LOGINAquele dia frio, não amanheceu igual para todos.
A mulher correu quando a porta do carro foi aberta, subiu as escadas, atravessou a sala grande subindo as escadas quase caindo. Chegou ao corredor daquele lado, arrumou os cabelos, o vestido curto e até os saltos colocando formalmente em seus pés. Respirou profundamente buscando qualquer calma em sua alma, calma, paciência, disponibilidade e acima de tudo, cuidado em suas palavras.
MUITO.
CUIDADO.
EM SUAS PALAVRAS.
Bateu duas vezes escutando a voz grossa a deixar entrar, e como das outras vezes, não se impressionou com a figura atrás da mesa de madeira encostado em sua cadeira, brincando divertidamente com sua faca preferida entre seus dedos.
Ana parou diante da mesa com um sorriso tão falso que fazia até mesmo o homem mais sério do mundo rir. Ela não se preocupava nem mesmo em esconder sua insatisfação ao parar diante da mesa dele uma hora antes do seu horário principal.
— Você veio rápido — Afirmou ele agarrando a faca e se ajeitou na cadeira colocando ambas mãos sob os papéis ali — Eu gostaria da sua ajuda para algo peculiar.
— Alexander eu já nem sei se você sabe o que uma secretaria faz. — Ele deu de ombros — O que você quer? — Foi direta.
Sem formalidades ou respeitar o fato de que diante de si estava um homem capaz de lhe assassinar com um único movimento.
— Ontem eu fui à boate que você disse, negociar com aqueles velhos chatos, afinal, todo mundo precisa de passagens, e eu preciso que a cidade esteja sob meu domínio, para tudo que eu desejo fazer um dia — Ela nem piscou.
Sabia dos velhos.
Dos sócios.
Dos negócios.
Dos pensamentos daquele homem, não porque queria, mas porque era obrigada.
— E quer saber de mais alguma coisa sobre esses contratos? Eu mandei meu assistente revisar três vezes para que não tivesse erro, e todos eles aceitaram rápido, afinal, te ter como sócio nessa cidade é uma chance de crescimento.
— Nessa boate havia uma mulher.
— Eu aposto que sim — Ele sorriu e ela revirou os olhos — Você me acordou uma hora mais cedo para eu te buscar uma mulher?
— Não. Não é bem assim — Ele levantou erguendo a camisa até os antebraços, sentou em sua mesa em frente a Ana que já estava prestes a ignorar tudo — É uma garota diferente… branca, olhos verdes, cabelos cacheados, tem um sorriso bonito, um olhar meio tímido.
— Tímido? — Quis rir — Você vai a uma boate e encontra uma garota bonita de sorriso meio tímido? Essa é uma tática nova de sedução?
— Não sei, mas se é uma tática nova, ela conseguiu o que queria — Desceu da mesa chegando a Ana — Procura a garota para mim? Gostaria de tomar um café com ela.
— Você não gosta de café. — Respondeu tão rápido que ele parou para pensar — Resumindo você quer que eu busque uma garota branca de cabelo cacheado e olhos verdes que você viu na boate ontem. Obrigada, é sempre bom te servir profissionalmente antes do meu horário.
E deu as costas fazendo o homem sorrir e voltar para detrás de sua mesa. O sorriso da garota veio a sua mente, deveria ter tido mais alguma coisa, buscado saber seu nome e com quem estava. Seria mais fácil que apenas lhe das às características mais chamativas.
Ana desceu as escadas devagar, dessa vez recuperando o folego que perdeu ao correr até ali. Seguiu direto para a cozinha passando por alguns empregados e tendo o cuidado de cumprimentar a todos. Alexander Haeys já era mal educado o suficiente não respondendo nada a aquelas pessoas, só dando ordens como um chefe egocêntrico que era,
— Ana, tão cedo por aqui — Paulo a cumprimentou com dois beijos no rosto antes se afastar a cadeira do balcão no meio da cozinha para que a mesma se sentasse — Temos mais um problema à frente?
