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Capítulo — 28 A decisão.

Author: A escritora
last update Petsa ng paglalathala: 2026-06-27 23:03:53

Os dias que sucederam a grande entrega passaram com tranquilidade.

A rotina voltou ao seu curso.

Todas as manhãs, Constantine seguia para o açougue de Tião.

O trabalho continuava exigente, mas ela já havia conquistado o respeito dos colegas e aprendido a lidar com as brincadeiras e comentários que, no início, tanto a incomodavam.

Ao mesmo tempo, a pequena casa da família vivia uma realidade completamente diferente.

Desde a reunião na Zanobi Corporation, o telefone de Ludovica quase não parava de tocar.

Uma encomenda dava lugar a outra.

Clientes indicavam novos clientes.

As tortas passaram a ser conhecidas em vários bairros da cidade.

E os bolos decorados começaram a fazer parte de aniversários, confraternizações e pequenas festas.

A cozinha, antes silenciosa, agora permanecia movimentada durante praticamente todo o dia.

Naquela tarde, Constantine retornou do trabalho um pouco mais cansada que o habitual.

Assim que entrou em casa, sentiu o delicioso aroma de bolo recém-assado invadir o ambiente.

Sorriu automaticamente.

Era um cheiro que lhe trazia paz.

Mal teve tempo de guardar a bolsa quando ouviu a voz da tia.

— Minha filha... vem cá um pouquinho.

O tom era calmo.

Quase carinhosamente preocupado.

Constantine aproximou-se da sala.

Ludovica estava sentada no sofá.

Ao seu lado havia um espaço reservado para ela.

— Senta aqui comigo.

Sem entender muito bem o motivo daquela conversa, Constantine obedeceu.

Ludovica segurou delicadamente as mãos da sobrinha.

Permaneceu alguns segundos em silêncio antes de falar.

— Minha filha... eu sei que você está vivendo uma fase nova da sua vida.

Constantine ouviu atentamente.

— Sei que trabalhar no açougue fez muito bem para você. Você conheceu pessoas, conquistou sua independência e começou uma vida diferente daquela que levávamos na fazenda.

Ela sorriu com ternura.

— E isso me deixa muito feliz.

Os olhos de Constantine começaram a marejar.

— Mas eu preciso da sua ajuda.

Aquelas palavras foram ditas com sinceridade.

Quase uma súplica, sem pressão, apenas com o coração.

— As encomendas aumentaram muito. Eu e seu tio Tommaso estamos fazendo o possível, mas já não estamos conseguindo dar conta.

Ludovica respirou fundo.

— Ontem quase deixamos um pedido sem entregar por falta de mão de obra.

Ela apertou levemente as mãos da sobrinha.

— Se você decidir trabalhar comigo, eu vou ficar muito feliz.

Um sorriso emocionado surgiu em seu rosto.

— Muito feliz mesmo.

Fez uma pequena pausa antes de continuar.

— Mas, se preferir continuar no açougue com o Tião, eu vou entender completamente. Eu procuro outra pessoa para me ajudar, só não queria deixar de conversar primeiro com você.

Constantine permaneceu alguns instantes em silêncio.

Olhou ao redor, aquela cozinha, aquela sala, o lar simples que representava a sua família, estava ganhando uma nova vida e indo em uma direção totalmente diferente da que ela imaginou quando saiu da fazenda.

Depois voltou os olhos para a tia.

Sorriu.

— Tia...

Ela apertou carinhosamente suas mãos.

— Não existe lugar no mundo onde eu me sinta mais feliz do que ao lado da senhora.

Ludovica sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Eu adoraria trabalhar aqui com vocês.— Continuou Constantine

Ela olhou rapidamente para a cozinha.

— Ajudar a senhora a preparar essas delícias seria uma alegria.

Depois completou:

— Amanhã mesmo vou conversar com o Tião.— Quero explicar a ele toda a situação. Se ele compreender e concordar, venho trabalhar com vocês.

Ludovica não conseguiu conter a emoção.

Na manhã seguinte, Constantine pediu para conversar com Tião em particular.

Ele percebeu pela expressão dela que aquele não seria um assunto qualquer.

Afastaram-se um pouco do movimento do açougue.

— Aconteceu alguma coisa, minha filha? — perguntou ele, com a preocupação de sempre.

Constantine respirou fundo.

— Tião... eu queria, antes de qualquer coisa, agradecer.

Ele franziu levemente a testa e perguntou?

— Agradecer?

— Sim. Sou muito grata por tudo o que o senhor fez por mim. Por ter acreditado em mim quando eu mais precisei, por ter me dado uma oportunidade, por ter me tratado com respeito desde o primeiro dia. Tudo o que aprendi aqui vai me acompanhar por toda a vida.

Tião sorriu discretamente, aguardando que ela continuasse.

— Mas eu preciso lhe pedir uma coisa.— Continuou.

Ela abaixou os olhos por um instante.

— Depois da nossa entrega na Zanobi Corporation, as encomendas da minha tia aumentaram muito. Graças a Deus, o trabalho dela ganhou bastante notoriedade. — Disse olhando fixo para ele.

Seu sorriso surgiu naturalmente.

— Só que agora ela e o meu tio não estão conseguindo dar conta de tudo sozinhos. Eles precisam da minha ajuda.

Respirou fundo antes de continuar:

— Eu queria saber se o senhor me liberaria para trabalhar com eles.

O silêncio tomou conta do ambiente por alguns segundos.

— Eu preciso ajudá-los a realizar esse sonho.

Os olhos de Constantine marejaram.

— É tão bonito vê-los, na idade que têm, trabalhando com alegria, fazendo planos, querendo crescer... Quando saímos da fazenda, eu me perguntava todos os dias se havia tomado a decisão certa. Hoje eu entendo que sim. Tudo o que precisávamos era de uma oportunidade para construir algo que fosse realmente nosso. A nossa vida continua árdua, mas pelo menos, agora temos esperança. E você faz parte disso, nunca irei esquecer o quanto nos ajudou— Afirmou ela concluindo.

Tião permaneceu em silêncio por alguns instantes.

Depois sorriu com aquele jeito tranquilo que lhe era tão característico.

— Constantine... eu torço muito por você.

Ela o encarou, emocionada.

— Por você e pela sua família.

Ele colocou a mão sobre o ombro da jovem.

— Tudo o que eu desejo é que vocês vivam cada dia melhor.

Abriu um sorriso sincero.

— Então vá.

— Vá ajudar a sua tia.

— Tenho certeza de que esse é o lugar onde você precisa estar agora.

Constantine não conseguiu conter as lágrimas.

— Muito obrigada, Tião.

Ele sorriu mais uma vez.

— E não desapareça. Esta sempre será a sua casa.

Naquele instante, Constantine compreendeu que algumas pessoas entram em nossa vida por pouco tempo, mas deixam marcas que permanecem para sempre.

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