LOGINCarolina esquivou-se depressa da mão dele e deu um passo para trás. Inflou as bochechas e o encarou, irritada.Desde quando Henrique tinha ficado tão... Sem noção?O que tinha acontecido com ele?— Já está tarde. Vai para o quarto, toma um banho e descansa. — Disse ele, passando por ela.Antes de entrar, acrescentou com suavidade:— Boa noite.Carolina se virou e viu suas costas desaparecerem dentro do quarto. A porta se fechou diante dela.Ela ficou sem reação.Qual era o problema dele? Tinha acontecido alguma coisa? Ou ele tinha virado um santo de repente?Ou... Será que ainda não tinha superado o fato de ela tê-lo traído no passado e, por isso, não queria tocá-la?Antes, quando os dois nem tinham reatado de verdade, bastava ele vê-la para prensá-la no vão da escada e beijá-la. Naquele dia da tempestade, quando ela foi se abrigar na casa dele, usando só um vestido e andando de um lado para o outro, ele a empurrou contra a parede. Deixou bem claro, sem o menor disfarce, o quanto estav
Neste mundo, ninguém consegue resistir à felicidade.Carolina também não.Desde os tempos da faculdade, quando começou a namorar Henrique, ela sempre acreditou que ele era o tipo de homem com quem se constrói uma vida inteira. Até hoje, ainda queria se casar com ele.Só que esse desejo parecia mais distante do que o próprio céu.Uma dor surda apertou seu peito em ondas. Devagar, ela ergueu as mãos e envolveu a cintura dele. Henrique endireitou o corpo e baixou os olhos para o topo escuro da cabeça dela.Carolina encostou o rosto no peito firme e quente dele. Abraçou-o com força, muita força, enquanto ouvia as batidas constantes de seu coração. Com a voz baixa e macia, quase num sussurro, murmurou:— Eu não sou de sair por aí.Henrique deslizou a mão até a nuca dela. Inclinou o rosto e depositou um beijo suave em seus cabelos perfumados.— Então... Você quer se casar comigo.— Ainda faltam quatro meses, não é? Me dá mais um tempo.— Tá bom.Henrique a apertou ainda mais nos braços, como
Carolina se assustou.Por um instante, o coração pareceu falhar. Ela olhou para ele, tensa e corada, sem saber onde se esconder:— O quê? Você vai dançar pra mim?— Não era isso que você queria ver? — Henrique arqueou levemente a sobrancelha. — Então vem pro quarto. Eu danço pra você.— Você sabe dançar?— Não. — Ele deu de ombros, tranquilo. — Mas é só repetir dois ou três movimentos... Mexer o corpo um pouco e pronto.No fundo, ela queria ver.Mas era íntimo demais. Próximo demais. Íntimo a ponto de fazer seu rosto esquentar e seu corpo inteiro ficar sem jeito.Ela não conseguiu aceitar.Envergonhada, afastou a mão dele com delicadeza:— Eu não quero ver.Henrique inclinou a cabeça e se aproximou um pouco mais. A voz saiu baixa, quase provocadora:— Então dança você pra mim.— Não! — Carolina entrou em pânico na mesma hora.Aquilo era demais.Ela não sabia dançar, muito menos provocar alguém daquele jeito. Só de ser beijada por ele, já ficava toda vermelha, com o coração disparado. I
Carolina tentou disfarçar:— Não.Henrique respondeu no mesmo instante:— Sim.Os dois falaram ao mesmo tempo.Respostas completamente opostas.Larissa ficou boquiaberta. Os olhos se arregalaram enquanto ela encarava Carolina, incrédula.Ao ouvir a resposta dela, o olhar de Henrique escureceu. Seu tom ficou sério, firme:— Repete.Carolina abaixou a cabeça devagar, claramente constrangida. Levou a mão à testa, coçou de leve e murmurou, um pouco enrolada:— É... A gente só está tentando de novo.Larissa puxou o ar com força, como se tentasse se conter, mas não conseguiu. Misturando preocupação e irritação, empurrou o ombro de Carolina:— Você só pode ter perdido o juízo.Henrique franziu a testa, sem entender, já incomodado:— Como assim perdeu o juízo? Eu sou tão ruim assim? Não sou bom o bastante pra ela ou não mereço uma segunda chance?Larissa travou por um instante. Só então percebeu o que tinha dito.Na mesma hora, mudou de postura:— Não, Henrique, desculpa... Não é isso. Não é p
