INICIAR SESIÓNKimbe estava exausto. Passara a noite em claro tentando encontrar meios da princesa poder manter parte de sua força consigo e ainda teve de supervisionar a criação de dez novos goblins que por muito pouco não conseguiram ataca-lo.
Ele preparava a bandeja com o desjejum da princesa para entrega-la, sem parar de pensar em tudo que pesquisou no decorrer da noite. Ao abrir a porta de Bara, vendo-a dormir tranquilamente, teve uma grande vontade de deitar-se aos seus pés e descansar um pouco. Mas Bara despertou assim que a porta foi fechada.
– Quem é? – perguntava Bara ainda sonolenta.
– Bom dia alteza. Seu café. – falava Kimbe andando com cuidado para não tropeçar por conta do sono.
– Kimbe! – ela despertava de vez, mas se contendo em seguir ao se recordar de um detalhe – Aquele “ser” está com você?
– O mestre? Não! Não. É somente eu princesa.
– Que alívio. Mas porque você me parece tão abatido? – observava Bara recebendo a bandeja.
– Fiquei pesquisando durante a noite toda e por muito pouco não virei carcaça mais cedo.
– Carcaça?? – Kimbe explicou todo o seu infortúnio sentado no chão e às vezes cambaleando de sono – Sinto muito por tudo isso...
– Oh, não sinta princesa! E desejo sinceramente o seu bem, por isso fiz este pequeno sacrifício. Mas me diz, o que aconteceu com aquele pedaço de gelo?
– Acho, que isso o vai fazer acordar... – falou Bara animada.
Ela repassou para Kimbe cada detalhe sobre a espada criada, além da triste notícia da maldição que existia sobre as Filhas do Luar.
– Sinto muito por essa triste descoberta... E explica bem o que mestre quis dizer anos atrás.
– Do que está falando Kimbe?
– Bom, eu me juntei ao mestre um ano antes dele atacar o príncipe. Quando chegamos nessas galerias vulcânicas, ele tentou reencontrar a Qamar usando o Arman basqınşısı, falhando em localiza-la. Ele também me explicou que com esse mesmo feitiço era possível encontrar o filho de quem ele estivesse buscando caso a pessoa procurada tivesse falecido, mas pelas contas... Nem sua mãe ele podia encontrar mais.
– E foi por isso que ele decidiu atacar Nemuru?
– Sim e não. – continuava Kimbe – Ele continuou utilizando o Arman basqınşısı para investigar os Reis que o derrotou ou os seus filhos. Se bem que a barreira de Heiwa o impediu de espionar os Kuroshy.
– E foi assim que ele escolheu começar com os A****n?
– Foi... Ao que entendi, foi ele quem armou a batalha em que o Rei de Kyuden pereceu. E quanto ao príncipe, ele aguardou que o pequeno descanse fora do palácio para que fosse mais fácil de todos pensarem que seu mal era algum tipo de doença desconhecida.
– Ao que parece, aquele ser não mede esforços em ser perverso...
– Realmente...
Bara e Kimbe continuaram conversando enquanto ela acabava de comer. Aproveitaram para que Bara desse uma última olhada nas costas de Kimbe (que estavam quase curadas) e Bara acabou sozinha mais uma vez, sem saber o que mais fazer naquela solidão à qual estava confinada.
Quando Kimbe retornou com o almoço, Bara estava riscando as barras de gelo de sua janela, envolta por suas cobertas.
– Princesa? O que está fazendo?!
– Kimbe! – ele logo lhe fez sinal de silêncio (Dark Yami estava do lado de fora) – Vejo que me trouxe o almoço. – mudou Bara o seu tom de voz reconhecendo o sinal do pequeno.
– O mestre logo virá vê-la. Mas o que fazia no gelo?
– Fiquei entediada. Achei que não haveria problemas se eu desenhasse no gelo. Não tenho nada com quê me entreter aqui mesmo!...
– Compreendo alteza. Sua refeição. – servia ele.
– Posso saber o que o meu “bem-feitor” está fazendo no momento? – perguntava Bara já começando a comer.
– Eu... Não posso dizer-lhe com certeza...
– Que seja. – respondeu Bara continuando com a refeição em silêncio.
Dark Yami queria confirmar o desprezo de Bara por Kimbe. Além, claro, de ter certeza que ela realmente consumia toda a refeição que lhe era entregue. Ele só não esperava que os dois já haviam feito combinações para prevenir tal situação.