— Eu não sei, me diz você. Não estava com ele na noite passada? — Paulo concordou — Ele viu uma mulher, quer que eu a busque hoje.
— Como é? — O homem riu após deixar sua xícara de café — Te chamou cedo para procurar uma mulher? O Sr. Haeys às vezes passa dos limites, nos usa para tantas coisas. Não estou reclamando.
— Obrigada Nina — Uma xícara de café quente foi colocada em sua frente, sorriu com gosto — Ninguém reclama, porque não temos do que reclamar. Pode ir comigo a essa tal boate?
— Nesse horário? — Os dois olharam os relógios — Está cedo, provavelmente estaremos pegando o final, mas possivelmente conseguiremos falar com a dona.
— Se ele quer agora, então vamos agora, não tenho tempo para esperar e muito menos ele.
— Tudo bem, mandarei Julho e Kaio com você. Sr. Haeys vai ao escritório hoje, não posso deixa-lo sozinho.
— Tudo bem.
Um acordo foi feito e sete minutos depois Ana estava sentada no banco de trás do carro que seguia para lugar da noite passada. Olhou todos os seus e-mails, buscando quaisquer sinais de mudança de ideia, mas Alexander não havia mandado nada.
Chegando ao lugar, agradeceu quando a mão de Julho a ajudou descer do carro, lhe acompanhou durante todo o trajeto até a entrada, e agradeceu por ainda ter algumas pessoas presentes. Oito horas da manhã e muita gente ainda não tinha achado o caminho de casa, e por ela, tudo bem.
Foi até o bar fazendo um pedido para falar com a dona, e logo foi levada e uma das mesas na área vip, porém, uma senhora tomava chá com alguns papéis e dinheiro ao redor.
— Com licença, você é a dona da boate? — A mulher concordou, retirou os olhos e fez um sinal para que a outra sentasse — vim em nome de Alexander Haeys.
— Alexander Haeys? O herdeiro das empresas Haeys? — Se interessou na mesma hora, seus papéis e dinheiro na mesa diante de si ficaram em segundo plano — Ele esteve na noite passada, pediu uma mesa reservada, não exigiu mulheres, não vi quando chegou ou saiu, algo não lhe agradou?
— Pelo contrario, algo o agradou, uma mulher, e ele está buscando por ela — Outra vez, o sorriso da mulher se abriu — Magra, olhos verdes, branca, cabelo cacheado e com um sorriso meigo, foi tudo o que disse.
A senhora estreitou seus olhos tentando lembrar-se quem de suas garotas iriam parecer com a que um homem tão poderoso quanto Alexander Haeys procurava. E sorriu abertamente quando uma luz em sua mente se acendeu.
— E para o que ele busca a garota? Ela fez algo de errado?
— Digamos que ele não procuraria uma garota de boate para… matar. Você oferece garotas para uma, duas, três noites com homens, acompanhantes de luxo, você chama? — A outra assentiu — De todo jeito, peça que a garota esteja pronta antes das dezenove horas de hoje, um motorista vem busca-la.
— Claro, claro que sim.
Ana tirou da bolsa um pequeno envelope entregando nas mãos na mulher que recebeu com gosto o abrindo imediatamente — Para que tudo isso fique apenas entre nós duas. Não gostaria que essa conversa chegue a ouvidos que não devem.. Sr. Haeys é um homem reservado, mantenha isso em mente.
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Ela andava de um lado para outro. Mas uma ideia brilhava em sua mente com tanta expectativa que a ansiedade quando lhe matou enquanto não via Eliza atravessar a porta do quarto. Correu até a filha lhe dando um abraço e a puxou para se sentar. Parou diante dela.
— Uma mulher veio à boate mais cedo, e esta procurava uma menina, uma que Alexander Haeys se agradou na noite passada. Branca, dos olhos verdes e cabelo cacheado, quer passar uma noite com ela — Eliza estava em choque — Disse que sorriso era meigo, por isso se agradou, tenho certeza que era você.
