LOGINOutra vez Nemuru se viu presente naquele lago incomum.
“Será que quem criou este lugar foi a Selena?” – ele se questionava.
– Nemuru?
– Bara!
Os dois correram para se abraçarem.
– Que bom que você ainda está bem Nemuru... E a Candra? Foi útil? – preocupava-se Bara.
– Ela tem se mostrado muito mais útil do que o imaginado. Até fez com que James fosse mandado de volta para casa!
– Que quer dizer?
Nemuru então repassou para Bara o ocorrido, fazendo com que Bara se aliviasse de uma de suas preocupações (além de lhe dar mais detalhes para descrever no guia sobre a espada).
– Isso é muito bom Nemuru... Me alivia um pouco a Candra estar ajudando até dessa forma...
– Não esperava que ela pudesse realmente fazer a tempestade parar. Dessa forma vamos conseguir chegar muito mais rápidos até você. Se bem que as cavernas podem acabar nos atrapalhando um pouquinho...
– Sobre isso, elas não serão um problema. – Bara sorria ao falar.
– E porque não?
– Entediada, eu comecei a desenhar no gelo de minha cela. Dark Yami viu, e resolveu que era melhor eu desenhar sobre o papel ao invés do gelo e, Kimbe, que me trouxe o material a mando dele, escondeu cópias dos mapas das galerias para que eu pudesse estudá-las. Estou até copiando alguns para lhes entregar depois. Que espero já ter terminado antes de vocês chegarem!
– Mas isso é perfeito! Kimbe é realmente nosso amigo. – declarou Nemuru muito contente.
– Realmente... Mas espere! Eu ainda não disse o que realmente eu preciso dizer! – recordava-se Bara assustada.
– E o que é? – Nemuru se preocupava.
– Enquanto aquele ser se despedia de mim após drenar-me as forças, ele pressentiu alguma coisa e deu uma ordem terrível para o Kimbe!
– E essa ordem é...
– Ele mandou que o Kimbe enviasse zumbis, para dar um jeito no aventureiro que ele sentiu se aproximar. Me diga que eles ainda não chegaram até vocês.
– Zumbis?! Não. Ainda não nos deparamos com nada desse tipo. Conseguiu saber quantos que eles serão?
– Também não... Kimbe disse que não se preocupava, pois confiava no poder da espada que lhe entreguei. Mas que ainda assim... Poderiam haver mortos...
– Hum... Zula e seu pai, juntos dos outros místicos que fazem parte do grupo, devem saber o que fazer para evitar o pior. E porque Kimbe está tão confiante assim na Candra?
– “O que pertencer às sombras, ela purificará.” Kimbe me explicou que não importa a maneira que você force um corpo a reaver a vida, ela sempre será através da magia negra.
– E em teoria Candra apagará qualquer coisa envolvida com esse tipo de magia. É isso?
– Creio que sim...
Os dois ainda pretendiam conversar mais quando começaram a ouvir gritos vindos do mundo real.
– Por tudo que for sagrado... É melhor você correr Nemuru!
– Eu vou. Prometo que tudo irá acabar bem e não vejo a hora de poder recebermos os mapas de onde está presa.
– Darei o melhor de mim. Mas CHEGUE, VIVO! – declarou Bara já deixando Nemuru sozinho. Com ele não levando nem um segundo para despertar também.
O acampamento só não estava uma imensa confusão porque os místicos presentes haviam cercado a área com encantamentos que os alertaria se algo “incomum” resolvesse os visitar durante a noite.
Nemuru deixou sua tenda às presas assim como todos pareciam fazer.
Não demorou para ele encontrar a razão daquele reboliço. Os zumbis dos quais Bara lhe alertara haviam finalmente os alcançado. Alguns eram combatidos com espadas, outros com fogo ou com agua que se congelava quase que instantaneamente. Mas nada parecia realmente conseguir para-los.
– Protejam suas majestades! – alguém gritava – Protejam-nos de qualquer maneira!
– Nemuru! Onde você está?! – o príncipe pôde ouvir sua mãe lhe chamando.
Mediante aquela confusão, Nemuru respirou fundo, e aproveitando que quase ninguém ali sabia que ele era um príncipe, desempunhou Candra e atravessou por entre os soldados até onde estavam os monstros.
