로그인Retrospectiva.
Naquela noite sonhou que era um homem rico e que estava rodeado de belas mulheres. Mulheres sensuais, de corpos magníficos. Mulheres submissas e sorridentes.
Fazia de tudo com elas!
Sim. Havia se tornado um matador profissional, com dinheiro suficiente para viver bem pelo resto da vida. Matava pessoas e isso o deixava feliz.
A imagem de uma cela nauseabunda não surgiu, em sua mente. A hipótese de ser preso não entrou na equação. Seria um excelente sinal? Uma premonição positiva?
De repente, o despertador tocou, avisando-o de que teria que lavar carros. Merda! Era novamente um pobre lascado, um homem sem futuro, que residia → a contragosto → numa fétida quitinete.
O plano!
Por mais que procurasse, não viu falhas nele.
Se fosse esperto o suficiente, não seria preso. Além do mais, pretendia sair da cidade de “KL”, até que as coisas esfriassem. Quem sabe se não poderia continuar a matar?
Pensou... pensou... pensou....
Tomou, enfim, sua decisão.
Quando o homem voltou → depois das oito da noite →, permitiu que ele entrasse na quitinete. Os dois sentaram na cama de solteiro, uma vez que não havia cadeiras no recinto.
→ Passe aquela foto para cá → disse.
→ Isso é um “sim”? → o homem parecia eufórico.
→ O que você acha?
O homem comprou a residência no bairro “KL-17”, na zona norte. À vista, é mole? A zona norte era uma região rica e tranquila. Rua dos endinheirados.
A casa! Pintada de amarelo-fosco, de um pavimento, porém com três quartos, sendo um deles suíte. Mobiliada. Sempre quis ter uma televisão de sessenta polegadas, para assistir filmes pornográficos e de suspense.
O carro foi um Siena prata → de quatro portas →, novo e discreto. Afinal, não queria chamar a atenção de nenhum abelhudo.
Abriu uma conta corrente, no seu nome verdadeiro mesmo. Recebeu metade do dinheiro. O homem disse que daria a outra metade assim que o trabalho fosse concluído.
Concordou.
Preparou-se, após receber o material.
Treinou tiro e dicção. Nada de palavrões, o homem dissera. Fez os reconhecimentos, na cidade de “FT”. Gostou da rua. Escolheu a pátio da igreja → localizado na rua paralela → como ponto de origem de suas ações. A estrada do matagal era perfeita!
Vestiu o terno. Teve que suportar o antipático tecido! Usou o disfarce. Calçou as luvas. Cortou os cabelos. A peruca provocava coceiras, mas foi se acostumando.
Uma semana depois, viu-se em condições de começar.
Pediu, antes, dispensa do trabalho.
O tal de Paulo → o contato → lhe deu permissão para agir.
E foi o que fez.
No dia em questão, viajou para a cidade de “FT”. De madrugada, roubou um Corsa! Moleza.
Passou a manhã na praia, tomando cerveja e fumando maconha. À tarde, entrou na casa. Atirou nos dois! Aproveitou para se divertir com a morena gostosa, apesar das recomendações para não o fazer. Dane-se!
E agora estava ali → em plena fuga →, pronto para encarar uma nova vida, pronto para se transformar num invencível assassino.
PARTE QUATRO - O FIM DO MISTÉRIO “FT”, 17 de janeiro, sábado. Encontraram-se no restaurante “Hutt Levidt Paladar”, naquela manhã ensolarada. Beijaram-se nas faces. Ocuparam uma mesa discreta, nos fundos do recinto. → Tudo bem? → ela quis saber. → Tudo. → O dia está lindo. → Realmente O sol está maravilhoso. → Vamos almoçar? Comeram lagosta, com arroz, macarrão, salada, feijão e farofa. E vinho branco, como acompanhamento. Em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensam
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Estacionou a BMW a duzentos metros do ginásio. Havia dito para a esposa que precisava resolver um assunto urgente, de trabalho. Ela → acostumada a essas ausências → não questionou nem quis saber do que se tratava. Era uma excelente esposa! Vinte e tantos anos de casamento e continuava compreensiva, fiel e meiga! Fingia, inclusive, ignorar as diversas amantes que arrumava. A mulher perfeita! Olhou o relógio: 23h10min. Saiu da BMW. Usava terno preto, com gravata azul. A pistola se encontrava no coldre axilar, este oculto pelo terno. Adorava usar esse tipo de roupa.
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Contou tudo! Desde a abordagem pelo contato, o roubo do Corsa, o treinamento, os tiros, o estupro, a fuga, até a chegada na casa, já tarde da noite. → É isso aí → disse, para finalizar a conversa →. É... isso... aí. Cara, preciso de um remédio. Tô com u-uma fodida dor no c-cérebro, entende? O tal de Bruno → após ouvir o bizarro relato → não proferiu uma palavra sequer. Parecia um robô sem alma, como que perdido em sua própria loucura. Guardou o maçarico na maleta e tirou um celular e uma pistola, preta, com silenciador. Destravou a arma. Ergueu a mão armada. Virou-se. → Ca
“FT”, 16 de janeiro, sexta-feira. Enquanto isso... Vitorioso! Naquela noite, trancado na biblioteca da mansão → concentrado na elaboração do discurso → sentia-se o mais vitorioso dos homens! Nunca estivera tão satisfeito. Recapitulando os acontecimentos da semana, soubera da morte de Bruno no hotel, às oito da noite da terça-feira. Kleber → gerente de vendas da matriz → lhe dera a notícia. Estava realmente no norte do país. Portanto, bem distante das ações do assassino. Viajara para a cidade de “FT” na manhã do dia seguinte, fingindo estar chocado com o fato. Comparecera ao enterro. Claro!
“FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Arregalou os olhos. Viu-se diante de um... “fantasma”??? O sujeito teria entre quarenta e cinco e cinquenta anos. Alto, branco e loiro. Olhos azuis. Cultivava um bigode fino, no estilo dos mexicanos. Apesar do intenso calor, usava um terno preto, com gravata lilás. Na mão direita, uma pasta marrom. → Te matei! → gritou, surpreso → TE MATEI!!! Não pode ser! Não pode ser!!! → Você checou se eu estava realmente morto? → o homem falou e sua voz era extremamente parecida com a do Bruno Handel. → Tu morreu, cara! Puta que pariu!!! O homem depositou a maleta no c
PARTE TRÊS - A VINGANÇA DO MORTO “FT”, 15 de janeiro, quinta-feira. Ao despertar, sentiu uma incômoda dor de cabeça. Dor chata! Como se agulhas perfurassem seu cérebro! Tentou se mexer, mas não conseguiu. Percebeu que estava amarrado a uma cadeira de aço → extremamente pesada → de espaldar alto. Cordas poderosas o prendiam por trás. Tentou de desenvencilhar, sem sucesso. → Merda! → vociferou, sem forças. Suava. O suor descia → lentamente → por seu rosto. Calculou ser quase meio-dia, com a temperatura na casa dos trinta e poucos