LOGININÊS PORTO
Estava tão compenetrada no trabalho, terminando de avaliar provas para finalizar um inquérito, que nem vi o tempo passar. Só percebi que finalmente meu turno havia acabado quando o delegado de plantão, Ventana, bateu à porta. — Olá, Dra.! Como anda sua excelência? Cada dia mais bela, se permite — diz Ventana. Como sempre, ele é bem galanteador. Às vezes fico sem graça, mas não vou ser hipócrita e dizer que não gosto. Pois bem, eu gosto. Faz-me sentir desejada e, é claro, alimenta meu ego. Sei que sou uma mulher bonita e tenho lá meus atributos, mas é sempre bom ouvir isso de outras pessoas e receber elogios. Qual mulher não gosta, não é mesmo? Mas, ao mesmo tempo, fico em alerta e não me deixo levar por galanteios, ainda mais no meu ambiente de trabalho. — Obrigada, Ventana! Estou bem e sem muito tempo para conversar no momento. Agradeço seu elogio, mas permaneço igualzinha à última vez que nos vimos. Acredito que sejam seus olhos. Sei que fui um pouco áspera ao dar minha resposta, mas não posso prolongar essa conversa e dar asas à imaginação de Raul, fazendo-o achar que terá alguma chance comigo. Por que não! Não tem a menor chance! E acredite: homens são previsíveis demais. Eu sei que, se desse um fio de confiança a ele e me amolecesse um centímetro que fosse com seus elogios, ele já teria ultrapassado a linha profissional e investido mais descaradamente e abertamente em cima de mim. Flertar, ele já flerta, com seus elogios demasiados. Enfim, ele é um típico cafajeste, e isso é notável. Conheço de longe o tipo. Sem falar que não sinto absolutamente nada ao vê-lo. Mesmo ele sendo muito bonito, não faz o meu tipo. Ele me dá um sorriso sedutor, mas sou rápida. Não me deixo levar por sua beleza máscula, seus 1,80 m de altura, cabelos castanho-claros e olhos negros. Levanto-me, pego minha bolsa, viro as costas e sigo em direção à porta. — Tchau, Ventana! Tenha um bom plantão! Saio sem esperar uma resposta. Dirijo-me ao estacionamento. Chego perto da minha Kawasaki Z1000 preta. Isso mesmo, eu tenho uma moto. Sou completamente apaixonada por elas. Ponho o capacete, subo na minha baby — e podem me zoar, eu a chamo assim mesmo. Não me importa o que digam. Ela me faz bem, traz-me paz e tranquilidade. Sinto-me leve, e só o fato de ouvir o ronco desse motor já leva embora 50% do meu estresse. Ela é uma das minhas válvulas de escape. É meu ponto fraco, digamos assim. Em pouco mais de dez minutos, chego em casa, já que moro no bairro de Coqueiros, muito próximo daqui, da 4ª DP da Capital, em Itaguaçu, onde sou lotada. E, como estou de moto, otimizo o tempo do percurso rumo à minha casa. Mas raríssimas vezes a utilizo, pois não é recomendável que eu ande tão desprotegida assim. Tomo uma ducha gelada e refrescante e busco no closet uma roupa ao estilo Inês, mais despojado, e não o estilo da delegada. Apesar de uma estar atrelada à outra e sermos a mesma pessoa, quando não estou em meus trajes formais, sou bem mais leve, por assim dizer. Por isso, opto por uma calça jeans de cintura alta, uma camiseta bege e, por cima, uma jaqueta preta. Calço uma bota preta de cano médio e, assim, estou quase pronta para sair, já que daqui a pouco o voo da Melissa chega e eu tenho que ir buscá-la no aeroporto. Olho no relógio. São apenas 6h40. Isso quer dizer que ainda tenho um tempinho, já que o voo dela só chega às 8h. Vou fazer um lanche rápido e descansar um pouco para estar relaxada quando for buscar a Mel e não deixar transparecer todo o meu estresse. Com isso, decido pegar meu K****e e adiantar um pouco da minha leitura. Estou lendo um livro maravilhoso que se chama *Amor em Julgamento*, da Nina Miller. Estou superansiosa para ver o desfecho desse casal. Ah! Um Guerra desses na minha cola! --- Chegando ao estacionamento do Aeroporto Internacional de Florianópolis, estaciono minha BMW X7 SUV. Olho para o relógio no meu pulso, que marca 20h05. Provavelmente, ela já deve ter chegado. Sigo pela entrada