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Capítulo 4

Author: Sem Asas
No hospital.

Depois de efetuar o pagamento, Carolina saiu com os comprovantes na mão.

Antônio a alcançou por trás e segurou seu braço.

— Sobre a proposta que eu te fiz da última vez… Já pensou melhor?

Irritada, Carolina se livrou do toque dele com força. Virou-se e o encarou, tomada pela raiva.

— Maluco!

O rosto de Antônio escureceu imediatamente. Ele rangeu os dentes, apoiou as mãos na cintura e assumiu aquela postura arrogante de quem se achava credor de tudo.

— Carolina, se você casar comigo, eu abro mão dos oitocentos mil da indenização. As despesas médicas do meu pai deixam de sair do seu bolso. Além disso, posso atender ao pedido da sua mãe. Faço um empréstimo no banco de seiscentos e sessenta mil como dote.

Ele fez uma breve pausa, como se estivesse fechando um negócio:

— Assim, as nossas duas famílias quitam essa dívida de uma vez por todas.

Carolina sequer teve vontade de responder.

Só de olhar para ele, sentia náuseas.

Ela engoliu a raiva e continuou andando.

Antônio deu passos largos e a alcançou novamente. Segurou seu braço com força. A voz saiu agressiva:

— Sua mãe já concordou, então para de se fazer de difícil…

Carolina o interrompeu. A voz foi cortante:

— Então vá se casar com a minha mãe.

O canto da boca de Antônio começou a tremer de raiva. O olhar dele ficou afiado, predatório, como se a decisão já estivesse tomada.

De repente, ele segurou a parte de trás da cabeça de Carolina e a puxou para perto com brutalidade.

— Eu ter te escolhido é a sua sorte. — A voz saiu baixa e ameaçadora. — A minha paciência é limitada. Não me force a usar outros meios… Porque, quando eu usar, tenho medo de que você não aguente.

O fundo da cabeça de Carolina ainda estava preso pela mão imunda dele. Uma onda de nojo subiu do estômago, revirando tudo por dentro, como se fosse vomitar. Ela o encarou com ódio e disse, palavra por palavra:

— Estamos em um Estado de Direito. Se você ousar encostar um fio de cabelo em mim, eu faço você passar o resto da vida na prisão.

— Ah, por favor. — Antônio zombou, cheio de desprezo. — Não vem usar a lei pra me ameaçar. Isso é dívida do seu pai com a minha família. Você pagar por ele é mais do que justo.

— Meu pai é inocente.

A voz de Carolina foi firme, inabalável.

Ela iria reverter o caso.

Não pagaria indenização nenhuma.

As despesas médicas também seriam cobradas de volta.

O pai dela havia passado cinco anos preso injustamente, e o próprio Estado teria que indenizá-lo.

Antônio soltou uma risada fria.

— Condenado a mais de vinte anos… E você ainda fala em inocência?

Carolina empurrou a mão dele com força e se afastou, sem qualquer intenção de desperdiçar mais uma palavra com aquele homem.

Seguiu em passos largos.

Atrás dela, veio o grito furioso de Antônio:

— Carolina, você é minha! Não adianta fugir!

A sensação era de que seus ouvidos tinham sido contaminados.

Ela acelerou ainda mais o passo, querendo se afastar o quanto antes.

Conversar com um ignorante que desprezava a lei era simplesmente repulsivo.

Uma semana depois, uma da madrugada.

Carolina dormia de forma leve quando o toque insistente do celular a despertou. Ainda meio sonolenta, tateou no escuro até pegar o aparelho e, por hábito, deslizou o dedo pela tela antes de levá-lo ao ouvido.

— Alô…

— Carol… — Do outro lado veio a voz de Larissa, embriagada e entrecortada por soluços. — Eu não vou mais me casar… Buá… Eu quero terminar com o Leandro…

Carolina despertou por completo naquele instante.

Sentou-se de repente na cama, o coração apertado pela preocupação.