Leandro pegou o celular, abriu o aplicativo de vídeos curtos, procurou o criador favorito de Larissa e entregou o aparelho a Henrique.— É esse aqui. Um dos vários que minha esposa salvou. Ela tem dezenas desses caras na lista... Todo dia estão lá, sem camisa, se exibindo na frente da câmera. Os vídeos são todos iguais, só muda a música e a pose. Sinceramente, não entendo o que há de tão interessante nisso.Henrique assistiu com o cenho cada vez mais franzido. Sua expressão foi se fechando, ficando mais pesada a cada segundo.Devolveu o celular a Leandro. Em seguida, deu dois passos à frente e tirou o telefone das mãos de Carolina.— Você também não vai mais ver isso.Carolina ainda estava imersa no vídeo. Acompanhou o movimento da mão dele com os olhos, claramente contrariada por não ter visto o bastante.Henrique devolveu o celular a Larissa e, desta vez, falou com firmeza, quase num tom de repreensão:— Se quiser assistir, assista sozinha. Não incentive a Carolina.— Eu... — Larissa
Leandro parecia completamente injustiçado.De olhos arregalados, redondos como moedas, misturando choque e indignação, ele apontou para Larissa. O peito subia e descia com força, deixando claro o quanto estava fora de si. Olhou para Carolina, depois para Henrique, e disparou, engasgado de raiva:— Eu? O que foi que eu fiz? — A voz subiu. — Foi ela que me traiu! Quando eu tentei pegar o celular dela, ela resistiu, me empurrou no chão e ainda começou a me bater! Agora me diz... Quem tá maltratando quem?Henrique ouviu tudo em silêncio, sem se meter.Carolina, por outro lado, franziu a testa. Leandro não parecia estar mentindo. Seu olhar então se voltou para Larissa.— E quem mandou você pegar o meu celular? — Larissa ergueu o queixo, tentando sustentar a própria postura, embora a firmeza parecesse forçada. — Você não me respeita. Bem feito.Leandro soltou um longo suspiro, apoiou as mãos na cintura e tentou se controlar.Carolina conhecia Larissa desde pequena; era natural querer ficar d
Saindo do quarto, Larissa e Leandro deixaram o apartamento de mãos dadas e entraram no elevador.Assim que a porta se fechou, Leandro não perdeu tempo. Envolveu Larissa num abraço e começou a acalmá-la, a voz macia, quase suplicante:— Desculpa, meu amor.Larissa o empurrou de leve, ainda emburrada:
Carolina pousou os talheres devagar. Mais da metade da tigela ainda permanecia intocada. Ela já não conseguia engolir mais nada.Pegou um guardanapo e limpou a boca com calma. Quando falou, a voz saiu fria, opaca, sem vida alguma.— Eu tenho vinte e sete anos, não dezessete. Como você acha que ainda
— Eu não vou.Carolina balançou a cabeça. Não era uma questão de moradia, muito menos de preço.Morar ali facilitava acompanhar e investigar a mãe de Antônio. Na verdade, ela já queria se mudar para aquele condomínio havia seis meses. O problema sempre fora o mesmo: aluguel alto, poucas opções. O pl
Por um instante, Carolina ficou atordoada.Henrique… Estava preocupado com ela?Verdade ou não, ela não teve coragem de deixá-lo ainda mais aflito.— Acho que você entendeu errado. — Disse em voz baixa. — Eu só encontrei minha mãe perto do escritório… E ela me jogou no chão e me bateu.Henrique cong







