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41. Fazendo colheita

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-10-29 21:31:10

Apesar de ter conseguido avisar a tempo, Bara não conseguia se tranquilizar.

Ela passou a noite toda andando de um lado para o outro, preocupada com todos. E só percebeu que já havia amanhecido depois que Kimbe apareceu com o seu café da manhã.

– Já desperta alteza?

– Kimbe?! – se surpreendia ela que recebia o sinal de que estavam sozinhos – Não acredito que já até amanheceu. – declarou ela se sentando.

– Está me dizendo que nem dormiu?! – se preocupava ele.

– Não poderia. Eu até pensei em tentar “desenhar” um pouco, mas não conseguia ficar sentada. Quantos... Quantos monstros foram enviados? Eu... não cheguei a lhe perguntar...

Kimbe acabou por soltar um longo suspiro antes de entregar a bandeja de comida.

– Foram liberados grupos de duzentos em cada direção principal: norte, sul, leste e oeste. O mestre já se encarregou de não permitir que nenhum deles seja capaz de ultrapassar a metade das montanhas, por isso, se eles alcançarem a área limite em que podem estar avançando, irão retornar imediatamente para cá.

– E quanto tempo mais ou menos eles precisariam para viajarem isso tudo? – Bara já começava sua refeição. Ficar acordada lhe deixara faminta.

– Lentos do jeito que são, e não se distraindo com nada, eles precisariam de uns quatro dias para chegarem aqui. Já alertou seu consorte, alteza?

– Consegui avisar instantes antes do ataque começar.

– Eles já estão!!... – Kimbe tampou rápido a boca e prestou atenção se alguém se aproximava. Não ouvindo nada, começou a sussurrar – Eles já estão tão perto assim de nós?!

– Parece que sim... – ela sorria – Eu realmente devia ter trabalhado nos “meus desenhos”, pois eles poderão fazer diferença.

– Bem... Eu não tenho taaantooos deveres hoje... E os estoques de ervas estão baixos! Eu bem que podia pedir ao mestre que me permitisse sair em busca de mais. Ou quem sabe em busca de frutos que ajude a vossa alteza a se recuperar mais depressa!

– Mas Kimbe, não é arriscado? Sem falar de todo esse gelo!

– Se eu saísse ontem, era possível que os mortos me caçassem, mas com um dia de distância, posso sair com mais tranquilidade. Sobre o frio, tenho mantos suficientes para me proteger se eu não for muito longe. Você pode ficar tranquila, princesa.

Bara ainda não estava totalmente convencida, mas acabou cedendo.

– Tudo bem Kimbe. Só me faça o favor de tomar cuidado.

– Não sou digno de sua preocupação princesa... – declarou ele feliz e um pouco sem jeito – Mas acabe com a sua refeição e... – ele observava as olheiras de Bara – Tente descansar um pouquinho, para o mestre não acabar a exaurindo demais quando vier drena-la.

– Eu... – Bara bocejava – Acho que vou seguir seu conselho. – retomava ela a refeição – Parece que o sono está finalmente conseguindo me vencer agora que meu estômago não está mais reclamando tanto. – um riso escapou de Kimbe.

– Coma e descanse princesa. Com sorte irei retornar com boas noticias para você.

– Eu realmente lhe agradeço muito Kimbe.

O sorriso que Bara dava para Kimbe era o que fazia com que o homenzinho continuasse a ajudando sem parar para temer Dark Yami. Ela era quem lhe fornecia a coragem que lhe faltava para desafiar o seu mestre pelas costas, priorizando um pouco menos a sua sobrevivência. Ele aguardou até que Bara terminasse de comer e a deixou copiando os mapas que lhe entregara.

Correu para confirmar que ervas estavam escassas nos estoques, e que frutos que beneficiariam a princesa ele poderia estar procurando. Acertada a lista de itens, ele foi até seu mestre atrás da permissão necessária para poder sair com tranquilidade.

– Mestre?

– O que queres teu mentecapto. – declarava o mago mal-humorado confirmando alguns papéis em sua mesa.

