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CAPÍTULO 04

last update 게시일: 2021-09-09 20:15:15

      “FT”, 13 de janeiro, terça-feira.

      Sem perder tempo, saltou sobre os cadáveres e percorreu o largo corredor. Entrou no quarto da direita, cuja porta estava aberta.

      Viu a cama de casal desarrumada. Dois criados-mudos. O imenso guarda-roupa. Na parede uma televisão de trinta e duas polegadas e um aparelho DVD. Um filme pornô na tela. Imagem congelada.

      → Ora, ora → murmurou, surpreso.

      Sobre um dos criados-mudos, viu uma garrafa de champanhe dentro de uma jarra com gelo, as duas taças, um prato com queijo cortado em cubos, uma caixa de palitos e uma faca de cozinha. Estava com sede, mas decidiu não beber o champanhe.

      Abriu o guarda-roupa. Viu as roupas do sujeito. As roupas da morena. Uma carteira de couro. Caríssima. Um celular cinza.

      Guardou a carteira e o celular no bolso do terno. Levando a carteira e o celular daria a impressão de que se tratava de mais um latrocínio.  

      Saiu do quarto.

      De volta à sala, recolheu os cartuchos deflagrados. Mais uma das ideias do contato, que não esquecia nenhum detalhe.

      Preparou-se para a fuga.

      A parte mais difícil da missão, refletiu.

      Não quis retirar as luvas. Guardou a pistola na maleta. Deu uma última olhada nos cadáveres. A morena → mesmo morta → mostrava uma sensualidade enfeitiçadora. Uma potranca!

      Controlou-se... para não atacar o cadáver.

      Saiu da casa, sem pressa, porém tenso.

      Uma vez na calçada, retirou as luvas e as colocou num dos bolsos do terno. Olhou o relógio: 16h05min.

      Atrasado!

      Além disso, o contato não iria gostar de saber o que fizera. Dane-se! Havia concluído a missão e isso era o que realmente importava.    

      Olhou ao redor.

      O Scort prata e o Monza cinza continuavam no mesmo lugar. Duas mulheres de meia idade se aproximavam, enquanto conversavam alto.

      Ignorando-as, começou a andar, na direção sul.

      Ansioso!

      Temendo que algo desse errado!

      Percorreu cento e vinte metros e virou à direita, entrando na rua transversal. Se pudesse correr! Se pudesse alcançar o carro! Estaria sendo seguido? Olhou por sobre o ombro direito. Nada. Tudo calmo.

      Mantendo as passadas, deixou a transversal para trás. Virou à esquerda, desembocando na rua que foi seu ponto de origem.

      Rua movimentada, com um grande tráfego de carros. Alguns motoristas olhavam para ele, com certeza por causa do terno.

      Cuspiu.

      Trocou a maleta de mão. Enxugou o suor da testa.

      Passou na frente do trailer → do lado esquerdo → onde um casal de meia idade vendia caldo-de-cana e pasteis. Sentiu sede, mas não parou. Talvez em outra oportunidade...

      Aumentou as passadas, ao avistar o Corsa cinza. Parou diante dele. Suspirou fundo, aliviado. Tudo certo! Breve estaria longe dali.

      Na sua frente, o prédio → de um pavimento → da igreja católica, com destaque para a imensa cruz de bronze, fixada na parede do teto, este no formato de um “v” invertido.

      Sabia que as autoridades eclesiásticas permitiam que os motoristas utilizassem o pátio como estacionamento, nos dias em que não tinha missa. Uma excelente medida, por sinal.

      Entrou no Corsa. Depositou a maleta no banco de trás. Alisou o bigode. Ajustou a peruca na cabeça, depois de coçar o cocuruto.

      Um garoto negro, feio e extremamente magro → que não teria mais que vinte anos →, se aproximou, solícito.

      → Tudo tranquilo, senhor → ele disse, com sua voz esganiçada. Devia ser usuário de drogas.

      Sacou a carteira → a sua carteira! → separou algumas moedas e as entregou ao garoto.

      → “Brigado”! Boa viagem, senhor! Que Deus o proteja!

      Não respondeu.

      Ligou o Corsa e abandonou a área.

      Era 16h15min.

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댓글 (1)
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James Nungo
Cada vez mais interessante. Capítulo 4 lido com sucesso.
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