로그인Rebeca olhou para Bruno. Um meio sorriso surgiu nos lábios dele. Então ele tirou a carteira de dentro do paletó.— Quanto foi o hospital?— Quatro mil reais... — O professor respondeu na mesma hora.Ao ouvir isso, Bruno puxou uma porção de notas e as lançou no chão, aos pés do casal.— Você...!Os dois quase explodiram.Aquilo era humilhação pura.— Já que vocês não quiseram os trinta mil, então vão receber só o custo do hospital. Nem um centavo a mais. Se aparecer qualquer problema com o seu filho depois, falem comigo. Meu nome é Bruno Fonseca.Depois de dizer isso, como se ainda fosse pouco, ele também jogou o próprio cartão de visitas no chão.A mãe já não aguentava mais.— Você faz ideia de quem nós somos? Fala assim com a gente porque acha que pode? Quer ver se continua vivendo em paz em Itamanu? E esse garoto aí, eu garanto que pode esquecer o vestibular!Ao ouvir aquilo, Vinícius se assustou e instintivamente olhou para Rebeca.Só que Rebeca já não estava mais nervosa.Bruno não
Ela ainda lançou mais um olhar para o rosto bonito e delicado de Rebeca. Não era difícil entender por que uma moça como ela andava ao lado de um homem tão claramente rico, tão acima do comum.— Trezentos mil...Rebeca ainda ia retrucar, mas Bruno tragou fundo o cigarro e soltou a fumaça direto no rosto da mulher.— Trezentos mil não é muito mesmo. Deve dar para comprar a vida do seu filho.A mulher tossiu algumas vezes, arregalando os olhos. O marido dela logo avançou no tom:— Olha a sua boca!Bruno riu.— Minha boca está limpíssima. Escovo os dentes várias vezes por dia. Quem está fedendo aqui são vocês, e de longe. E outra coisa, como vocês conseguem ser tão miseráveis? Têm a chance de arrancar dinheiro de alguém e pedem só trezentos mil? Nem o bife que o meu cachorro arranca sai tão barato assim.Rebeca ficou surpresa. Ela realmente não esperava que Bruno estivesse do lado dela.Aquilo não ajudava em nada a resolver a situação, mas era bom demais de ouvir.Como esperado, o casal fi
— Trezentos mil?Ao ouvir aquilo, o rosto de Rebeca mudou na hora.Ela não tinha esse dinheiro nem se juntasse tudo o que havia na conta. E, ainda que tivesse, aquilo não era indenização. Era chantagem.— Eu não quis machucar o Vasco! Eu só queria impedir que ele batesse numa criança, não foi de propósito!Assim que ouviu o valor, Vinícius também explodiu.Ele já estava sufocado de revolta havia tempo demais.Vasco sempre se achou intocável. Tinha dinheiro, influência, pais próximos de empresários importantes da região e de patrocinadores da escola, por isso fazia o que queria.Se ele passava o tempo humilhando quem aparecesse pela frente, Vinícius ainda conseguia engolir.O pior era outra coisa.Vasco gostava de implicar justamente com crianças que nem idade de estudar ainda tinham.Fazia tempo que Vinícius reparava nisso. Sempre havia alguns meninos e meninas menores orbitando em volta dele, como se fossem obrigados a pagar algum tipo de pedágio.Vinícius não sabia de onde aquelas cr
Quando chegaram ao hospital, já era alta madrugada.Vinícius estava sentado sozinho no corredor velho e precário do pronto-socorro, com o rosto marcado por hematomas escuros.Assim que viu o irmão, Rebeca largou Bruno para trás e correu até ele.Só depois de perguntar tudo, checar o que aconteceu e confirmar que Vinícius tinha sofrido apenas ferimentos leves e machucados superficiais, ela conseguiu respirar melhor.Bruno ficou por perto.Não muito depois, mais três pessoas apareceram do outro lado do corredor.Um professor, acompanhado dos pais do outro rapaz.O garoto que brigou com Vinícius era um repetente, um ano mais velho. No começo, os dois apenas discutiram. Depois, ninguém soube explicar direito como a situação escalou, mas Vinícius pegou um objeto e acertou o outro pelas costas, abrindo a cabeça dele.O rapaz não correu risco nenhum. Levou vários pontos e agora descansava no soro. Faltava apenas a família de Vinícius chegar para acertar a indenização.— Pede desculpa.Rebeca
