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Capítulo 7

Author: Júlia Fontes
Ainda havia embalagens de comida sobre a mesa de jantar, restos da refeição do dia anterior.

Alan se aproximou para arrumá-las e recolher as sobras.

De repente, parou por um instante e seu olhar pousou sobre um copo de água que estava na mesa. Era o copo de água que ele havia servido a Lavínia para aliviar a ardência da comida apimentada.

Ele notou que, à exceção da temperatura, o copo permanecia exatamente como estava quando ele o colocou diante dela. Não havia sequer uma mancha na borda.

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  • Anos de Amor em Vão   Capítulo 9

    — Eu errei. — Alan abaixou a cabeça, com a voz ligeiramente embargada. — Peço desculpas. Por favor, volte comigo, eu prometo que vou mudar daqui para frente.Mais uma vez, ele tentou segurar minha mão, mas me afastei com frieza.— Alan, nem todos os erros têm a chance de ser reparados. O que existia entre nós realmente acabou.— Não, não acabou! — Exclamou Alan, com a voz trêmula. — Lavínia, eu sei que errei e prometi mudar. Atravessei meio mundo para vir à Suíça atrás de você. Você não pode me dar só mais uma chance?— Não. — Recusei firmemente.Ele ficou me olhando por alguns instantes, até que seus olhos ficaram vermelhos.— Lavínia, eu sei que errei e errei feio. Entendo que você não queira me perdoar tão facilmente, mas isso não significa que eu vou desistir. Vou fazer você enxergar que realmente mudei.À noite, depois de um longo dia de trabalho, preparei uma xícara de café para mim.De repente, meu celular tocou. Era Camila ligando.Hesitei por um bom tempo, mas, no fim, atendi.

  • Anos de Amor em Vão   Capítulo 8

    O carro entrou na garagem subterrânea e Alan desligou o motor.Ele não saiu do carro. Apenas olhou para o celular e percebeu que eram oito horas da noite.Três horas haviam se passado desde as cinco da tarde.Como era possível terem passado apenas três horas?Pela primeira vez, Alan descobriu como três horas podiam parecer uma eternidade.Lembrou-se do jantar na churrascaria de dois dias antes.Lavínia havia tirado o dia de folga e esperado seis horas na fila para comer naquele restaurante.Como ela havia suportado aquelas seis horas de espera tão entediantes?Durante todo aquele tempo, ele sequer havia perguntado se ela estava com sede, fome ou frio.Quando ela se recusou a aceitar sua sugestão de trocar a churrascaria por uma pizzaria, ele ainda a repreendeu por fazer birra.Como ele podia ser tão idiota?Alan acendeu um cigarro.Depois, acendeu outro. E outro.As bitucas foram se acumulando no chão, mas ele continuava sem vontade de sair do carro. Não queria subir, ou, talvez, não

  • Anos de Amor em Vão   Capítulo 7

    Ainda havia embalagens de comida sobre a mesa de jantar, restos da refeição do dia anterior. Alan se aproximou para arrumá-las e recolher as sobras.De repente, parou por um instante e seu olhar pousou sobre um copo de água que estava na mesa. Era o copo de água que ele havia servido a Lavínia para aliviar a ardência da comida apimentada.Ele notou que, à exceção da temperatura, o copo permanecia exatamente como estava quando ele o colocou diante dela. Não havia sequer uma mancha na borda.Naquele momento, percebeu que Lavínia não havia comido absolutamente nada.Aquele copo de água pesou em sua consciência, provocando-lhe uma pontada de culpa.Como ele pôde ser tão descuidado a ponto de não pedir sequer um prato sem pimenta?Depois de arrumar a mesa, Alan entrou na cozinha e retirou os ingredientes um por um.Linguiça apimentada, frango à passarinho temperado com pimenta malagueta, molho de pimenta biquinho...Todos aqueles ingredientes eram para preparar pratos de que Camila gostava

  • Anos de Amor em Vão   Capítulo 6

    — Lavínia? — Alan entrou em casa, carregando uma grande sacola cheia de compras, e trocou os sapatos na entrada. — A Mila disse que deveríamos fazer uma refeição farta antes de partir, para satisfazer bem o nosso paladar. Venha logo me ajudar.Ninguém respondeu. Só se ouviu o barulho dos sapatos sendo deixados na entrada.— Lavínia?Alan calçou os chinelos, levou as compras para a cozinha e foi direto ao quarto de hóspedes.A primeira coisa que viu foi a cama vazia. Em seguida, percebeu que as duas malas ao lado do guarda-roupa também haviam desaparecido.Ele ficou atordoado por um instante."Ela foi embora? Não faz sentido. Ela disse que o voo era amanhã de manhã", pensou.Saiu do quarto de hóspedes e verificou o quarto principal, o banheiro e até a lavanderia. Mas não encontrou Lavínia em lugar nenhum.Apressou-se até a entrada e notou o par de chinelos dentro da lixeira.A expressão de Alan tornou-se sombria, e um traço de pânico surgiu em seus olhos.— Ela só vai viajar a trabalho.

  • Anos de Amor em Vão   Capítulo 5

    Na hora do jantar, Alan pediu comida pelo aplicativo.Vieram oito ou nove pratos, tantos que mal havia espaço suficiente na mesa para colocá-los.— Alan, você é ótimo para escolher comida! Eu amo cada um desses pratos! — Os olhos de Camila brilharam.Examinei aqueles pratos várias vezes, passando os olhos por cada um deles.No fim, limitei-me a pegar apenas duas colheradas de arroz branco.Todos os pratos estavam cobertos por uma camada de pimenta.Depois de um instante, Alan me entregou um copo de água.— Lavínia, você podia tentar se acostumar a comer pimenta. Facilitaria as coisas quando comemos juntos.Minha mão, que levava uma colherada de arroz à boca, parou no meio do caminho. Senti como se alguma coisa tivesse se alojado no meu peito, provocando um aperto sufocante.Mais uma vez, ele se lembrava de todos os pratos de que Camila gostava, mas, entre tantas coisas, simplesmente não conseguia se lembrar de que eu não gostava de pimenta.Chegava até a me considerar um incômodo.Que

  • Anos de Amor em Vão   Capítulo 4

    Quando voltei para casa e abri a porta do quarto, meu corpo inteiro enrijeceu de repente.Alan e Camila estavam deitados de lado na cama, com os corpos colados um ao outro.Ao ouvir o barulho da porta, Alan virou a cabeça para me olhar.— Por que você voltou? Achei que fosse passar a noite fora.Senti um aperto na garganta e não consegui emitir um único som.Depois de um instante, Alan pareceu se dar conta de algo. Tirou a mão do baixo-ventre de Camila, e uma expressão evidente de pânico passou por seus olhos.— Não tire conclusões precipitadas. Mila está com cólica menstrual e, como também pegou um resfriado, a dor ficou insuportável. Eu só estava massageando a barriga dela para aliviar um pouco a dor.Puxei os cantos dos lábios em um sorriso amargo e silencioso.Antes, quando eu me contorcia no chão de tanta dor por causa das cólicas menstruais, costumava pegar a mão de Alan e colocá-la sobre meu baixo-ventre, pedindo que ele massageasse. Porém, ele retirava a mão, entregava-me um co

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