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Capítulo 19

last update Data de publicação: 2021-09-08 03:07:43

- Daily, por que está chorando? – perguntou Erone quando percebeu as lágrimas nos olhos dela.

- Nada de importante, meu pai. – disse ela limpando as lágrimas. – O casamento está me deixando assim... Acho que o medo da mudança de vida. – mentiu ela.

- Tudo vai ficar bem, Daily. Não se preocupe.

Daily tentou ficar mais tranquila. Erone tinha razão. Tudo ficaria bem... Desde que ela casasse com Burt e esquecesse Mark.

- Burt, você não trabalhará mais conosco? – falou ela mudando de assunto.

- Pois é... Vou para o cultivo do café.

- Vai ser melhor para você... Estará livre do trabalho pesado do muro.

- Eu preferiria ficar na construção do muro... Assim estaria ao seu lado.

Daily percebeu sinceridade nas palavras de Burt. Infelizmente ele parecia apaixonado por ela, o que ela tentara evitar desde o início. Escolhera-o justamente por serem grandes amigos e acreditar que não haveria chance de haver amor entre eles. No entanto seu plano estava dando errado. Burt estava envolvido por ela.

Daily serviu a janta, que estava saborosa. Ela não via a hora de terminar tudo aquilo para que pudesse ir para a floresta, na beira do rio, encontrar Mark. Embora soubesse que não era correto vê-lo ou alimentar aquele amor impossível, ainda assim o fato de ter marcado aquele encontro a deixava ansiosa.

- Burt, você não só teve a sorte de levar para casa uma ótima cozinheira, como também uma das mais perfeitas Kasenkinas. – observou Erone em forma de elogio.

- Acredito, Erone. Daily é a melhor Kasenkina... Eu sei disto.

- Em algumas coisas, é claro. –disse Erone.

- Melhor já irem me falando dos defeitos também... Para eu não pensar que ela só tem qualidades. – falou Burt.

Daily ficou observando a conversa e não sabia se era real ou uma ironia. Ainda assim ela não interveio e deixou que os dois continuassem.

- Defeitos? – disse Erone. – Todos temos defeitos, Burt. Inclusive Daily. Talvez os defeitos que eu vejo nela você ache que são qualidades... Ou o contrário. Terá que descobrir por você mesmo.

Daily ficou satisfeita com a resposta do pai. Burt concordou e ela não sabia se realmente ele achava aquilo ou se não quis ser contrário ao que Erone dizia. Mas ela não se importava muito com o que Burt pensava. Só queria que ele se desse em conta que já estava tarde e era hora de ele ir para casa.

- Eu preciso ir. – disse ele. – Embora esteja gostando muito de estar aqui com vocês. Precisamos descansar. Mas nos encontramos amanhã na festa de anúncio do casamento.

- Até amanhã, Burt.

Daily fechou a porta e fingiu estar cansada.

- Com sono? – perguntou Erone.

- Sim... Foi um dia cansativo.

- Foi uma boa janta com Burt. Parabéns pela sua escolha. Ele é um bom homem. Fará você feliz.

- Eu espero ter feito a escolha certa, meu pai. – disse ela.

- Vou me retirar... E descansar.  – disse Erone subindo.

Daily organizou tudo e subiu, esperando seu pai adormecer.  Assim que se certificou de que ele estava dormindo, ela correu pela floresta sem nunca parar até chegar ao rio. Cada vez parecia que demorava menos tempo para chegar até lá, tamanha sua ansiedade.

- Daily... – falou Mark quando a viu, com voz baixa.

Ele estava parado em pé, próximo ao rio, observando a lua até ela chegar. Ela foi até ele e lhe abraçou:

- Sou eu. Estou aqui.

- Eu morri de saudades. – disse ele.

- Eu também.

- Achei que você pudesse não vir... Demorou tanto.

Ela se afastou um pouco dele e disse:

 - Preciso lhe contar uma coisa... Amanhã será anunciado meu casamento.

