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Capítulo 4

Author: Júlia Fontes
Quando voltei para casa e abri a porta do quarto, meu corpo inteiro enrijeceu de repente.

Alan e Camila estavam deitados de lado na cama, com os corpos colados um ao outro.

Ao ouvir o barulho da porta, Alan virou a cabeça para me olhar.

— Por que você voltou? Achei que fosse passar a noite fora.

Senti um aperto na garganta e não consegui emitir um único som.

Depois de um instante, Alan pareceu se dar conta de algo. Tirou a mão do baixo-ventre de Camila, e uma expressão evidente de pânico passou por seus olhos.

— Não tire conclusões precipitadas. Mila está com cólica menstrual e, como também pegou um resfriado, a dor ficou insuportável. Eu só estava massageando a barriga dela para aliviar um pouco a dor.

Puxei os cantos dos lábios em um sorriso amargo e silencioso.

Antes, quando eu me contorcia no chão de tanta dor por causa das cólicas menstruais, costumava pegar a mão de Alan e colocá-la sobre meu baixo-ventre, pedindo que ele massageasse. Porém, ele retirava a mão, entregava-me um copo de água e dizia que bastava beber mais água para melhorar.

Minhas pernas pareciam pesar toneladas. Eu não conseguia dar sequer um passo.

— Ela finalmente conseguiu dormir. Vamos evitar acordá-la. — Alan me puxou para fora do quarto e, ao sair, fechou a porta com cuidado.

Respirei fundo, virei-me e fui até o guarda-roupa, de onde puxei minha mala.

— Será que você pode parar de fazer cena? — Perguntou Alan, arrancando a mala das minhas mãos. Seu rosto se fechou de repente, e ele baixou bastante a voz, como se tivesse medo de perturbar alguém. — Eu já te expliquei tudo. Não tem nada acontecendo entre eu e a Mila.

Ele fez uma pausa, e a impaciência tomou conta de seu olhar.

— Além disso, se nós dois realmente pudéssemos ficar juntos, acha que teria algum espaço para você nessa história?

De repente, me senti uma piada.

Estar comigo era a segunda opção de Alan, uma escolha feita por não ter encontrado nada melhor. Ele apenas se conformava comigo, como se me concedesse uma espécie de caridade por pena.

Alan, você pode guardar sua caridade para quem realmente precisa. Desta vez, sou eu quem não vai mais se conformar.

— Não estou fazendo cena. Vou viajar a trabalho. — Puxei a mala de volta enquanto respondia. — Meu voo é depois de amanhã, de manhã. Só voltei para arrumar minhas coisas.

— Viajar a trabalho? Para onde?

— Para a Suíça.

— Por quanto tempo?

— O que está acontecendo? — Camila se aproximou.

— Ela vai viajar a trabalho para a Suíça. Parte depois de amanhã, de manhã. — Alan respondeu por mim.

— Então, isso quer dizer que o problema está resolvido? — Camila olhou para ele, como se finalmente pudesse respirar aliviada.

Fiquei ali, completamente confusa.

— Nós também vamos viajar depois de amanhã para ver a aurora boreal, mas só conseguimos comprar duas passagens. Eu não sabia como te contar isso. — Disse Camila, apoiada no batente da porta.

As duas passagens eram para Camila e Alan. Eu era a pessoa que sobrava.

— Pronto, problema resolvido. — Camila entrou no quarto. — Quando você voltar, vamos encontrar outra oportunidade para irmos juntos.

Não precisa. Não haverá outra oportunidade.

— Alan, também preciso voltar para casa para arrumar minha mala.

— Está ventando muito e fazendo frio lá fora. Acabei de massagear sua barriga para aliviar a dor. Quer que comece a doer de novo? — Alan a repreendeu carinhosamente.

Camila olhou para Alan, visivelmente dividida, sem saber o que fazer.

Depois de um instante, Alan encontrou uma solução.

— Você não precisa voltar, você tem roupas aqui.

Era verdade. Eu morava com Alan há três anos, mas o closet era inteiramente reservado a Camila.

No dia em que me mudei para lá, Alan disse que não seria apropriado mexer nas coisas de Camila sem a autorização dela.

Quando perguntei onde colocaria minhas roupas, ele abriu a porta de um dos quartos de hóspedes, apontou para o guarda-roupa e disse que ninguém o usava, então eu poderia guardar minhas roupas ali. E foi assim que minhas roupas permaneceram no guarda-roupa do quarto de hóspedes durante três anos.

Agora, Camila também havia passado a dormir no quarto principal.

Era hora de as coisas voltarem para sua verdadeira dona.

Alan suspirou.

— Eu ajudo você a arrumar tudo, então. — Assim que terminou de falar, ele virou-se e deu um passo à frente.

— Alan. — Camila o chamou, fazendo-o parar. Depois, olhou na minha direção. — É melhor você ajudar a Lavi a arrumar a mala dela. Eu consigo fazer isso sozinha.

Alan não se mexeu. Apenas virou a cabeça para olhar para trás.

— Você diz que consegue, mas sempre esquece de algo ou deixa alguma coisa para trás. No fim, sou sempre eu que tenho que resolver tudo. — Quando o olhar de Alan se voltou para mim, ele fez uma breve pausa. — Ela consegue fazer isso sozinha. Não precisa de mim.

Não era que eu não precisasse dele. Era ele quem sempre dizia: "Lavínia, se você pode fazer algo sozinha, não venha me procurar."

— Ah, é assim, Alan? Está me chamando de distraída, é? Vem cá, vou bater em você!

Camila saiu correndo atrás dele, e os dois deixaram juntos o quarto de hóspedes.

Meu celular vibrou, e uma notificação apareceu na tela:

[Devido a ajustes realizados pela companhia aérea, o horário do seu voo foi antecipado em 15 horas e 45 minutos. Solicitamos que se organize para partir com antecedência]

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