— Onde você está? Você bebeu?

Faltavam apenas quinze dias para o casamento.

O registro civil já havia sido feito.

Os convites, enviados.

As fotos, tiradas.

O hotel, reservado.

Só faltava a cerimônia.

Não era possível simplesmente terminar assim.

Algo sério, muito sério, tinha acontecido.

Carolina jogou o cobertor de lado e se levantou às pressas.

— Lari, onde você está?

— No Bar da Esquina…

— Fica aí. Não sai de onde está. — Carolina falou rápido, já abrindo o guarda-roupa e puxando qualquer roupa. — Eu vou agora te buscar.

Com o coração em chamas de ansiedade, ela saiu de casa às pressas.

Quando finalmente chegou ao salão reservado do Bar da Esquina, o cenário que encontrou a fez parar por um instante.

Leandro também estava ali.

Os dois estavam completamente bêbados, cada um largado em uma extremidade do sofá, separados por mais de dois metros de distância, como estranhos.

O silêncio pesado entre eles dizia muito mais do que qualquer discussão em voz alta.

— Carol…

Ao ver Carolina, Larissa estendeu a mão para ela, chorando. O rosto corado pelo álcool estava coberto de lágrimas. A voz saiu embargada, cheia de mágoa:

— Eu quero terminar com ele. Me leva embora… Eu nunca mais quero vê-lo.

Carolina largou a bolsa no chão, puxou alguns lenços de papel e se sentou ao lado dela.

Com gestos suaves, enxugou suas lágrimas.

— Por que bebeu tanto assim? Não toma decisões no calor do momento. Seja o que for, resolve depois que estiver sóbria.

O rosto de Leandro estava escuro e avermelhado. Ele se levantou cambaleando.

— Rick… Você veio.

Ao ouvir aquele nome, o coração de Carolina deu um solavanco. O sangue pareceu congelar naquele instante. O corpo inteiro ficou pesado, dormente. Ela ergueu o olhar, nervosa.

Henrique estava ali.

Vestia camisa preta e calça preta. A aura era fria, contida, nobre. O olhar, profundo e indecifrável, pousou firmemente sobre Carolina.

Os olhares se cruzaram.

O coração dela entrou em desordem. Um medo inexplicável surgiu.

A memória a levou de volta à semana anterior.

A sombra do beijo forçado ainda era nítida.

O ferimento nos lábios dele já tinha desaparecido, mas o nó no peito dela continuava ali.

Leandro tropeçou e praticamente se jogou contra Henrique.

Henrique segurou seu braço, impedindo que caísse.

— Ela quer terminar comigo. — Leandro apontou para Larissa, a voz tremendo, à beira do choro. — Me diz… Essa mulher não tem coração, tem?

Henrique não olhou para Larissa.

O olhar dele permaneceu em Carolina.

Carolina sentiu o peito apertar, tomado por uma súbita pontada de amargura.

— Tem razão. — A voz de Henrique saiu grave, baixa, gelada. — Ela não tem coração.

Carolina, tomada por um sentimento de culpa, desviou o olhar.

Apoiou Larissa com cuidado, pegou as duas bolsas e falou num tom firme, porém suave:

— Lari, eu te levo pra casa.

Larissa mal conseguia se manter em pé. O peso dela fez Carolina recuar dois passos, e as duas saíram cambaleando em direção à porta.

Do lado de fora do bar, Carolina chamou um táxi e ajudou Larissa a entrar no carro.

— Lari, vou te levar pra casa da sua mãe.

Carolina a abraçou e passou a mão com carinho pelos seus cabelos.

Larissa fez um biquinho, à beira do choro, e balançou a cabeça em negativa.

— Não… Não quero. Se minha mãe me ver assim, vai ficar muito preocupada.

— Então vamos pra minha casa.

— Também não… Vou atrapalhar o seu descanso.

Ela pensou por um instante e murmurou:

— Me leva pra casa nova… Pra casa do casamento.