— Mãe…
— Ainda que não for você, precisa se arrumar, porque é você vai a esse encontro — Eliza se agitou no lugar, claro que ela iria a esse encontro. — Ela disse para estar pronta antes das dezenove, um carro vem te buscar aqui na porta e te levará para a grande mansão de Alexander Haeys, e você vai passar uma noite com o homem mais cobiçado dessa cidade.
— Eu não estou acreditando — Disse simplesmente quando se viu livre do olhar da mãe. Levantou aos poucos indo até a janela do quarto — Alexander Haeys é o grande herdeiro das empresas de petróleo Haeys, ele é simplesmente um homem muito cobiçado por todas as garotas dessa cidade e é um milagre o ver fora de casa — Cruzou os braços mantendo um sorriso pequeno — Se eu agradar esse homem…
— Você será uma mulher rica, muito rica, Eliza. Ele é milionário e encontrou aqui justo uma mulher para levar para sua cama, por acaso, você sabe com quantas mulheres ele já dormiu? — Ela negou — Exatamente, ninguém sabe de nada sobre esse homem.
— Cabelo cacheado — Eliza estreitou os olhos — Eu não tenho cabelo cacheado. E eu não o vi chegar ou sair, nem mesmo circular por essa boate.
— Mas isso é o de menos. Podemos dar um jeito nisso — Agarrou as mãos de sua filha — Vamos nos preparar, esqueça o seu emprego por hoje, afinal, se ele passar uma noite contigo, você terá todos os dólares que desejar por toda a sua vida, então… dê o seu melhor.
— Pode apostar que vou.
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Uma postura perfeita somada a uma ética profissional tão absurda quanto a de Alexander Haeys, por si só, já inspirava respeito por onde passava, obrigava as pessoas a pararem tudo o que faziam para vê-lo passar diante delas com sua beleza, um olhar de desprezo, uma cara fechada e zero simpatia como se fosse o rei do universo. Poderia não ser, mas era exatamente assim que os empregados daquela empresa o tratavam.
As portas do elevador se abriram revelando primeiramente Paulo dentro de seu terno impecável, liberando espaço para no fim, Alexander Haeys aparecer seguindo pelos corredores até a sala da presidência que conhecia muito bem.
Não precisou ser anunciado, tão pouco fez questão de bater na porta, apenas entrou sabendo quem já estava lhe esperando. Arthur se levantou devagar para receber o filho, um aperto de mão, e uma troca de olhar com Paulo foi o suficiente.
— Espero que não tenha interrompido alguma coisa. — Disse o homem voltando para seu lugar, Alexander arrumou o terno para se sentar. Trazia consigo alguns documentos que alinhou na mesa de seu pai.
— Não. Estava marcando um horário para vir até aqui. — Se ajeitou na cadeira — Temos novos contratos para petróleo, espero que goste das novas empresas que o buscam para o crescimento — O outro assentiu com um sorriso pequeno.
Um movimento que fez Alexander estranhar.
Todas as vezes que falava sobre novos sócios direcionados diretamente ao lucro da empresa, o pai abria um sorriso grandioso. Bem diferente daquele que passou a revisar os papéis.
— Tem alguma coisa errada com os contratos? — Arthur ergueu o olhar.
— Não. Não tenho até agora. Mandarei para o advogado e logo assinaremos todos juntos.
— Tudo bem — Ia levantar quando o homem pediu para que voltasse ao lugar — Eu tenho outras coisas para fazer.
— Temos um sócio novo, diferente, mais novo.
— Hm — Se sentou novamente.
— Se chama Danilo — Continuou procurando as palavras, o que fez Alexander se inclinar em direção à mesa — Ele me parece um homem completamente curioso sobre a sua pessoa e o que anda fazendo. Tanto que pediu para que você ligasse e fizesse uma reserva para conversarem um momento.
Alexander olhou para o papel ser depositado em sua frente, olhou para o pai que continuava lhe encarando — Quero dizer que o negocio dele não tem nada haver com o nosso petróleo — Alexander subiu um canto dos lábios e pegou o papel. — Não quero que nosso nome se envolva com a polícia.
