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4. Desejo reprimido Parte 2

作者: Giss Vargas
last update 公開日: 2026-11-03 16:01:18

—Dizia-se que ela estava preocupada porque, na idade dela, ainda não se casou —prossigo, como se ele não tivesse me interrompido—. Também mencionavam que isso se devia ao relacionamento amoroso que mantém com... com seu motorista —murmuro quando sinto o olhar dos dois homens sobre mim—. Garanto que, se você for gay, não vou interferir no seu relacionamento. Isso não me importa nem um pouco.

Na mesma hora, o motorista solta uma gargalhada estrondosa, que ecoa pelo espaço apertado, e, um pouco apreensiva, observo-o se acabar de rir.

—Pare de rir como um idiota —ameaça seu chefe—. Não vejo graça nenhuma no que essa mulher acabou de nos dizer.

—Ora, eu vejo. Até que alguém percebeu o desejo reprimido que sinto por você, pensei que teria que escondê-lo por mais tempo. Mas agora que ela e o resto do mundo sabem, não me importo mais —responde, piscando para ele e ganhando um tapa no braço de seu chefe.

—Você realmente acha que eu sou gay? Sabe de uma coisa? Não me importa o que pensa, muito menos uma mulher tão feia quanto você.

—Droga, Nathan! Se controle!

—Como eu lhe disse, não me importa se você mantém um relacionamento com ele ou com qualquer outra pessoa. Você não me interessa como homem —mais uma vez, seu motorista solta uma gargalhada, e, pelo canto do olho, posso vê-lo enxugar as lágrimas que escapam de seus olhos—. Só estou propondo esse casamento para que você deixe de preocupar sua madrasta com sua orientação sexual e possa calar a boca de todas essas pessoas que dizem isso.

»E quanto às fórmulas para novos perfumes, dou minha palavra de que lhe entregarei todas as que puder para que você destrua Oliver —sentencio friamente.

—E não será que deseja se casar comigo para depois dizer que está esperando um filho meu, tomar posse da minha empresa e voltar para o seu marido?

—Não precisa se preocupar com isso. Como lhe assegurei há pouco, você não me interessa como homem e, mais importante, nós não teremos filhos. Nosso casamento será apenas um negócio, nada mais. Sem sentimentos envolvidos nem nada do tipo.

—Por que eu deveria confiar na sua palavra...?

—Nathan, não insista —seu motorista nos interrompe com seriedade, negando lentamente com a cabeça. Suponho que ele compreenda perfeitamente o que estou tentando lhe dar a entender: comigo será impossível que ele tenha filhos, já que sou estéril.

—Muito bem —resmunga—, mas o que está me intrigando agora é: por que mudou de ideia e, em vez de apenas fingir que somos amantes, também deseja se casar comigo? Diz que, assim, posso calar a boca daqueles que ousam questionar minha orientação sexual, mas, sendo honestos, é óbvio que isso pouco lhe importa, já que não somos próximos. O que você ganha se casando comigo?

—Isso é muito simples. Hoje descobri que Oliver e a amante dele estão esperando um bebê e que, no aniversário da empresa, ele vai me pedir o divórcio e anunciar a gravidez daquela mulher. Acho que a melhor vingança que posso ter contra ele é fazê-lo acreditar que eu também o traí, que me apaixonei por outro homem e, melhor ainda, que esse homem seja você, o inimigo número um dele —confesso aquilo que comecei a colocar em prática assim que descobri há quantos anos Oliver me trai.

»Além disso, ao me casar com você, terei poder suficiente para destruir meu marido, além de poder recuperar o laboratório dos meus pais. E, caso não consiga, vou me sentir satisfeita ao vê-lo perder tudo o que é importante para ele, inclusive aquele laboratório.

»Você tem papel e caneta? —pergunto, alternando o olhar entre um homem e outro antes que voltem a me questionar sobre minhas intenções.

—Aqui está. Para que precisa disso? —pergunta o motorista.

—Para provar que não pretendo zombar de você nem que estou tentando enganá-lo —pego o que ele me estende e escrevo rapidamente alguns dos componentes do novo perfume que eu pretendia apresentar hoje a Oliver.

—O que é isso? —pergunta o homem de olhos azuis, pegando o papel que lhe entrego.

—Essa é a metade da fórmula de um novo produto que eu estava prestes a entregar ao meu marido —digo com dificuldade. Só de mencionar o tipo de relacionamento que temos, minha língua arde—. Se aceitar meu acordo, entregarei o restante. E, mesmo que tente fazer com que algum dos seus químicos a analise, garanto que será difícil para eles encontrarem algo que possa ser incorporado em perfeita sincronia com esses ingredientes —adianto-me quando vejo um lampejo de cobiça em seus olhos.

—E se eu não aceitar o seu acordo?

—Permitirei que Oliver me humilhe naquele dia, mas, depois disso, procurarei outra perfumaria de grande prestígio, nem que seja em outro país, e acabarei com meu marido, assim como com você, porque os perfumes que crio foram os responsáveis por fazer da Mon Parfum Lefebvre a melhor da França. E você terá perdido a grande oportunidade de se vingar dele.

»Se aceitar meu acordo, espero você aqui daqui a três dias. Caso não apareça, sei que terei de me virar sozinha para me livrar de Oliver —pronuncio com uma coragem que nunca havia sentido, mas que, por causa de tudo o que vivi nestas últimas horas, estou me obrigando a encontrar de algum lugar.

Abro a porta e desço da caminhonete sem olhar para trás, caminhando na direção oposta àquela em que se encontra o homem que poderia muito bem ser minha salvação ou apenas alguém com quem cruzei por um breve instante e de quem jamais conseguirei obter a ajuda de que tanto preciso neste momento.

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