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ACORDO INDECENTE: Me Tornei Noiva de Um Paciente
ACORDO INDECENTE: Me Tornei Noiva de Um Paciente
Penulis: Mitha Souza

Capítulo Um — A Voz de um anjo

Penulis: Mitha Souza
last update Tanggal publikasi: 2026-04-12 08:48:42

Matteo Giordano

— Senhor! Fique comigo, não feche os olhos, está bem!

O som de zumbido em meu ouvido ecoava em minha cabeça. Eu tentava manter meus olhos abertos, mas as inúmeras dores que sentia naquele momento me impediam de sequer raciocinar.

Eu estava no Aeroporto de Madri, havia acabado de desembarcar de um voo vindo da Itália. Não era para mim estar ali, mas as coisas deram erradas nas últimas horas. Muito erradas.

— Consegue me ouvir? Por favor, fique comigo, ok!

Ouvi mais uma vez aquela voz doce que de alguma forma me trazia paz e uma segurança que não sabia explicar, mas precisava sentir em meio aquele caos.

— Se estiver me ouvindo, tente apertar a minha mão, sim? Estamos te enviando para o hospital mais próximo.

Eu não conseguia ver o rosto dela. O cheiro de sangue significava que eu estava bastante ferido e o sangue em meu rosto, tomando meus olhos me impediam de enxergar nitidamente. Havia um grande tumulto ao redor e eu tentava organizar a mente e entender o que aconteceu.

Tentei apertar a mão dela com toda a força que me restava. E não eram muitas. Me sentia zonzo e franco.

— Que bom que está me ouvindo. Tente manter os olhos abertos. Vai ficar tudo bem, mas você precisa ficar acordado até chegar ao hospital.

O barulho da sirene me deixa ainda mais atordoado. Ela tenta soltar minha mão e eu não a deixo.

— Vai ficar tudo bem, senhor! Eles vão te levar ao hospital e entrar em contato com a sua família. Você vai sobreviver.

Continuei segurando sua mão como se fosse a única forma de me manter vivo. Minha última esperança.

— Você precisa sair da ambulância, senhorita — uma voz masculina se aproxima e pede para ela sair.

— Dra. Gonzalez... — ela falou para o homem que a mandava sair de perto de mim 

— Você não faz parte da nossa equipe, doutora. Precisamos levá-lo logo. Está muito ferido. Obrigada pelo que fez até agora com os primeiros socorros.

Eu continuo apertando sua mão. Não consigo falar ou me mexer. Ela não pode me deixar aqui sozinho. 

— Tudo bem! Você vai ficar bem, ok?  — Fala baixinho próximo ao meu ouvido. — Eu preciso ajudar outras pessoas e eles vão cuidar bem de você.

Ele solta a minha mão e de repente me vejo caindo em um vazio. Um precipício sem fundo e infinito...

...

O barulho do bip dos aparelhos daquele quarto de hospital eram um incomodo a mais além das dores que sentia em cada pedaço do meu corpo. Acordei e senti o cheiro forte de antisséptico e produtos de limpeza.

Há quanto tempo eu estava ali? Será que o meu avô já está sabendo do que aconteceu comigo. Que eu estava ali? Eu mesmo preciso entender o que aconteceu. Tudo ainda está confuso em minha cabeça.

— Olá! Que bom que acordou — a enfermeira que estava verificando meus sinais vitais percebeu que eu estava acordado.

— Onde ela está? — lembrei dela. Da voz doce que me trouxe paz naquele inferno.

— Ela quem, senhor? — a enfermeira pergunta, confusa. — Estamos esperando o senhor acordar e nos informar a quem devemos avisar que está aqui. Não havia nenhum documento com o senhor quando foi resgatado.

— A mulher que... — me lembrei que não fazia a menor ideia de quem ela era. Nem o seu rosto eu havia visto.