– Estais a faltar algumas ervas. Peço-lhes permissão para sair e buscar mais. Além de, se eu vier a encontrar, também buscar frutos que revigorem a princesa.

– Comida revigorante?! Não és má ideia... Pode ires, mas estejas de volta antes do cair da noite!

– Agradeço-lhe muito senhor.

– Mas antes que partas... Como a donzela estais hoje? – ele sorria sinistro.

– A ordem que me destes diante dela pareceu lhe perturbar o sono, por isso ela se encontra cansada no momento.

– Mas como sois caridosa... Nem ordens podereis dar diante dela?! Aquelas irmãs eram mais frias. – falava o mago totalmente inconformado e já se vendo obter uma “colheita” pequena.

– Com sua licença, my lord. – deixava Kimbe o mago sozinho.

Apesar de alguns soldados terem passado todo o resto da noite em vigília, acabada a confusão causada pelos zumbis, a noite seguiu totalmente serena.

Aqueles que haviam sido feridos, foram mantidos em observação para terem certeza de que Candra havia os salvo em 100%, não revelando qualquer sintoma negativo até o chegar da aurora.

Amanhecido o dia, diante da certeza de que eles se encontravam próximos de seu objetivo, não desmontaram o acampamento ainda. Mahotsukai e os demais acharam mais prudente selecionar pequenos grupos para inspecionar o restante do caminho em sigilo para melhor planejarem a aproximação do exército e assim atacar.

– Me deixem fazer parte de um dos grupos,... - pedia Nemuru - ...pelo menos até agora, Candra tem sido nossa maior defesa contra os monstros daquele demônio.

– Nemuru meu filho... Não me dê mais dores de cabeça... – falava Jõo massageando a própria testa – Ainda estou me recuperando do susto que você me deu ao enfrentar sozinho todos aqueles seres.

– É nessas horas que eu me questiono se seria sensato me tornar mãe... Deixe de ser superprotetora Jõo! Nemuru já não é mais dependente de ninguém para se mover e ainda é o único capaz de portar essa espada aí.

– Tenha paciência Kebera, as coisas estão acontecendo rápido demais para Jõo. Mau o rapaz conseguiu se libertar e já se encontra em um campo de batalha extremamente perigoso. – defendia o Rei – Mas você vai ter de concordar com ela Jõo. Entendo sua preocupação, e estou me segurando por causa de minha filha cativa, mas ainda é o seu filho a nossa maior esperança aqui.

– Eu realmente devo muito à Bara... Por isso que não hesitei em participar dessa empreitada! Mas convencer meu coração de mãe disso tudo está bastante difícil...

– Não estou reconhecendo a Alquimista Amazona que todos temem e respeitam, Rainha Jõo. Desde quando você se tornou insegura?

– Não me provoque Kebera. Pois eu ainda pretendo fazer aquele cretino que não enxergo como humano se arrepender de um dia ter se aproximado dos A****n. – declarou Jõo, agradando a governante de Megaroc.

– De qualquer forma... – retomava Nemuru – Para não acabarmos sendo descobertos, temos de nos apresar em tomar soluções. Cada minuto que gastamos discutindo, aumenta ainda mais o problema que teremos de enfrentar.

– O rapaz está certo. Vamos parar de brincar e tratar do problema. – encerrava Mahotsukai a discussão supérflua.

O planejamento dos grupos gastou uma meia hora. Ficou decidido que seria três grupos: um que seguiria a trilha de Bara (obviamente sendo liderado por Nemuru); um que confirmaria o lado esquerdo do acampamento; e o outro, o lado direito.

Cada grupo seria composto de seis pessoas: dois guerreiros, dois místicos e dois rastreadores. O grupo de Nemuru seria formado por ele, Zula e mais um místico, Zul e Zunol, e mais um soldado de alta experiência em missões furtivas.

O grupo do príncipe caminhou por umas duas ou três horas com toda a cautela possível. Não encontrando nada de interessante enquanto se aproximavam. Quero dizer, nada de interessante até perceberem um farfalhar nos arbustos mais à frente deles.

