INICIAR SESIÓNDaily virou-se e andou rapidamente de volta até o rio e jogou-se na água gelada novamente. Não tinha tempo para pensar, só precisava fazer tudo muito rápido e chegar ao povoado o mais breve possível. Ela correu tanto que tinha certeza de que havia sido a vez que mais rápido havia ido do rio até sua casa.
Ela abriu a porta de sua casa e entrou, toda molhada, suja e extremamente cansada. Mas seu véu estava intacto, grudado em seu rosto.
Erone esta de pé, próximo a porta:
- Daily, onde você estava?
- Meu pai...
Daily o abraçou. Erone provavelmente não estava entendendo nada do que estava acontecendo naquele momento... Mas ela estava tão cansada, seu corpo doía tanto, mas seu coração estava aquecido. E ela só queria sentir carinho naquele momento, como o que viu de Moa e Terry.
- Meu pai... Eu... Gosto muito do senhor. – disse ela. – E eu preciso de você.
- Daily, está tudo bem?
Ela não falou nada, continuou ali, com a cabeça no peito dele.
- Me conte o que a atormenta, minha filha.
No início ele parecia bravo, mas agora estava com voz mais tranquila e calma e tinha até um pouco de piedade carregada ali.
- O que você tem, Daily? Onde este até agora? O que aconteceu?
- Papai, me perdoe, mas eu não posso contar onde estive. – confessou ela.
- Como assim? – perguntou ele.
- Não me pergunte, por favor...
Ele a afastou de seu corpo e pegou-a pelos ombros, forçando-a a olhar nos olhos dele:
- Daily, o que está havendo com você? – a voz dele era alta o bastante para ela sentir sua ira e os dedos dele machucavam seus ombros.
- O senhor está me machucando... – disse ela sem muita força para lutar.
Sua cabeça doía muito novamente e suas pernas se recusavam a ficarem em pé... Ela sentia tudo rodar e tinha vontade de dormir... Para sempre talvez. Ela havia ajudado Moa, cumprido com sua promessa. Mas Mark não havia aparecido... E talvez nunca mais fosse aparecer. Devia estar triste ou magoado com ela. Ele havia dito que sentia amor por ela... E ela não dissera o que sentia por ele. Se Mark casasse com outra mulher e deixasse de amá-la, nada mais teria sentido em sua vida.
Daily conseguiu se desvencilhar do pai e foi rapidamente para seus aposentos, deixando seu corpo cair na cama. Pediu mentalmente aos deuses para que continuasse a chuva forte no dia seguinte, pois não aguentaria o trabalho pesado da construção da muralha. Tendo somente a imagem de Mark na sua frente, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.
- Daily?
Ela abriu os olhos com dificuldade e viu seu pai.
- O que houve? – perguntou ela.
- Amanheceu. Precisamos trabalhar. – disse ele.
- Não sei se consigo... Meu corpo dói muito... Minha cabeça também.
Erone colocou a mão sobre a testa dela e disse:
- Está febril.
- Não me sinto bem, meu pai. O que faço?
- Vou pedir a Ahua que eu trabalhe por mim e por você para que possa descansar e melhorar em casa.
- Não, papai... Você não pode fazer isso.
Eu não mereço tudo isso, pensou ela.
- Daily, tem certeza de que não quer me contar o que aconteceu ontem? – perguntou Erone.
- Papai, eu... – ela sentou-se na cama com um pouco de dificuldade. – Eu fui ver Moa.
- Moa... Por que ele sempre é o culpado por tudo de ruim que acontece na nossa família? – falou Erone andando de um lado para o outro no quarto, visivelmente irritado.
- Ele não tem culpa. Eu fui porque quis... Ele nem sabia que eu iria.
- Passou quanto tempo andando naquele temporal que caiu durante o dia? Certamente pegou um forte resfriado. Eu avisei que isso aconteceria.
- Certamente é isso... Um resfriado. – concordou ela.
- Vou falar com Ahua, conforme já lhe disse. Hoje é a lua onde as mulheres serão ofertadas como esposas a Ahau.
- Mas... Eu não irei... Não é mesmo? – falou Daily temendo a resposta do pai.
- Você se casará com Burt na próxima lua, Daily.
- Tudo bem, meu pai. – falou ela sem contestar.
Erone saiu e ela sabia que a próxima lua não demoraria a chegar. Tinha somente alguns dias antes de ser a esposa de Burt. Ainda se sentia mal... E tinha quase certeza de que Ahua não permitiria que ela ficasse em casa. Sabia que havia despertado o ódio dele e ele não perderia a oportunidade de se vingar e mostrar seu poder. Ela tentou levantar-se, mas foi inútil... Não conseguia. Parecia que tinha uma pedra sobre a sua cabeça, de tão pesada que estava. Como iria sair para ver Mark? Precisa tentar encontrá-lo novamente.
