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Anos de Amor em Vão

Anos de Amor em Vão

โดย:  Júlia Fontesจบแล้ว
ภาษา: Portuguese
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Na véspera de um feriado, passei seis horas na fila de uma churrascaria. Meu namorado, Alan, me ligou. — Camila está com vontade de comer pizza. Vem para cá. Camila era minha melhor amiga e ex-namorada de Alan. Aquela era a trigésima quinta vez que ele mudava nossos planos por causa dela. Fazia um mês que Alan falava daquela churrascaria, mas, como o lugar estava sempre lotado e com filas enormes, nunca conseguíamos uma mesa. Para que finalmente comêssemos lá, tirei o dia de folga e passei seis horas na fila. A cada dez minutos, mandava uma mensagem para Alan, atualizando-o sobre o andamento da espera. Cinco minutos antes, eu havia enviado a última atualização. Minha senha era a 3.601, e o painel já estava chamando a 3.595. Apertei o papel da senha com força. — Alan, eu tirei o dia de folga, estou aqui há seis horas e só faltam seis senhas para a minha... — Eu sei. — Ele me interrompeu, impaciente. — Mas a Camila está com vontade de comer pizza. A gente pode deixar a churrascaria para outra ocasião. Por dois segundos, houve silêncio dos dois lados da linha. Então, ouvi Alan me apressar: — Estamos a cerca de cinco ou seis estabelecimentos de onde você está. Anda, vem logo! Eu já havia cedido trinta e quatro vezes. De repente, tudo aquilo me pareceu ridículo. — Não. Hoje eu quero comer churrasco. Desliguei e mandei uma mensagem para meu chefe: [Sr. Francisco, aceito a transferência para a Suíça]

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บทที่ 1

Capítulo 1

— Senha 3.601! Quem está com a senha 3.601?

Entreguei minha senha e, guiada pelo garçom, sentei-me à mesa.

— Qual molho deseja na carne? Alho, barbecue ou pimenta?

— Alho.

Camila adorava molho de pimenta, mas eu não conseguia comer comida apimentada. Sempre que nós três saíamos para comer juntos, eu precisava me adaptar ao gosto dela.

Abaixei a cabeça para ajeitar meu casaco e esperei que o garçom trouxesse os pratos.

— Lavi.

Ao ouvir alguém me chamar, ergui os olhos e vi Camila vindo em minha direção, acenando.

Alan a seguia, carregando a bolsa dela no ombro e o casaco pendurado no braço.

Assim que parou diante de mim, suas belas sobrancelhas se franziram, deixando transparecer um traço de desagrado.

— Lavínia, só desta vez.

— O quê?

— Já tínhamos feito o pedido no outro restaurante, mas a Mila insistiu em vir para cá te fazer companhia. Da próxima vez, não faça birra assim.

Embora eu fosse namorada de Alan, ele sempre me chamava pelo nome, enquanto usava um apelido mais íntimo e carinhoso para se referir a Camila.

Eu sentia ciúme, aquilo me incomodava. Mas Alan dizia, de maneira displicente, que já estava acostumado a chamá-la assim e que não era nada demais. Ele dizia que eu não deveria ser tão mesquinha.

Se eu continuasse discutindo, Alan logo veria aquilo como mais uma birra minha.

— Não se atreva a ser grosseiro com a Lavi! Se você fizer ela chorar, vai ter que se ver comigo! — Camila deu um leve soco no peito de Alan, em tom de brincadeira.

— Sim, senhora. — Alan inclinou ligeiramente o corpo, e sua voz assumiu uma ternura que eu jamais havia recebido dele. — Você vive mimando essa garota. Desse jeito, vai acabar estragando ela.

Camila se aproximou de mim, entrelaçou o braço no meu e, brincando, lançou um olhar de reprovação para Alan.

— A Lavi é a minha melhor amiga. Se eu não mimar ela, vou mimar quem? Você, meu ex-namorado?

Alan se deu por vencido. Acomodou cuidadosamente a bolsa e o casaco de Camila e, em seguida, sentou-se ao lado dela.

O garçom trouxe a chapa quente com a carne já fatiada e estava prestes a colocá-la sobre a mesa quando Alan estendeu a mão para impedi-lo.

— Por que a carne veio com molho de alho? — Ele olhou para mim com um tom de cobrança na voz.

— Achei que vocês não viriam mais, e, como não consigo comer pimenta, eu...

— Troque pelo molho de pimenta. — Alan nem sequer esperou que eu terminasse de falar antes de pedir ao garçom que substituísse a carne, para atender à preferência de Camila.

— Espere um pouco. — Camila hesitou por um instante, seu tom suavizou-se em uma tentativa de conciliação. — Que tal deixarmos assim mesmo?

— De jeito nenhum. — A voz de Alan foi firme. — Você passou o mês inteiro falando dessa churrascaria. Agora que finalmente conseguimos uma mesa, você tem que aproveitar a comida de verdade.

Minha mão, que organizava os talheres sobre a mesa, parou por um instante.

Então, a pessoa que havia passado um mês falando que queria comer naquele restaurante era Camila. E, como ela havia mencionado esse desejo, Alan guardou a informação consigo durante esse tempo todo.

No dia do meu aniversário, eu quis que Alan me acompanhasse para comer comida japonesa. Mas ele disse que era muito leve e que Camila, acostumada a pratos com sabores mais intensos, não gostava desse tipo de comida.

Então, apenas prometeu que, na próxima vez, iria comigo sozinho. Porém, bastou uma noite para que ele se esquecesse completamente da promessa.

Camila olhou para mim e, em seguida, voltou os olhos para Alan.

— A Lavi não consegue comer comida apimentada. — Sua expressão revelava um certo constrangimento.

Alan olhou para mim, franzindo ligeiramente a testa. Depois de um instante, voltou-se para o garçom.

— Troque pelo molho de pimenta. E traga também uma porção de farofa e uma limonada gelada.

O garçom levou a chapa de volta, e Alan se sentou.

— Vamos fazer como das outras vezes. Se o sabor te incomodar, coma um pouco de farofa e beba a limonada para aliviar.

Não respondi, apenas continuei organizando os talheres.

Como sempre, Alan interpretou meu silêncio como um sinal de consentimento.

Quando a carne ficou pronta, Camila se levantou para pegar outros acompanhamentos no buffet.

— Fique sentada. Vai que você acaba confundindo a salada de alface com a salada de repolho de novo? — Alan a impediu, fingindo repreendê-la com carinho. — Eu pego para você.

Camila soltou um resmungo.

— Quem disse que eu não sei distinguir uma da outra? — Ela ergueu uma sobrancelha. — Você se lembra do que eu gosto?

Alan enumerou os pratos como se estivesse recitando uma lista conhecida de cor.

— Vinagrete com bastante cebola, salada de alface, mandioca frita bem crocante...

— Está bom, está bom. — Os cantos dos lábios de Camila se ergueram ligeiramente, e ela o interrompeu. — Chega de exibir sua memória! Vá logo buscar.

Levantei-me também.

— Aonde você vai? — Camila segurou meu braço.

— Buscar meus acompanhamentos.

— Deixa isso para o Alan. Quando ele namorava comigo, fazia questão de me servir e fazer tudo por mim.

Levantei o olhar e meus olhos encontraram os de Alan.

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