principal do aeroporto e as portas se abrem. Dirijo-me ao desembarque, olhando para todos os lados à procura da minha irmã, até que, do nada, sou surpreendida por um ser que esbarra em mim. No susto do esbarrão, que quase me levou ao chão, minha bolsa caiu, mas consegui me equilibrar. Antes mesmo de olhar para o ser que trombou destrambelhadamente em mim — que mais parece um monte de carne maciça —, agacho-me para pegar a bolsa e juntar meus pertences. E é aí que sinto um arrepio na espinha e meu corpo estremece com apenas o som daquela voz grossa e rouca. — Desculpa. Eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Não foi minha intenção. Vou pegando minhas coisas que caíram da bolsa. Graças a Deus, são poucas, já que sou uma mulher prática e não carrego mais do que o necessário. Após juntar tudo, vou me levantando aos poucos e, ao mesmo tempo, limito-me apenas a dar um aceno com a cabeça. Ainda sem fazer nenhum contato visual com o desastrado que despertou em mim tais sensações estranhas apenas com o som de sua voz, sinto-me um pouco irritada, o que me faz responder de uma forma um tanto ríspida ao seu pedido de desculpas. — Tá legal, mas, da próxima vez, vê se olha por onde anda. Você pode machucar alguém. À medida que termino de me levantar por completo e ergo o rosto para olhar o dono daquela voz, deparo-me com seus olhos verdes e penetrantes, que encaro inerte por alguns instantes. Ao mesmo tempo, sinto uma leve frieza nas mãos e um arrepio pelo corpo inteiro. Instintivamente, prendo a respiração e sinto como se meus pulmões falhassem por alguns segundos. Pisco os olhos, mas não saio do torpor em que me encontro e continuo encarando aquele olhar intrigante, que contém um misto de expressões e me encara de volta, quase como se estivesse me comendo com aqueles olhos pedintes cravados em mim, cheios de expressões avaliadoras, como se fossem um scanner dos pés à cabeça. Ele está com um sorriso cínico no canto da boca. Ah, meu Deus! Que homem! Nossa Senhora das mulheres carentes! Não sei como, nem por que, fiquei paralisada, desnorteada e hipnotizada ao me deparar com aquele olhar. Deve ter sido o impacto. Com certeza! Também não é todo dia que me deparo com um monumento desses. Portador dessa delícia toda, parece que foi transplantado do Olimpo e veio parar bem aqui na minha frente. Ele é um cara alto, com aproximadamente 1,80 m, forte, cabelos negros e a pele levemente bronzeada. Mas o que mais me prende a atenção são seus lindos olhos verdes e intensos, que parecem me despir. — Gosto de comandar, mas não tenho nada contra dominadoras. Com certeza, abriria uma exceção para você — comenta ele, finalmente interrompendo o momento, com um sorriso de canto malicioso. Aquilo provoca um reboliço no meu estômago e me estremece toda, deixando meu corpo em alerta. Aquela afirmação me pega de surpresa e desprevenida. Encaro-o séria e é só então que me dou conta de que ele está com minhas algemas na mão. É nesse momento que entendo o sentido dúbio de suas palavras. — Depravado! Sou rápida. Alcanço minhas algemas em sua mão, coloco-as de volta na bolsa e dou uma olhada ao redor para verificar se não caiu mais nada importante. Ainda bem que a arma está na cintura e a jaqueta a cobre, impossibilitando que os outros a vejam. Em ocasiões como essa, de choque com outra pessoa, não quero que algo assim caia em mãos erradas ou dê margem a pensamentos errôneos, como no caso desse babaca. Volto a fitá-lo, colocando a mão na cintura e me revestindo de minha postura séria. Porém, não intimidante o suficiente, pois ele continua com aquele sorriso lindo e descarado estampado no rosto, que chega a dar raiva por me atrair assim. — Seu babaca pervertido, me respeite! Quem te deu liberdade para falar assim comigo e vir com esse tipo de gracinha? Você sabe com quem está falando? Ele me olha e diz: — Ok, excelência, dona do pedaço! — Deixe-me te dizer uma coisa. Notei seu tom de deboche. E você, com essa cara