Ela ouviu um som vindo da escada e logo Burt estava em seus aposentos.
- Daily...
- Olá, Burt. – disse ela surpresa com a visita dele.
- Está se sentindo melhor?
- Não muito...
- Erone me avisou que você não estava se sentindo bem...
- Fui ver Moa ontem... Aproveitei que estava chovendo e não precisaríamos trabalhar. Acho que peguei um resfriado.
- Sei que gosta muito de Moa, mas não deveria ter saído com toda aquela chuva.
- Moa não é culpado.
- Não estou culpando Moa... Nem você. Sei que gosta muito dele e sentimentos são incontroláveis.
- Quando estou com Moa tenho a sensação de estar mais próxima de minha mãe, Burt. – confessou ela.
- Eu... Vim lhe falar sobre o casamento. – falou ele.
- Burt, eu ainda lhe devo desculpas por ter envolvido você nisso tudo. Se você não quiser assumir este compromisso, eu entenderei. Hoje Ahau escolherá sua esposa e eu finalmente estarei livre.
- Não há como desfazermos este laço, Daily.
- Por quê?
- Seu pai já anunciou.
- Como assim?
- Ele já anunciou ao povoado nossa intenção em nos casarmos.
- Eu não sabia...
- Mas sabe que agora não podemos mais nos separar não sabe?
- Burt, me desculpe. Eu não queria ter feito isso com você. Não posso aceitar que estrague a sua vida por minha culpa.
- Não estou sendo forçado a nada, acredite. Eu gosto muito de você, Daily.
- Burt, eu entendo todas as regras que temos que seguir com este casamento, pois podemos ser punidos se não fizermos tudo corretamente, conforme a cultura do nosso povo. Mas... Eu nem sei direito como lhe dizer isso... Eu... Não gostaria de viver com você como marido e mulher de verdade... Será que me entende?
- Eu entendi o que você quis dizer, Daily. E não se preocupe. Jamais obrigarei você a fazer algo que não queira. Mas eu quero muito poder fazê-la feliz.
- Isso é impossível, Burt. – disse ela tristemente.
- Como pode dizer isso, Daily? A felicidade é permitida a todos os Kasenkinos. É dever nosso procurá-la.
- Eu não posso ser feliz, Burt. Infelizmente minha felicidade está fora do meu alcance.
- Daily... Há outra pessoa? – perguntou ele.
Daily sabia que jamais poderia contar tudo que havia acontecido a alguém, principalmente a Burt que agora já na era mais um simples amigo e sim seu futuro marido. E ela também percebia que ele parecia gostar dela mais do que deveria.
- Não, Burt... Não há outra pessoa. – mentiu ela para não magoá-lo e nem ferir sua honra.
- Pensei que talvez você pudesse estar gostando de outro homem. – disse ele.
- Não existe outro homem. – garantiu ela.
- Então não haverá ninguém para lutar contra mim quando o casamento for anunciado oficialmente ao povo?
- Creio que não, Burt. Nunca ninguém transpareceu qualquer tipo de interesse por mim entre os Kasenkinos.
- Que boa notícia. Eu teria medo de lutar contra Ahau. – disse ele.
- Ahau?
Os dois riram. Erone entrou de repente.
- Daily, Ahua não permitiu que eu trabalhasse por mim e por você. Não aceitou o fato de você estar doente. Terá que ir trabalhar.
- Mas... Ele não pode fazer isso. – disse Burt.
- Também acho isso, Burt, por isso me ofereci para trabalhar por nós dois. Mas ele não aceitou. Não há o que fazer.
- Erone, você é o melhor guerreiro Kasenkino de todos os tempos... Não consegue usar isso em seu benefício. Daily não está em condições de sair da cama. Olhe para ela. Seria uma loucura. – observou Burt.
- Eu fiz tudo que pude. – falou Erone. – Foi a resposta final de Ahua.
- E se falasse com Ahau? Ele o estima muito e...
- Não adiantaria, Burt. – falou Erone. – Sabe que Ahau não toma nenhuma decisão sem o consentimento de Ahua.
- Mas Ahua é o líder. – insistiu Burt.
- Burt, você é um Kasenkino, sabe como funciona tudo por aqui... – disse Erone.
- Não se preocupem comigo... Eu vou trabalhar. – disse Daily levantando-se da cama com muito esforço. – Por favor, poderiam se retirar para eu trocar este vestido que está muito sujo?