Ele não conseguia observar o prato de Bara pela janela, pois Kimbe lhe bloqueava a visão. E se ele se pronunciasse, acabaria com suas intenções originais. E quando o homenzinho foi se livrar dos ossos, não conseguiu ver se era realmente apenas ossos. Foi então que ele decidiu entrar, fingindo ter acabado de chegar.
– Como vais princesa?!... Já comes-tes tudo?
– Porque não confere isso com o seu servo. – erguia-se Bara lhe dando as costas.
– Ela comeu tudo o que lhe servi, senhor. – respondia Kimbe a ele, sendo que na verdade ele escondia dentro de suas mangas uma pequena parte da comida.
– Mas vejam! O que temos aqui? – declarava o mago fingindo só reparar agora da distração da princesa – Até que desenhas bem princesa!
– Não preciso de seus elogios. E isso foi tudo o que eu consegui encontrar para fazer aqui dentro. – respondeu Bara que o olhou de soslaio.
– Pois bem. – falava ele indiferente – O néscio aqui podes lhe trazer material de desenho para que não tenhas de rabiscar no gelo.
– Preocupado que eu possa acabar quebrando minhas “grades” e assim escapar?
– Sei que sois bem esperta, e não farias isso porque sabes de que não sobreviverias. E irias ser encontrada fácil por mim. – Bara apenas o desdenhou – Mas não és para trocar palavras que estou aqui.
– Eu ainda irei me ver bem longe de você. – declarou Bara sem se mover.
– Hum-hum-hum!... Mas vais demorar... – declarou ele já a abraçando respeitosamente para drenar-lhe as forças, ajudando-a se sentar quando acabado. – Agradeço-lhes imenso. – sussurrou ele ao ouvido dela.
Bara, mesmo fraca, soltou-se dele. E começou a observa-lo se afastando dela.
– Até amanhã, donzel... – interrompeu-se ele a fala, encarando o lado de fora um tanto incomodado.
– Algum problema, my lord?
– Pareces... Que temos um aventureiro... – Bara prendeu o ar – Mande os mortos-vivos cuidar do tolo. Testemos se eles estão capacitados finalmente.
– Como... Como ordenastes... Senhor.
Depois de ter recebido a Espada Candra, o caminho em direção ao rastro deixado de Bara nunca pareceu tão fácil. De acordo Nemuru avançava, o vento se acalmava e a neve parava de cair. Buracos e troncos caídos eram facilmente resolvidos por Candra. Permitindo um avançar calmo e tranquilo para ele e para o exército que o seguia.
– Essa espada é realmente bem útil, não? – comentava James junto de Nemuru – E isso porque você nem a está carregando fora da bainha.
– Foi a própria Bara que se esforçou para criar essa espada. Confio plenamente nela.
Lord James, após descobrir quem que Nemuru era, e ter comprovado com os próprios olhos o poder da espada que ele recebera da princesa, ficou repleto de ciúme e inveja de Nemuru. Ele até tentou roubar a espada durante o último descanso, mas acabou sendo impedido por alguns soldados que estavam apenas deitados.
– Você não entregou essa espada pra ninguém, não é mesmo? Nem para o próprio Rei, certo?
– Realmente... Não sei bem o que poderia acontecer se alguém que não preenchesse os requisitos para porta-la a segurasse...
– Eu posso tentar então? – pedia James – Assim aproveito para descobrir se eu posso ou não ser um manuseador digno dela.
Nesse momento, Zul e Zunol se aproximaram dos dois sem fazer qualquer ruído. Apenas prestando atenção na conversa.
– As condições para segura-la são as mesmas para se enxergar a trilha que estamos seguindo. – declarou Nemuru sorrindo.
– Não seja chato amigo. Só quero descobrir o que é que acontece se eu a segurar no seu lugar! Graças a você nós já avançamos muito mais do que o esperado.
– Eu não sei... Estou com um mau pressentimento se eu a entregar pra você.
– Que mau pressentimento que nada! Vamos. Deixe logo eu segurar a espada!
– Ainda não acho uma boa ideia...
– Eu assumo a responsabilidade do que me acontecer. Agora, deixe-me segurar essa espada.
Nemuru acabou por soltar um longo suspiro... E contrariado, tirou a espada que estava em seu cinto. Nemuru ainda chegou a encarar a espada um pouco antes de entrega-la, com James o apresando.
No mesmo instante que o príncipe se desencostou da espada, ela tornou-se vermelha e tão quente quanto a lava. James a soltou imediatamente com um berro, encarando a queimadura grave que havia em sua mão no lugar que segurou a espada. Mais que depressa ele afundou a mão na neve e Nemuru reavia a espada que voltou a ser azulada após tocar a neve.
