LOGINAndré empalideceu na mesma hora. Tremendo de pavor, ajoelhou-se às pressas diante de Henrique, com a voz falhando:— Senhor Henrique... Eu sou uma boa pessoa. Sou colega da Carolina. Foi um mal-entendido! Eu juro que foi um mal-entendido!Os dois homens ao lado inclinaram a cabeça com respeito.— Sim, senhor Henrique.Depois de responderem, foram até um canto, pegaram as pás de ferro e saíram.No instante em que a porta se fechou, André ficou tão apavorado que urinou nas calças.Ele achava que César era assustador.Jamais imaginou que o Henrique fosse ainda pior.A morte estava bem diante de seus olhos. Não havia quem não tivesse medo.E ele tinha. Muito.Henrique deu um passo para sair. Desesperado, André avançou de joelhos, agarrou a barra da calça dele e começou a chorar de medo, implorando aos tremores:— Senhor Henrique... Não me mata. Eu conto tudo. Foi seu pai. Seu pai mandou eu fazer isso.Henrique chutou a mão dele para longe, deu dois passos e o encarou de cima, com uma friez
— Não entreguem ele à polícia ainda.A ordem de Henrique veio fria como gelo.— Sim, senhor.O homem respondeu prontamente e levou André, ainda imobilizado, para outro carro.André entrou em pânico de vez. Debatia-se enquanto gritava:— O que vocês pensam que estão fazendo? A doutora Carolina passou mal. Eu só queria ajudar! Eu não fiz nada contra ela! Com que direito vocês estão me sequestrando e me mantendo preso?O homem empurrou André para dentro do carro.Henrique, apressado, entrou no próprio veículo com Carolina nos braços. Reclinou o banco, colocou o cinto de segurança nela e seguiu direto para o hospital.Já era madrugada alta quando Henrique terminou de acompanhar Carolina em todos os exames.O corpo dela não apresentava nada grave. No entanto, os exames detectaram a presença de sedativos em seu organismo.E não se tratava de um medicamento comum. Era uma substância criminosa, vendida no mercado clandestino, capaz de deixar uma pessoa inconsciente por várias horas.Ao ouvir a
Do lado de fora do escritório, não havia ninguém. A recepção também estava vazia.Carolina estava mole demais, sem força nem para se manter em pé. André a segurava pela cintura e a conduzia para fora.Ela não tinha energia nem para falar, muito menos para gritar por socorro.Naquele instante, o desespero a engoliu por completo. Ela não conseguia se salvar. Estava indefesa, apavorada.Carolina sabia que André a desejava. Sabia que ele gostava dela e que, por nunca ter conseguido conquistá-la, guardava rancor. Agora, arrependia-se amargamente de ter baixado a guarda dentro do escritório e dado a ele uma oportunidade.Lá fora, a noite estava enevoada. As luzes ao redor do prédio eram fracas.André a levou na direção do carro. Sua voz baixa e perversa soou junto ao ouvido dela:— Carolina, não precisa ter medo. Eu vou te levar ao hospital. Daqui a pouco você vai ficar bem.Ele tirou a chave do carro do bolso e apertou o botão.O som nítido ecoou no silêncio.De repente, dois homens de expr
Larissa disse aquilo, pegou a bolsa transversal e foi embora.Leandro lançou um olhar furioso para Carolina e explodiu:— Carolina, de novo você?Carolina o encarou em silêncio. Sinceramente, não conseguia entender como aquilo também tinha ido parar na conta dela.Leandro pegou o celular às pressas e saiu correndo atrás de Larissa.— Lari, me escuta. Deixa eu explicar.Carolina sentiu um cansaço enorme tomar conta dela. Pegou a bolsa e o celular e, ao passar por Vitória, deixou uma frase no ar:— Usar o Leandro para tentar conseguir, através do meu namorado, um convite para você? Continua sonhando.O rosto de Vitória se fechou na hora. Ela cerrou os punhos e encarou Carolina com os olhos cheios de ódio.Carolina saiu do restaurante.Do lado de fora, viu Larissa entrar em um carro de aplicativo e ir embora. Leandro ainda correu atrás por alguns metros, mas logo parou. Ofegante, colocou as mãos na cintura e ergueu a cabeça, derrotado.Carolina ficou olhando para as costas dele, tomada po
