e Zunol queriam treinar um pouco, e foram guiados a mando do Rei, até a área de treinos físicos do castelo.

Zuline fez companhia à mãe, no quarto que hospedava Nemuru.

E Acnarepse auxiliou o Rei com os preparativos para receberem os nobres que se encaminhavam para Heiwa (se bem que Acnarepse ficou desconfiada com o fato de que os visitantes eram jovens). Após terminarem os preparativos, Acnarepse foi auxiliar Mom, e o Rei foi cuidar de seus deveres para com o seu povo e depois seguir para a Biblioteca Mística também.

Zula era realmente impressionante. Poucos eram os domos que ela não conseguia compreender. E se não fossem pelas pulseiras de ferro, sabe-se lá o que ela poderia ter invocado sem querer! Pois cada livro que ela pegava, portavam segredos cada vez mais perigosos ou pouco compreendidos.

Mas o quê realmente impressionou mesmo, foi a declaração dela diante de um livro extremamente especial.

– Encontrei... – sussurrou ela, chamando a atenção dos presentes.

– Encontrou? Encontrou o quê Zula? – questionou Jõo que acabara de se juntar ao grupo. Fazendo com que ela percebesse que estava outra fez quebrando o seu voto sem obter o consentimento primeiro. Esse nervoso não escapou da percepção da Rainha – Zula, te dou meu pleno consentimento em falar sem problemas quando o assunto estiver relacionado às nossas buscas.

Isso serviu de alívio para ela e ela começou a ler o que achara de forma traduzida para todos.

– “Ömür uurdoo – encantamento de transferência de força vital entre duas pessoas”...

– O quê?!

Todos se espantaram e correram para ficarem ao lado de Zula. Mas o que surpreendeu o Rei mesmo foi o reconhecer do livro que ela lia.

– “Este é um encantamento de nível arcano, classe S. Por conta de sua complexidade, seu uso só é aconselhável em casos de extrema emergência e por místicos de grande habilidade. Em teoria...”

Zula lia tudo para eles, sendo que Jõo, com papel e tinta na mão, escrevia tudo o que Zula lia sem pular um detalhe que fosse (e fazendo de tudo para ignorar a ausência de lógica do que ouvia). Terminada a leitura sobre o encantamento que, com quase toda a certeza, deveria ser o mesmo que Dark Yami utilizava.

Zula voltou algumas páginas do livro (pois o encantamento em questão era o último do mesmo) para ler sobre um outro encantamento que permitia visitar alguém no mundo dos sonhos chamado Arman basqınşısı. Sendo um método diferente do usado por Bara, mas igualmente eficaz.

Acabadas as leituras, o Rei questionou:

– Me diga Jõo, porque é que nunca nos revelou que os Soamri são desentendes dos Zaharras?

– Desentendes de quem?! – questionou a Rainha tão sem entender assim como os outros.

– Zaharras. Esse é um povo que dizem terem sido os primeiros a compreender e a invocar a magia. Apesar de ser um povo considerado extinto nos dias de hoje, eles desenvolveram tantas técnicas e obtiveram tantas descobertas, que alguns acreditam que eles foram os patriarcas não só da magia, como da alquimia também.

– Isso é interessante, mas ainda não percebi a relação desse povo aí com os Soamri. – inquiria a Rainha.

– Já chego lá. – prosseguia o Rei – Como vocês devem imaginar, eles eram portadores de um grande poder por causa de todos esses estudos, mas não eram tolos! Eles também desenvolveram um tipo especial de escrita que, apenas alguém que seja um Zaharra, poderia ser capaz de ler esses escritos! E Zula é a primeira pessoa que conheço que consegue ler este livro. Justamente escrito nessa linguagem especial!

Zula que já estava chocada, ficou ainda mais, e disparou da mesa para o encontro de sua mãe atrás de mais explicações (caso ela tivesse). Bara, Jõo e Mahotsukai a seguiram, com a Rainha carregando o livro zaharrence e as traduções que transcreveu.

Entrando no quarto, Zula foi logo questionando a mãe sobre o que ela sabia sobre o povo Zaharra, coisa que pegou Mom de surpresa, especialmente ao ver que ela não era a única que queria essa resposta com a entrada do resto do grupo.

– Mom, sei que é muda e que nem todos aqui compreendem o kineas, mas se o que Mahotsukai explicou estiver certo mesmo, quero que nos conte tudo o que sabe, pois isso poderá nos fazer uma grande diferença no socorro de Nemuru. – ordenava Jõo.

Mom que se via encurralada de certa forma, soltou um longo suspiro e começou a explicar com Zula e Zuline repetindo os dizeres dela (intercalando entre elas) para que o restante pudesse entender também.

“Imagino que o Rei já deva lhes ter explicado que o povo Zaharra é considerado os patriarcas do conhecimento místico, e talvez, do alquímico também.” – todos assentiram – “Certo. E também foi explicado que esse povo é considerado extinto nos dias de hoje, não é?” – novamente, todos assentiram – “Mas... O Rei soube lhes explicar o motivo de seu “desaparecimento” do mundo?”

– Infelizmente, acredito que só um Zaharra seja capaz de fornecer tal resposta. – confessou ele, apontando para o livro que Jõo segurava.

“Realmente.” – prosseguia Mom e as meninas – “Os Zaharras acumulou muito conhecimento que poderia causar o fim do mundo em mãos erradas. Tanto que desenvolveram uma escrita especial para protegerem esse mundo de pessoas mal intencionadas. Mas uma escrita que só um legítimo zaharra fosse capaz de ler, não era o suficiente para proteger este povo. Alguns eram sequestrados e forçados a compartilharem seus conhecimentos. E dentre estes, muitos cometiam suicídio para que seus raptores não pudessem obter conhecimentos que não eram seguros para os demais.”

– Mas vocês são descendentes desse povo não é? Eles conseguiram encontrar uma forma de se protegerem certo? – questionava Bara um pouco aflita com o passado dos zaharras.

“Antes que o último zaharra acabasse morto de alguma forma, os Anciãos, aqueles que portavam a maior parte do conhecimento e poder deste povo, se reuniram e conseguiram desenvolver um método que ajudaria a proteger nosso povo.”

– E que método seria esse? – acabou perguntando a Zuline.

“Foram impostos limites no sangue de nosso povo.” – todos fizeram cara de confuso – “Apenas um membro em cada família Zaharra poderia ser capaz de usufruir de seu conhecimento. Apenas um membro podia ser capaz de compreender o zaahrri e invocar a arte dos Zaharras. E depois que minha avó faleceu, não precisei de muito tempo para descobrir que Zula era a próxima favorecida de minha descendência.”

Aquilo tudo era sem dúvidas impressionante. Tanto que Mahotsukai convidou Zula, mediante autorização de Jõo A****n, a aprender mais sobre o misticismo com ele. Além de presenteá-la com o livro que só ela era capaz de ler. Mom ainda explicou como que havia descoberto ser Zula a escolhida e tirou todas as dúvidas que podia de acordo com o quê aprendera com sua avó.

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Último capítulo

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   56. Epílogo

    O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad

  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   55. Júbilos

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  • A Rosa do Luar e o Camafeu Coroado   51. Vórtice

    A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.

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