로그인“FT”, 13 de janeiro, terça-feira.
Sem perder tempo, saltou sobre os cadáveres e percorreu o largo corredor. Entrou no quarto da direita, cuja porta estava aberta.
Viu a cama de casal desarrumada. Dois criados-mudos. O imenso guarda-roupa. Na parede uma televisão de trinta e duas polegadas e um aparelho DVD. Um filme pornô na tela. Imagem congelada.
→ Ora, ora → murmurou, surpreso.
Sobre um dos criados-mudos, viu uma garrafa de champanhe dentro de uma jarra com gelo, as duas taças, um prato com queijo cortado em cubos, uma caixa de palitos e uma faca de cozinha. Estava com sede, mas decidiu não beber o champanhe.
Abriu o guarda-roupa. Viu as roupas do sujeito. As roupas da morena. Uma carteira de couro. Caríssima. Um celular cinza.
Guardou a carteira e o celular no bolso do terno. Levando a carteira e o celular daria a impressão de que se tratava de mais um latrocínio.
Saiu do quarto.
De volta à sala, recolheu os cartuchos deflagrados. Mais uma das ideias do contato, que não esquecia nenhum detalhe.
Preparou-se para a fuga.
A parte mais difícil da missão, refletiu.
Não quis retirar as luvas. Guardou a pistola na maleta. Deu uma última olhada nos cadáveres. A morena → mesmo morta → mostrava uma sensualidade enfeitiçadora. Uma potranca!
Controlou-se... para não atacar o cadáver.
Saiu da casa, sem pressa, porém tenso.
Uma vez na calçada, retirou as luvas e as colocou num dos bolsos do terno. Olhou o relógio: 16h05min.
Atrasado!
Além disso, o contato não iria gostar de saber o que fizera. Dane-se! Havia concluído a missão e isso era o que realmente importava.
Olhou ao redor.
O Scort prata e o Monza cinza continuavam no mesmo lugar. Duas mulheres de meia idade se aproximavam, enquanto conversavam alto.
Ignorando-as, começou a andar, na direção sul.
Ansioso!
Temendo que algo desse errado!
Percorreu cento e vinte metros e virou à direita, entrando na rua transversal. Se pudesse correr! Se pudesse alcançar o carro! Estaria sendo seguido? Olhou por sobre o ombro direito. Nada. Tudo calmo.
Mantendo as passadas, deixou a transversal para trás. Virou à esquerda, desembocando na rua que foi seu ponto de origem.
Rua movimentada, com um grande tráfego de carros. Alguns motoristas olhavam para ele, com certeza por causa do terno.
Cuspiu.
Trocou a maleta de mão. Enxugou o suor da testa.
Passou na frente do trailer → do lado esquerdo → onde um casal de meia idade vendia caldo-de-cana e pasteis. Sentiu sede, mas não parou. Talvez em outra oportunidade...
Aumentou as passadas, ao avistar o Corsa cinza. Parou diante dele. Suspirou fundo, aliviado. Tudo certo! Breve estaria longe dali.
Na sua frente, o prédio → de um pavimento → da igreja católica, com destaque para a imensa cruz de bronze, fixada na parede do teto, este no formato de um “v” invertido.
Sabia que as autoridades eclesiásticas permitiam que os motoristas utilizassem o pátio como estacionamento, nos dias em que não tinha missa. Uma excelente medida, por sinal.
Entrou no Corsa. Depositou a maleta no banco de trás. Alisou o bigode. Ajustou a peruca na cabeça, depois de coçar o cocuruto.
Um garoto negro, feio e extremamente magro → que não teria mais que vinte anos →, se aproximou, solícito.
→ Tudo tranquilo, senhor → ele disse, com sua voz esganiçada. Devia ser usuário de drogas.
Sacou a carteira → a sua carteira! → separou algumas moedas e as entregou ao garoto.
→ “Brigado”! Boa viagem, senhor! Que Deus o proteja!
Não respondeu.
Ligou o Corsa e abandonou a área.
Era 16h15min.
PARTE QUATRO - O FIM DO MISTÉRIO “FT”, 17 de janeiro, sábado. Encontraram-se no restaurante “Hutt Levidt Paladar”, naquela manhã ensolarada. Beijaram-se nas faces. Ocuparam uma mesa discreta, nos fundos do recinto. → Tudo bem? → ela quis saber. → Tudo. → O dia está lindo. → Realmente O sol está maravilhoso. → Vamos almoçar? Comeram lagosta, com arroz, macarrão, salada, feijão e farofa. E vinho branco, como acompanhamento. Em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensam
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Estacionou a BMW a duzentos metros do ginásio. Havia dito para a esposa que precisava resolver um assunto urgente, de trabalho. Ela → acostumada a essas ausências → não questionou nem quis saber do que se tratava. Era uma excelente esposa! Vinte e tantos anos de casamento e continuava compreensiva, fiel e meiga! Fingia, inclusive, ignorar as diversas amantes que arrumava. A mulher perfeita! Olhou o relógio: 23h10min. Saiu da BMW. Usava terno preto, com gravata azul. A pistola se encontrava no coldre axilar, este oculto pelo terno. Adorava usar esse tipo de roupa.
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Contou tudo! Desde a abordagem pelo contato, o roubo do Corsa, o treinamento, os tiros, o estupro, a fuga, até a chegada na casa, já tarde da noite. → É isso aí → disse, para finalizar a conversa →. É... isso... aí. Cara, preciso de um remédio. Tô com u-uma fodida dor no c-cérebro, entende? O tal de Bruno → após ouvir o bizarro relato → não proferiu uma palavra sequer. Parecia um robô sem alma, como que perdido em sua própria loucura. Guardou o maçarico na maleta e tirou um celular e uma pistola, preta, com silenciador. Destravou a arma. Ergueu a mão armada. Virou-se. → Ca
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Enquanto isso... Vitorioso! Naquela noite, trancado na biblioteca da mansão → concentrado na elaboração do discurso → sentia-se o mais vitorioso dos homens! Nunca estivera tão satisfeito. Recapitulando os acontecimentos da semana, soubera da morte de Bruno no hotel, às oito da noite da terça-feira. Kleber → gerente de vendas da matriz → lhe dera a notícia. Estava realmente no norte do país. Portanto, bem distante das ações do assassino. Viajara para a cidade de “FT” na manhã do dia seguinte, fingindo estar chocado com o fato. Comparecera ao enterro. Claro!
“FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Arregalou os olhos. Viu-se diante de um... “fantasma”??? O sujeito teria entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Alto, branco e loiro. Olhos azuis. Cultivava um bigode fino, no estilo dos mexicanos. Apesar do intenso calor, usava um terno preto, com gravata lilás. Na mão direita, uma pasta marrom. → Te matei! → gritou, surpreso → TE MATEI!!! Não pode ser! Não pode ser!!! → Você checou se eu estava realmente morto? → o homem falou e sua voz era extremamente parecida com a do Bruno Handel. → Tu morreu, cara! Puta que pariu!!! O homem depositou a maleta no c
PARTE TRÊS - A VINGANÇA DO MORTO “FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Ao despertar, sentiu uma incômoda dor de cabeça. Dor chata! Como se agulhas perfurassem seu cérebro! Tentou se mexer, mas não conseguiu. Percebeu que estava amarrado a uma cadeira de aço → extremamente pesada → de espaldar alto. Cordas poderosas o prendiam por trás. Tentou de desenvencilhar, sem sucesso. → Merda! → vociferou, sem forças. Suava. O suor descia → lentamente → por seu rosto. Calculou ser quase meio-dia, com a temperatura na casa dos trinta e poucos