lavada, continua... — Não sei quem você é, mas você bem que poderia me mostrar. E outra: se não quer nenhum tipo de gracejo, não fique me encarando com esses olhos lindos e desejosos. Que eu não resisto! — Sinto te informar, seu panaca, que essa cantada foi ridícula e você está se achando muito, Sr. Irresistível. Devo informá-lo de que escolheu a pessoa errada para testar. Ele abre novamente aquele sorriso de canto e fica me analisando. — Sabe, eu adorei esse seu temperamento. Qual é o seu nome, tigresa? — Não te interessa, abusado. Penso comigo mesma que, se estivesse em horário de trabalho, teria levado aquele homem preso por desacato à autoridade, só para ele aprender a ser menos canalha e parar de fazer gracinha para o meu lado. Respiro fundo para recuperar o fôlego, que até então eu nem havia notado que estava preso. Acho que fiquei com tanta raiva que prendi a respiração. Mas, quando vou responder, eis que meu celular toca. E foi minha deixa para evitar continuar discutindo com aquele babaca gostoso. Dou-lhe as costas e saio andando sem dizer uma só palavra, ignorando-o completamente. Por fim, atendo o celular. — Mana! Mana! Onde você está? Já desembarquei e estou doida para te ver! — diz Melissa. — Estou próxima ao portão de saída. Cadê você, Mel? Não estou te vendo — digo. — Me aguarde aí. Estou chegando e já te avistei. Olha para a esquerda, Inezita! — ela diz. Ao olhar, vejo-a vindo correndo e saltitando, meio atrapalhada com as malas, mas com um sorrisão no rosto. Ao chegar perto de mim, abre os braços e me envolve em um abração. E eu faço o mesmo. Abraço-a, beijo suas bochechas e digo: — Que saudades, Melzinha! — Mas vamos, temos muito que conversar! — Você não vai nem me perguntar como foi minha viagem, irmã má! — fala, e caímos na gargalhada. Então, pegamos o carrinho com suas malas e seguimos até o carro. Ao chegar, colocamos sua bagagem no porta-malas, entramos no carro e seguimos para o meu apartamento, conversando muito...INÊS PORTO— Inezita, estou tão feliz de estar aqui com você! Quero que seja sincera e me diga se realmente não vou atrapalhar você em nada! — diz Melissa.— Mel, sua boba! Você nunca vai me atrapalhar. Você é minha irmã, eu te amo e fico feliz que venha morar comigo e seguir seus planos, assim como eu fiz! Eu estou orgulhosa de você! E não me chame assim, você sabe que eu detesto.Melissa tem 23 anos, é médica e veio para cá fazer sua residência em um dos melhores hospitais do Brasil. Fiquei muito feliz quando, há alguns meses, ela me contou que gostaria de vir para cá e que pretendia tentar uma vaga aqui. E que bom que ela conseguiu!Vai ser maravilhoso tê-la por perto. Ela, além de irmã, é minha amiga, confidente e porto seguro. Apesar de nossa diferença de idade ser de três anos, sempre fomos unidas e companheiras.— E para de toda essa lenga-lenga de que não quer me atrapalhar! — respondo.Ela me abraça e diz:— Eu também te amo, delegada mandona!Caímos na gargalhada.E, ao cont
ARTHUR CASTELO— Desculpa, eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Foi sem querer, me desculpe! — digo.Ela dá um aceno com a cabeça e, de forma ríspida e seca, diz:— Ok, tanto faz. Da próxima vez, olha por onde anda!E, assim que olho para quem esbarrei, fico hipnotizado, fazendo uma avaliação completa dos pés à cabeça. Ela é uma morena linda, com olhos verdes expressivos, uma boca sensual e um corpo de tirar o fôlego.Sinto meu corpo todo enrijecer e cada fio de cabelo se arrepiar.Poxa! Essa mulher é uma visão dos deuses!Vejo que ela deixou a bolsa cair com o impacto e logo em seguida se abaixa para apanhar algumas coisas que caíram no chão. É quando avisto algo que chama minha atenção.Ela tem um par de algemas na bolsa que parecem ser bem reais.Alcanço o objeto e o recolho do chão. Penso que ela deve ser alguma espécie de dominatrix e, só de imaginar, sinto uma onda de desejo. Quando percebo, já externei meus pensamentos.— Eu adoro mulheres que gostam de dominar
