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Capítulo 45 -

Author: A escritora
last update publish date: 2026-09-13 00:21:55

Capítulo 45 — O Jantar

No dia seguinte, Umberto foi trabalhar normalmente.

Ou, pelo menos, era isso que todos ao seu redor acreditavam.

Ele entrou na empresa no horário de sempre, cumprimentou alguns funcionários e seguiu para sua sala sem demonstrar qualquer alteração.

Por dentro, porém, estava completamente destruído.

A noite havia sido longa. Ele praticamente não dormira. Ainda assim, conseguiu guardar tudo o que sentia em algum lugar dentro de si.

Não podia deixar que ninguém percebesse.

Ou talvez não tivesse conseguido esconder tão bem quanto imaginava.

Durante a manhã, participou de videoconferências, analisou contratos, assinou documentos e conversou com diferentes setores da empresa.

Delegou funções.

Tomou decisões.

Respondeu às perguntas da equipe com segurança.

Em determinado momento, autenticou o documento referente à compra do espaço que seria utilizado como escritório do Projeto Novos Caminhos dentro da comunidade.

Tudo parecia seguir normalmente.

— Pode encaminhar esse documento para o setor jurídico — disse, entregando a pasta a um dos funcionários.

— Sim, senhor Umberto.

Ele continuou trabalhando.

Sua voz permanecia firme.

Seu olhar, concentrado.

Sua postura, impecável.

Para quem observava de fora, não havia nada de diferente naquele homem.

Mas, por dentro, cada minuto era uma batalha.

As imagens continuavam voltando à sua mente.

Emilyke.

Vito.

Os dois juntos.

Ele precisava se controlar.

Precisava descobrir até onde aquela mentira chegava.

Por isso, decidiu não confrontá-los imediatamente.

Naquela noite, colocaria seu próprio plano em prática.

Ao anoitecer, Umberto voltou para casa e se preparou cuidadosamente.

O restaurante já estava reservado.

Escolheu um terno elegante, ajustou a camisa e colocou seus melhores acessórios. Conferiu o relógio no pulso e, antes de sair, passou um perfume marcante.

Tudo precisava estar perfeito.

Não seria apenas um jantar.

Seria uma noite de respostas.

Quando chegou ao restaurante, Emilyke ainda não havia aparecido.

Umberto sentou-se à mesa reservada e permaneceu aguardando.

Poucos minutos depois, Emilyke entrou.

Ela estava elegante.

Caminhou pelo salão com confiança e, assim que o encontrou, abriu um sorriso.

Ao se aproximar, inclinou-se para beijá-lo.

Umberto, porém, afastou-se discretamente.

O gesto foi pequeno, mas suficiente para fazê-la parar.

Emilyke franziu levemente a testa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não — respondeu ele, com tranquilidade. — Sente-se.

Umberto puxou a cadeira para ela.

Emilyke sentou-se.

Por alguns segundos, observou o namorado, tentando entender seu comportamento.

— Qual é o plano para o nosso jantar a dois, meu amor? — perguntou ela.

Umberto sustentou o olhar.

— Se eu contar, vou estragar a surpresa.

Emilyke sorriu.

— Então eu já vou pedir o nosso jantar.

— Fique à vontade.

Ela pegou o cardápio.

Umberto permaneceu em silêncio.

Por dentro, sentia uma mistura de tristeza, raiva e incredulidade.

Como alguém podia mentir daquela maneira?

Durante tanto tempo, ele havia acreditado naquela relação.

E agora percebia que talvez tudo tivesse sido uma grande encenação.

Até mesmo as diferenças entre Emilyke e Vito.

Quantas vezes ele havia percebido os dois discutindo?

Quantas vezes parecera que não se suportavam?

Pareciam duas pessoas que se toleravam apenas por educação.

Mas tudo aquilo era falso.

Umberto ainda estava perdido nesses pensamentos quando percebeu alguém se aproximando da mesa.

Vito.

Ele entrou no restaurante e foi primeiro até a recepção. Depois de algumas palavras com o funcionário, recebeu a indicação de onde Umberto estava.

Caminhou até a mesa com um sorriso descontraído.

