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Capítulo 36 – O Alerta de Laocoonte

Author: A escritora
last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-01 21:09:19

O amanhecer trouxe consigo uma falsa sensação de normalidade.

Do lado de fora, a cidade seguia seu ritmo habitual.

Dentro da Zanobi Corporation, porém, o cenário era completamente diferente.

Os corredores permaneciam tensos.

Os telefones não paravam de tocar.

Funcionários caminhavam de um lado para o outro carregando documentos impressos.

Sem acesso aos sistemas, muitos processos voltaram a ser feitos manualmente.

A empresa parecia ter voltado décadas no tempo.

Mesmo diante daquele cenário, Umberto foi um dos primeiros a chegar.

Cumprimentou os colaboradores pelo nome.

Ouviu cada dúvida.

Tentou tranquilizar quem demonstrava preocupação.

Ele sabia que, naquele momento, seus funcionários precisavam enxergar mais do que um presidente.

Precisavam enxergar um líder.

E líderes não abandonam seus liderados durante a tempestade.

Mesmo cansado...

Mesmo sem respostas...

Ele permaneceu ali.

Ao lado deles.

Pouco depois, Vito aproximou-se.

— Umberto, podemos conversar um instante?

Ele apenas assentiu.

Os dois seguiram até uma pequena sala de reuniões, onde Carlota já os aguardava.

Assim que a porta foi fechada, Vito abriu uma pasta.

Seu semblante era sério.

— A situação está se agravando.

Empurrou alguns relatórios sobre a mesa.

— Recebemos pedidos de cancelamento de reuniões.

— Alguns investidores suspenderam temporariamente as negociações.

— Outros informaram que pretendem rever os contratos até que a situação seja normalizada.

Carlota complementou:

— As ações da empresa começaram a sofrer oscilações desde as primeiras notícias sobre o ataque.

— A imprensa já repercute o caso.

O silêncio tomou conta da sala.

Umberto permaneceu olhando para os documentos.

Depois respirou profundamente.

— O que mais me preocupa...

Fez uma pausa.

— É que ainda não sabemos a dimensão desse ataque.

Levantou os olhos.

— Os sistemas administrativos foram comprometidos.

— O setor financeiro está praticamente paralisado.

— O banco bloqueou temporariamente parte das movimentações por medida de segurança.

Passou a mão pelos cabelos.

Pela primeira vez, sua voz demonstrava insegurança.

— Eu não sei se tentaram apenas paralisar a empresa...

— Ou se houve desvio de informações.

— Ou até mesmo de recursos financeiros.

Carlota e Vito permaneceram em silêncio.

Nenhum dos três possuía aquela resposta.

As horas passaram lentamente.

Cada ligação parecia trazer uma nova dificuldade.

Cada relatório aumentava ainda mais a preocupação.

Já passava das quatro da tarde quando o telefone de Umberto tocou.

Ele olhou para o visor.

Era o sargento responsável pela investigação.

Atendeu imediatamente.

— Senhor Zanobi.

A voz do outro lado da linha parecia mais firme do que no dia anterior.

— Temos uma atualização importante.

Umberto levantou-se da cadeira.

Vito e Carlota imediatamente voltaram a atenção para ele.

— Conseguimos localizar e prender um dos envolvidos.

O coração de Umberto acelerou.

— Quem?

— Um hacker.

Fez uma breve pausa.

— Mas preciso alertá-lo...

— O homem é extremamente experiente.

Até o momento, recusou-se a responder qualquer pergunta. Não demonstrou medo. Nem arrependimento. E deixou claro que não pretende colaborar com a investigação.

A sala mergulhou em silêncio.

Umberto desligou lentamente o telefone.

Olhou para Vito.

Depois para Carlota.

— Eles prenderam o hacker.

Por um breve instante, um sentimento de alívio percorreu os três.

Cerca de quarenta minutos depois, Umberto chegou ao departamento de polícia.

Foi recebido pelo sargento, que o cumprimentou rapidamente.

— Obrigado por ter vindo, senhor Zanobi.

— O homem está sendo ouvido neste momento.

Os dois caminharam por um longo corredor até pararem diante de uma porta discreta.

Ao entrarem, Umberto percebeu uma ampla janela de vidro.

Ou melhor...

Parecia apenas um vidro.

— Pode ficar tranquilo — explicou o sargento. — Trata-se de um espelho de observação. Ele não consegue nos ver daqui.

Do outro lado da sala, o suspeito permanecia sentado.

As mãos estavam apoiadas sobre a mesa.

Duas algemas prendiam seus pulsos.

Umberto franziu levemente a testa.

Aquela não era a imagem que esperava encontrar.

Não havia um jovem cercado de computadores.

Nem alguém vestindo roupas extravagantes.

À sua frente estava um homem de idade avançada.

Os cabelos grisalhos caíam desordenadamente sobre a testa.

A barba, também grisalha, parecia não ser aparada havia alguns dias.

Alguns dentes de prata apareciam sempre que abria um discreto sorriso.

Vestia uma longa capa preta sobre uma camisa escura.

Calçava botas de cano alto, gastas pelo tempo.

A calça jeans desbotada contrastava com o restante da roupa.

Seu estilo lembrava mais um velho roqueiro do que um especialista em tecnologia.

Mesmo algemado...

Transmitia uma tranquilidade inquietante.

Apenas permanecia sentado.

Como se já esperasse estar ali.

Umberto continuou observando-o por alguns instantes.

Depois perguntou em voz baixa:

— Tem certeza de que foi ele?

O sargento manteve os olhos fixos no suspeito.

— Não temos dúvidas de que ele executou a invasão.

Fez uma breve pausa.

— A única dúvida que resta...

Olhou para Umberto.

— É descobrir quem o contratou.

Umberto permaneceu observando o homem por mais alguns instantes.

Ainda lhe parecia difícil acreditar.

Durante anos, imaginara que um criminoso capaz de invadir o sistema de uma das maiores corporações do país seria um jovem brilhante, cercado por telas e equipamentos de última geração.

Mas, diante dele...

Estava um senhor de cabelos grisalhos.

O rosto marcado pelo tempo.

Alguns dentes de prata refletiam a luz fria da sala.

Umberto balançou discretamente a cabeça.

As aparências realmente enganavam.

Aquele homem destoava completamente da imagem que havia construído em sua mente.

E, ainda assim...

Conseguira colocar de joelhos uma das empresas mais sólidas do país.

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