– O que acontece aqui?! Que escândalo foi esse?! – perguntava Jõo que correu para junto dos dois, acompanhada de Keberanian e Mahotsukai.
– Foi ele! – reclamava James na frente – Ele me convenceu a testarmos o que é que acontecia se uma outra pessoa além dele tentasse segura a espada.
Nemuru ficou chocado com a falsa acusação.
– Isso é verdade Nemuru? Foi isso mesmo que aconteceu? – perguntava o Rei incrédulo com aquela versão.
– Não. – declaravam Zul e Zul juntos antes que James inventasse mais mentiras e ignorando o voto deles.
– Ouvimos a conversa inteira e o que aconteceu foi exatamente o oposto. – falou Zul.
– Era James quem queria pegar na espada e Nemuru se mostrou contra por pressentir que algo ruim aconteceria. – completou Zunol.
– Ora seus!... – irritava-se ainda mais James.
– Já chega! – agora era Kebera quem se interpunha – Perdi minha última gota de paciência! Vocês dois, venham cá! – ela chamava dois soldados que observavam tudo – Faça-nos o favor de acompanharem Lord James até sua casa o mais rápido possível!
– O quê?! – se espantava James (ele não esperava acabar sendo expulso do grupo).
– É uma excelente ideia Kebera. Não sei por que não o fizemos antes... – comentava Jõo.
– Partam já com este rapaz. – Mahotsukai era autoritário – Alguém que não assume os próprios erros e ainda joga a culpa em cima dos outros, não merece sequer chegar perto de minha filha.
James ficou sem reação. E foi arrastado pelos soldados convocados ainda com as palavras do Rei ecoando em sua cabeça. Ele foi tolo. E pagou por isso perdendo toda e qualquer chance de ter a princesa para si. Podendo culpar apenas à ele mesmo.
Depois que James deixou o grupo, o exército retomou seu percurso.
Enquanto marchavam, Nemuru reparou que toda fera que estava prestes a lhes cruzarem o caminho, acabava fugindo. E ele se perguntava se isso seria efeito de Candra, ou do grande número em que estavam, ou o instinto de sobrevivência os alertando da batalha que estava por vir.
Eles avançaram até a noite voltar a cair. E ainda tinham bastante chão pela frente! Kimbe havia calculado mal a distância entre a base e o centro daqueles montes.
Como a espada lhes facilitara a caminhada, todos concordaram em descansarem a noite toda dessa vez e depois caminhar o máximo que pudessem para acabarem logo com aquela empreitada.
O segundo grupo, que avançava pelo norte, seguia o ritmo original (já que Nemuru não podia estar entre os dois grupos ao mesmo tempo, independente do tempo se mostrar mais ameno no norte) e passariam a ser a retaguarda, ao invés de um ataque simultâneo de dois lados.
Todos estavam descansando consideravelmente tranquilos quando começou.
Depois de ter ficado sozinha, Bara estava com os pensamentos a mil! Como exatamente se derrota alguém que já está morto? Assim que se viu com forças novamente, começou a andar de um lado para o outro... Só parando com a chegada de Kimbe que portava o material de desenho que fora ordenado a levar para ela.
– Me diz Kimbe, os tais mortos já foram enviados para fora? Como exatamente se derrota eles?
– Sim, infelizmente já foram. Para derrota-los... Depende da técnica utilizada para “reviverem”. Mas uma coisa não muda: zumbis sempre serão fruto de magia negra. De magia sombria. Por isso estou confiante na espada que entregou para eles.
– Na Candra?
– Sim. Lembre-se das explicações: “O que pertencer às sombras, será purificado. A natureza colérica, será apaziguada. E todo desafio mortal, será simplificado.” A espada os protegerá com certeza, eu só não posso garantir que não aja baixas durante o ataque...
– Dark Yami não retornará aqui outra vez hoje, voltará?
– Não. Ele está ocupado com o exército agora. Pretende avisar o príncipe?
– Só espero não avisa-los tarde demais...
– Use o que eu trouxe para pensar em algum plano de fuga e... – Kimbe se aproximou para sussurrar – Há cópias dos mapas dessas galerias no meio das folhas. Estude-as bem.
– Pode deixar Kimbe. – declarou ela já recebendo tudo e ficando sozinha em seguida.
Bara começou a criar um desenho qualquer para que pudesse estudar os mapas de modo a conseguir uma desculpa. Conseguiu não levantar qualquer suspeita quando chegou a agua do banho e, chegado o luar, apresou-se em encontrar Nemuru nos sonhos.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.