— Mas o Leandro também vai voltar pra lá. Tenho medo de vocês brigarem de novo à noite.

Larissa se endireitou um pouco, completamente bêbada, e gritou, irritada:

— Ele ainda mama na mãe! Com certeza voltou pra casa dela pra beber leite. Não vai aparecer na casa nova!

Carolina conseguia imaginar, mais ou menos, o motivo da briga.

Leandro vinha de uma família monoparental, criado apenas pela mãe. Já Larissa crescera cercada de amor e cuidados, uma verdadeira princesinha da família, acostumada à liberdade e ao conforto, vivendo conforme a própria vontade. Era natural que ela não quisesse morar com a sogra.

Sem alternativa, Carolina acabou levando Larissa para o apartamento que seria o lar do casal.

Um apartamento amplo, moderno, acolhedor, confortável em cada detalhe.

Ao entrarem, Carolina ajudou Larissa a ir até o quarto e a deitou na grande cama. Ajoelhou-se para tirar seus sapatos e meias, limpou seu corpo e braços com uma toalha morna, removeu cuidadosamente a maquiagem, trocou suas roupas e a vestiu com um pijama macio e confortável.

Os movimentos eram gentis, pacientes, cheios de cuidado e carinho, como só uma melhor amiga saberia ter.

Ela ainda preparou uma xícara de chá para ressaca e a colocou sobre o criado-mudo. Também deixou um par de chinelos ao lado da cama, para que Larissa pudesse calçá-los ao acordar na manhã seguinte.

Do lado de fora do quarto, ouviu-se o som da porta se abrindo.

O coração de Carolina se apertou de imediato.

Ela saiu apressada do quarto.

Então viu Henrique entrando, apoiando Leandro, que estava completamente bêbado, quase inconsciente.

Henrique o largou no sofá sem delicadeza, massageou o próprio ombro e virou o rosto na direção dela.

No instante em que os olhares se encontraram, Carolina se assustou, estremeceu inteira e recuou rapidamente para dentro do quarto. Trancou-se ali. O coração batia forte, descompassado, misturando nervosismo e uma sensação profunda de incerteza.

Henrique já havia sido claro.

Ele a advertira para desaparecer de vez, para não voltar a aparecer diante dele.

Pouco depois, o som de uma porta se fechando ecoou do lado de fora.

Carolina esperou alguns instantes, em silêncio absoluto. Só quando teve certeza de que não havia mais nenhum movimento, criou coragem para sair.

Henrique já tinha ido embora.

Leandro permanecia largado no sofá, esticado de qualquer jeito. Visto assim, chegava até a parecer digno de pena.

Homens realmente eram descuidados demais. Já que o tinham trazido de volta, mesmo que não fossem cuidar dele, ao menos poderiam ter lhe colocado um cobertor. E se pegasse um resfriado? E se adoecesse?

Carolina foi até o armário do quarto, pegou um cobertor e o colocou sobre Leandro com cuidado.

O relógio já marcava duas e meia da madrugada.

Ela se sentia exausta, um cansaço profundo que a deixava tonta, sem forças no corpo.

Pegou a bolsa e, com o rosto tomado pela fadiga, abriu a porta para ir embora.

No exato instante em que a porta se fechou, ela ergueu a cabeça e levou um susto tão grande que tropeçou. Recuou às pressas até as costas baterem contra a porta.

Em pânico, girou a maçaneta.

Trancada.

Não havia para onde fugir.

O coração disparou violentamente. A respiração se desorganizou. Ela engoliu em seco, o nervosismo tomando conta por completo.

Henrique estava parado bem à sua frente.

Encostado na parede, uma das mãos enfiada no bolso, a postura relaxada e negligente, como se estivesse ali há muito tempo. Os dedos longos e bem definidos seguravam um cigarro já pela metade.

Ele mantinha a cabeça baixa.

Então, lentamente, ergueu o rosto.

Os olhos profundos, escuros como tinta, se fixaram em Carolina.

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