- Anúncio de casamento? Não sei muito bem como funciona isso... Mas quando será o casamento na verdade?

- Na próxima lua. – confessou ela.

- Mas... Faltam poucos dias. – observou ele.

- Eu sei... Não posso fazer nada, Mark.

- Realmente não pode fazer nada, Daily. Não importa se fosse amanhã ou depois ou mesmo na próxima lua... Você se casaria com o Kasenkino da mesma forma, não é mesmo?

- Mark, você precisa entender meus motivos...

- Acho que entendo seus motivos, Daily. Eu vou casar com Sherylin.

- Como? – perguntou ela confusa, deixando o ciúme crescer dentro de si.

- Você vai casar com um Kasenkino e eu com uma mulher que me foi prometida por meu pai... Tudo certo não é mesmo?

- Você não pode me deixar, Mark. – falou ela olhando o rosto dele pouco iluminado pela luz da lua.

- Eu preciso saber de uma coisa, Daily.

- Fale...

- Depois que você casar, deixará de vir me ver?

- Será preciso... – falou ela tristemente.

- E ainda quer que eu fique esperando por você? Quanto tempo... A vida toda? Eu não posso, Daily. Eu sou responsável por todo um reino porque meu pai foi morto. E ele foi morto por seu povo. Eu já fui decretado rei... E preciso de uma rainha. Eu amo você... Amo desde o primeiro momento em que a vi. E já lhe ofereci para vir comigo, inclusive lutar por você. Mas você não aceita e eu nem sei o motivo... Já provei meu amor de todas as formas... Mas começo a duvidar do seu.

- Eu não acredito que esteja me falando isso, Mark. – falou ela sentindo o coração bater descompassado e as palavras dele doerem dentro de si.

- O meu amor é maior que tudo, Daily... Eu seria capaz de deixar tudo por você. Mas eu sei que você não faria o mesmo por mim.

- Se soubesse o risco que estou correndo neste momento por estar aqui com você...

- Isso é risco para você?

- Sim... Para mim isso é um grande risco, Mark.

- Este não é o maior risco que quero que você corra por mim, Daily. Eu quero mais... Eu preciso de mais. Eu preciso de sua coragem, de sua força. Mas o que você me oferece no momento não é suficiente. Não basta, entende?

Ele simplesmente foi andando, deixando Daily ali, onde estava, parada sem conseguir se mover, tamanha confusão que estava sentindo com as palavras dele.

- Mark, aonde você vai?

Ele virou e disse:

- Quero que você volte aqui somente quando tiver certeza de que me ama.

Lágrimas começaram a cair de seus olhos, mesmo ela limpando e tentando impedir que elas rolassem. Não acreditava que Mark estava indo embora novamente:

- Mark, não faça isso comigo. Esperei muito para poder estar aqui neste momento e ver você. Não me deixe... Eu te amo.

- Não duvide de meu amor, Daily. Mas eu não tenho certeza do seu. Procure pensar no que realmente sente por mim. Esperarei por você, mas não até o fim da minha vida. E no dia em que você casar com o Kasenkino, nunca mais me verá. E não será porque você não quer... Eu não vou querer.

Mark se foi e ela ficou ali, sem fazer nada para impedir a não ser tentar palavras em vão. Não entendia o que Mark queria dela... Ela tinha certeza de que o amava, mas para ele parecia que aquilo não bastava. Como ela gostaria de entender o que ele precisava ou queria... Mas não conseguia. Mas ela sabia que ele tinha razão quando lhe disse que faltava-lhe coragem... Realmente ela era uma covarde. Mas uma covarde que o amava verdadeiramente. E ela não tinha dúvidas deste sentimento que tomava conta de todo seu íntimo.

Naquele momento só uma pessoa poderia lhe consolar: Moa.

Daily jogou-se no rio e nadou veemente até o outro lado, sem dificuldade. Tinha tanta ânsia por chegar até Moa que nem sabia como em meio à escuridão chegara tão rápido à cabana de Terry.