Os dois saíram ainda discutindo a negação dada por Ahua. Estavam visivelmente contrários à decisão do feiticeiro. Daily sentiu-se acolhida e importante para os dois. Ela estava horrível e suja do dia anterior. Tirou o vestido úmido e colocou outro. Prendeu os cabelos no alto da cabeça e pintou levemente os olhos. Não tinha tempo nem vontade de estar linda para todos. Trocou seu véu por um mais escuro e saiu. Seu corpo ainda estava fraco... Por vezes precisou se segurar na parede. Mas respirava fundo e tentava tirar forças de seu íntimo. Estava calor e claro. O sol devia esta escaldante. Ela nem tivera tempo de se alimentar. Erone e Burt estavam esperando por ela.
Erone a olhou e disse:
- Não posso deixar que você faça isso, Daily.
- Meu pai, eu posso...
- Dá para ver o quanto você está fraca até nos seus olhos.
- Por favor, não quero mais problemas por minha causa. Gosto muito de vocês e não suportaria vê-los sofrendo qualquer coisa por mim.
Daily saiu na frente e os dois a acompanharam. Logo estavam na beira do rio. Devido ao calor, parecia que o serviço não rendia nada. Quanto mais trabalhavam e sofriam, menos o muro subia. Sempre que ela olhava para Burt ou Erone, ambos estavam observando-a atentamente. Ela percebia a preocupação dos dois com ela.
Ela viu Ahua vindo em sua direção e sabia que teria problemas. Estava tão cansada. Não tinha forças para enfrentar o feiticeiro Kasenkino.
- Está melhor, Daily? – perguntou ele ironicamente.
Ela não olhou para ele... Mas observava as tatuagens nos braços dele, bem próximas à ela.
- Não vai responder? – perguntou ele.
Ela preferiu permanecer em silêncio.
- Na próxima lua será anunciado o seu casamento, conforme seu pai falou. – disse ele.
- Eu sei disto. – ela se limitou a responder.
- Muito bem... Voltando ao normal... Já consegue me responder. – ironizou ele novamente.
- Não estou no meu normal, senhor... Ainda me sinto mal.
- Mas pelo visto não tanto quanto seu pai disse.
- Meu pai não mentiria... Eu vim porque fui obrigada pelo senhor.
- Muito bem... Então percebeu que é inútil lutar contra mim, Daily.
- No momento realmente não tenho condições alguma de lutar contra qualquer pessoa.
- Lutar... Uma palavra rude saindo da boca de uma moça tão linda quanto você...
- O senhor falou a palavra...
- Mas eu não me torno feio falando uma palavra tão forte, pois sou um homem... Mas você perde um pouco da sua, delicadeza, digamos...
- O senhor pode falar o que quiser, pois nada vai mudar seu aspecto horrível de ser.
- Confesso que estou ofendido. – disse ele rindo, mostrando dentes grandes brancos e alinhados.
Ela parou o que estava fazendo, olhou no fundo dos olhos dele e perguntou:
- Por que o senhor me odeia tanto?
- Eu não a odeio, Daily. Pelo contrário. Talvez eu não esteja conseguindo expressar direito meus sentimentos por você.
- Quer então que eu pensei que gosta de mim?
- Só gosto dos meus deuses e espíritos...
- Eles não falam só com você... Moa também consegue falar com eles.
- Você continua vendo aquele velho trapaceiro? Ele deve encher sua cabeça de coisas contra mim, não é mesmo?
- Moa não precisa me falar sobre você. Eu o conheço o suficiente para saber que o senhor não é uma boa pessoa.
- Por que acha que eu não sou uma boa pessoa?
- Por vários motivos... Sei que manipula nosso líder Kasenkino e que quer o poder dele... Deseja comandar nosso povo.
- Não acredito que se atreveu a tanto...
- Lutarei contra seu domínio.
Ele deu-lhe uma bofetada. Várias pessoas próximas pararam o que estavam fazendo olhando surpresos e perplexos para o acontecido. Daily levou a mão ao rosto ardente. Olhou bem nos olhos dele e conseguia sentir fúria e raiva.
- Nunca mais se atreva a falar comigo desta maneira. Da próxima vez não será uma bofetada... Agirei de forma bem pior, acredite.
Ele saiu e ela continuou seu trabalho, sentindo todos os olhares sobre ela. De repente tudo escureceu à sua volta e ela sentiu seu corpo caindo com força no chão.
Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce
- Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram
Daily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.- Não me sinto muito bem...Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:- Envenenamento. – disse o doutor.- Como? – perguntou Daily chocada.- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:- Não pode
Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.
Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre
Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol







