LOGINMahotsukai e sua “comitiva”, continuou seguindo o rastro deixado por Bara por quase a noite toda. Mas sem nem um sinal do dragão ou da princesa.
Cada um sentia que, naquele momento, já não conseguiriam mais impedir dela acabar nas mãos daquele monstro. Mas, assim como Nemuru (e os dois empecilhos que faltavam se livrar), ele não desistiria de recuperar Bara das mãos dele.
– Sem querer ser hipócrita amigo, mas como é que você e sua majestade conseguem saber se estamos ou não no caminho certo? – perguntava o lord James, um dos pretendentes sobreviventes para Nemuru.
– Bara conseguiu beber uma poção especial antes de ser levada. E se você for o tipo certo de pessoa, poderá enxergar um rastro especial, deixado por ela, após citar um pequeno encantamento. O Rei e eu o vemos, mas será que você ou o outro cara conseguiriam?
– Hum... Não vejo problemas em tentar. Tem as palavras consigo?
Nemuru estendeu-lhe um papel onde tinha escrito cada encantamento do guia de Bara, já lhe indicando o correto. Foi fácil descobrir que ele não tinha conseguido fazer o encanto funcionar, pois era simplesmente impossível não se maravilhar com a visão que era aquele “caminho” no céu.
James ainda questionou Nemuru sobre a aparência do rastro especial, na desculpa de querer confirmar o que via, e afastou-se sem revelar que falhara em enxerga-lo.
“Ele não serve...” – pensava Nemuru consigo. – “Me pergunto se o barão teria a mesma sorte.” – E com esse pensamento, foi de encontro ao barão para ver qual seria a sorte dele. Sorte essa que se mostrou igual à de lord James.
Os dois últimos pretendentes não eram crápulas como os que o Rei pusera para correr. E nem covardes como os quatro que fugiram ao saberem que teriam de enfrentar um dragão. Mas eles ainda carregavam uma triste ganancia em seus corações. Sem mencionar que eram orgulhosos demais para aceitarem serem rejeitados por qualquer um que fosse. Eles não perderiam aquela “competição”.
Parando para descansarem algumas horas, o Rei ordenava mais ou menos seu grupo. Deixou Zula na liderança dos místicos que estavam com eles; Jõo no cuidado de seus homens; contatou Keberanian para atualiza-la e, após uma análise do rastro deixado por Bara, enviou um mensageiro para cada reino informando onde poderiam se encontrar quando estivessem prontos. O Rei pretendia acabar com os dois problemas de uma só vez.
– Majestade, tem mesmo certeza que é uma boa ideia tentarmos atacar agora? – questionava Zula – Mesmo que estejamos bem equipados para o quê nos aguarda, ainda será uma longa viagem até aqueles montes.
– Eu sei bem Zula. – justificava-se o Rei – Mas nós iremos tirar proveito de tudo que pudermos encontrar no caminho. Frutos, ervas, rochas, o que for. Já calculei a distância aproximada de cada reino sobre o nosso alvo e combinei com sua mestra e a Rainha de Megaroc a melhor forma de nos reunirmos e quando.
– Eu não sei não Rei-Mago, Acho que perdi minha aprendiza para você!... – declarava Jõo fazendo todos rirem e Zula ficar constrangida.
– Perdoe-me se a roubei de você sem querer Rainha Jõo, mas você tinha uma verdadeira joia rara nas mãos.
– Que os Soamri eram gemas brutas eu já sabia! Só não sabia que estava tentando lapidar uma do jeito errado.
Mais risos acabaram por lhes escapar, deixando Zula ainda mais sem graça, porém feliz.
Terminado o descanso, Nemuru seguia um pouco na frente, junto de Zul, Zunol e Zuline, para conferirem o terreno.
E Mahotsukai guiava o restante do grupo, um pouco mais atrás.
O combinado entre os reinos era que eles atacariam de dois lados, já que os reinos de Kyuden e Oilixua ficavam mais próximos do norte dos Montes Korionenshõ, e Heiwa e Megaroc do leste. As duas áreas que tinham os caminhos mais fáceis até onde todos sabiam. E o Rei os atualizariam sempre que possível com a ajuda de Camao.
Pelas contas, o grupo de Heiwa iria se encontrar com o de Megaroc ao final do dia seguinte. Bem na entrada leste daqueles montes.
O dia parecia passar-se se arrastando para Bara. Ela queria que a noite chegasse logo para assim poder falar com Nemuru (e implorando para que ele tivesse removido o amuleto caso ele viesse a ser um empecilho para ela).
Kimbe lhe trouxe o de comer só mais uma vez, junto de uma tina cheia de agua carregada por uma criatura que lhe lembrava um ogro, grande o bastante para que ela pudesse se lavar, mais toalhas, roupas, um pequeno espelho e escova de cabelo, para que pudesse ficar um pouco mais confortável.
A criatura (com pouquíssima inteligência) ficou aguardando do lado de fora, e Kimbe (sempre se mantendo de costas para ela) ficou conversando com Bara até ela terminar o seu banho e o jantar.
Quando voltou a ficar sozinha, vestiu o manto quente que Kimbe lhe trouxera para ficar mais próxima da janela. Esperou ansiosamente pela lua uma vez que, assim como Dark Yami lhe prometera, o céu noturno estava plenamente límpido.
Assim que o luar surgiu aos seus olhos... Tomou o camafeu na mão e começou com o seu pequeno ritual noturno.