— Tinha alguém com o senhor no aeroporto? — ela parecia preocupada agora — aquele lugar ficou um caos. Essa pessoa também pode estar ferida. A maioria veio para esse hospital. Posso procurar saber. 

— Não. Eu estava... sozinho.

— É bom vê-lo acordado. Vou chamar o médico e avisar que você finalmente acordou.

— Há quanto tempo estou aqui? — uma sensação estranha me percorreu o corpo só de imaginar que poderia ter morrido. 

— Há duas semanas. Seus ferimentos foram bastante graves. O Dr. Ortega vai explicar tudo. Vou chamá-lo.

Ela sai do quarto e eu fico ali, preso aquela cama e aos meus pensamentos. Fechei os olhos e tentei trazer a memória tudo o que aconteceu até aquela explosão. 

O doutor Ortega veio até o meu quarto minutos depois que a enfermeira saiu para informá-lo que acordei do coma. 

— Bom dia! — ele me cumprimenta assim que entra no quarto e me vê acordado. — Sou o doutor Mário Ortega. Tenho acompanhado o seu quadro desde que chegou aqui. 

— Obrigado, doutor — minha voz saiu franca, mas consistente. — Como estou agora? Quando vou poder ir pra casa?

— Bem, o seu quadro clínico está estável, mas ainda precisa de muitos cuidados. Tivemos que fazer duas cirurgias: no ombro direito para não perder os movimentos do braço e outra no abdômen de onde precisamos tirar vários estilhaços.

Ele me olhou por alguns segundos e fez uma pergunta que me fez congelar.

— O senhor lembra quem é? Qual o seu nome? Não conseguimos o identificar e esperávamos que acordasse para podermos avisar sua família.

— Ninguém me procurou? — quis saber e ter certeza de que meu avô não teve que lidar com isso.

— Você não estava com nenhum documento nas roupas. Nem celular ou qualquer coisa que nos desse uma pista de quem poderia ser ou a quem procurar.

— Minhas malas? O que aconteceu lá no aeroporto?

— Tivemos um atentado terrorista. O aeroporto foi quase todo destruído sobrou pouco pra se recuperar. Tivemos muitas vítimas. Você... teve sorte. 

— Preciso de um celular. Posso usar o seu? Vou chamar alguém que irá resolver tudo no hospital. Preciso de discrição. Ninguém pode saber quem eu sou e que estou aqui.

Ele tira o aparelho de celular do bolso, desbloqueia e me entrega.

— Seu caso ainda precisa de cuidados. Se for exigir sair daqui para algum lugar onde tenha descrição, irá precisar de uma equipe médica para acompanhá-lo de perto. A cirurgia no abdômen foi bastante delicada.

— Tudo bem. A pessoa que virá aqui vai providenciar tudo o que for necessário.

Ele sai do quarto, me deixando sozinho para fazer a ligação que preciso. Digito o número da pessoa em quem mais confio nesse momento. Ele atende no terceiro toque.

— Javier... sou eu, Matteo. 

“Senhor, onde você está? Minha virgem do Carmo! Que alívio ouvir sua voz, senhor Matteo” — ele parece surpreso e emocionado em me ouvir.

— Preciso que venha até aqui. Estou no Hospital Santa Isabel de Madrid — identifiquei o lugar através das etiquetas dos equipamentos e crachás do médico e enfermeira.

— Salve esse número. É do médico responsável por mim no hospital. Chama-se Doutor Mario Ortega. Procure somente a ele... — faço uma pausa para reunir os pensamentos — Javier, ninguém pode saber que estou aqui.

“Seu avô tem ligado com frequência, senhor. Como me avisou que iria viajar para descansar e não queria ser incomodado, eu achei que deveria dizer o mesmo a ele. Mas quando não deu notícias todos esses dias comecei a ficar preocupado.”

Ele fez silencio por alguns segundos. 