— Henrique já voltou ao trabalho tão rápido? — Larissa perguntou.— A lesão na perna ainda vai levar mais de meio ano para se recuperar completamente. Mas agora ele já consegue andar sem cadeira de rodas, então voltou para a unidade. No dia a dia, desde que tome cuidado para não forçar, não bater e não caminhar demais, não atrapalha muito.O sorriso no rosto de Larissa ficou rígido, amargo.Seus olhos se umedeceram, mas ela continuou fingindo calma.— Que bom.— Lari…Ao vê-la se segurando daquele jeito, tentando suportar e fugir ao mesmo tempo, Carolina também sentiu uma dor por ela.Não sabia o que Larissa estava pensando.Será que, por causa do filho e da família, ela ia fingir que não tinha visto nada? Engolir tudo calada e seguir em frente?Por um instante, Larissa pegou o copo d’água, virou o rosto para a janela de vidro e tomou um gole da água fria.Era como se tivesse levado muito tempo para se preparar por dentro.Só então largou o copo.— Carol, você tem alguma coisa para me
O pomo de adão de Henrique se moveu.Ele baixou a cabeça, prestes a beijar os lábios rosados dela.Carolina desviou de propósito e abaixou o rosto para olhar a tela do celular.— A essa hora você ainda vai trabalhar?— Só estava dando uma olhada.A garganta de Henrique se moveu de novo, e ele apertou levemente os lábios.De repente, Carolina entrou no espaço entre as pernas dele e se ajoelhou à sua frente.Henrique levou um susto. Largou o celular às pressas, afastou as pernas e recostou o corpo para trás. Sua voz saiu rouca.— Carol… O que você está fazendo?— Nada.Carolina apoiou as mãos dos dois lados das coxas dele.Ela usava uma camisola de alcinhas. Naquela posição, ajoelhada à sua frente, mesmo que não fizesse nada, era impossível não despertar certos pensamentos nele.Henrique segurou o rosto dela entre as mãos e se inclinou.A distância entre os dois ficou mínima. Suas respirações se misturavam.Com a voz rouca, ele murmurou:— Já passou?— Já faz três dias.— Desta vez só du
Deixa para lá.As mentiras que ela inventara naquela época para conseguir terminar o relacionamento não eram em nada inferiores às de Marcelo.Carolina sabia muito bem. Ela se valeu dele. Usou Marcelo como ferramenta para conseguir se separar sem obstáculos.Falando sem rodeios, a amizade entre Marc
— Obrigada.Carolina finalmente parou de insistir em recusar. Estava profundamente grata.Henrique pegou o celular e olhou a hora. Já passava da meia-noite.— Já está muito tarde. Vá dormir.— Ok. — Ela respondeu baixinho.Henrique então acrescentou, em tom tranquilo, quase como uma orientação:— Le
O chicote cortava o ar de forma caótica, atingindo seus braços e pulsos.A camisa branca de Carolina logo foi marcada por faixas vermelho-vivo de sangue.Ela tremia de dor, o corpo inteiro sacudindo, mas continuava segurando a faca com todas as forças. Lágrimas enchiam seus olhos, e ela não ousava p
Henrique ficou levemente surpreso.Seu olhar caiu sobre as costas de Carolina enquanto ele soltava um suspiro quente e levantava devagar a parte de trás da camisola dela.Na noite anterior, tinha sido a enfermeira quem limpara e tratara as feridas.Era a primeira vez que ele realmente via os machuca