No que Candra encostou no primeiro deles, o morto-vivo atingido virou pó no mesmo instante. Fazendo com que todos que viram travassem por um instante.
Mais que depressa, Nemuru disparou contra os inimigos, criando uma nuvem de poeira ao seu redor, atraindo a atenção dos mortos para ele.
A espada impedia a poeira de se aproximar demais de Nemuru e, como ele não conseguia mais ver quem ou o quê se encontrava dentro daquela nuvem, começou a girar em volta de si mesmo. Segurando a espada firme com as duas mãos e bem estendida para a sua frente.
– Quero que todos fiquem fora da nuvem de poeira! – gritava ele – Deixe que eu me encarrego deles e cuidem dos feridos!
– Nemuru!! – se desesperava Jõo ao finalmente localiza-lo.
– Espere Jõo! – Mahotsukai a segurava – Confie nele e na espada que recebeu!
– Mas ele...
– Confie, nele! – o Rei lhe olhava nos olhos – Porque se não cuidarmos dos feridos depressa, teremos bem mais inimigos para enfrentar.
Como mãe, Jõo ainda queria socorrer o filho, mas como Rainha e quase médica, ela sabia que deveria dar ouvidos ao Mahotsukai e não aos seus instintos. Acompanhando-o de coração apertado até os feridos.
Nemuru se manteve girando por alguns minutos, e as criaturas se desfaziam na primeira pontada da espada. Continuavam dirigindo o ataque para Nemuru como se a espada os chamassem até ela. E já que Nemuru mantinha seus braços bem esticados com a espada ereta à sua frente, nenhum deles conseguia se aproximar do príncipe sem serem tocados pela Candra antes.
Após finalmente pulverizar o último deles, Nemuru ainda girou por uns 15 segundos mais por garantia. E depois de finalmente parar, ele se apoiou sobre a espada aguardando o baixar daquela poeira fúnebre. Não estava zonzo, mas sem dúvidas se cansara daquilo.
Podendo finalmente voltar a enxergar o que acontecia à sua volta com o assentamento da poeira, Nemuru conseguiu contar uns dez grupos que pareciam ajudar alguém em especial, reunindo-se depressa com o mais próximo de si.
– O que aconteceu com ele? – perguntava Nemuru a um dos curandeiros.
– Foi mordido em um braço. – respondia o místico – Graças a você os mortos foram distraídos. Mas se não pudermos dar um jeito no veneno deles... Só amputando o braço para impedi-lo de se tornar um deles.
Nemuru ficou sem reação. Não sabia que era possível se tornar um morto-vivo se fosse ferido por um. Um desejo de retroceder no tempo para que pudesse ter uma reação mais rápida e proteger melhor aqueles homens lhe abraçou o coração e, como se suas preces estivessem sendo ouvidas, a luz da lua caiu sobre eles e a espada nas mãos de Nemuru começou a brilhar.
– O que acontece com a sua espada? – perguntava um dos que ajudava.
– Eu... Eu não sei! – respondeu Nemuru também sem entender.
– Acho que você pode salva-los também! – acabou por dizer o mesmo místico que olhava a chaga, com olhos grudados em Candra – É apenas uma suposição, mas, pode por favor encostar a lâmina de sua espada na lesão deste homem?
– Claro! Não vejo porque não. – respondeu Nemuru já se apresando em atender o pedido.
Assim que Nemuru encostou a ponta da espada no ferimento do homem deitado, o ferimento que antes parecia crescer de tamanho, começou a retroceder. Era como se o tempo estivesse voltando para trás! E quando Nemuru afastou a espada do homem, já não havia mais ferimento algum.
Nemuru era grato por ter recebido a Candra de Bara, mas, quando mais benefícios ele descobria sobre aquela espada, mais alegre e agradecido seu coração ficava.
Correu até os outros grupos e repetiu o feito com cada um dos que haviam sido feridos. Terminado de salvar a vida do último, Jõo, que estava no último grupo visitado, acabou dando um tapa rápido na nuca de seu filho.
– Ai! Porque a senhora fez isso? – questionava o rapaz sem entender.
– Isso, foi por você ter me preocupado! – respondia ela – Mas estou muito orgulhosa por você meu querido... – terminava ela de falar já o abraçando.
