LOGINAlguns dias haviam se passado desde a Feira do Empreendedor, e a rotina de Constantine continuava mais movimentada do que nunca.A quantidade de pessoas interessadas no projeto havia superado todas as expectativas.Constantine passava boa parte dos dias organizando nomes, preenchendo cadastros, separando documentos e preparando relatórios para enviar à Zanobi Corporation.Naquele dia, finalmente havia chegado o momento de entregar todo aquele material.Umberto decidiu que seria melhor ir pessoalmente até a Doce Sonhos. Além de buscar os relatórios, queria conversar com Constantine sobre alguns assuntos relacionados ao andamento do projeto.Quando entrou em contato com ela, Constantine explicou:— Pode passar depois do expediente da confeitaria? Vou ficar aqui ajudando Ludovica e Tomazzo.— Claro. Sem problema.Antes de sair da empresa, Umberto também pediu a Nay:— Nay, envie para o meu e-mail aqueles contratos que serão apresentados aos participantes do projeto.— Os contratos da Fei
Os dias seguintes foram dedicados aos preparativos para a Feira do Empreendedor.Umberto e sua equipe organizaram tudo com cuidado. Um espaço foi alugado na própria comunidade, para que os moradores não precisassem se deslocar para longe. O local foi preparado para receber as pessoas com conforto, e não faltaram comida, bebidas e um ambiente acolhedor.Ainda assim, havia certa desconfiança.Quando os moradores perceberam que a Montreau Industries estava por trás do projeto, algumas pessoas preferiram manter distância.Afinal, a empresa de Edvaldo não era vista com bons olhos naquela comunidade.Durante anos, os moradores haviam convivido com os problemas causados pela fábrica instalada nas proximidades. Por isso, para muitos, aquela iniciativa parecia apenas mais uma tentativa da empresa de melhorar sua imagem diante das mídias.Mas Constantine conseguiu mudar aquela percepção.Ela não falou como representante da empresa.Falou como alguém que vivia ali.Contou um pouco da própria tra
Depois da conversa com Vito, Umberto finalmente deixou a empresa.Os últimos dias haviam sido uma verdadeira correria.Três dias na casa de Edvaldo, conversas que preferia esquecer, documentos que ainda precisava analisar e, assim que havia saído da casa do pai, fora diretamente para a empresa.Nem sequer tivera tempo de passar em casa.Agora, enquanto dirigia de volta, sentia o peso daqueles dias sobre os ombros.Precisava descansar.Quando finalmente chegou, entrou em casa e deixou a pasta sobre o móvel da entrada. Tirou o paletó, afrouxou a gravata e soltou um suspiro profundo.— Finalmente...Seguiu diretamente para o quarto.Um banho quente e demorado parecia ser exatamente o que precisava naquele momento.Depois, vestiu uma roupa confortável e pediu algo para comer.Enquanto esperava o delivery, levou os documentos que Edvaldo havia lhe entregado para o escritório.Sentou-se na poltrona e abriu a pasta.Começou a analisar cada página com atenção.Havia informações sobre a comuni
— Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.Vito assentiu.— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.Vito acenou positivamente.— Deixa comigo.Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.— Nay!Ela se virou.— Oi?— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.— Eu?— Você mesma.Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, pr
No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar. Naquela manhã, encontrou o pai no escritório. Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos. Umberto entrou sem bater. — Pai. Edvaldo ergueu os olhos. — Sente-se. — Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar. O homem pousou os documentos sobre a mesa. — Já? — Já estou aqui há três dias, pai. — E isso é muito? — Para mim, é. Edvaldo o observou em silêncio. Umberto continuou: — Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo. Ele esperava uma discussão. Ou então,
— Eu sempre quis te orientar da forma correta, mas você sempre me desafiou — disse Edvaldo, com a voz carregada de ressentimento. Umberto o encarou. — Eu nunca quis fazer as mesmas coisas que você fazia. O rosto de Edvaldo endureceu. — Porque você é um frouxo! Mole, chorão. A sua mãe te arruinou com aquele jeitinho dela. Deixou você assim. Por alguns segundos, Umberto permaneceu em silêncio. Aquelas palavras atingiram um lugar que ele tentava manter protegido havia anos. Sua mãe. Edvaldo sabia exatamente onde tocar. Mas, daquela vez, Umberto não abaixou os olhos. Deu um passo na direção do pai e respondeu, com a voz baixa e firme: — Não foi minha mãe que me tornou diferente de você, pai. Mas foi justamente ela que me mostrou que eu não precisava me tornar um homem cruel para ser forte. Edvaldo ficou em silêncio. Umberto continuou: — Você chama de fraqueza tudo aquilo que não consegue controlar. Minha escolha, minha consciência, minha liberdade... até o amor que