— Boa noite, meu casal. Demorei muito?

Emilyke imediatamente olhou para Umberto.

Seu semblante mudou.

Ela não parecia satisfeita.

— Imaginei que fosse um jantar a dois.

Umberto observou os dois.

Por dentro, algo se partia novamente.

Mas, dessa vez, ele não demonstrou.

Não acreditava mais naquele teatro.

Aquelas expressões.

Aquelas palavras.

Aquela suposta surpresa de Emilyke.

Tudo parecia fazer parte de uma encenação cuidadosamente construída.

Ele respirou fundo.

— Eu os chamei aqui porque tenho um anúncio a fazer para vocês dois logo mais.

Vito abriu um sorriso.

— Olha, eu me animei. Você sempre surpreende, Umberto.

— Mas, antes... — Umberto fez uma pequena pausa. — Vamos jantar.

Emilyke fechou o cardápio.

— Claro.

Vito puxou a cadeira e se acomodou.

Nenhum dos dois parecia imaginar o que aquela noite realmente significava.

Umberto os observou por alguns segundos.

Depois pegou o cardápio.

Seu rosto permanecia sereno.

Mas, dentro dele, uma decisão já estava tomada.

Naquela noite, ele não queria apenas observar.

Queria descobrir até onde aquela mentira havia chegado.

E, principalmente, queria saber o que Emilyke e Vito fariam quando percebessem que o homem que julgavam estar enganando já conhecia a verdade.

Ao final do jantar, os três permaneceram à mesa por alguns minutos.

Emilyke conversava naturalmente, enquanto Vito parecia cada vez mais descontraído.

Umberto, por outro lado, observava os dois em silêncio.

Não havia mais dúvidas.

Ele sabia.

Umberto colocou a taça sobre a mesa e, discretamente, retirou dois envelopes amarelos que havia deixado ao seu lado.

Colocou um diante de Emilyke e outro diante de Vito.

Os dois se entreolharam, confusos.

— O que é isso? — Emilyke perguntou.

Umberto permaneceu de pé.

Pegou sua taça e ergueu-a.

— Agora, antes de vocês abrirem, vamos fazer um brinde ao amor.

Emilyke sorriu, ainda sem compreender.

Vito levantou a taça também.

Umberto olhou para os dois.

Seu semblante estava tranquilo, mas seus olhos já não carregavam qualquer vestígio de afeto.

— Sejam felizes.

Virou a taça e tomou a bebida em um único gole.

Depois colocou-a sobre a mesa.

Pegou os dois envelopes e os empurrou na direção deles.

— Desejo tudo de bom ao casal.

Ergueu os braços em um gesto carregado de desdém.

Então virou-se e começou a sair.

— Umberto!

A voz de Emilyke o fez parar por um instante.

Ele não se virou.

— O que está acontecendo?

Havia pavor em sua voz.

Umberto permaneceu em silêncio.

Não precisava dizer mais nada.

Continuou caminhando até deixar o restaurante.

Emilyke ficou olhando para a porta por onde ele havia saído.

Suas mãos começaram a tremer.

Vito também permanecia imóvel.

— Abra — disse ele, finalmente.

Emilyke olhou para o envelope.

Por alguns segundos, nenhum dos dois teve coragem de tocá-lo.

Então Vito abriu o seu.

As fotografias estavam ali.

Uma após outra.

Imagens dos dois juntos.

Registros dos encontros.

Momentos que jamais deveriam ter chegado aos olhos de Umberto.

Vito pegou algumas fotografias e ficou olhando para elas.

Seu rosto perdeu completamente a cor.

— O miserável é um gênio... — disse, incrédulo.

Emilyke abriu o próprio envelope.

Assim que viu as primeiras fotografias, levou a mão à boca.

Seus olhos se encheram de pavor.

— Ele descobriu.

Vito levantou o olhar para ela.

Nenhum dos dois precisava dizer mais nada.

A verdade estava sobre aquela mesa.

E, pela primeira vez, eles perceberam que Umberto não havia ido embora derrotado.

Ele havia saído dali deixando para trás exatamente aquilo que os dois mais temiam.

A prova de que a mentira havia chegado ao fim.

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