— Se ele ligar novamente continue dizendo que estou viajando e não quero ser incomodado. Venha resolver minha situação no hospital. Estou aqui como um indigente, sem documentos e identificação.

— Você sabe onde está tudo o que é necessário. Tem acesso ao cofre, pegue tudo o que precisa e venha o quanto antes.

“Sim, senhor. Que bom que está de volta. A empresa está um caos sem o senhor.”

No final do dia o Javier apareceu no hospital. Trouxe toda a documentação para me registrar legalmente, com total sigilo e organizar uma possível transferência.

— Doutor Ortega, preciso saber se existe alguma doutora González aqui neste hospital — eu precisava agradecer aquela a mulher que me manteve vivo. A voz dela não me saia da cabeça.

— Não tenho conhecimento de nenhuma de nossas médicas com esse sobrenome, ainda que seja muito comum. Por que quer saber? Alguém esteve aqui e deu esse nome?

— Não doutor. Obrigada por tudo o que fez por mim. Serei transferido para casa em dois dias e estou contente por isso.

— Também estamos muito felizes por você, senhor Giordano. Sua recuperação está sendo muito boa, mas terá mais êxito com acompanhamento certo. Logo poderá voltar para algumas de suas rotinas.

Ele então sai do quarto e me deixa sozinho com o Javier.

— Preciso que faça uma coisa pra mim — digo para o meu motorista e segurança.

— O que precisar, senhor.

— No aeroporto, fui socorrido por uma médica de sobrenome “Gonzalez”. Não sei como ela é. Só ouvi sua voz. Se não fosse por ela, eu não estaria vivo. Preciso agradecê-la. 

— Médicos servem para isso, senhor...

— Quero que a encontre. Ela fez muito mais que salvar minha vida... ela, de alguma forma, me deu esperança.

— Vasculhe todos os hospitais dessa cidade e a encontre.

— Mas como vou saber quem é ela? Esse sobrenome é muito comum aqui, senhor Matteo. 

Penso em como saber quem á ela se não sei o nome, apenas o sobrenome e a profissão. 

A voz.

— Dê um jeito de gravar a voz de todas as doutoras González que encontrar e me traga até aqui. Se eu ouvir aquela voz outra vez vou saber na mesma hora.

— Farei isso, senhor. Mas tem algo que deve saber.

— O que foi? — pergunto já apreensivo com alguma possível notícia sobre o processo da fusão ter dado errado — alguma coisa com a fusão. Alguém desistiu?

— Ainda não, senhor. Mas estão dizendo que se não aparecer até o final da semana ela poderá ser cancelada. E... o seu avô, ele também avisou que está vindo com o seu irmão no fim de semana.

Era só o que faltava. Encarar meu irmão novamente, depois de tudo e ainda ter que me explicar para o vovô.

Dois dias depois o Javier retorna com novidades.

— Senhor Matteo, trouxe algumas gravações de vozes para o senhor analisar. A dois dias que fico de hospital em hospital procurando essa tal doutora Gonzales. Aqui está o que consegui.

Ouvi um monte de áudios de conversas aleatórias que o Javier conseguiu em suas andanças com a missão de encontrar a doutora misteriosa.

Já estava impaciente e prestes a desistir quando meu coração disparou ao ouvir aquele som doce novamente

“... Vou tentar, Isabel. Só preciso ter coragem pra resolver minha vida. Agora já posso ir? Tem mais alguma coisa pra assinar?...” 

“...Não quero te incomodar por mais tempo, amiga. Já protelei demais e preciso encarar minha realidade. Só precisava recarregar as energias longe daquela situação...”

— É ela. É a voz dela, Javier. Onde conseguiu gravar isso?

— Essa eu consegui ontem, chefe. Ela é cirurgiã no Hospital San Gerónimo. 

— Marque uma consulta com ela. Se não conseguir, me transfira a ligação para a administração do hospital, eu preciso encontrá-la o quanto antes. Ela será a minha médica particular.

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