Se aproximando com o máximo de cuidado, acabaram encontrando um pequeno ser encapuzado, colhendo algumas bagas do que era possível observar.

– Até que fim alguém resolveu aparecer! – declarou ele surpreendendo todos menos Nemuru que logo o reconheceu – Eu já não sabia mais como continuar aqui fora esperando por vocês!

– Kimbe é você? – perguntou Nemuru se erguendo de seu esconderijo, surpreendendo os demais.

– Sim. E pelo o que vejo, eu realmente estava certo sobre o presente da princesa já que me parece tão bem de saúde.

– Candra salvou todos nós, mas porque está aqui fora? Não me diga que a causa é a gente. – questionava Nemuru se aproximando, com os demais o seguindo receosos.

– Pelo o que a princesa me repassou, imaginei que alguém apareceria nos arredores do abrigo mais cedo ou mais tarde, por isso pedi ao mestre permissão para buscar ervas que estavam em falta, e alguma comida que ajudasse vossa alteza. – respondia Kimbe sem parar de trabalhar. – Quantos... mortos, vocês tiveram...

– Nenhum. – respondia Zula.

– O quê?! – Kimbe deixava cair as bagas da mão – Não é possível. Nenhum acabou sequer ferido pelos zumbis?!

– Tivemos feridos sim, mas você estava certo, a Candra se encarregou de limpar tudo o que o seu mestre jogou em cima da gente. – explicava Nemuru apresentando a espada para ele.

– E essa que é a espada criada pela princesa? É ainda mais bonita do que eu imaginei! E ainda posso sentir seu poder daqui. Se não fosse pela minha boa audição, eu nunca teria percebido vocês seis. E olha que eu já preciso retornar ou vou acabar congelando.

– Espere, err, Kimbe certo? – questionava o soldado – Qual é a condição da princesa? Tem como vermos o seu cativeiro de onde estamos?

– Bom senhor...

– Siluman. – respondeu o homem.

– Senhor Siluman, eu tenho feito o possível para que vossa alteza possa estar o mais confortável e saudável possível. Devo isso à princesa mais do que deva imaginar. Sobre sua prisão, bem, daqui... Eu até que consigo enxergar, mas quanto aos senhores, não tenho certeza.

– E onde estaria? – perguntava Nemuru já buscando o lugar.

– Cheguem mais perto. – pediu Kimbe, já tomando a cesta cheia e coberta nas mãos.

Nemuru se aproximou sem hesitar, com apenas Zunol e Siluman o seguindo.

– Cadê? – pedia o soldado.

– Reparem bem no branco a frente de todos, conseguem enxergar um leve brilho mais ou menos no rumo de onde estou apontado? – indicava Kimbe, fazendo com que todos se abaixassem para a altura dele.

– Consigo. – sussurrou Zunol.

– Bom. – continuava Kimbe – O brilho que mencionei é do gelo que mantem a princesa presa.

– Espere um instante... – falava Siluman ao encontrar a tal luz – Mas ele não está um pouco alto?

– Sim... – concordava Kimbe em meio um lamento – A “janela” da princesa se encontra há pelo menos 10metros do chão. E ela precisou de quase a noite inteira para remover apenas um dos sincelos sem ser percebida, o que torna mais viável adentrar pelas galerias magmáticas mesmo.

– Bara me disse que recebeu mapas de você.

– Realmente. Eu a deixei os copiando essa manhã, e eu mesmo lhes teria os trago se todos os mapas não carregassem a maldição de se auto destruírem ao se colocar do lado fora. Terão de esperar pelos mapas da princesa.

– Somos bastante gratos por tudo Kimbe, mas há mais alguma coisa que seria bom a gente saber?

Kimbe atendeu ao pedido de Nemuru lhes contado tudo o que podia da forma mais breve que conseguia e disparou de volta para o abrigo antes que acabasse levantando suspeitas em Dark Yami.

Após perderem Kimbe de vista, o grupo resolveu retornar para repassarem as informações obtidas.

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