ARTHUR CASTELO O avião acabou de pousar no Aeroporto Internacional de Florianópolis. Acabo de chegar das minhas merecidas férias em Ibiza. Decidi tirar apenas uns quinze dias. Não consigo ficar mais tempo do que isso longe do meu trabalho, se bem que não foi lá nenhum sacrifício. Realmente, estava precisando curtir novos ares, e essas foram férias maravilhosas...Ah! Que lembranças! Muita festa, diversão, mulheres bonitas, desinibidas e despretensiosas, prontas para a ação!E são essas lembranças que me fazem, mais uma vez, pensar e refletir sobre a vida e me questionar: por que, sendo eu um cara bonito, solteiro, bem-sucedido, boa-pinta, livre e desimpedido, cogitaria ter outra vida?Ah! Lógico que não!Sabe a quantidade de mulheres que me aparece? E poder usufruir dessa quantidade boa, tendo sexo casual facilmente garantido, estando totalmente livre e desimpedido para a próxima?Então, com a quantidade de adjetivos e qualidades que possuo, é impossível que as mulheres resistam. E
INÊS PORTOEstava tão compenetrada no trabalho, terminando de avaliar provas para finalizar um inquérito, que nem vi o tempo passar. Só percebi que finalmente meu turno havia acabado quando o delegado de plantão, Ventana, bateu à porta.— Olá, Dra.! Como anda sua excelência? Cada dia mais bela, se permite — diz Ventana.Como sempre, ele é bem galanteador. Às vezes fico sem graça, mas não vou ser hipócrita e dizer que não gosto.Pois bem, eu gosto. Faz-me sentir desejada e, é claro, alimenta meu ego. Sei que sou uma mulher bonita e tenho lá meus atributos, mas é sempre bom ouvir isso de outras pessoas e receber elogios. Qual mulher não gosta, não é mesmo?Mas, ao mesmo tempo, fico em alerta e não me deixo levar por galanteios, ainda mais no meu ambiente de trabalho.— Obrigada, Ventana! Estou bem e sem muito tempo para conversar no momento. Agradeço seu elogio, mas permaneço igualzinha à última vez que nos vimos. Acredito que sejam seus olhos.Sei que fui um pouco áspera ao dar minha r
Suspiro fundo e peço silenciosamente, mais uma vez, a proteção de Deus. Verifico se está tudo de acordo com o planejado e repasso as instruções costumeiras aos meus agentes pelo rádio comunicador.— Ao meu comando, após o três, vamos avançar e dar início à operação. Mantenham-se todos em suas posições, em alerta e com suas armas em punho.— E nem um passo sem o meu aval. Entendido?— Positivo.Ouço a confirmação dos agentes e fico satisfeita.Sou firme e intolerante. Irrito-me com desobediência e não suporto insubordinação! Saiu da linha, sofreu as consequências.Por essa razão, sempre que estou conduzindo qualquer operação e, por conseguinte, me encontro na linha de frente, busco comandar de forma firme, decidida e precisa ao dar instruções, para que, em contrapartida, não haja motivos para falhas, nada saia do controle e, por fim, não reste dúvida de quem está no comando.Não vou negar: a carga é grande e há uma responsabilidade enorme junto com a minha posição. Meu cargo é intrinca
INÊS PORTO2 (dois) anos antes...Acordo olhando para o teto. Depois, faço uma vistoria ao meu redor. Ainda não me acostumei com meu novo lar; a ficha está demorando para cair por completo.Abro um sorriso daqueles que demonstram toda a alegria e satisfação possíveis de se estampar na cara de uma pessoa. Espreguiço o corpo, a fim de jogar fora toda a fleuma existente nele, para, automaticamente, ir ao banheiro em busca de fazer minha higiene matinal. Ao término, encaro o espelho e constato minha cara de boboca cansada, mas muito feliz.Em seguida, conduzo-me, com toda a graça e elegância agraciadas por Deus, até a singela cozinha do meu novo e recém-adquirido apartamento. Tomo um café reforçado, com pães — pães no plural mesmo — e um café com leite bem forte.Após lavar a louça suja, sigo para a sala e me jogo no sofá. Pego uma almofada, coloco-a embaixo da cabeça como apoio e, instantaneamente, fecho os olhos por breves instantes. Tão logo, sou tomada por divagações da minha mente, q