— Ter a o controle da cidade em minhas mãos, quer dizer também ter a policia em minhas mãos. E não estou fazendo nada de errado — Arthur revirou os olhos e levantou.
— Irei viajar esse fim de semana, eu, minha esposa e os seus irmãos. — Alexander nem se mexeu — Ela disse que queria um tempo de marido e mulher, mas de última hora achou de bom tom levar os dois pirralhos para dar uma volta.
— Pirralhos? Quanto amor aos meus irmãos — Levantou não dando mais brecha para entrarem naquele assunto. Arthur e sua esposa ex-secretária vinte anos mais nova não era problema seu.
Saiu da sala de seu pai a tempo de ver Ana arrumar a mesa na sua. Olhou para a mulher que desfilava por ali em cima de seus saltos bonitos cantarolando alguma coisa, assim que o viu, lhe alcançou um copo de uísque e lhe ajudou a tirar o paletó colocando na cadeira.
— Eu arrumei os contratos de hoje, não sei se ainda queria vê-los. Mas entendo que seu café preferido é a droga desse copo. Espero que morra de cirrose. — Disse como se não fosse nada.
Alexander tomou o primeiro gole adorando tudo aquilo e focou em Ana — A garota da boate, conseguiu encontrar? — Perguntou sabendo que a resposta era uma confirmação. Sorriu outra vez caminhando até as janelas grandes de vidro. — Ah e não esquece, Ana, eu quero descrição.
— O que? — Ela sorriu de canto e caminhou até a janela, olhou para a rua, mal podia ver as pessoas do penúltimo andar, nenhum som, apenas a luz do dia chuvoso. — Eu sou a sua secretaria a muito tempo para saber com você gosta das coisas.
— Não gosto quando meu nome sai nas mídias e o pior, as mulheres dizem sempre me cobiçarem.
— Isso é porque elas não te conhecem — Alexander a olhou pela primeira vez parado ali — Aí quando elas conhecem correm para seu colo. — Ele revirou os olhos lhe entregando o copo que mal havia tomado, e antes da mulher pegar, ele soltou deixando que caísse no chão.
O barulho fez Paulo aparecer na porta, e Ana engolir a seco.
— Espero a garota na minha casa no horário de sempre — Deu as costas indo buscar seu paletó, colocou de novo ajustando em seu corpo, e seguiu para a porta, antes de chegar, parou e voltou-se a Ana — Limpe tudo, eu não gosto que nada fora do lugar. — Ia saindo — Ah e tem um contato na mesa, ligue para ele, marque alguma coisa, ele acha que quer falar comigo.
E deu as costas, ignorando qualquer xingamento que sabia que ela iria fazer.
A porta fechou rapidamente escondendo o escritório do homem. Amélia engoliu a seco olhando para o currículo na mão, e depois para a madeira.Virou devagar dando um sorriso pequeno.Ergueu a cabeça atravessando aquele corredor pisando com tanto ódio que nem se conhecia. Seus olhos se encheram de lágrima enquanto chegava à rua. A chuva tinha aumentado assim como sua lista de fracasso.Outra vez parada na rua.Novamente naquele metro.Mas diferente, abriu a porta da sua casa jogando sua bolsa de um lado, chutou os sapatos para o outro e desfez os botões de seu vestido atrás o tirando rapidamente e jogando o mais longe possível.Gritou alguma coisa que seus vizinhos reclamariam depois e só então, respirou fundo finalmente podendo deixar uma lágrima cair.O mundo lá fora, aqueles que a rejeitavam não iria lhe ver chorar depois de outro dia péssimo.Percorreu todo o apartamento chegando à cozinha subindo dois degraus. A geladeira quase vazia, mais ao menos tinha uma coisa que amava, leite.