- Daily? – Terry ficou surpresa ao vê-la. – O que você faz aqui? Como conseguiu nos achar em meio à escuridão desta noite?

- Terry, eu preciso muito ver Moa. – falou ela exausta.

Ela viu Moa dentro da cabana e adentrou sem cerimônia. Ele tinha um semblante feliz sob o fogo que iluminava o ambiente.

- Minha menina... Estou muito surpreso de vê-la aqui nesta noite.

- Moa, eu precisava de você.

- O que houve?

Ela o abraçou aos prantos. Eles ficaram calados, somente a deixando chorar. Recebeu um afago nos cabelos pelas mãos sábias de seu amigo. Depois de um chá com erva calmante, finalmente ela conseguiu lhes contar tudo que havia acontecido entre ela e Mark, desde o primeiro momento em que se viram.

- Este amor é impossível. – falou Terry.

- Eu não sei se consigo viver sem ele. – confessou Daily.

- Por que você viu o casamento com Burt como solução? – perguntou Moa.

- Mark viu meu rosto... Eu não quero viver amaldiçoada... Eu tenho tantos sonhos, tantas coisas para viver... Meu rosto foi sem o véu antes do casamento, então se eu não me casar...

- Você é uma boa menina, Daily. A maldição não cairá sobre você desta forma que pensa.

- Moa, eu quero que você fale com os espíritos para mim... Preciso de ajuda.

- Por quê?

- Você me ajudou da outra vez... Preciso que eles lhe digam o que devo fazer.

Ele olhou para Terry, que trouxe um pequeno saco escuro e velho com pedras. Ele jogou as pedras próximas do fogo, fechou os olhos e fez seu ritual chamando os espíritos. Ele olhava para ela, olhava para as pedras e não dizia nada.

- O que houve, Moa? O que você vê? – perguntou ela aflita.

- Estranho... Eu não vejo nada. Parece que não há futuro. Nunca aconteceu isso...

Daily sentiu um arrepio percorrer seu corpo, mas continuou ali, esperando que Moa lhe dissesse algo.

- Vou tentar de outra forma. – disse ele. – Vamos para o passado.

Ela ficou observando-o atentamente.

- Você guarda um segredo de Mark... Isso vai começar a atormentá-la. Precisa fazer o certo, mesmo que lhe custe caro. Não há como fugir do destino, Daily, por mais que você tente. Vejo um homem... Mas não consigo ver seu rosto... Isso não costuma acontecer... Sombras em seu rosto...

- Quem é? Precisa ver quem é, Moa. – pediu ela.

- Ele sofre por você... Por amor. Mas será responsável por muita coisa ruim que lhe acontecerá.

- Deve ser Burt...

- Não tire conclusões apressadas, Daily. Pode ser qualquer pessoa.

- Moa, eu preciso saber se eu e Mark ficaremos juntos.

Moa jogou as pedras novamente. O fogo foi apagado por uma rajada forte de vento que entrou na cabana, derrubando vários objetos. A ventania iniciou também na floresta, forte, bravia, barulhenta, parecendo querer destruir tudo que havia pela frente. Chegava sem ser anunciada, fazendo as mãos de Moa tremer. Como se as pedras tivessem ganhado vida, foram sozinhas para o chão. 

- O que houve? – perguntou Daily olhando para tudo preocupada.

Terry correu até Moa e lhe abraçou, tentando acalmá-lo do transe.

- Espíritos muito fortes estão aqui. – disse ele em voz alta para poder ser ouvido em meio ao barulho quase ensurdecedor da ventania. – Isso nunca aconteceu... As pedras e os espíritos se recusam a falar... Não há futuro, Daily.

- Como assim não há futuro, Moa? – perguntou Terry confusa.

- Nós vamos morrer? – perguntou Daily.

- Não vi morte... Não vi nada... Não vi sequer você e Mark. Eu não entendo... – repetia ele várias vezes.

- E esta ventania? – perguntou Terry.

- Preciso ir até lá acalmar os espíritos. – falou Moa levantando-se.

