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CAPÍTULO 07

last update Data de publicação: 2021-09-09 20:17:40

      PARTE DOIS - O CONTATO

      Retrospectiva. Voltando ao passado.

      Acordou → naquela manhã de domingo → com as repetidas batidas na porta da quitinete onde morava, de aluguel. Toc, toc!

      Olhou o relógio: 10h15min.

      Seria o babaca da condicional? Um maldito tira? Ou um vendedor de bugigangas? Desgraçado! Isso lá era hora para visita?

      Havia bebido e fumado maconha → num dos bordéis da cidade de “KL...”, onde residia →, além de ter “detonado” uma prostituta gostosa. Chegou por volta das cinco da madrugada e só pensava em dormir. As malditas batidas interromperam seu descanso.

      Irritado, levantou-se e não se deu ao trabalho de se vestir ou fazer a higiene pessoal. Abriu a porta nu da cintura para cima mesmo.

      Deparou-se com um homem branco, alto e magro e que teria entre cinquenta e cinquenta e cinco anos. Usava um terno preto, que lhe dava uma grandiosa elegância. O olhar, no entanto, era... gélido!

      Não gostou daquele olhar!

      Arrepiou-se! Teriam descoberto tudo sobre os estupros?

      → Pois não? → perguntou, na defensiva.

      → Bom dia! Meu nome é Paulo e o seu é Macto Lins Hert → o homem disse, numa voz baixa e sinistra →. Podemos conversar?

      Macto. Como ele sabia seu nome? Nunca tinha visto esse sujeito antes. Jamais.

      Negue! Negue!

      Eles não tinham provas!, pensou, tenso.

      → Tu é tira? Não fiz nada de errado.

      → Não sou policial, não se preocupe. Estou aqui para lhe fazer uma proposta. Uma proposta irrecusável. Podemos conversar?

      Não era policial! E queria propor alguma coisa. O que seria? A curiosidade sobrepujou o medo.

      → Que tipo de proposta?

      → Posso entrar? Está quente, aqui fora.

      → Cara, tu bate na porra da minha porta em pleno domingo, acaba com meu descanso e ainda quer cantar de galo? Tu é louco, mano? Tu sabe com quem lidando?

      → Claro. Na verdade, sei tudo sobre você.

      O que aquele babaca queria dizer com isso? Lembrou-se dos estupros. Teria que preservar esse segredo a qualquer custo!

      O revólver estava escondido debaixo da cama. Primeiro, uma coronhada na cabeça, para desacordá-lo. Os vizinhos não poderiam ouvir o barulho. Segundo, mataria o desgraçado a facadas, dentro da quitinete mesmo. E terceiro, desovaria o corpo em qualquer matagal.

      Mas, antes, precisava checar.

      → Como assim, sabe tudo sobre mim?        

      → Você é filho de Kleber Lins Hert e de Marta Alvim Hert, ambos já falecidos. Possui um irmão de nome Miguel Lins Hert, atualmente sargento do Exército e que serve no norte do país. Esteve preso por quinze anos, por estupro, assassinato e tráfico de drogas. Foi solto há dois meses e é obrigado a se apresentar, uma vez por mês, para o senhor Luís Gruter, funcionário da condicional do Estado. Tem trinta e oito anos, solteiro, sem filhos, é viciado em maconha e tem uma tatuagem no braço direito, que estou vendo daqui. Para finalizar, trabalha como lavador de carros, durante o dia, no posto “Dalton Fress”, emprego que detesta. Corrija-me, se falei algo incorreto.

      Assombroso! Impressionante!

      Aquele sujeito sabia quase tudo de sua vida. Citou seus pais, seus queridos pais, que morreram enquanto estava na prisão. Citou seu irmão, com o qual perdera o contato há muito tempo.

      Com qual finalidade? Para sua sorte, não parecia saber sobre os dois estupros que cometera, assim que saiu da prisão. Ninguém sabia! Era seu macabro segredo!

      Não soube o que dizer.

      → Posso entrar? → o homem perguntou, após retomar o fôlego.

      → Confesso que estou impressionado. → disse, após refletir um pouco → Tu andou fuçando mesmo a bosta do meu passado. Mas talvez tenha fuçado a troco de nada. Não quero me meter em confusão. Não quero ser preso novamente, sacou?

      → Você não se meterá em confusão. Longe disso. Escute. Quer pelo menos ouvir que proposta tenho para lhe oferecer?

      → Desembuche.

      → Comprarei uma casa mobiliada para você, na cidade que escolher. Eu disse mobiliada. Entendeu? Comprarei também um carro, do tipo que quiser. Qualquer carro! Além do mais, lhe darei uma substancial quantia em dinheiro.

      Ele disse o valor.

      Incrível! Era dinheiro suficiente para viver bem → sem trabalhar → por pelo menos dois anos.

      Sua curiosidade aumentou.

      → Quando a esmola é grande, o pobre tem que desconfiar. O que devo fazer, para ganhar tudo isso?

      → Simples. Quero que mate um homem.

      Então era isso! O desgraçado realizara a pesquisa apenas para forçá-lo a matar alguém, sabe-se lá por qual motivo.

      Matar! Adorava matar!

      Havia assassinado seis pessoas, cinco delas traficantes → a sexta a esposa de um deles. A tiros! Bala na moleira! Eliminara os filhos da puta com prazer, ciente de que estava tirando vermes da face da Terra.

      Isso há trocentos anos, quando era jovem. Por ter sido traído → e por causa dos três estupros → pegara vinte e oito anos de cana, dos quais cumpriu quinze. Como consequência, atualmente estava sem prática. Sem reflexo. Sem forças.

      Os riscos não compensavam!

      E se fosse uma armadilha? E se aquele sujeito fosse um tira?

      → Sua proposta é tentadora, mas minha resposta é não.

      → Tenho um plano. Não quer pelo menos ouvi-lo?

      → Tu é surdo?        

      → Posso te pagar um almoço? Frutos do mar, com cerveja ou vinho. Conversaremos, enquanto isso. Ouça meu plano. Se, depois, não quiser fazer o serviço, irei embora e você nunca mais me verá.

      → Como é que é?

      → Ouça, antes, o meu plano. É perfeito! Você jamais será preso. Juro. Mais tarde, basta me dizer o que decidiu, que respeitarei tua decisão. → o homem passou a mão na testa, para tirar o suor → Peço-lhe que pense, que analise minhas palavras! Você não deve desperdiçar essa oportunidade de mudar de vida. De ter dinheiro no bolso. Ou isso ou vai passar o resto da vida lavando carros.

      Ele tinha razão. Detestava o emprego que o babaca da condicional lhe arranjara. No fundo, estava querendo voltar a vender drogas ou outro tipo de contrabando, para ganhar dinheiro de uma forma mais fácil. No momento, tinha uma vida péssima!

      Ao mesmo tempo, não queria voltar para a penitenciária. Não queria mais viver num ambiente fedorento e imundo.

      Suspirou.

      → Se eu não gostar do seu plano, tu parará de me incomodar? Sumirá da minha vida para sempre?

      → Prometo.

      → Cuidado, mano. Tu não vai gostar de me ver zangado.

      → Não se preocupe. Não entrarei mais em contato com você, caso rejeite meu plano.

      → Olha lá, hein?

      → Vamos comer?

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Comentários (1)
goodnovel comment avatar
James Nungo
Capítulo muito bom. Adorei imensamente os diálogos bem naturais.
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