– Bara realmente lhe confiou algo bem precioso, meu jovem. – declarava Keberanian que estava a reorganizar o acampamento – Faça-nos o favor de não a perder sob circunstância alguma, ok?
– Pode deixar majestade. Ainda bem que eles não chegaram antes do aviso de Bara.
– O quê?! – todos se espantavam.
– Acho... Que está na hora de uma pequena reunião de emergência... – sugeria Keberanian já procurando pelo Rei com os olhos.
– Concordo plenamente! – erguia-se Jõo também procurando por ele – Vá já para a tenda principal Nemuru, nos reuniremos com você assim que nós duas terminarmos de encontrar os Soamri e aquele Rei idiota.
– Sim senhora!... – respondeu o príncipe já se encaminhando para o lugar combinado.
Chegando na tenda indicada, ele só precisou aguardar uns 15 minutos. Dado este tempo, todos os Reis e os irmãos Soamri já lhe faziam companhia, e Nemuru não perdeu tempo em repassar tudo o que conversou com Bara dessa vez.
– Teremos de agir com mais cautela a partir de agora. – refletia Mahotsukai – Não ficaria surpreso se o motivo dele ter percebido o aproximar de alguém, se é que ele só sentiu a presença de uma pessoa, tiver sido por causa da espada que minha filha lhe confiou.
– O que quer dizer que: como os monstros enviados por aquele perverso não retornarão, ele pode acabar nos enviando coisas piores. – comentava Keberanian analisando as possibilidades.
– Isso se ele não acabar achando que nós somos eles no momento em que nos aproximarmos. Alguém conseguiu contar quantos mortos que foram pulverizados? – inquiria Jõo.
– Não ficaria surpresa se eles tivessem sido pelo menos uns cem. – declarava Zula que fazia notas sobre as coisas utilizadas durante o ataque.
– Sendo que na verdade eles estão em quase mil. Nosso grupo teve ter em média 3.000 combatentes, sendo que o exército dele tem a equivalência de uns 7.000 agora. – avaliava Nemuru enquanto limpava a Candra.
– Imagino que você esteja dizendo isso para que os nossos homens não comecem a pensar que podemos depender da espada que minha filha te entregou, estou certo? Já que ainda não conhecemos todas as capacidades dela.
Nemuru apenas assentiu ao Rei, embainhando novamente a espada.
– Bom, aquelas coisas gastaram quase o dia inteiro para nos alcançar, e como todos pareciam se mover de forma vagarosa, não devemos estar longe de nosso objetivo. E nem acredito que nosso inimigo vai esperar que sua corja retorne tão cedo.
– Está nos dizendo isso para nos movermos com mais calma Kebera?
– Exatamente Jõo. Se dragões não fossem tão naturalmente territoriais, eu mandava o meu ginete transportar seu filho até o nosso outro grupo para atualiza-los e ajuda-los a se aproximarem de nós. Além de rezar para que esses defuntos ambulantes só tenham encontrado a gente!... – Mahotsukai acabou rindo – Qual que é a graça Rei-Mago?
– Kebera querida, sabe de quê tipo de homens é formada a linha de frente da guarda de Oilixua? – perguntava o Rei com um sorriso matreiro.
– Se bem me lembro... Depois de Heiwa, é Olixua que possui a maior força bélica mística. – comentava Jõo.
– A maior eu não digo, mas com certeza é uma das mais fortes. – esclarecia Mahotsukai ainda sorrindo.
Enquanto isso, ao norte de Korionenshõ, onde o caminho para o centro das montanhas era um pouco mais fácil que a rota existente no leste. Uma fileira de exatamente cinquenta homens e mulheres, guerreiros dotados de magia, davam fim ao último monstro da horda de mortos-vivos que tiveram o azar de encontra-los. Sem que um único membro daquele grupo de quase 2500 pessoas pudesse ser sequer arranhada por eles.
E o único Rei presente no grupo, sorria mais que satisfeito.
– Vai se preparando Dark Yami... Tu vai ser purificado deste mundo igual aos seus monstros. Não perde por esperar. – declarava para si Hilfe, ansioso por se livrar do responsável pela morte de sua prima, Mahina.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.