- Não pode sair... É muito perigoso. – disse Terry.

- Não se preocupem... Eles só precisam voltar. – disse ele saindo.

Moa saiu e dentro de alguns instantes a tempestade parou, do nada, assim como havia começado, misteriosamente. Moa retornou para dentro da cabana.

- Como você conseguiu? – perguntou Daily incrédula.

- É somente um dom que me foi dado. – foi a resposta dele.

- Moa... Você pode criar uma tempestade e depois desfazê-la? – perguntou Daily.

- Não é bem isso, minha menina.

- Moa... Eu estou completamente incrédula com o que vi aqui hoje.  Isto é incrível.

- Isso não é incrível, Daily. Eu não gostaria que tivesse acontecido, acredite. É muito perigoso.

Daily continuava achando o que havia visto inacreditável. Moa era extremamente poderoso. Poderia Ahua fazer aquilo também? Ela sabia que jamais esqueceria o que havia visto ali. Mas ainda assim precisava saber mais sobre as visões que ele tivera.

- E o segredo que você falou... O que é?

- Eu não sei mais, menina. Este segredo é seu... Não sei se já está com você ou se ainda acontecerá.

Naquele momento veio à mente de Daily a imagem de Erone com a cabeça do rei Pollo perante todos os Kasenkinos. Este era um segredo que ela tinha e jamais poderia revelar a Mark. Mas ela não sabia se aquele poderia ser o segredo ao qual Moa se referia, pois todos os Kasenkinos sabiam daquilo. No entanto Mark não sabia que seu pai era o responsável pela morte do pai dele. E ela ainda estava confusa com relação a Moa não ver nada sobre o futuro dela e Mark.

- Há uma solução. – disse Moa de repente, levantando-se e andando de um lado para outro, muito ansioso.

- Que solução? Do que você está falando? – perguntou Daily.

- Me responda uma coisa, sinceramente. – pediu ele.

- Moa, eu sempre fui sincera com você. Jamais poderia lhe mentir qualquer coisa.

- Você ama Mark de verdade?

Daily fechou os olhos e pensou em Mark. Lembrou-se do primeiro encontro que tiveram. Sentiu cada sensação invadir seu corpo. Um frio lhe percorreu a espinha e as pernas ficaram trêmulas. Era isso que a presença dele fazia com ela. Viu também ele partindo, sem olhar para trás e seu coração se encher de dor e tristeza.

- Eu o amo do fundo do meu coração, Moa e não vejo minha vida sem ele.

- Então você se casará com ele.

- Não posso, Moa. Vou me casar com Burt... Já está tudo certo e já foi falado com Ahau e...

- Daily, esta é a solução. – falou ele interrompendo-a.

- Como assim?

- Se casará com Mark antes de casar com Burt. Uma Kasenkina só pode se casar uma vez e este casamento é para o resto da vida. Os deuses só aceitam uma união na vida dos Kasenkinos, exceto o líder, que pode ter quantas mulheres quiser, casando ou não. Caso possamos fazer isso, não consumaria o casamento com Burt, estou certo?

- Sim...

- Traição é morte. Se trair seu marido, merecerá a morte como punição. Como não tem intenção de consumar o casamento com Burt e pelo que o conheço ele não fará nada que você não queira, tudo sairá como o planejado. As tradições Kasenkinas serão cumpridas. Pertencerá eternamente a Mark e não consumando o casamento com Burt, seu verdadeiro marido sempre será Mark.

- Moa... Isso é possível?

- Mas lembre-se: jamais poderá consumar seu casamento com Burt, ou estará desafiando os deuses e não queira isso, por favor, menina.

- Nunca trairei o homem que amo, Moa... Nunca.

- Então converse com Mark e estarei esperando por vocês amanhã. E lembrem-se de trazer um símbolo que eternizará o que eu sei que é a maior união de todos os tempos.

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Último capítulo

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 34

    Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 33

    - Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 32

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  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 31

    Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 30

    Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 29

    Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol

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