— Ele é da minha família. É claro que eu me preocupo com ele.O tom de Rebeca saiu como se aquilo fosse o mais óbvio do mundo. Ela fez uma pequena pausa e respondeu à pergunta de Bruno enquanto pensava.— Quanto a ter irmãos... acho que é saber que, aconteça o que acontecer, você nunca está sozinho. Quando acontece alguma coisa boa, tem alguém para dividir. Quando você se machuca ou fica triste, só de pensar naquela pessoa já sente um apoio por dentro.Ela baixou um pouco a voz.— E, mesmo sendo meu irmão mais novo, se alguém me faz mal, ele vai tirar satisfação, nem que esteja tremendo de medo. Quando meu pai me batia, ele sempre se punha na minha frente.Rebeca falou daquilo como quem comenta qualquer coisa do dia a dia. Bruno queria conversa, então ela falava.Só que, embora estivesse apenas respondendo, havia uma suavidade natural no jeito dela de dizer tudo aquilo.Talvez fosse o silêncio da noite... a estrada escura, longa demais. Bastava um pequeno ruído do lado de fora para o c
— Por que esse escândalo todo? Eu não vou te morder.Bruno ficou sem paciência. Desde que entrou no carro, Rebeca vinha sentada como se fosse apenas uma passageira. Nem olhava para ele. Tratava-o mesmo como motorista grátis.Na verdade, ele nem pretendia sair tão tarde naquela noite.Só que, quando estava saindo do trabalho, viu Rebeca na porta da empresa, aflita, tentando conseguir um carro a qualquer custo. Pela cara dela, alguma coisa grave tinha acontecido.Bruno foi perguntar e descobriu que o irmão dela, Vinícius, tinha brigado com alguém na escola e agora estava num hospital perto do campus.Vinícius estudava numa cidade vizinha. Não era tão longe, dava umas duas horas e meia de viagem, mas a região onde a escola ficava era afastada.Aquela hora da noite, deixar Rebeca ir sozinha não parecia nada seguro.Bruno ainda tentou convencê-la a esperar até o dia seguinte, ir de manhã, com calma. Mas Rebeca estava angustiada demais e não ouviu nada.Sem saída, ele praticamente a arrastou
Mais cedo, ela havia sentido uma cicatriz redonda no ombro esquerdo de Daniel. Achou que tinha sido engano, mas agora que ele colocava a camisa, conseguia ver nitidamente.Não era grande, mas parecia profunda.Para alguém como Daniel, nascido em berço de ouro, uma cicatriz dessas era algo raro.— Um
— Ayla?Gustavo chamou o nome dela quase sem perceber.Mesmo que tenha sido só um relance, a mulher já tinha desaparecido da vista dele, cercada pelo grupo de recepção.— Ayla? Você ainda pensa nela numa hora dessas? — Bianca ficou tensa ao ouvir esse nome.Mas Gustavo apontou para a frente, a voz m
Mal a frase foi dita, a senhora já se aproximava devagar, ainda com o mesmo tom gentil na voz:— Srta. Ayla, essa viagem não foi fácil pra nós. Foram quase oito horas de voo. A gente veio mesmo esperando que você pudesse nos dar a honra de nos acompanhar um pouquinho. Mas, se estiver realmente ocupa
Daniel, sem conseguir evitar, acariciou levemente o rosto dela, afastando os fios de cabelo que estavam bagunçados. Em seguida, soltou com cuidado a mão que ainda o segurava com força, colocando-a de volta sob o cobertor.Mas Ayla só ficou tranquila por alguns segundos. De repente, começou a se agit