Aquele dia frio, não amanheceu igual para todos.A mulher correu quando a porta do carro foi aberta, subiu as escadas, atravessou a sala grande subindo as escadas quase caindo. Chegou ao corredor daquele lado, arrumou os cabelos, o vestido curto e até os saltos colocando formalmente em seus pés. Respirou profundamente buscando qualquer calma em sua alma, calma, paciência, disponibilidade e acima de tudo, cuidado em suas palavras.MUITO.CUIDADO.EM SUAS PALAVRAS.Bateu duas vezes escutando a voz grossa a deixar entrar, e como das outras vezes, não se impressionou com a figura atrás da mesa de madeira encostado em sua cadeira, brincando divertidamente com sua faca preferida entre seus dedos.Ana parou diante da mesa com um sorriso tão falso que fazia até mesmo o homem mais sério do mundo rir. Ela não se preocupava nem mesmo em esconder sua insatisfação ao parar diante da mesa dele uma hora antes do seu horário principal.— Você veio rápido — Afirmou ele agarrando a faca e se ajeitou na
Um arrepio frio tomou conta do seu corpo quando seus olhos claros e sem vida caíram diretamente em outros tão negros quanto à escuridão da noite lá fora. As mãos estavam sobre a pia fria e permaneceram ali, sem conseguir se mexer.Além do olhar a paralisar, havia um corpo, um corpo maior que o seu a cobrindo por inteira, a sombra dele não deixava a sua aparecer. O cabelo negro que caia ao redor de seu rosto não o escondia de verdade, mantendo sua beleza tão radiante. Ela abriu os lábios não sabendo ao certo o que dizer.Não havia sequer um sorriso naqueles lábios grossos, só uma linha fina, mostrando seriedade. Ele entreabriu os lábios, arqueou uma sobrancelha como se fizesse uma pergunta muda, mas ela continuou ali, segurando a pia como se fosse cair, o corpo em choque, as pernas trêmulas, ela não iria se mexer.— Hm… — Ele soltou, tirou uma de suas mãos do bolso, olhou para a porta do banheiro, para o espelho e voltou para a mulher curvada diante de si.Não saberia explicar como sua
Amélia via claramente os lábios de Eliza se movendo enquanto ela falava sobre todas as loucuras que poderiam fazer ali. No entanto, não conseguia ouvir uma única palavra. Tudo o que chegava aos seus ouvidos era o som de seus próprios passos ecoando pelo extenso corredor.Aqueles passos a conduziam para um lugar ao qual jamais imaginara pertencer. Só estava ali por causa de uma espécie de punição imposta pelos céus, como se todas as suas escolhas a tivessem levado inevitavelmente àquele destino.Respirou fundo, mas o cheiro forte do ambiente a deixou tonta. Parou de repente e apoiou-se na parede mais próxima. Tentou puxar o ar outra vez, porém tudo ao redor parecia sujo e sufocante. Fechou os olhos, fingindo por alguns segundos que nada daquilo existia. Arrastou as mãos pela superfície da parede em busca de equilíbrio, mas nem ela parecia lhe oferecer segurança.Afastou-se bruscamente e bateu as costas na parede oposta.Eliza finalmente parou diante dela. O sorriso entusiasmado desapar
O silêncio que pairava na sala entre as duas mulheres era tão denso que chegava a provocar arrepios em Amélia. Sentada diante da mesa, ela mal conseguia se mexer sem deixar transparecer o desconforto que sentia.Seus olhos verdes, realçados pela maquiagem, piscaram algumas vezes enquanto tentava manter a atenção na mulher do outro lado da mesa. A proprietária da lanchonete permanecia concentrada no computador. Tinha o cabelo preso em um coque baixo, algumas linhas de expressão no rosto e vestia roupas simples. Seus lábios finos estavam comprimidos em uma linha reta enquanto examinava o currículo, detendo-se em cada informação sem esboçar qualquer reação.Será que não estava gostando do que lia?Amélia sabia que não havia muito para colocar no currículo, mas estava disposta a dar tudo de si em qualquer trabalho que lhe oferecessem. Precisava apenas de uma oportunidade.A mulher tornou a alternar o olhar entre a tela do computador e os papéis espalhados pela mesa. Depois de alguns insta