– Meu senhor, vamos parar um pouco! O combinado não era pararmos para descansar uma hora a cada quatro? – questionava Zunol para Nemuru.
– Eu sei, eu sei, mas eu simplesmente não consigo dormir! Não enquanto Bara está nas mãos daquele... Daquele demônio! – declarava Nemuru inquieto.
– Então nós devíamos ter mesmo aceitado o sonífero que Zula havia preparado para nós antes de nos separarmos... – comentava Zuline.
– Vocês vão ter que me desculpar amigos, mas acho que nem com magia eu conseguiria dormir agora. – declarava Nemuru em meio a um sorriso sem jeito.
– E se a princesa tentar visita-lo? Ela não precisa que o senhor esteja dormindo para encontra-lo dentro dos sonhos? – tentava Zul convencê-lo.
– Ela precisaria do luar, antes de mais nada. E nem sabemos se ela poderá ter isso... – respondia o príncipe em meio a um suspiro.
Vendo que era impossível convencer Nemuru naquele momento, os Soamri o deixaram em seu canto e foram descansar.
Nemuru ficou de guarda, com todos os seus pensamentos em Bara. A lua logo surgiu nos céus.
“Durma.”
– Já disse que não consigo. – respondia Nemuru sem prestar atenção em quem lhe falava.
“Irei ajuda-lo, mas durma.”
– Mas eu já disse qu... – foi quando ele percebeu que fora ele, todos já estavam em sono profundo.
“Não se preocupe, garanto que conseguirá. Mas retire o seu amuleto.”
Foi prestando atenção que entendeu de quem era aquela voz. Largando na hora sua teimosia de lado e se ajeitando para tentar dormir. Mas não antes de jogar seu amuleto para perto dos pés de Zunol, que era quem lhe estava mais perto.
Não demorou muito para ele adormecer, só que não era ele quem controlava o mundo de sonhos...
Assim que Bara adormeceu, ela se viu no mesmo lugar em que Selena a levara. Por isso, teve medo de não conseguir falar com Nemuru nessa noite.
– Bara?
Ela se virou assim que reconheceu a voz de seu amado, correndo para os seus braços assim que o viu.
– Nemuru, estou tão feliz de ter conseguido encontra-lo... – dizia ela entre lágrimas.
– O que dirá eu. Sinto muito por tudo isso...
– Kimbe me deu uma ajudinha.
– Então ele está mesmo do nosso lado? Em quê ele lhe ajudou?
Bara lhe contou tudo o que tinha passado desde o momento em que acordara com o dragão em seu quarto, da forma mais rápida e detalhada que podia. E Nemuru, acabou se sentindo um pouco aflito após saber tudo o que lhe tinha acontecido. Além de ter ficado com um pouco de compaixão do Kimbe.
– Dark Yami me disse que não cometeria comigo os mesmos erros que cometeu com minhas antecessoras, mas ainda assim, preciso encontrar uma maneira de fugir com segurança. – terminava Bara de explicar – Mas diga-me, onde vocês estão agora? E o meu pai? O que ele está fazendo neste momento? Acho que irei fazer uma pulseira com pelo menos uma peça que já tenha pertencido a cada pessoa que amo, depois que isso tudo acabar... – Nemuru acabou rindo.
– Lamento que o dragão lhe tenha sido tão rápido assim para lhe entregar para aquele monstro, mas... Enquanto eu estava no seu quarto, acabei encontrando o frasco daquela sua poção.
– E ela funcionou com você?! Mais alguém consegue utiliza-la?! Como se parece o meu rastro?
Então foi a vez de Nemuru lhe contar tudo o que podia, fazendo com que Bara ficasse contente e bem esperançosa de escapar de sua prisão.
– Não vejo a hora de poder reencontra-la no mundo real...
– Eu também Nemuru... Mas tomem cuidado. Ainda não acredito que com apenas uma drenagem aquele velho tenha conseguido ficar tão jovem quanto você!
– Pode deixar que repassarei tudo o que me disse ao seu pai e aos outros. Ah! E eu ia me esquecendo! Graças ao dragão, agora só sobrou dois nobres querendo a tirar de mim.
– Uma coisa boa que aquele perverso acabou nos fazendo... – brincava Bara.
– Todos pensaram igual! – Nemuru sorria largo.
– É melhor nos despedirmos agora... – começaram os dois a se entristecer – Tenho medo que ele decida me visitar no meio da noite, mesmo com Kimbe me dizendo que seria muito difícil disso acontecer... Pelo menos hoje.
– Você está certa, infelizmente... Aquela coisa não pode descobrir que o amuleto que ele tirou de você, não é a verdadeira chave para que você se encontre comigo.
– Mais uma vez, tomem cuidado. Farei o possível para não ajudar aquele monstro mais do que já fui forçada, e também procurarei fazer o que eu puder para ajudar nesta luta.
– Apenas tome cuidado você também. Espero que Selena me mande dormir toda vez que você estiver querendo me encontrar e eu estar desperto ainda e com o amuleto.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Bara, acompanhando o seu sorriso triste. Os dois se deram um longo e demorado beijo, e se afastaram com dificuldade.
Bara despertou sentindo um pouco de frio. Apresando-se em alcançar o corredor morno de sua cela. As lágrimas da despedida ainda lhe escorriam no rosto, mas ajeitou-se sobre o colchonete. E voltou a dormir após um longo tempo refletindo sobre de que maneira ela poderia conseguir ajudar todo mundo a enfrentar o seu carcereiro.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.