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Capítulo 32 — Um gesto de credibilidade.

Penulis: A escritora
last update Tanggal publikasi: 2026-07-01 03:37:37

Depois de um gole do café ainda fumegante, Ludovica respirou fundo. Sentia que precisava tomar coragem.

— Senhor Umberto... nós recebemos uma proposta muito generosa. Uma ajuda que nos alegrou bastante. Mas, antes de tomarmos qualquer decisão, queríamos ouvir a opinião do senhor.

Umberto apoiou delicadamente a xícara sobre o pires.

— A minha opinião?

Ludovica sorriu.

— Sim. O senhor é um homem experiente nos negócios. Além disso... o senhor já comeu do nosso feijãozinho lá na fazenda. Para nós, isso tem um significado muito grande. Significa que o senhor já é de casa.

Umberto não conteve um sorriso discreto.

— Fico muito honrado em ouvir isso, dona Ludovica.

Ele então recostou-se levemente na cadeira.

— Mas me contem... que proposta foi essa? Imagino que esteja relacionada ao sucesso das encomendas da confeitaria.

Tommaso logo respondeu, cheio de entusiasmo.

— Sim, seu Roberto...

Constantine sorriu discretamente, levando a mão ao rosto. Ele nunca acertava o nome.

Antes que Tommaso continuasse, o doutor Antônio tomou a palavra.

— Umberto, a situação é a seguinte. Depois que as encomendas aumentaram, eles perceberam que a estrutura da casa já não suporta mais a produção. Ontem mesmo o forno apresentou um problema grave, e praticamente perderam toda a remessa que seria entregue.

Umberto imediatamente demonstrou preocupação.

— Sinto muito.

— Diante disso — prosseguiu Antônio — eu me ofereci para ajudá-los financeiramente. Minha intenção é custear a montagem de uma cozinha adequada e de um pequeno espaço comercial para que eles possam trabalhar com segurança e crescer. Porém, eles ficaram receosos em aceitar. E eu entendo perfeitamente.

Tommaso confirmou.

— É isso mesmo, seu Roberto. Nós não temos condição de pagar o doutor Antônio agora. Talvez daqui a dois anos... ou mais um pouco. Tenho medo de aceitar essa ajuda na emoção e, depois, não conseguir cumprir minha palavra. Não quero que ele fique no prejuízo e muito menos que pense que somos caloteiros.

Sua voz embargou.

— Nós trabalhamos a vida inteira na roça. Nunca tivemos muito dinheiro, mas sempre tivemos uma coisa: honestidade. E queremos continuar sendo lembrados por isso.

Umberto permaneceu alguns segundos em silêncio.

E Constantine resolveu falar.

— Senhor Umberto... nós gostaríamos muito que o senhor nos orientasse sobre a forma correta de fazer esse acordo. O doutor Antônio quer nos ajudar, mas queremos que tudo seja feito com segurança para ambos.

Ela olhou rapidamente para Antônio antes de continuar.

— Existe alguma maneira de formalizar isso? Algum contrato que deixe claro quais são os direitos e as obrigações de cada um, para que ninguém saia prejudicado?

Umberto entrelaçou as mãos sobre a mesa.

— Existe, sim.

Ele fez uma breve pausa antes de explicar.

— Pelo que estou ouvindo, não estamos falando de uma sociedade. O doutor Antônio não pretende ser sócio da confeitaria nem participar dos lucros. O que ele deseja oferecer é um empréstimo privado, juridicamente chamado de contrato de mútuo.

Os quatro ouviram atentamente.

— Esse contrato estabelece o valor emprestado, a finalidade do investimento, o prazo de carência que é o período em que vocês ainda não precisarão pagar, a forma de pagamento e todas as demais condições. Tudo fica registrado por escrito, com a assinatura das partes e de testemunhas. Se desejarem uma segurança ainda maior, esse documento pode ter reconhecimento de firma em cartório ou até ser elaborado por um advogado.

Ludovica suspirou aliviada.

— Então existe um jeito de proteger tanto nós quanto o doutor Antônio?

— Exatamente.

Umberto sorriu.

— Um bom contrato não existe porque as pessoas desconfiam umas das outras. Ele existe justamente para preservar uma amizade e evitar mal-entendidos no futuro.

Aquelas palavras trouxeram paz ao coração de todos.

Umberto permaneceu alguns segundos em silêncio.

Observou atentamente cada rosto à sua frente.

Então apoiou as mãos sobre a mesa e falou com serenidade.

— Em consideração à nossa amizade, dona Ludovica... eu gostaria de propor uma coisa a vocês.

Todos voltaram a atenção para ele.

— A primeira delas é a seguinte: esse contrato precisa ser elaborado antes de qualquer movimentação financeira.

Olhou diretamente para o doutor Antônio.

— Antônio, por favor, não faça nenhuma transferência de dinheiro antes que tudo esteja devidamente formalizado. Isso protege vocês e protege você também.

O médico concordou imediatamente.

— Concordo plenamente.

Umberto prosseguiu.

— Posso agilizar essa parte aqui mesmo na Zanobi Corporation. Temos um departamento jurídico e um advogado que poderá elaborar um contrato de mútuo de acordo com aquilo que vocês combinarem. Depois disso, vocês voltam aqui apenas para a leitura, assinatura e reconhecimento das obrigações de cada parte.

Ludovica respirou aliviada.

Mas Umberto ainda não havia terminado.

— Existe mais uma coisa.

Fez uma breve pausa.

— Eu possuo um imóvel comercial no centro da cidade.

Os quatro permaneceram atentos.

— Até poucos dias atrás funcionava ali um restaurante. O contrato de locação terminou recentemente e o antigo proprietário me devolveu o imóvel. A cozinha industrial continua completamente montada.

Os olhos de Constantine se arregalaram.

Umberto continuou:

— O espaço possui fornos industriais, bancadas de inox, câmaras frias, área de preparo e tudo o que vocês precisam para uma produção em maior escala.

Tommaso olhou para Ludovica, incrédulo.

— Amanhã vocês têm duas encomendas importantes para entregar, não têm?

Ludovica confirmou com a cabeça.

— Temos, sim.

— Então usem aquele espaço.

O silêncio tomou conta da sala.

Ludovica chegou a abrir a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu.

— Não se preocupem com aluguel, diária ou qualquer outro custo neste momento.

Umberto sorriu discretamente.

— Considerem isso apenas um empréstimo temporário, até que a situação de vocês se estabilize e encontrem o lugar ideal para montar a própria confeitaria.

As lágrimas voltaram aos olhos de Ludovica.

Ela jamais imaginaria receber tanta ajuda.

— Senhor Umberto... eu nem sei como agradecer...

Ele levantou delicadamente a mão, interrompendo-a.

— Não precisa agradecer agora.

Olhou para Tommaso, depois para Constantine e, por fim, para o doutor Antônio.

— Quero apenas que vocês entreguem essas encomendas amanhã. Seria uma pena ver tanto talento ser interrompido por causa de um forno quebrado.

Um leve sorriso surgiu no rosto de Constantine.

Ela começava a compreender por que os tios confiavam tanto naquele homem.

Umberto concluiu com a mesma tranquilidade de sempre:

— E agora que vocês estão iniciando essa nova fase como microempreendedores... quem sabe nossos caminhos possam continuar se cruzando. Gosto de acompanhar pessoas que trabalham com honestidade. E, pelo que conheço de vocês, honestidade nunca lhes faltou.

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